sexta-feira

STTR de Apodi/RN marca presença no 2º Seminário Brasileiro de Saúde e Ambiente.

Movimentos Sociais marcam presença no 2º SIBSA, em Belo Horizonte.



Agnaldo Fernandes

Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi (RN)
O município passa por um momento difícil com a possibilidade da instalação de um mega projeto de irrigação que está ameaçando as organizações e cultivos agroecológicos locais. Agnaldo trabalha na afirmação de que a agroecologia e a agricultura familiar são um viés para o Brasil na geração e distribuição de renda. Por pessoas simples e humildes, mas que respeitam a natureza. Elas sabem muito bem produzir e respeitar o meio ambiente, diferentemente do agronegócio: a agroecologia é viável, apesar de muitos falarem o contrário tentando legitimar o agronegócio, tentamos mostrar a organização dos grupos que produzem agroecológicamente respeitando o manejo da caatinga: a apicultura que é um potencial muito forte, a produção de polpa de fruta, grupos artesanais, grupos de mulheres, etc. No município de Apodi tem mais de 70 associações comunitárias, então é mais para a gente estar visitando esse histórico da organização.
Conheça quais são os Movimentos Sociais que vão apresentar suas experiências durante o 2º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente, em Belo Horizonte, de 19 a 22 de outubro. Clique aqui e veja...


quarta-feira

Comunidade tradicional é atingida por impactos dos parques eólicos

Comunidade quilombola Malhada (BA) é uma das que resistem à implantação de parque eólico em seu território
Iasmin Santana e Allan Lustosa* - comunicadores populares da ASA
Caetité | BA
27/08/2014
O vento é a fonte de energia que mais cresce no Brasil. Entre 2006 e 2013, houve um crescimento de 829% desse setor. Hoje, já são 167 parques eólicos em todo o país, mas 36 deles estão desconectados da rede por falta de linhas de transmissão. Um parque eólico é um espaço, terrestre ou marítimo, onde estão concentrados vários aerogeradores destinados a transformar energia eólica em energia elétrica.
Do ponto de vista físico, não existe energia limpa. Ou seja, não existe uma fonte energética convertida em outra fonte que não emita gases, resíduos e que não impacte socialmente. Podemos classificar as fontes como 'sujas', no caso dos combustíveis fósseis, gás natural, carvão mineral e derivados de petróleo e minérios radioativos, e as fontes 'menos sujas', que são as energias renováveis solar, eólica, biomassa e hidráulica", diz o especialista Heitor Scalambrini (veja entrevista completa aqui).


 
 Parque de energia eólica | Foto: Allan Lusttosa
O Nordeste é uma das regiões de maior potencial eólico do Brasil, com destaque para a Bahia, que abriga o maior complexo eólico da América Latina, localizado no município de Caetité, no sertão do estado. Segundo informações do Atlas Eólico da Bahia de 2013, o estado apresenta a existência de recursos eólicos abundantes, com ventos regulares, distribuídos principalmente no Semiárido baiano.

Atualmente, existem oito usinas eólicas em operação nos municípios de Brotas de Macaúbas, Sento Sé e Sobradinho. Além disso, de acordo com o Atlas, a Bahia tem 87 projetos de energia eólica previstos para instalação que somam, aproximadamente, R$ 8,5 bilhões.

O crescimento dessa fonte de energia, no entanto, merece atenção, pois os parques eólicos têm causado grandes impactos sociais e ambientais. Em Caetité, um dos focos do problema é o modo como os parques vêm sendo implantados, aliado à falta de informação. Essa realidade é vivenciada por 67 famílias da comunidade quilombola de Malhada, pertencente ao Distrito de Maniaçu. Os moradores não se opõem ao trabalho das empresas, mas querem seu território livre para decidir o que fazer com ele. “Nós aqui não é contra a empresa, nós queremos a nossa terra. Se nós não tiver a nossa terra, pra onde é que nós vamos?”, desabafa dona Odetina de Jesus, uma das moradoras mais antigas da comunidade.

A comunidade foi reconhecida como quilombola em 2012, com o apoio do sindicato, pastorais da igreja católica e movimentos sociais.  A certificação possibilita que a comunidade seja defendida juridicamente pela Fundação Cultural Palmares e beneficiada com políticas públicas federais. A luta agora é pela demarcação e titulação das terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Seu Joaquim da Silva, presidente da Associação do Pequeno Agricultor da Comunidade de Quilombo de Malhada e de Maniaçu, relembra que foi procurado por representantes de empresas para que ele autorizasse a implantação da torre eólica, mas apesar de ser presidente da associação, ele afirmou que só poderia “fazer as coisas juntamente com a comunidade”.

Mesmo sem autorização dos moradores de Malhada, há mais ou menos dois anos, foi implantada uma torre de pesquisa em uma área da comunidade e também colocada uma cancela com uma placa que informa ser proibida a circulação de pessoas. Essa área tem um significado histórico, pois era onde os antepassados deles trabalharam. Na época, a comunidade reuniu os moradores e representantes de algumas organizações da sociedade civil para saber da empresa o motivo da implantação, mas o diálogo não avançou. A partir do momento que o território deixa de ser deles e passa a ser da Companhia, como será para as futuras gerações? Essa é uma preocupação de dona Teresinha da Silva que questiona: “Essa nova geração pra onde vai?”

Para Thomas Bauer, da Comissão Pastoral da Terra na Bahia (CPT-BA), os parques eólicos que ocupam imensas extensões territoriais causam grandes impactos socioambientais para as populações locais, na sua maioria comunidades tradicionais.

“Além da volta da grilagem de terra, os contratos de arrendamento assinados são sigilosos, abusivos e totalmente favoráveis às empresas que na sua grande maioria nem sequer explicam o teor destes contratos e os camponeses/as são pressionados a assinar entre a casa e a porteira da roça, comprometendo toda a geração futura”, afirma Thomas.


Joaquim, Odetina e Teresinha resistindo na comunidade quilombola | Foto: Allan Lusttosa
A expulsão de comunidades de suas terras é um dos impactos na energia eólica, mas há outros. Segundo a Pesquisa sobre Licenciamento Ambiental de Parques Eólicos do Ministério do Meio Ambiente, realizada em 2009, os principais impactos apontados pelos estados são os relacionados ao efeito do parque eólico na paisagem, alteração de uso do solo e relevo, aumento da mortandade de pássaros que se chocam nas hélices, interferências eletromagnéticas e impactos sonoros, que podem causar sérios danos à saúde humana.

“Sem falar que os Parques Eólicos, em grande parte financiados com investimentos públicos e entregues à mão privada, reforçam um modelo desenvolvimentista, aumentando a concentração gerando lucro para poucos", explica Thomas.

Fórum Social Temático
A energia eólica foi um dos temas debatidos no Fórum Social Temático sobre Energia (FTS – Energia), realizado de 7 a 10 de agosto, em Brasília-DF, com o tema: “Energia: para quê? Para quem? Como?. O evento foi realizado para atender à necessidade de reflexão sobre os problemas que vêm sendo criados pelas matrizes energéticas utilizadas (hidroelétricas, termoelétricas, energia nuclear, combustíveis fósseis), como também para debater maneiras alternativas de produção de energia, de forma a diversificar as matrizes geradoras de energia e garantir menos impactos ao meio ambiente e aos grupos sociais. 


Para Cláudio Dourado, agente da CPT BA – Centro Norte, a temática sobre energia eólica foi uma das mais interessantes do evento, porque tinha uma grande representação de movimentos sociais, moradores de comunidades de fundo de pasto, quilombolas e indígenas dos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco, que se reuniram durante todo o fórum e trocaram experiências no que diz respeito à questão do impacto dos aerogeradores nas suas regiões.

Ele destaca também que os encaminhamentos desse grupo de trabalho foram bastante concretos, como a formação de uma comissão, com representantes de cada estado, para pensar estratégias de enfrentamento desses impactos ocasionados pela implantação dos parques eólicos e a realização de encontros regionais para debater esse assunto.

O FST-Energia é uma iniciativa de organizações da sociedade civil brasileira vinculadas ao tema, organizadas em um Coletivo de Facilitação e autônomas em relação a governos, partidos e empresas.
Durante o FST-Energia foi lançada a Campanha Nacional por uma Nova Política Energética com o slogan ENERGIA para a Vida!. O objetivo da campanha é promover uma nova política para o setor elétrico no Brasil à altura dos desafios do século 21, baseada em princípios de eficiência econômica, justiça social, respeito à diversidade cultural, participação democrática e sustentabilidade ambiental.

Mais informações:  www.energiaparavida.org

*Colaborou Gleiceani Nogueira, da ASACom.

segunda-feira

Cisternas de enxurrada garantem produção agrícola com água de chuva em comunidades.

Região conhecida nacionalmente como terra do bode e referência em todo Semiárido brasileiro pelo trabalho de beneficiamento de frutas da Caatinga, especialmente o umbu, Uauá, no sertão da Bahia, é um dos municípios contemplados pelo Projeto Mais Água, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza da Bahia – Sedes, que nesta região é executado pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – Irpaa.
Ao longo do Projeto, cerca de 180 comunidades do município serão contempladas com um total de 173 implementações, em sua maioria em comunidades de Fundo de Pasto. D. Marlene, D. Adriana e S. João Bosco estão entre as/os beneficiários/as do projeto que já estão usando a água armazenada na cisterna de enxurrada com as últimas chuvas para cultivar alimentos.
Trabalho em família
Marlene Silva de Aquino Almeida, de 30 anos, vive com a filha e o esposo na comunidade de Volta do Rabelo, a 12 km da sede de Uauá. Beneficiária do Mais Água, ela mostra com satisfação os primeiros resultados do projeto, destacando que a chegada da cisterna animou algumas pessoas da sua família a se unirem para cultivar a horta e o pomar ao lado da tecnologia de captação e armazenamento de água da chuva. As chuvas que caíram no mês de dezembro encheu a cisterna e a água vem sendo usada para manter o cultivo de coentro, cebolinha, alface, pimentão, quiabo, mandioca, além de plantas medicinais e fruteiras como mamão, pinha, acerola, maracujá e goiaba.
O cunhado de Marlene, S. Rogério de Almeida, relata que “quando um não pode molhar, o outro molha, a gente tem união pra plantar né, cuidar e cada um ter seu canteiro”. Marlene completa dizendo que não basta apenas a vontade de plantar, mas “tem que saber também cuidar”, diz tomando como base o esforço coletivo que membros das famílias estão tendo para confirmar a eficácia da tecnologia implantada na propriedade. Para Marlene, só o fato de não comprar mais os produtos que agora tem ao lado de casa e todos sem agrotóxicos, já é uma grande contribuição do projeto. À espera da segunda filha, os planos da agricultora são de “futuramente poder vender, poder ajudar a comunidade também, não pensar só na gente”.
Segurança Alimentar e complemento à renda
Na Fazenda São Bento, a cisterna também já está contribuindo para algumas mudanças na família de D. Adriana Cardoso Varjão. Além do consumo de hortaliças como couve e coentro na alimentação cotidiana, tudo produzido de forma orgânica nos canteiros construídos também pelo projeto, a venda do excedente desses produtos na Feira da cidade já é uma realidade.
D. Adriana, que também é criadora de abelhas e preside a Associação de Apicultores da Fazenda São Bento, conta que a família sempre fez plantios de chuva, mas agora experimenta cultivos permanentes a serem irrigados com a água armazenada na cisterna de enxurrada. Junto com o esposo, S. José Carlos Santana, ela vem cuidando da produção e está sempre em busca de mudas, principalmente de fruteiras.
Na área de Fundo de Pasto onde o casal mora com os filhos, além da criação de caprinos e ovinos e da apicultura, a família agora passará também a ter para o sustento, podendo até vender, alimentos como abobrinha, pinha, manga, seriguela, acerola, umbuzeiro, além de ervas bastante usadas na medicina alternativa como capim santo e hortelã.
O adubo utilizado vem dos animais da propriedade e a cisterna possibilita cultivar também alimento para o rebanho, conta D. Adriana, que está apostando também no plantio de forragem como capim e sorgo.
Complementação de tecnologias
Na comunidade de Ouriciu, região de vasta Caatinga, as famílias estão apostando na preservação. A caprinovinocultura, no modo de criação em área coletiva (Fundo de Pasto), ainda é uma das principais fontes de renda. Para complementar esta prática e garantir o armazenamento da água da chuva, S. José Bosco Pedro Mariano conta que está ansioso para cultivar a partir da cisterna de enxurrada que recebeu do governo, através do Irpaa, no Projeto Mais Água.
Os 52 mil litros de água hoje guardados na cisterna serão utilizados para manter cultivos deraízes como mandioca, beterraba, cenoura, planeja S. João Bosco. Uma grande vantagem é que sua propriedade fica ao lado de outra cisterna de enxurrada, a do seu vizinho Antônio Ferreira Matos, também contemplado com o projeto, e ambos compartilham uma área de captação de uma barragem subterrânea, construída pela Articulação do Semiárido (Asa). A barragem, que fica situada entre as duas cisternas, está na terra de S. Antônio, mas o cultivo pode ser feito nas duas propriedades.
Assim, o uso da água da cisterna certamente será menor, permitindo uma economia na irrigação e aumentando a possibilidade de cultivos. Atualmente, nas áreas já estão sendo colhidos legumes como feijão de corda, maxixe, frutas a exemplo de melancia, além de hortaliças. Os agricultores estão vendo se desenvolver também sorgo, banana, limão, acerola, tomate, mamão e até abacaxi.
Saiba mais sobre o Projeto Mais Água
O Projeto Mais água executado pelo Irpaa vai instalar um total de 651 tecnologias de captação e armazenamento de água de chuva e realizar atividades voltadas para a Convivência com o Semiárido em cinco municípios dos Territórios do Sertão do São Francisco, Norte de Itapicuru e Itaparica, na Bahia. Trata-se de um total de 885 famílias dos municípios de Abaré, Curaçá, Uauá, Jaguarari e Andorinhas que além de receber as tecnologias, estão participando de cursos, visitas e intercâmbios.
Em Uauá estão sendo implementados: 77 cisternas de produção; 01 barragem subterrânea; 60 barreiros trincheiras familiares; 05 barreiros trincheiras comunitários; 10 limpezas de aguadas; 20 quintais produtivos.
Texto e Foto: Eixo Comunicação

quinta-feira

Famílias de Apodi conhecem novas estratégias de convivência com o semiárido em intercâmbio.

Stefanya Neves - comunicadora popular da ASA
Mossoró | RN

Agricultores\as observam experiências no intercâmbio | Foto: Arquivo Terra Viva
Terminou nesta quinta-feira, dia 24, o intercâmbio de dois dias realizado pelo Centro Terra Viva com as famílias beneficiárias do projeto Uma Terra e Duas Águas (P1+2) do município de Apodi, localizado na região do médio oeste potiguar.  As vistas aconteceram nos municípios de Campo Grande e Caraúbas, respectivamente, onde as famílias tiveram oportunidade de observar tecnologias que ajudam na convivência com o semiárido e viabilizam condições de produção para os agricultores e agricultoras do semiárido brasileiro.
O primeiro dia do intercâmbio aconteceu no sítio Bom Jesus, em Campo Grande, e as famílias agricultoras conheceram duas experiências bem sucedidas. A primeira foi no quintal de seu Francisco Damião, conhecido como “Ibo”, onde os agricultores entenderam como funciona o processo de dessalinização da água salobra, extraída dos poços, e observaram seu manejo nas plantações regadas com essa água.  Um criadouro coletivo de peixe também faz parte do experimento que tem parceira com a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) e há quatro anos foi instalado no local, se aproveitando do alto índice salino e dos rejeitos da água tratada.
Atualmente seu Ibo é quem toma conta do criadouro e de acordo com ele cerca de 500 peixes alevino estão ocupando os tanques. Conforme o técnico de campo do Núcleo Sertão Verde, entidade parceira da Terra Viva, Deroci Araújo, no último experimento foram retirados dos tanques 178 quilos de peixe com uma média de venda a seis reais cada quilo, garantindo a sobrevivência da família de Ibo. 
Ainda no quintal de seu Ibo, os agricultores de Apodi contemplaram uma plantação de palma forrageira que ele cultiva com água salobra, como prevenção para a alimentação dos animais caso falte no futuro. 
Ainda no sítio Bom Jesus as famílias da chapada do Apodi visitaram a propriedade de dona Josena Luzia e Luiz Filho, que possuem uma plantação de goiaba e de acerola voltadas para a produção de poupa de frutas. De acordo com Josena, em 2012, os dezoito pés de fruteiras eram regados com apenas um balde de água durante a seca porque na época ela não possuía sua cisterna calçadão. A agricultora garante que hoje a situação é bem melhor depois da tecnologia implantada no seu quintal. 
Quintais produtivos
Ainda em Campo Grande, as famílias do intercâmbio conheceram a experiência de seu Antônio, agricultor experimentador conhecido como o “Jovem”, morador da comunidade rural do Campo de Aviação. Fruto do Projeto Juventude Rural do Dom Helder Câmara, Jovem produz batata, macaxeira, tomate, alface, mamão, milho, coentro, pimenta, coco, pinha, manga e outras frutas e verduras em seu sítio. Conforme o agricultor ele vende seus produtos na feira da cidade e nos sítios vizinhos também.  Nessa experiência os agricultores perceberam a importância da agricultura familiar que traz diversidade de produção, evitando pragas e preservando os nutrientes da terra. Já no sítio Veneza os agricultores também observaram uma plantação de maracujá bem sucedida.
Pouca chuva e o apoio das tecnologias
O segundo de visitação foi no município de Caraúbas e os agricultores observaram mais três experiências no assentamento Santa Agostinha: uma barragem subterrânea, um entreposto de mel e o processo de bioágua. Coordenador do manejo da caatinga no assentamento, o agricultor Carlos Alberto mostrou para as famílias beneficiarias do P1+2 a eficiência da barragem subterrânea em uma plantação de capim. Segundo Carlinhos, como o agricultor é conhecido na região, as chuvas do inverno este ano só alcançaram a marca de trezentos milímetros. 
A falta de chuvas também prejudicou a produção de mel. Segundo Carlinhos apenas 400 kg foram vendidos, o que o agricultor considera como um número baixo devido a produções anteriores.
Avaliação
Os agricultores e agricultoras de Apodi ficaram impressionados com o sucesso das experiências das famílias visitadas. De acordo com a agricultora Lúcia, ver a realidade de outros agricultores é inspirador. “A gente vai vendo essas experiências e volta pra casa com vontade de ter todas essas tecnologias para produzir”, comentou.
O intercâmbio é uma espécie de capacitação da ASA que possibilita o agricultor de ver na prática experiências de sucesso, despertando a curiosidade e o interesse para fazer também seus próprios experimentos nos quintais.  Este foi o terceiro intercâmbio executado pelo centro Terra Viva dentro do atual termo, que visa construir 303 tecnologias entre cisternas calçadão e enxurrada e barreiros trincheira nos município de Apodi, Severiano Melo e Rafael Fernandes.

Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi, obras paradas e salários atrasados.


As informações dão conta que as Obras do Perímetro Irrigado da Chapada do Apodi estão paralisadas devido a falta de pagamento da rapaziada que ali trabalha...

Desde a semana passada que o Sindicato que representa a categoria fez intervenção e a turma cruzou os braços diante do não pagamento do trabalho prestado.

Como assim? Os defensores da redenção do Apodi não falaram que o Perímetro Irrigado vai desenvolver Apodi? Vai desenvolver enganando pais de famílias, o povo trabalhador?

Por que até o momento nem um defensor do tal Projeto prestou esclarecimentos aos "peões" do Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi/RN?

E os Vereadores/as defensores do "povão", onde estão?

Por Agnaldo Fernandes

Acampamento Edivan Pinto celebra um ano de existência.

Há exatamente um ano atrás centenas de agricultores e agricultoras sem terra ocuparam um latifúndio localizado na Chapada do Apodi, o fato demonstrou que há muito que ser feito no sentido de se garantir ou que se realize uma reforma agrária popular. Muito embora muitos digam que não há trabalhadores sem terra no município de Apodi, o fato demonstra que pensar assim corrobora em um grande equívoco pensar assim.
No dia 24 de Julho de 2013 surgia o Acampamento Edivan Pinto, que representa mais um manifesto na luta contra a hegemonia do agronegócio na Chapada do Apodi. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para parabenizar a todos e todas que resistem e lutam até os dias de hoje.
A luta pela reforma agrária não tem sido fácil e nunca foi fácil nesse Brasil de contradições, ainda mais quando se tem um modelo desenvolvimentista baseado na ideologia do agronegócio.
Finalizamos parafraseando João Pedro Stédile.  “Há 20 anos atrás o trabalhador dizia que queria terra para ele trabalhar. Hoje, o trabalhador quer terra para produzir alimentos saudáveis, sem agrotóxico. Isso é a Reforma Agrária Popular que estamos falando”.

Por: Agnaldo Fernandes

Algumas fotos do Acampamento Edivan Pinto.

















segunda-feira

O nebuloso cenário dos agrotóxicos no Brasil

agrotoxicos-bfPor IHU-Online
“Ainda há muita informação a ser gerada para que consigamos ter uma posição mais assertiva sobre a condição do meio ambiente em relação à contaminação por agrotóxicos no Brasil”, adverte o engenheiro agrônomo Robson Barizon.
Apesar de o Brasil ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2008, é preciso “gerar muito mais informação para entender como está o cenário de uso de agrotóxicos no país”, diz Robson Barizon, um dos autores do estudo “Panorama da contaminação ambiental por agrotóxicos e nitrato de origem agrícola no Brasil: cenário 1992/2011”, realizado pela Embrapa neste ano. Segundo ele, ainda são produzidas poucas pesquisas em relação às implicações do uso de fertilizantes na agricultura.
“A restrição orçamentária talvez seja o principal ponto a ser desenvolvido, porque ainda não temos programas de monitoramento, como seria o ideal. Todos os estados deveriam ter um programa de monitoramento, considerando suas culturas e as moléculas mais utilizadas na região, e a partir das conclusões dos monitoramentos regionais/estaduais, deveriam ser tomadas as medidas para mitigar os impactos levantados por esses monitoramentos”, pontua, em entrevista por telefone à IHU On-Line.
Entre as preocupações envolvendo o uso de agrotóxicos no país, Barizon chama a atenção para a contaminação da água, “já que a falta de saneamento de esgoto é um problema sério no Brasil. Esse esgoto tem níveis altos de nitrato, além de outros problemas microbiológicos, e níveis altos de nitrogênio. Em pontos próximos às áreas urbanas, é possível observar níveis maiores de nitrogênio, mas em bacias hidrográficas, onde a influência maior é só da área agrícola, os níveis de nitrogênio ainda são considerados baixos. Tendo a agricultura como fonte de contaminação, ainda não constatamos um problema que leve a ações maiores”. Entre as culturas que contaminam a água, está a produção de arroz irrigado. “Pelo fato de o arroz irrigado ser produzido com lâmina d’água, a qual retorna aos corpos d’água, existe, sim, um risco maior de contaminação nessa cultura do que em outras. Isso foi constatado em alguns estudos que nós levantamos. Então, nesse sentido, há, sim, uma preocupação com a cultura do arroz e deve ser dada mais atenção ao manejo desse produto”, adverte.
Robson Barizon é graduado em Engenharia Agrônoma pela Universidade Federal do Paraná – UFPR e doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é pesquisador da Embrapa Meio Ambiente de São Paulo.

Curso de cisterneiros é realizado em Apodi





Cerca de 15 cisterneiros foram capacitados através de um Curso que aconteceu no Assentamento Milagre em Apodi, no período de 25 de junho a 04 de julho. A capacitação teve duração de 10 dias e tinha como objetivo repassar métodos e técnicas na construção de tecnologias como as cisternas calçadão e enxurrada que serão implantadas pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2).

Cisterneiros dos municípios do médio e alto oeste potiguar como Apodi, Rafael Fernandes, Governador Dix-Sept Rosado e Umarizal estão sendo contemplados com a capacitação que é executada pelo Centro Terra Viva. O P1+2 é coordenado pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA).

O instrutor Eli Carlos da Silva é cisterneiro há dez anos e avalia o curso como produtivo. De acordo com ele, a turma é aplicada e o fato de muita gente já ter tido experiências como ajudante em construção de cisternas facilitou o trabalho. Ainda de acordo com ele, está é uma importante oportunidade de aprendizado. “Além de capacitar, a Terra Viva dá oportunidade para que eles se profissionalizem e ainda abre espaço para trabalharem, só não continua quem não quer”, disse.

Já Regicleudo Batista de Freitas afirma que apesar das dificuldades estar participando do curso é uma experiência importante na área de trabalho. “Já fui assistente de cisterneiro e quando surgiu a oportunidade de fazer o curso não pensei duas vezes em me tornar um”, revelou.

De acordo com a coordenação do projeto na entidade executora, o Assentamento Milagre foi escolhido para receber a capacitação dos cisterneiros por proporcionar as estruturas necessárias ao curso e ao término das atividades quatro tecnologias terão sido construídas na comunidade.

quinta-feira

Agricultores fazem protestos.

protesto
Na BR-020, os trabalhadores rurais fecharam o trânsito para reivindicar ações de convivência com o semiárido, como obras de abastecimento
FOTO: JOÃO PAULO SILVA
Canindé. Mais de 300 trabalhadores rurais de assentamentos localizados neste município interditaram, ontem de manhã, a BR-020, no triângulo que dá acesso ao Centro da cidade. A manifestação foi feita por moradores de áreas desapropriadas pelo Incra e Idace. Também aconteceram manifestações em Quixadá, onde 400 famílias fecharam a CE-060; em Umirim, com 300 trabalhadores interditando a BR-222; e Limoeiro do Norte, onde 600 famílias fecharam a BR-116.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canindé, José Maria Coelho e Antônia Ivoneide, do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), a reivindicação é pelo cumprimento de pauta assinada pelos manifestantes e enviada ao governador Cid Gomes, cobrando serviços para compensar a perda da safra neste ano.
"O maior problema é a falta de água. Queremos com urgência a perfuração e instalação de poços profundos, porque já temos 150 prontos, faltando apenas o governo do Estado liberar os projetos de convivência com o semiárido, a construção de açudes e a segurança do Garantia Safra'', disse Antônia Ivoneide.
Os manifestantes também saíram em passeata pelas principais ruas da cidade conduzindo bandeiras do MST e usando palavras de ordem e cobrando dos governos federal e estadual soluções para a pauta reivindicada. Eles ameaçaram permanecer no local até que fossem recebidos por representantes do governo do Estado. Uma fila de carros se formou nos dois lados da rodovia. A Polícia Rodoviária Federal permaneceu no local para controlar o trânsito, mas a manifestação foi pacífica.
"Queremos uma conversa amigável, mas séria com as autoridades", disse Antônia. "A situação do sertanejo é muito dolorosa e, por isso, estamos nessa luta na defesa de uma melhor condição de vida para essa gente".
Negociações
José Maria afirmou que é necessária uma "conversa definitiva" com os representantes dos governos federal, estadual e municipal. "Estamos num movimento pacífico, queremos apenas que eles nos recebam e resolvam de vez o problema e nada mais".
Durante a manifestação, só passaram ambulâncias e carros com pacientes em estado de urgência. Os ônibus intermunicipais tiveram de fazer o sistema de rodízio.
Eles estiveram reunidos com o prefeito de Canindé, Celso Crisóstomo, que serviu de porta voz entre os trabalhadores e o governo do Estado. Um documento será elaborado para ser reenviado às autoridades.

segunda-feira

Agricultores/as recebem dicas de convivência com o semiárido em dia de Campo no Médio Oeste Potiguar


 

Agricultores (as), estudantes, pesquisadores e técnicos (as) se reuniram para participar de uma aula de campo no Assentamento Milagres, em Apodi (RN), a mobilização aconteceu na manhã desta terça-feira (dia 10) com os seguintes parceiros: Projeto de Assentamento Milagre, o SEBRAE, o IFRN – Campus Apodi, o Centro TERRA VIVA, a UFERSA e o NUMA – Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia.
Aproveitou-se essa atividade para realização de um Intercâmbio com agricultores (as) do município de Severiano Melo/RN como parte das ações do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) coordenado pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e executado pelo Centro Terra Viva.
Na ocasião, os agricultores (as) e estudantes participaram de um ciclo de palestras ministradas por profissionais ligados as instituições, onde receberam dicas de convivência com o semiárido que vão desde o plantio e a armazenagem de alimentos, passando pelo manejo de plantas para medidas sanitárias, até aos métodos de reaproveitamento da água residual doméstica para irrigação de plantações.
Ministrante da palestra “Fenação”, o professor Renato Alencar do IFRN – Campus Apodi, destacou a importância da mobilização e da difusão dessas estratégias para que os agricultores e agricultoras se previnam durante os longos períodos de estiagem no semiárido, garantindo assim o alimento e conservando também a qualidade.
Após a mobilização, os participantes ainda tiveram a oportunidade de visitar a comunidade de São Francisco para observar e entender a diferença entre as cisternas calçadão e enxurrada, que são tecnologias desenvolvidas no P1+2, com o apoio dos técnicos do Centro Terra Viva.
Fonte: BlogApodiário

quarta-feira

Dossiê Perímetros Irrigados é lançado como denúncia e motivo para a resistência


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Por Camila Paula
Comunicadora Popular do CF8
O lançamento do Dossiê Perímetros Irrigados que aconteceu hoje pela manhã. O auditório lotado do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi mostra a importância do momento. O documento com mais de 600 páginas que denuncia os projetos de perímetros irrigados da região da Chapada do Apodi, revela os impactos negativos sofridos pelas comunidades desapropriadas e pelas que ainda convivem no entorno desses grandes projetos de irrigação nas regiões do: Jaguaribe-Apodi (CE), Tabuleiro de Russas (CE), Baixo Acaraú (CE), Baixo Assú (RN) e Santa Cruz do Apodi (RN).

Estavam presentes no lançamento do Dossiê Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido, organizadores do documento, movimento 21, grupo de pesquisadores e pesquisadoras das universidades federais e estaduais do Ceará, Ser-tão de assessoria jurídica popular da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, diversos movimentos sociais e agricultores e agricultoras da Chapada.
Depois de tantas lutas e conquistas, o projeto do Perímetro Irrigado de Santa Cruz surge como uma grande ameaça à vida dos agricultores e agricultoras locais. Além da retirada do povo do local, a degradação do solo e da água, o projeto prevê entregar as terras para empresas do agronegócio, colocando em risco a vida dos trabalhadores e trabalhadoras que vão trabalhar diretamente com os agrotóxicos como a população, de um modo geral, que consumirá alimentos envenenados.
Depois de um rico debate, ficou no ar a pergunta: qual o próximo passo? Bernadete, professora e pesquisadora que contribuiu na confecção do dossiê, responde que “o projeto de Perímetro Irrigado é um problema de todos e de todas. Por uma questão de saúde pública, especialmente, este debate precisa ganhar também os espaços urbanos, pois os alimentos que consumimos também são contagiados pelos agrotóxicos, e o desenvolvimento do projeto acarreta problemas estruturais e sociais para a cidade. Nosso desafio é unir o campo e a cidade nesta luta por direitos, nesta luta pela vida”. E encerra a fala cantando: “A chapada é nossa. A chapada é do povo. É só lutando que será nossa de novo”.
Ainda respondendo a pergunta sobre a continuidade da resistência ao perímetros, Raquel Rigotto afirma a importância da luta que se tornou nacional e até internacional, mencionando as ações da Marcha Mundial das Mulheres que – em mais de 64 países – dizem #SomosTodasApodi e reforça que a terra e a água, os investimentos do dinheiro público devem ser para a agricultura familiar e para uma melhor convivência com o semiárido. Edilson Neto, presidente do STTR de Apodi, encerra a manhã do lanamento com a esperança de unir as lutas e lutar até a vitória. O auditório se anima e todos e todas gritam fortemente: Lutar e resistir pela Chapada do Apodi!
Fonte: Blog do Centro Feminista 8 de Março.

terça-feira

Dossiê de Perímetros Irrigados será lançado em Apodi na próxima quarta.

Mais de dois anos de coleta e organização de pesquisas científicas, textos e estudos de casos em cinco perímetros irrigados nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte geraram o Dossiê Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido que será lançado na próxima quarta, dia 11, às 8h no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Apodi.
A partir do diálogo com a população das regiões afetadas, a pesquisa enfatiza a violação de alguns dos direitos básicos: à terra, à participação política, à água, ao meio ambiente, ao trabalho digno e à saúde. Em relação a esta última, o dossiê traz uma denúncia grave: devido ao uso abusivo de agrotóxicos, a taxa de mortalidade por câncer entre as comunidades que vivem no entorno das plantações do agronegócio é 38% maior do que nos locais onde há apenas agricultura familiar.
O dossiê organizado por grupos de pesquisa da Universidade Estadual do Ceará, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, articulação de movimentos sociais do campo, sindicatos de trabalhadores e pastorais sociais consiste em aproximadamente 600 páginas que revelam os impactos negativos sofridos pelas comunidades desapropriadas e pelas que ainda convivem no entorno desses grandes projetos de irrigação nas regiões do: Jaguaribe-Apodi (CE), Tabuleiro de Russas (CE), Baixo Acaraú (CE), Baixo Assú (RN) e Santa Cruz do Apodi (RN).
O lançamento oficial do Dossiê ocorre estrategicamente na cidade de Apodi por ser um local onde os agricultores e agricultoras fazem grande resistência junto ao STTR e movimentos sociais para que o projeto não seja implementado: “esta é mais uma ação de denúncia e resistência contra esse projeto de desenvolvimento do agronegócio que só traz malefícios com sua produção que esgota os nossos recursos naturais, expulsa o povo de seus territórios e prejudica a saúde dos trabalhadores que vão lidar diretamente com o agrotóxico e da população que vai consumir comida envenenada”, alerta Ivone Brilhante, agricultora do P.A Sítio do Góis (Apodi).
Sobre a importância deste documento e do lançamento que tem como objetivo esclarecer a população dos riscos do Perímetro Irrigado, Edilson Neto, agricultor e presidente do STTR Apodi, diz que: “É muito interessante que a gente junte esses conflitos. O problema é de todo mundo, não só de Apodi. Nós estamos perdendo os territórios. Se a gente não lutar, não vamos ter mais nenhum camponês”.
O conteúdo do dossiê foi apresentado no III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), realizado em Juazeiro da Bahia no mês de maio, onde reuniu agricultores e diversos segmentos da sociedade de várias cidades do País. E está disponível no endereço:

Fonte: Blog do Centro Feminista 08 de Março. 

segunda-feira

Dossiê sobre Perímetros Irrigados será lançado em Apodi-RN no próximo dia 11 de Junho.

CONVITE PARA LANÇAMENTO DO DOSSIÊ
Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido
                                              
                                         Data: 11 de junho de 2014, às 08h
                                         Local: Auditório do STTR-Apodi - Rua Nonato Mota, nº 106
                                         Maiores informações: (84) 99420641; strapodi@hotmail.com

 Prezado(a) Sr.(a.)

Temos a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento do Dossiê “Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido”, construído numa articulação entre pesquisadores das áreas de geografia, história, saúde e direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e diversos movimentos que atuam no campo, diante da política nacional de irrigação vigente, que prevê recursos da ordem de 6,9 bilhões de reais para expandir estas estruturas geopolíticas em 393.000 ha de semiárido.

A partir de teses, dissertações, artigos científicos, estudos de impacto ambiental e outros documentos oficiais ou produzidos pelos movimentos sociais sobre o tema, o dossiê se estruturou investigando relevantes impactos para os agricultores familiares e camponeses e suas famílias, impactos estes que estão sendo desconsiderados no curso de expansão dessa política, especialmente no que diz respeito às violações de direitos à terra e ao território,  água, ambiente, trabalho, saúde, cultura e participação.
Diante da relação entre os temas discutidos nesse documento e a instituição que o(a) senhor(a) integra, bem como da necessidade de discussão das formas de garantia dos direitos atingidos pelo modelo de desenvolvimento viabilizado pelos perímetros irrigados, convidamos Vossa Senhoria a estar presente no lançamento do dossiê, que ocorrerá na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi, às 08 horas do dia 11 de junho de 2014.

            Desde já, agradecemos sua presença. 

Dossiê aponta impactos dos perímetros irrigados no CE.

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Perímetro Irrigado Tabuleiro de Russas é modelo de produção, principalmente de frutas. No entanto, agricultores apontam dificuldades no acesso às terras.
Russas. Foram quase dois anos de coleta e organização de pesquisas científicas, textos e estudos de casos em cinco perímetros irrigados nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte. As experiências resultaram em um dossiê que releva os impactos negativos sofridos pelas comunidades desapropriadas e pelas que ainda convivem no entorno desses grandes projetos de irrigação. O levantamento denuncia e aponta violação de direitos nas últimas quatro décadas.
O Dossiê Perímetros Irrigados foi organizado a partir do grupo de pesquisa do Movimento 21 (M21), que consiste em uma articulação de movimentos sociais do campo, sindicatos de trabalhadores, pastorais sociais e pesquisadores de departamentos da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade Federal do Ceará (UFC).
O grupo de pesquisa está cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sob o título "Ecologia de saberes para promoção da equidade ambiental e em saúde no trabalho no contexto da expansão do agrohidrone-gócio nos territórios do Vale do Jaguaribe".
De acordo com uma das organizadoras do Dossiê, a professora do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam) e doutoranda em Geografia Humana na Universidade de São Paulo (USP), Bernadete Freitas, havia uma necessidade de organizar as várias pesquisas realizadas nos últimos anos sobre a temática e reuni-las em um documento único, que sirva como ferramenta para estudiosos e movimentos sociais. "Pensamos nesse trabalho de modo que sirva principalmente para as comunidades camponesas dessas áreas lutarem por seus direitos e para movimentos sociais, que cobram dos governos uma mudança nesse modelo de irrigação. Será importante também, nesse sentido, para o Estado reavaliar essa política pública" afirma.
O dossiê traz tanto as vozes dos territórios, quanto as análises de quatro décadas de violações de direitos no semiárido e os estudos de casos, com base em pesquisas científicas e outros documentos oficiais, dos perímetros irrigados Jaguaribe-Apodi (CE), Tabuleiro de Russas (CE), Baixo Acaraú (CE), Baixo Assú (RN) e Santa Cruz do Apodi (RN), sendo que este último ainda será implantado, mas há um processo de resistência muito forte por parte das comunidades. Essas áreas, segundo Bernadete, são aquelas que apresentam maiores impactos negativos e violações de direitos, levando pesquisadores a publicarem vasto material acerca dessas regiões. Ainda de acordo com ela, é no Perímetro Jaguaribe-Apodi onde mais se expressa a geração de impactos negativos.

Parceria
Estiveram envolvidos pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (Uece), por meio da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), Universidade Estadual Vale do Acaraú (Ueva), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE). O dossiê foi construído utilizando, como metodologia, o levantamento e estudo das teses, dissertações, artigos científicos, estudos de impacto ambiental e outros documentos oficiais ou produzidos pelos movimentos sociais sobre o tema e a análise do conjunto dos estudos de caso para identificação dos elementos comuns, foram elaboradas grades analíticas das violações de direitos nestas fases.
Todo o material coletado foi apresentado e discutido com um amplo grupo de movimentos sociais do campo no Ceará e no Rio Grande do Norte.
"O dossiê foi construído coletivamente. As análises foram focadas na violação do direito à terra, ao território e à cultura, à participação política, à água, ao meio ambiente, ao trabalho digno e à saúde", afirma ela. Como exemplo da negação de direito à participação política, Bernadete conta que não ocorre o mínimo de diálogo entre as comunidades e o Dnocs, órgão responsável pela implantação e gerenciamento dos perímetros irrigados, sobre a escolha dessas comunidades em relação à implantação dos perímetros, pois "já vem tudo prontinho de cima pra baixo", afirma.

Indenizações
"Além disso, como exemplo de negação de direito à terra, percebe-se o desrespeito ao direito de posse, assim com as indenizações injustas, por exemplo. Trata de direitos que estão previstos, inclusive na Constituição. Tem famílias que foram desapropriadas há décadas e até hoje não receberam indenização. Isso sem falar no processo de expropriação camponesa após a implantação que chega a 81%, como é o caso do Jaguaribe-Apodi. Por outro lado, tem muitos camponeses resistindo e lutando para retornar à terra. O Acampamento Zé Maria do Tomé, na Chapada do Apodi (CE), é um exemplo dessa resistência e luta por direitos. Tem também toda a problemática envolvendo os agrotóxicos, que foi profundamente abordada pela professora Raquel Rigotto, do Grupo Tramas da Universidade Federal do Ceará, enfim, são várias as negações de direitos sofridas pelos moradores das comunidades", enfatiza.
O Dossiê foi lançado na Semana Zé Maria do Tomé, realizada para lembrar a morte do líder comunitário Zé Maria do Tomé e para fortalecer a luta de comunidades da Chapada, contra o atual modelo do agronegócio. O conteúdo do dossiê também foi apresentado no III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), realizado em Juazeiro da Bahia no mês de maio, onde reuniu agricultores e diversos segmentos da sociedade de várias cidades do País.
De acordo com Bernadete, o dossiê esta em fase de finalização para ser publicado, primeiramente, em um arquivo virtual e depois seguirá para versão impressa. Ela estima que até o início do próximo semestre o material estará completo.

Comunidades agrícolas pleiteiam títulos de terras
Russas. Famílias desapropriadas para a implantação dos perímetros irrigados Jaguaribe Apodi e Tabuleiro de Russas lutam há anos pelo direito à terra. Comunidades inteiras foram desapropriadas, como na região onde hoje está implantada a segunda etapa do perímetro irrigado Tabuleiro de Russas, onde 10 comunidades deixaram de existir. No total, 700 famílias da região foram afetadas.
De acordo com uma das moradoras, Osarina da Silva Lima, as famílias aguardam desde 2010 o acesso a um lote de terra no perímetro. O direito à terra foi assegurado mediante a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público Federal e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), responsável pela implantação e gerenciamento dos perímetros. "Até agora nada foi feito e as famílias estão passando dificuldades para sobreviver".
Quem também ainda luta por terras são os moradores da Chapada do Apodi, na região que abrange os municípios de Limoeiro do Norte e Quixeré. Eles reivindicam terras da segunda etapa do perímetro irrigado e estão acampados no local desde o dia 5 de março. As negociações seguirão para o Ministério da Integração Nacional, em audiência que será realizada ainda neste mês. Atualmente, mais de 1000 famílias estão na área.
Todas os afetados nessas duas áreas de perímetro reivindicam uma forma diferente de acesso a terra, que atualmente é feita por meio de edital. Segundo Osarina, esse modelo não beneficia as famílias que já ocupavam a terra. "É um tratamento desigual que estão dando às famílias que deveriam ter esse direito assegurado", afirma.
De acordo com o diretor de Produção e Desenvolvimento Tecnológico do Dnocs, Laucimar Loiola, a atual legislação dos perímetros não permite que os lotes sejam concedidos de outra forma. "O que estamos tentando com a ajuda do Ministério da Integração é que seja baixado um decreto mudando a legislação dos perímetros, permitindo outras formas de concessão de terras para beneficiar essas famílias", afirma.
Ainda de acordo com o Dnocs, não há previsão para lançar o edital para a segunda etapa do Tabuleiro de Russas.
Este perímetro irrigado do órgão federal tem maior área implantada. A ampliação de mais de 3 mil hectares na segunda etapa tem conclusão prevista para este mês de junho.

Mais informações
Dossiê "Perímetro Irrigados: quatro décadas de violação de direitos no semiárido"
http://dossieperimetrosirrigados.net/

E-mail: bernadete.Freitas@uece.br / bernadete@usp.br
Ellen Freitas
Colaboradora
Fonte: Diário do Nordeste