quinta-feira

Campanha Contra Agrotóxicos é Lançada no Vale do São Francisco.

Cerca de 130 pessoas de mais de 20 organizações, envolvedo movimentos sociais do campo e da cidade, sindicatos, entidades estudantis, ambientalistas, etc; se reuniram no último dia 29/07 no auditório da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF, para fazer o lançamento do Comitê Regional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

quarta-feira

"Lista suja" do trabalho escravo chega a 251 empregadores com GO liderando o ranking

Por Maurício Hashizume
A "lista suja" do trabalho escravo, como ficou conhecido o cadastro de exploradores de mão de obra em condições desumanas, jamais teve tantos nomes. Com a atualização semestral desta quinta-feira (28), a soma total de empregadores alcançou a marca de 251 nomes.

Foram incluídos 48 nomes na relação mantida pelo governo federal. Outros cinco foram excluídos. A "lista suja" é mantida pela Portaria Interministerial 2/2011, assinada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

A quantidade expressiva de inserções é um reflexo da conclusão do grande volume de processos administrativos iniciados nos últimos anos. O MTE instaura esses procedimentos a partir das situações análogas à escravidão encontradas pelo grupo móvel de fiscalização e pela atuação das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTEs).

Só entre 2007 e 2009, houve cerca de 4,9 mil libertações por ano. Nesse mesmo período, a média anual de operações registradas ultrapassou 140; mais de 280 estabelecimentos foram inspecionados, em média, a cada 12 meses.

Divisão por Estados dos 48 empregadores incluídos:

1. Goiás (GO)..........................8
2. Mato Grosso (MT)................7
    Paraná (PR)........................7
3. Minas Gerais (MG)...............6
4. Santa Catarina (SC).............5
5. Tocantins (TO).....................4
6. Pará (PA)............................3
7. Piauí (PI).............................2
8. Amazonas (AM)....................1
    Espírito Santo (ES)...............1
    Maranhão (MA).....................1
    Mato Grosso do Sul (MS).......1
    Rio Grande do Sul (RS).........1
    São Paulo (SP).....................1

Na comparação entre regiões do país, os ingressantes do Centro-Oeste formam a maioria, com 16 empregadores. Em seguida, aparecem os incluídos do Sul (13). Sudeste (oito) e Norte (oito) empatam na terceira posição. O Nordeste teve o menor número de inseridos: apenas três.

A divisão por Estados coloca o Goiás na primeira colocação, com oito inclusões (tabela ao lado). O segundo posto é compartilhado entre Mato Grosso e Paraná, ambos com sete. Santa Catarina vem em quarto, com cinco. Na sequência, estão Tocantins, com quatro; seguido pelo Pará , com três; e pelo Piauí, com dois. Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo têm um único agregado à lista.

Matérias da Repórter Brasil reúnem mais informações sobre diversos casos que estão levando mais empregadores para a "lista suja". Dois dos ingressantes, aliás, são mandatários municipais: José Rolim Filho (PV), mais conhecido como Zito Rolim, é prefeito eleito de Codó (MA); e Vicente Pereira De Souza Neto (PR) está à frente da Prefeitura de Toledo (MG).

Há ainda flagrantes em: escavações para expansão da rede de telefonia celular no Espírito Santo; atividades de preparação de terreno para a pecuária extensiva no Tocantins e também no Pará; canteiros de obras da construção civil no Norte do Mato Grosso; áreas de cultivo de morangos em Minas Gerais.

Vários inseridos são citados em matéria sobre operação que encontrou trabalho escravo na produçção de carvão vegetal em condições extremamente precárias em propriedades situadas no município de Jussara (GO).

Amplo material diz respeito a ações realizadas no Sul, em atividades distintas e características como a colheita de batatas, a coleta de erva-mate e a extração madeireira - seja no corte de pinus, com dois casos de Doutor Ulysses (PR), ou no reflorestamento em Irati (PR). Uma empresa que produz embalagens para a indústria alimentícia (Maxiplast) é outra das novas empresas com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) na "lista suja" (veja abaixo).

Aqueles que pagarem todas as pendências trabalhistas e não reincidirem no crime estarão aptos a deixar o cadastro após um prazo de dois anos. Desde 2003, uma portaria do governo federal impede a concessão de empréstimos de instituições bancárias públicas a infratores da "lista suja" do trabalho escravo. Recomendação similar é seguida por bancos privados.

As restrições se estendem aos signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que completou seis anos. Para fazer parte da iniciativa, companhias e associações privadas assumiram o compromisso de cortar negócios com exploradores de escravidão e de implementar ações para evitar e eliminar problemas no escopo das cadeias produtivas.

Fonte: Site do MST

Produção de milho transgênico já corresponde a mais da metade

Por Gerson Freitas Jr.
Do Valor Econômico

Matéria extraída do Site do MST.


A adoção do milho transgênico pelos agricultores no Brasil avança em ritmo surpreendente. Apenas quatro anos desde a sua liberação pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), as sementes geneticamente modificadas deverão ocupar aproximadamente dois terços da área destinada à cultura na safra 2011/12.
Ao todo, somando-se os plantios de verão e inverno, mais de 9,1 milhões de hectares deverão ser plantados com milho transgênico, uma expansão de 21,4% em relação à temporada passada.

Já na safra de verão, que começa a ser cultivada nas próximas semanas, cerca de 54% das lavouras de milho deverão serão transgênicas, em comparação aos 44,5% no ano passado. Na de inverno, cujo plantio acontece no primeiro trimestre de 2012, o índice pode chegar a 80,4%, ante 74,9% na última temporada.

Os números constam em um levantamento realizado pela consultoria mineira Céleres, obtido com exclusividade pelo Valor, sobre a adoção da biotecnologia no Brasil. De acordo com a pesquisa, que leva em conta as estimativas de oferta por parte da indústria de sementes e expectativa de demanda por parte dos produtores rurais, os transgênicos deverão responder por mais de 70% das vendas de sementes neste biênio.

A CTNBio, órgão responsável pela liberação da pesquisa e comercialização de transgênicos no país, já liberou 16 variedades de milho geneticamente modificados - cinco delas, nos últimos 12 meses. Para a nova safra, prevê a Céleres, 32% da safra será resistente a pragas, como a lagarta do cartucho, 4,9% terá tolerância ao uso de herbicidas e 17,2% combinará essas duas características.

De acordo com o diretor da Céleres, Anderson Galvão, a tendência é que os transgênicos respondam por aproximadamente 77% da área de milho nos próximos anos. "Esta é a área nas mãos dos agricultores mais tecnificados, que produzem com uso de tecnologia", explica. Segundo o especialista, cerca de 23% da área de milho no Brasil ainda é cultivada sem qualquer investimento ou assistência técnica, com prejuízos significativos à produtividade das lavouras.

No mercado de sementes certificadas, contudo, o domínio dos transgênicos deve ser absoluto. A Pioneer, líder no segmento, estima que entre 85% e 90% das vendas para a próxima safra serão de híbridos transgênicos. "A demanda dos produtores por essa tecnologia tem sido muito grande, a área plantada com milho deverá se recuperar e o produtor está muito capitalizado", afirma Roberto Rissi, diretor executivo da companhia.

Segundo ele, as vendas de sementes de milho deverão crescer 30% nesta temporada.
Ainda segundo o levantamento da Céleres, a área ocupada com lavouras transgênicas de soja deverá crescer 13,4% e atingir 82,7% do total, ante 76,1% na temporada 2010/11. No algodão, o índice de transgenia deverá ser de 39%, ante 26,7% em 2010/11. Segundo Galvão, a adoção da soja transgênica evolui em um ritmo mais lento que a do milho devido à dificuldade em se fazer pesquisa durante os anos em que a tecnologia era proibida no Brasil. Embora seja cultivada desde os anos 90, a soja geneticamente modificada só foi liberada no Brasil em 2005.

"Até então, muitos produtores usavam variedades que foram desenvolvidas para as condições de clima e solo da Argentina, o que comprometia a produtividade. Nos últimos anos, as empresas puderam combinar a transgenia com variedades mais adaptadas às nossas condições", explica.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo a ISAAA, o país plantou 25,4 milhões de hectares com transgênicos na temporada 2010/11. Para a próxima safra, estima a Céleres, a área chegará a 30,4 milhões de hectares.

Entrevista com Tendler: o brasileiro come veneno.