quinta-feira

Famílias de Apodi conhecem novas estratégias de convivência com o semiárido em intercâmbio.

Stefanya Neves - comunicadora popular da ASA
Mossoró | RN

Agricultores\as observam experiências no intercâmbio | Foto: Arquivo Terra Viva
Terminou nesta quinta-feira, dia 24, o intercâmbio de dois dias realizado pelo Centro Terra Viva com as famílias beneficiárias do projeto Uma Terra e Duas Águas (P1+2) do município de Apodi, localizado na região do médio oeste potiguar.  As vistas aconteceram nos municípios de Campo Grande e Caraúbas, respectivamente, onde as famílias tiveram oportunidade de observar tecnologias que ajudam na convivência com o semiárido e viabilizam condições de produção para os agricultores e agricultoras do semiárido brasileiro.
O primeiro dia do intercâmbio aconteceu no sítio Bom Jesus, em Campo Grande, e as famílias agricultoras conheceram duas experiências bem sucedidas. A primeira foi no quintal de seu Francisco Damião, conhecido como “Ibo”, onde os agricultores entenderam como funciona o processo de dessalinização da água salobra, extraída dos poços, e observaram seu manejo nas plantações regadas com essa água.  Um criadouro coletivo de peixe também faz parte do experimento que tem parceira com a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) e há quatro anos foi instalado no local, se aproveitando do alto índice salino e dos rejeitos da água tratada.
Atualmente seu Ibo é quem toma conta do criadouro e de acordo com ele cerca de 500 peixes alevino estão ocupando os tanques. Conforme o técnico de campo do Núcleo Sertão Verde, entidade parceira da Terra Viva, Deroci Araújo, no último experimento foram retirados dos tanques 178 quilos de peixe com uma média de venda a seis reais cada quilo, garantindo a sobrevivência da família de Ibo. 
Ainda no quintal de seu Ibo, os agricultores de Apodi contemplaram uma plantação de palma forrageira que ele cultiva com água salobra, como prevenção para a alimentação dos animais caso falte no futuro. 
Ainda no sítio Bom Jesus as famílias da chapada do Apodi visitaram a propriedade de dona Josena Luzia e Luiz Filho, que possuem uma plantação de goiaba e de acerola voltadas para a produção de poupa de frutas. De acordo com Josena, em 2012, os dezoito pés de fruteiras eram regados com apenas um balde de água durante a seca porque na época ela não possuía sua cisterna calçadão. A agricultora garante que hoje a situação é bem melhor depois da tecnologia implantada no seu quintal. 
Quintais produtivos
Ainda em Campo Grande, as famílias do intercâmbio conheceram a experiência de seu Antônio, agricultor experimentador conhecido como o “Jovem”, morador da comunidade rural do Campo de Aviação. Fruto do Projeto Juventude Rural do Dom Helder Câmara, Jovem produz batata, macaxeira, tomate, alface, mamão, milho, coentro, pimenta, coco, pinha, manga e outras frutas e verduras em seu sítio. Conforme o agricultor ele vende seus produtos na feira da cidade e nos sítios vizinhos também.  Nessa experiência os agricultores perceberam a importância da agricultura familiar que traz diversidade de produção, evitando pragas e preservando os nutrientes da terra. Já no sítio Veneza os agricultores também observaram uma plantação de maracujá bem sucedida.
Pouca chuva e o apoio das tecnologias
O segundo de visitação foi no município de Caraúbas e os agricultores observaram mais três experiências no assentamento Santa Agostinha: uma barragem subterrânea, um entreposto de mel e o processo de bioágua. Coordenador do manejo da caatinga no assentamento, o agricultor Carlos Alberto mostrou para as famílias beneficiarias do P1+2 a eficiência da barragem subterrânea em uma plantação de capim. Segundo Carlinhos, como o agricultor é conhecido na região, as chuvas do inverno este ano só alcançaram a marca de trezentos milímetros. 
A falta de chuvas também prejudicou a produção de mel. Segundo Carlinhos apenas 400 kg foram vendidos, o que o agricultor considera como um número baixo devido a produções anteriores.
Avaliação
Os agricultores e agricultoras de Apodi ficaram impressionados com o sucesso das experiências das famílias visitadas. De acordo com a agricultora Lúcia, ver a realidade de outros agricultores é inspirador. “A gente vai vendo essas experiências e volta pra casa com vontade de ter todas essas tecnologias para produzir”, comentou.
O intercâmbio é uma espécie de capacitação da ASA que possibilita o agricultor de ver na prática experiências de sucesso, despertando a curiosidade e o interesse para fazer também seus próprios experimentos nos quintais.  Este foi o terceiro intercâmbio executado pelo centro Terra Viva dentro do atual termo, que visa construir 303 tecnologias entre cisternas calçadão e enxurrada e barreiros trincheira nos município de Apodi, Severiano Melo e Rafael Fernandes.

Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi, obras paradas e salários atrasados.


As informações dão conta que as Obras do Perímetro Irrigado da Chapada do Apodi estão paralisadas devido a falta de pagamento da rapaziada que ali trabalha...

Desde a semana passada que o Sindicato que representa a categoria fez intervenção e a turma cruzou os braços diante do não pagamento do trabalho prestado.

Como assim? Os defensores da redenção do Apodi não falaram que o Perímetro Irrigado vai desenvolver Apodi? Vai desenvolver enganando pais de famílias, o povo trabalhador?

Por que até o momento nem um defensor do tal Projeto prestou esclarecimentos aos "peões" do Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi/RN?

E os Vereadores/as defensores do "povão", onde estão?

Por Agnaldo Fernandes

Acampamento Edivan Pinto celebra um ano de existência.

Há exatamente um ano atrás centenas de agricultores e agricultoras sem terra ocuparam um latifúndio localizado na Chapada do Apodi, o fato demonstrou que há muito que ser feito no sentido de se garantir ou que se realize uma reforma agrária popular. Muito embora muitos digam que não há trabalhadores sem terra no município de Apodi, o fato demonstra que pensar assim corrobora em um grande equívoco pensar assim.
No dia 24 de Julho de 2013 surgia o Acampamento Edivan Pinto, que representa mais um manifesto na luta contra a hegemonia do agronegócio na Chapada do Apodi. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para parabenizar a todos e todas que resistem e lutam até os dias de hoje.
A luta pela reforma agrária não tem sido fácil e nunca foi fácil nesse Brasil de contradições, ainda mais quando se tem um modelo desenvolvimentista baseado na ideologia do agronegócio.
Finalizamos parafraseando João Pedro Stédile.  “Há 20 anos atrás o trabalhador dizia que queria terra para ele trabalhar. Hoje, o trabalhador quer terra para produzir alimentos saudáveis, sem agrotóxico. Isso é a Reforma Agrária Popular que estamos falando”.

Por: Agnaldo Fernandes

Algumas fotos do Acampamento Edivan Pinto.

















segunda-feira

O nebuloso cenário dos agrotóxicos no Brasil

agrotoxicos-bfPor IHU-Online
“Ainda há muita informação a ser gerada para que consigamos ter uma posição mais assertiva sobre a condição do meio ambiente em relação à contaminação por agrotóxicos no Brasil”, adverte o engenheiro agrônomo Robson Barizon.
Apesar de o Brasil ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2008, é preciso “gerar muito mais informação para entender como está o cenário de uso de agrotóxicos no país”, diz Robson Barizon, um dos autores do estudo “Panorama da contaminação ambiental por agrotóxicos e nitrato de origem agrícola no Brasil: cenário 1992/2011”, realizado pela Embrapa neste ano. Segundo ele, ainda são produzidas poucas pesquisas em relação às implicações do uso de fertilizantes na agricultura.
“A restrição orçamentária talvez seja o principal ponto a ser desenvolvido, porque ainda não temos programas de monitoramento, como seria o ideal. Todos os estados deveriam ter um programa de monitoramento, considerando suas culturas e as moléculas mais utilizadas na região, e a partir das conclusões dos monitoramentos regionais/estaduais, deveriam ser tomadas as medidas para mitigar os impactos levantados por esses monitoramentos”, pontua, em entrevista por telefone à IHU On-Line.
Entre as preocupações envolvendo o uso de agrotóxicos no país, Barizon chama a atenção para a contaminação da água, “já que a falta de saneamento de esgoto é um problema sério no Brasil. Esse esgoto tem níveis altos de nitrato, além de outros problemas microbiológicos, e níveis altos de nitrogênio. Em pontos próximos às áreas urbanas, é possível observar níveis maiores de nitrogênio, mas em bacias hidrográficas, onde a influência maior é só da área agrícola, os níveis de nitrogênio ainda são considerados baixos. Tendo a agricultura como fonte de contaminação, ainda não constatamos um problema que leve a ações maiores”. Entre as culturas que contaminam a água, está a produção de arroz irrigado. “Pelo fato de o arroz irrigado ser produzido com lâmina d’água, a qual retorna aos corpos d’água, existe, sim, um risco maior de contaminação nessa cultura do que em outras. Isso foi constatado em alguns estudos que nós levantamos. Então, nesse sentido, há, sim, uma preocupação com a cultura do arroz e deve ser dada mais atenção ao manejo desse produto”, adverte.
Robson Barizon é graduado em Engenharia Agrônoma pela Universidade Federal do Paraná – UFPR e doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é pesquisador da Embrapa Meio Ambiente de São Paulo.

Curso de cisterneiros é realizado em Apodi





Cerca de 15 cisterneiros foram capacitados através de um Curso que aconteceu no Assentamento Milagre em Apodi, no período de 25 de junho a 04 de julho. A capacitação teve duração de 10 dias e tinha como objetivo repassar métodos e técnicas na construção de tecnologias como as cisternas calçadão e enxurrada que serão implantadas pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2).

Cisterneiros dos municípios do médio e alto oeste potiguar como Apodi, Rafael Fernandes, Governador Dix-Sept Rosado e Umarizal estão sendo contemplados com a capacitação que é executada pelo Centro Terra Viva. O P1+2 é coordenado pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA).

O instrutor Eli Carlos da Silva é cisterneiro há dez anos e avalia o curso como produtivo. De acordo com ele, a turma é aplicada e o fato de muita gente já ter tido experiências como ajudante em construção de cisternas facilitou o trabalho. Ainda de acordo com ele, está é uma importante oportunidade de aprendizado. “Além de capacitar, a Terra Viva dá oportunidade para que eles se profissionalizem e ainda abre espaço para trabalharem, só não continua quem não quer”, disse.

Já Regicleudo Batista de Freitas afirma que apesar das dificuldades estar participando do curso é uma experiência importante na área de trabalho. “Já fui assistente de cisterneiro e quando surgiu a oportunidade de fazer o curso não pensei duas vezes em me tornar um”, revelou.

De acordo com a coordenação do projeto na entidade executora, o Assentamento Milagre foi escolhido para receber a capacitação dos cisterneiros por proporcionar as estruturas necessárias ao curso e ao término das atividades quatro tecnologias terão sido construídas na comunidade.

quinta-feira

Agricultores fazem protestos.

protesto
Na BR-020, os trabalhadores rurais fecharam o trânsito para reivindicar ações de convivência com o semiárido, como obras de abastecimento
FOTO: JOÃO PAULO SILVA
Canindé. Mais de 300 trabalhadores rurais de assentamentos localizados neste município interditaram, ontem de manhã, a BR-020, no triângulo que dá acesso ao Centro da cidade. A manifestação foi feita por moradores de áreas desapropriadas pelo Incra e Idace. Também aconteceram manifestações em Quixadá, onde 400 famílias fecharam a CE-060; em Umirim, com 300 trabalhadores interditando a BR-222; e Limoeiro do Norte, onde 600 famílias fecharam a BR-116.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canindé, José Maria Coelho e Antônia Ivoneide, do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), a reivindicação é pelo cumprimento de pauta assinada pelos manifestantes e enviada ao governador Cid Gomes, cobrando serviços para compensar a perda da safra neste ano.
"O maior problema é a falta de água. Queremos com urgência a perfuração e instalação de poços profundos, porque já temos 150 prontos, faltando apenas o governo do Estado liberar os projetos de convivência com o semiárido, a construção de açudes e a segurança do Garantia Safra'', disse Antônia Ivoneide.
Os manifestantes também saíram em passeata pelas principais ruas da cidade conduzindo bandeiras do MST e usando palavras de ordem e cobrando dos governos federal e estadual soluções para a pauta reivindicada. Eles ameaçaram permanecer no local até que fossem recebidos por representantes do governo do Estado. Uma fila de carros se formou nos dois lados da rodovia. A Polícia Rodoviária Federal permaneceu no local para controlar o trânsito, mas a manifestação foi pacífica.
"Queremos uma conversa amigável, mas séria com as autoridades", disse Antônia. "A situação do sertanejo é muito dolorosa e, por isso, estamos nessa luta na defesa de uma melhor condição de vida para essa gente".
Negociações
José Maria afirmou que é necessária uma "conversa definitiva" com os representantes dos governos federal, estadual e municipal. "Estamos num movimento pacífico, queremos apenas que eles nos recebam e resolvam de vez o problema e nada mais".
Durante a manifestação, só passaram ambulâncias e carros com pacientes em estado de urgência. Os ônibus intermunicipais tiveram de fazer o sistema de rodízio.
Eles estiveram reunidos com o prefeito de Canindé, Celso Crisóstomo, que serviu de porta voz entre os trabalhadores e o governo do Estado. Um documento será elaborado para ser reenviado às autoridades.

segunda-feira

Agricultores/as recebem dicas de convivência com o semiárido em dia de Campo no Médio Oeste Potiguar


 

Agricultores (as), estudantes, pesquisadores e técnicos (as) se reuniram para participar de uma aula de campo no Assentamento Milagres, em Apodi (RN), a mobilização aconteceu na manhã desta terça-feira (dia 10) com os seguintes parceiros: Projeto de Assentamento Milagre, o SEBRAE, o IFRN – Campus Apodi, o Centro TERRA VIVA, a UFERSA e o NUMA – Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia.
Aproveitou-se essa atividade para realização de um Intercâmbio com agricultores (as) do município de Severiano Melo/RN como parte das ações do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) coordenado pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e executado pelo Centro Terra Viva.
Na ocasião, os agricultores (as) e estudantes participaram de um ciclo de palestras ministradas por profissionais ligados as instituições, onde receberam dicas de convivência com o semiárido que vão desde o plantio e a armazenagem de alimentos, passando pelo manejo de plantas para medidas sanitárias, até aos métodos de reaproveitamento da água residual doméstica para irrigação de plantações.
Ministrante da palestra “Fenação”, o professor Renato Alencar do IFRN – Campus Apodi, destacou a importância da mobilização e da difusão dessas estratégias para que os agricultores e agricultoras se previnam durante os longos períodos de estiagem no semiárido, garantindo assim o alimento e conservando também a qualidade.
Após a mobilização, os participantes ainda tiveram a oportunidade de visitar a comunidade de São Francisco para observar e entender a diferença entre as cisternas calçadão e enxurrada, que são tecnologias desenvolvidas no P1+2, com o apoio dos técnicos do Centro Terra Viva.
Fonte: BlogApodiário

quarta-feira

Dossiê Perímetros Irrigados é lançado como denúncia e motivo para a resistência


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Por Camila Paula
Comunicadora Popular do CF8
O lançamento do Dossiê Perímetros Irrigados que aconteceu hoje pela manhã. O auditório lotado do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi mostra a importância do momento. O documento com mais de 600 páginas que denuncia os projetos de perímetros irrigados da região da Chapada do Apodi, revela os impactos negativos sofridos pelas comunidades desapropriadas e pelas que ainda convivem no entorno desses grandes projetos de irrigação nas regiões do: Jaguaribe-Apodi (CE), Tabuleiro de Russas (CE), Baixo Acaraú (CE), Baixo Assú (RN) e Santa Cruz do Apodi (RN).

Estavam presentes no lançamento do Dossiê Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido, organizadores do documento, movimento 21, grupo de pesquisadores e pesquisadoras das universidades federais e estaduais do Ceará, Ser-tão de assessoria jurídica popular da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, diversos movimentos sociais e agricultores e agricultoras da Chapada.
Depois de tantas lutas e conquistas, o projeto do Perímetro Irrigado de Santa Cruz surge como uma grande ameaça à vida dos agricultores e agricultoras locais. Além da retirada do povo do local, a degradação do solo e da água, o projeto prevê entregar as terras para empresas do agronegócio, colocando em risco a vida dos trabalhadores e trabalhadoras que vão trabalhar diretamente com os agrotóxicos como a população, de um modo geral, que consumirá alimentos envenenados.
Depois de um rico debate, ficou no ar a pergunta: qual o próximo passo? Bernadete, professora e pesquisadora que contribuiu na confecção do dossiê, responde que “o projeto de Perímetro Irrigado é um problema de todos e de todas. Por uma questão de saúde pública, especialmente, este debate precisa ganhar também os espaços urbanos, pois os alimentos que consumimos também são contagiados pelos agrotóxicos, e o desenvolvimento do projeto acarreta problemas estruturais e sociais para a cidade. Nosso desafio é unir o campo e a cidade nesta luta por direitos, nesta luta pela vida”. E encerra a fala cantando: “A chapada é nossa. A chapada é do povo. É só lutando que será nossa de novo”.
Ainda respondendo a pergunta sobre a continuidade da resistência ao perímetros, Raquel Rigotto afirma a importância da luta que se tornou nacional e até internacional, mencionando as ações da Marcha Mundial das Mulheres que – em mais de 64 países – dizem #SomosTodasApodi e reforça que a terra e a água, os investimentos do dinheiro público devem ser para a agricultura familiar e para uma melhor convivência com o semiárido. Edilson Neto, presidente do STTR de Apodi, encerra a manhã do lanamento com a esperança de unir as lutas e lutar até a vitória. O auditório se anima e todos e todas gritam fortemente: Lutar e resistir pela Chapada do Apodi!
Fonte: Blog do Centro Feminista 8 de Março.

terça-feira

Dossiê de Perímetros Irrigados será lançado em Apodi na próxima quarta.

Mais de dois anos de coleta e organização de pesquisas científicas, textos e estudos de casos em cinco perímetros irrigados nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte geraram o Dossiê Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido que será lançado na próxima quarta, dia 11, às 8h no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Apodi.
A partir do diálogo com a população das regiões afetadas, a pesquisa enfatiza a violação de alguns dos direitos básicos: à terra, à participação política, à água, ao meio ambiente, ao trabalho digno e à saúde. Em relação a esta última, o dossiê traz uma denúncia grave: devido ao uso abusivo de agrotóxicos, a taxa de mortalidade por câncer entre as comunidades que vivem no entorno das plantações do agronegócio é 38% maior do que nos locais onde há apenas agricultura familiar.
O dossiê organizado por grupos de pesquisa da Universidade Estadual do Ceará, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, articulação de movimentos sociais do campo, sindicatos de trabalhadores e pastorais sociais consiste em aproximadamente 600 páginas que revelam os impactos negativos sofridos pelas comunidades desapropriadas e pelas que ainda convivem no entorno desses grandes projetos de irrigação nas regiões do: Jaguaribe-Apodi (CE), Tabuleiro de Russas (CE), Baixo Acaraú (CE), Baixo Assú (RN) e Santa Cruz do Apodi (RN).
O lançamento oficial do Dossiê ocorre estrategicamente na cidade de Apodi por ser um local onde os agricultores e agricultoras fazem grande resistência junto ao STTR e movimentos sociais para que o projeto não seja implementado: “esta é mais uma ação de denúncia e resistência contra esse projeto de desenvolvimento do agronegócio que só traz malefícios com sua produção que esgota os nossos recursos naturais, expulsa o povo de seus territórios e prejudica a saúde dos trabalhadores que vão lidar diretamente com o agrotóxico e da população que vai consumir comida envenenada”, alerta Ivone Brilhante, agricultora do P.A Sítio do Góis (Apodi).
Sobre a importância deste documento e do lançamento que tem como objetivo esclarecer a população dos riscos do Perímetro Irrigado, Edilson Neto, agricultor e presidente do STTR Apodi, diz que: “É muito interessante que a gente junte esses conflitos. O problema é de todo mundo, não só de Apodi. Nós estamos perdendo os territórios. Se a gente não lutar, não vamos ter mais nenhum camponês”.
O conteúdo do dossiê foi apresentado no III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), realizado em Juazeiro da Bahia no mês de maio, onde reuniu agricultores e diversos segmentos da sociedade de várias cidades do País. E está disponível no endereço:

Fonte: Blog do Centro Feminista 08 de Março. 

segunda-feira

Dossiê sobre Perímetros Irrigados será lançado em Apodi-RN no próximo dia 11 de Junho.

CONVITE PARA LANÇAMENTO DO DOSSIÊ
Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido
                                              
                                         Data: 11 de junho de 2014, às 08h
                                         Local: Auditório do STTR-Apodi - Rua Nonato Mota, nº 106
                                         Maiores informações: (84) 99420641; strapodi@hotmail.com

 Prezado(a) Sr.(a.)

Temos a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento do Dossiê “Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido”, construído numa articulação entre pesquisadores das áreas de geografia, história, saúde e direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e diversos movimentos que atuam no campo, diante da política nacional de irrigação vigente, que prevê recursos da ordem de 6,9 bilhões de reais para expandir estas estruturas geopolíticas em 393.000 ha de semiárido.

A partir de teses, dissertações, artigos científicos, estudos de impacto ambiental e outros documentos oficiais ou produzidos pelos movimentos sociais sobre o tema, o dossiê se estruturou investigando relevantes impactos para os agricultores familiares e camponeses e suas famílias, impactos estes que estão sendo desconsiderados no curso de expansão dessa política, especialmente no que diz respeito às violações de direitos à terra e ao território,  água, ambiente, trabalho, saúde, cultura e participação.
Diante da relação entre os temas discutidos nesse documento e a instituição que o(a) senhor(a) integra, bem como da necessidade de discussão das formas de garantia dos direitos atingidos pelo modelo de desenvolvimento viabilizado pelos perímetros irrigados, convidamos Vossa Senhoria a estar presente no lançamento do dossiê, que ocorrerá na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi, às 08 horas do dia 11 de junho de 2014.

            Desde já, agradecemos sua presença. 

Dossiê aponta impactos dos perímetros irrigados no CE.

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Perímetro Irrigado Tabuleiro de Russas é modelo de produção, principalmente de frutas. No entanto, agricultores apontam dificuldades no acesso às terras.
Russas. Foram quase dois anos de coleta e organização de pesquisas científicas, textos e estudos de casos em cinco perímetros irrigados nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte. As experiências resultaram em um dossiê que releva os impactos negativos sofridos pelas comunidades desapropriadas e pelas que ainda convivem no entorno desses grandes projetos de irrigação. O levantamento denuncia e aponta violação de direitos nas últimas quatro décadas.
O Dossiê Perímetros Irrigados foi organizado a partir do grupo de pesquisa do Movimento 21 (M21), que consiste em uma articulação de movimentos sociais do campo, sindicatos de trabalhadores, pastorais sociais e pesquisadores de departamentos da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade Federal do Ceará (UFC).
O grupo de pesquisa está cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sob o título "Ecologia de saberes para promoção da equidade ambiental e em saúde no trabalho no contexto da expansão do agrohidrone-gócio nos territórios do Vale do Jaguaribe".
De acordo com uma das organizadoras do Dossiê, a professora do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam) e doutoranda em Geografia Humana na Universidade de São Paulo (USP), Bernadete Freitas, havia uma necessidade de organizar as várias pesquisas realizadas nos últimos anos sobre a temática e reuni-las em um documento único, que sirva como ferramenta para estudiosos e movimentos sociais. "Pensamos nesse trabalho de modo que sirva principalmente para as comunidades camponesas dessas áreas lutarem por seus direitos e para movimentos sociais, que cobram dos governos uma mudança nesse modelo de irrigação. Será importante também, nesse sentido, para o Estado reavaliar essa política pública" afirma.
O dossiê traz tanto as vozes dos territórios, quanto as análises de quatro décadas de violações de direitos no semiárido e os estudos de casos, com base em pesquisas científicas e outros documentos oficiais, dos perímetros irrigados Jaguaribe-Apodi (CE), Tabuleiro de Russas (CE), Baixo Acaraú (CE), Baixo Assú (RN) e Santa Cruz do Apodi (RN), sendo que este último ainda será implantado, mas há um processo de resistência muito forte por parte das comunidades. Essas áreas, segundo Bernadete, são aquelas que apresentam maiores impactos negativos e violações de direitos, levando pesquisadores a publicarem vasto material acerca dessas regiões. Ainda de acordo com ela, é no Perímetro Jaguaribe-Apodi onde mais se expressa a geração de impactos negativos.

Parceria
Estiveram envolvidos pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (Uece), por meio da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), Universidade Estadual Vale do Acaraú (Ueva), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE). O dossiê foi construído utilizando, como metodologia, o levantamento e estudo das teses, dissertações, artigos científicos, estudos de impacto ambiental e outros documentos oficiais ou produzidos pelos movimentos sociais sobre o tema e a análise do conjunto dos estudos de caso para identificação dos elementos comuns, foram elaboradas grades analíticas das violações de direitos nestas fases.
Todo o material coletado foi apresentado e discutido com um amplo grupo de movimentos sociais do campo no Ceará e no Rio Grande do Norte.
"O dossiê foi construído coletivamente. As análises foram focadas na violação do direito à terra, ao território e à cultura, à participação política, à água, ao meio ambiente, ao trabalho digno e à saúde", afirma ela. Como exemplo da negação de direito à participação política, Bernadete conta que não ocorre o mínimo de diálogo entre as comunidades e o Dnocs, órgão responsável pela implantação e gerenciamento dos perímetros irrigados, sobre a escolha dessas comunidades em relação à implantação dos perímetros, pois "já vem tudo prontinho de cima pra baixo", afirma.

Indenizações
"Além disso, como exemplo de negação de direito à terra, percebe-se o desrespeito ao direito de posse, assim com as indenizações injustas, por exemplo. Trata de direitos que estão previstos, inclusive na Constituição. Tem famílias que foram desapropriadas há décadas e até hoje não receberam indenização. Isso sem falar no processo de expropriação camponesa após a implantação que chega a 81%, como é o caso do Jaguaribe-Apodi. Por outro lado, tem muitos camponeses resistindo e lutando para retornar à terra. O Acampamento Zé Maria do Tomé, na Chapada do Apodi (CE), é um exemplo dessa resistência e luta por direitos. Tem também toda a problemática envolvendo os agrotóxicos, que foi profundamente abordada pela professora Raquel Rigotto, do Grupo Tramas da Universidade Federal do Ceará, enfim, são várias as negações de direitos sofridas pelos moradores das comunidades", enfatiza.
O Dossiê foi lançado na Semana Zé Maria do Tomé, realizada para lembrar a morte do líder comunitário Zé Maria do Tomé e para fortalecer a luta de comunidades da Chapada, contra o atual modelo do agronegócio. O conteúdo do dossiê também foi apresentado no III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), realizado em Juazeiro da Bahia no mês de maio, onde reuniu agricultores e diversos segmentos da sociedade de várias cidades do País.
De acordo com Bernadete, o dossiê esta em fase de finalização para ser publicado, primeiramente, em um arquivo virtual e depois seguirá para versão impressa. Ela estima que até o início do próximo semestre o material estará completo.

Comunidades agrícolas pleiteiam títulos de terras
Russas. Famílias desapropriadas para a implantação dos perímetros irrigados Jaguaribe Apodi e Tabuleiro de Russas lutam há anos pelo direito à terra. Comunidades inteiras foram desapropriadas, como na região onde hoje está implantada a segunda etapa do perímetro irrigado Tabuleiro de Russas, onde 10 comunidades deixaram de existir. No total, 700 famílias da região foram afetadas.
De acordo com uma das moradoras, Osarina da Silva Lima, as famílias aguardam desde 2010 o acesso a um lote de terra no perímetro. O direito à terra foi assegurado mediante a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público Federal e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), responsável pela implantação e gerenciamento dos perímetros. "Até agora nada foi feito e as famílias estão passando dificuldades para sobreviver".
Quem também ainda luta por terras são os moradores da Chapada do Apodi, na região que abrange os municípios de Limoeiro do Norte e Quixeré. Eles reivindicam terras da segunda etapa do perímetro irrigado e estão acampados no local desde o dia 5 de março. As negociações seguirão para o Ministério da Integração Nacional, em audiência que será realizada ainda neste mês. Atualmente, mais de 1000 famílias estão na área.
Todas os afetados nessas duas áreas de perímetro reivindicam uma forma diferente de acesso a terra, que atualmente é feita por meio de edital. Segundo Osarina, esse modelo não beneficia as famílias que já ocupavam a terra. "É um tratamento desigual que estão dando às famílias que deveriam ter esse direito assegurado", afirma.
De acordo com o diretor de Produção e Desenvolvimento Tecnológico do Dnocs, Laucimar Loiola, a atual legislação dos perímetros não permite que os lotes sejam concedidos de outra forma. "O que estamos tentando com a ajuda do Ministério da Integração é que seja baixado um decreto mudando a legislação dos perímetros, permitindo outras formas de concessão de terras para beneficiar essas famílias", afirma.
Ainda de acordo com o Dnocs, não há previsão para lançar o edital para a segunda etapa do Tabuleiro de Russas.
Este perímetro irrigado do órgão federal tem maior área implantada. A ampliação de mais de 3 mil hectares na segunda etapa tem conclusão prevista para este mês de junho.

Mais informações
Dossiê "Perímetro Irrigados: quatro décadas de violação de direitos no semiárido"
http://dossieperimetrosirrigados.net/

E-mail: bernadete.Freitas@uece.br / bernadete@usp.br
Ellen Freitas
Colaboradora
Fonte: Diário do Nordeste

sexta-feira

Agricultores e agricultoras trocam experiências e técnicas de convivência com o Semiárido

Mirian Oliveira - Comunicadora popular da ASA
Riachão do Jacuípe - Bahia
26/05/2014
Agricultores e agricultoras de três municípios foram para Riachão do Jacuípe | Foto: Mirian Oliveira
O sol nem tinha raiado. Estava nas primeiras horas do dia. Os orvalhos típicos de inicio de inverno da Bahia se já faziam presentes nos galhos das árvores. Mas nem o frio, ou outros empecilhos, impediram que 45 agricultores e agricultoras saíssem de suas casas. Eles e elas deixaram o plantio com a responsabilidade de outra pessoa da família e seguiram com um desejo: buscar novas experiências e novas descobertas que facilitem a vida no Semiárido.

Uma das atividades previstas no Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), realizado pela ASA, é o intercâmbio entre agricultores e agricultoras. Em Serrinha, na Bahia, esta troca de conhecimentos da agricultura familiar é executada pela Apaeb Serrinha.

Por volta das 5h da manhã da última terça-feira (21), agricultores e agricultoras dos municípios baianos de Nordestina, Queimadas e Cansanção partiram em busca de novas descobertas e trocas de saberes. O destino de todos e todas foi o município de Riachão do Jacuípe, na Bahia. Eles e elas conheceram as propriedades de Seu Eduardo Emídio, localizada na comunidade Barreiros, e a de Seu Abelmanto Carneiro, na comunidade de Mucambo.

As expectativas eram muitas. A ansiedade maior ainda. A cada quilometro percorrido, as mesmas perguntas se repetiam: “já chegou?” “É aqui?” “Falta muito?”. Ansiedade que só foi sanada quando o grupo foi recebido com um sorriso largo por seu Eduardo Emídio, agricultor que desenvolve o Projeto Produzir e Preservar, que surgiu há 14 anos, com o objetivo de criar alternativas para se conviver no Semiárido. A iniciativa também mexe com o imaginário social a região semiárida brasileira. ‘’Nasceu a necessidade de desenvolver este projeto para mostrar que esta visão pode ser transformada, ou melhor, que podemos conviver neste clima e que tem pessoas aqui que vivem dignamente. Então o projeto nasceu dessa necessidade de mostrar que o nordeste não é só região de miséria e sim também uma região boa para viver, para morar’’, destacou Eduardo.
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Famílias celebram conquista de mais água para produção no Semiárido.

ASA e Petrobras comemoram nesta quarta (28/5) a conclusão da implementação de 20 mil tecnologias sociais do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2)
Monyse Ravena e Ronaldo Eli - ASACom
Recife-PE
28/05/2014
No Sítio Enjeitado, em Triunfo (PE), o agricultor Antônio, ao lado da esposa, está otimista com a conquista da tecnologia social | Foto: Vládia Lima 
“Parece que com o barreiro [trincheira] a água não vai sair e acredito que já melhorou muita coisa na nossa vida, só em ter aqui, a nossa produção vai ampliar ainda mais. A nossa vontade agora é ver esse barreiro cheio e a gente plantar e ver ainda mais a nossa melhoria no Semiárido”, conta a agricultora Denise Oliveira Calçada, da comunidade de Intrude, no munício de Serrinha, na Bahia. Sua família já tem uma produção de hortaliças bem diversificadas e a expectativa é que a nova tecnologia potencialize a produção.

O barreiro a que Denise se refere é uma tecnologia social exitosa que permite às famílias do Semiárido conviver com a estiagem. Além do barreiro-trincheira, existem outras tecnologias como a cisterna-calçadão, a cisterna-enxurrada e a barragem subterrânea. Em maio do ano passado, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) firmou um contrato de patrocínio com a Petrobras, para construir 20 mil dessas tecnologias sociais em 210 munícipios do Semiárido. A parceria está sendo concluída neste mês e teve um  investimento de 200 milhões.

Seu Antônio permaneceu produzindo no período de estiagem | Foto: Vládia Lima
Quem também está otimista e feliz com a chegada da tecnologia é o agricultor Antônio Alves de Queiroz, da comunidade Sítio Enjeitado, no município de Triunfo, em Pernambuco. Ele fala com dos benefícios da cisterna-enxurrada que conquistou pelo projeto: “A cisterna já ajudou muito na minha produção, no plantio da mandioca, do mamão, do milho, do feijão, da melancia. No período da seca não faltaram hortaliças na mesa de casa.”, afirmou.

Com a conclusão desse projeto, a ASA chega a quase 48 mil tecnologias para produção de alimentos, construídas através das organizações da sociedade civil que compõem a rede, e financiadas através de diversas parcerias. Outras 20 mil implementações já estão em curso este ano, e contam com apoio do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), do BNDES e da Fundação Banco do Brasil.

O município de Serrinha, onde Denise mora, foi o escolhido para realizar a cerimônia de conclusão do projeto, que ocorreu na manhã desta quarta-feira, 28, na comunidade Saco do Correio. O evento reuniu cerca de mil e duzentos agricultores e agricultoras de todo o semiárido no município de Serrinha, na Bahia. Durante a celebração foi realizada a Feira “Expressões da Agroecologia no Brasil”, com produtos da agricultura familiar, como hortaliças, ovos de galinha, feijão e licuri, e produtos processados, como beiju, bolos, mel, sequilhos, polpa de frutas, flocos de milho, entre outros.

O coordenador da ASA pelo estado da Bahia, Naidson Baptista, destaca o significado do projeto para as famílias. “Avaliamos essa parceria como da mais alta importância. Sabemos o que significa uma empresa como a Petrobras se voltando para questões específicas da população do Semiárido e apoiando ações de armazenamento de água para produção, que é um processo de fundamental importância para a convivência com o Semiárido. Isso projeta uma imagem muito positiva da ASA e da Petrobras por terem conseguido executar esse contrato de patrocínio tendo as famílias como sujeitas do processo”, avalia Naidison Baptista.
Agricultora Auralice Oliveira fala durante cerimônia em Serrinha | Foto: Mirian Oliveira
Além de Naidison, o diretor corporativo e de serviços da Petrobras, José Eduardo Dutra, a ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, e o governo do Estado da Bahia, Jacques Wagner, dentre outras autoridades políticas, participaram da cerimônia em Serrinha.

As 20 mil tecnologias atendem cerca de 100 mil pessoas que, agora, terão  disponibilidade de guardar a água da chuva para plantar e criar animais em épocas de estiagem. Essas infraestruturas também promovem o fortalecimento do estoque de sementes e de mudas de plantas nativas da região. O projeto apoiou a constituição de 130 bancos de sementes, para garantir a diversidade das variedades tradicionais camponesas, e 65 viveiros de mudas, dedicados à recorbertura e ao recatingamento da região semiárida. Também foram realizadas capacitações de famílias agricultoras em gestão de água para produção e de pedreiros e pedreiras para a construção das tecnologias.

“A estratégia de estoque é essencial e fundamental quando a gente trata da convivência e da viabilização do Semiárido. A ASA contribui criando condições para que as famílias vivam, e vivam bem. A questão do Semiárido é que a água está concentrada nas mãos de poucos ou mal armazenada. Esses processos abrem espaços e práticas de um bom armazenamento”, destaca Baptista.

A agricultora Maria de Lourdes Freitas, da comunidade Barra Grande, também no município de Serrinha, está vivendo suas primeiras experiências com a cisterna-calçadão, cuja água está usando para aguar as plantas. Sua família já planta verduras, alface, cebolinha e coentro e de agora em diante poderá plantar em maior quantidade, contando com a água armazenada na cisterna.

quinta-feira

70% dos alimentos do mundo vêm da agricultura familiar.

Produção de Hortaliças Orgânicas na Chapada do Apodi.
Da IHU On-Line


Os incentivos para o desenvolvimento da agricultura familiar brasileira não passam de um “estímulo de intenções”. A ponderação é de Newton Narciso Gomes Junior, professor da Universidade de Brasília – UnB, em entrevista concedida à IHU On-Line, pessoalmente.

Políticas de estímulo ao desenvolvimento da agricultura familiar, como o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA e a Lei Federal que determina que 30% dos alimentos servidos nas escolas devem provir da agricultura familiar, são reféns do sistema nacional de abastecimento de alimentos, já que o processo de comercialização é oligopolizado.


“O que adianta dar um estímulo brutal para a produção de comida da agricultura familiar, se o agricultor não tiver onde colocar esses produtos? (...) As cadeias de supermercado dominam hoje 85% do volume global de alimentos comercializados, as grandes redes controlam mais de 50% e para entrar no supermercado é preciso ter uma escala que a agricultura familiar não tem”, argumenta.


Segundo ele “a agricultura familiar tem uma característica de diversificação da produção, e o supermercado não aceita a diversificação da produção; ele tem um conjunto de produtos que integra os elementos de interesse dele. (...) Você olha para o setor de frutas, legumes e verduras no supermercado e chega a provocar indignação. Por exemplo, em pleno período de inverno tem manga disponível, mas não é período de manga, aliás, você tem todos os produtos que quiser, no dia que quiser, e isso quebra a possibilidade do agricultor familiar, que trabalha com práticas tradicionais e sustentáveis”.


Na avaliação de Gomes Junior, apesar de a agricultura familiar ser “relevante do ponto de vista do potencial de produção de comida”, ela vem perdendo importância por conta da não revisão do sistema nacional de abastecimento. Entre as implicações, destaca, há um “formidável espetáculo de insegurança alimentar por inadequação da dieta”.


Entretanto, ressalta, “a leitura política do governo é de que a questão da agricultura brasileira está resolvida na medida em que ela é decisiva para resolver os nossos problemas de déficits ou de balanço de pagamentos”. Para ele, somente a reforma agrária possibilitará a produção de “comida” para a população.


“A minha posição sobre a reforma agrária é a seguinte: é prioridade, neste país, a produção de alimentos para a população, de sorte a garantir a nossa soberania alimentar não só pela autossuficiência, mas pelo direito de produzirmos o que entendemos ser razoável, para quem definimos que é importante e como definimos produzir isso da melhor forma possível. Nesse sentido, não tenho nenhum problema em defender que a reforma agrária deve enfrentar abertamente a desapropriação dos latifúndios, até porque esses latifúndios, que são tão importantes, se mantêm e se sustentam com o índice de produtividade de 1975, o que é uma ficção”, frisa.


Newton Narciso Gomes Junior é graduado em Economia pela Universidade de São Paulo – USP, especialista em Abastecimento Alimentar e Desenvolvimento Rural e doutor em Políticas Sociais pela UnB. Atualmente é professor do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília, do Programa de Pós-Graduação em Política Social da UnB e Coordenador do Diretório de Pesquisa Neads-Núcleo de Estudos Agrários, Desenvolvimento Social e Segurança Alimentar e Nutricional. É coordenador editorial da revista da Associação Brasileira de Reforma Agrária.

quarta-feira

Agricultora familiar tem agroecologia como estilo de vida e método de trabalho.


Agricultora familiar tem agroecologia como estilo de vida e método de trabalho

Foto: Fábio Caffe

A agricultora Francisca Eliane Viana vive em Mossoró, no Rio Grande do Norte. No assentamento Mulunguzinho, porém, não pergunte por Francisca para encontrá-la, mas, sim, por Neneide. Com três filhos, de 20, 23 e 26 anos, Neneide foi mãe pela primeira vez aos 15 anos e, aos 41 anos, tem quatro netos. Trabalhadora do campo, ela tem disposição de sobra para enfrentar os desafios diários, colocar sua força na gestão de uma cooperativa e divulgar, para quem puder, os benefícios das práticas agroecológicas.
Atualmente, Neneide preside a Cooperativa de Comercialização Solidária Cooperxique, formada por 60 famílias, homens e mulheres agricultores familiares, e também coordena a rede Xique-Xique, que reúne 14 núcleos de artesãos e artesãs em 14 municípios do Rio Grande do Norte. A rede une associações e cooperativas para promover a comercialização dos produtos dos cooperados. A cooperativa familiar Cooperxique é um braço da rede que cuida da parte administrativa e comercial.
Neneide e todos os agricultores da cooperativa vendem sua produção individualmente para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA): hortaliças, galinha caipira e mel. Já a cooperativa vende produtos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). A comercialização para o programa começou no segundo semestre de 2013, quando foram feitos dois contratos, de peixes e frutas, no valor de R$ 7 mil, e que deve ser o primeiro de muitos, segundo expectativa da presidente Neneide.
“Quando comecei a frequentar grupos de discussão de mulheres agricultoras, conheci um tipo de agricultura diferente. Comecei a me reconhecer e minha mãe passou a resgatar como era o manejo. A gente se encontrou novamente com o campo e as práticas que se fazia antes, trabalhar de uma maneira em que se respeitassem os animais, as pessoas que vivem naquela comunidade”, relata Neneide.
Manejo sustentável
“Começamos a trabalhar o manejo sustentável, com uma perspectiva diferenciada da comunidade”, ela lembra. O trabalho com hortaliças agroecológicas foi iniciado em 1999. “Percebemos o equilíbrio da natureza, aprendemos que não se precisa de químicas para ter o equilíbrio, como a natureza tem o ciclo. O sapo come o grilo, as joaninhas comem o pulgão, a natureza faz com que as coisas permaneçam sem você interferir nela. A gente tem que aprender a conviver com o equilíbrio que a natureza nos oferece”, descreve. As agricultoras do Mulunguzinho passaram, então, a cultivar frutas e 30 variedades de hortaliças. “Isso começou a fortalecer nossa produção e dar condições para nossa segurança alimentar”.
Em 2003, a comunidade pensou em exercer uma atividade diversificada para não depender de muita água, que falta em período de seca na região. Iniciaram a produção de mel: “A abelha fazia a polinização das frutas e fazia o mel para nossa segurança alimentar”, conta Neneide. Em busca de mercado para comercializar as frutas, o mel e as hortaliças, as agricultoras acessaram o PAA e outras políticas públicas. Criaram, também, uma associação, para estimular o consumo urbano do que era produzido.
“Para nós, foi muito importante viver e conviver com agroecologia, porque começamos a nos organizar, a tirar nosso sustento e a fortalecer nossa mesa; ter diversidade de produção e de alimentos para nossa casa. Se um filho nosso sentisse fome, a gente buscava na horta um mamão para ele comer, uma banana pra ele lanchar, verdura para colocar no feijão. E foi assim que a gente começou a perceber o quanto a agroecologia é importante”, relata Francisca Eliane Viana, a Neneide.