quinta-feira

Sindicato irá promover seminário que debaterá a defesa dos Territórios Camponeses e do Bem Viver

O Sindicato dos Trabalhadores e das trabalhadoras Rurais de Apodi irá realizar nos próximos dias 10 e 11 de maio, o Seminário: EM DEFESA DOS TERRITÓRIOS CAMPONESES E DO BEM VIVER FRENTE À EXPANSÃO DO CAPITAL. Está sendo articulada a presença de várias lideranças, organizações que atuam na região, no intuito de compreendermos melhor os ataques do agrohidronégocio em nossa região.
Para o presidente do Sindicato Agnaldo Fernandes, Nesse momento de ataque do Capital aos nossos territórios, mais do que nunca se faz necessário à união em defesa do campesinato.
O Seminário contará com a participação do companheiro Roberto Malvezzi (Gogó), da Comissão Pastoral da Terra (CPT) nacional, que participará do debate de abertura, que vai discutir Os conflitos territoriais na Chapada do Apodi dentro do contexto global de ameaças do capital às comunidades camponesas.
Serão debatidos outros temas, como: “A agroecologia, a convivência com o semiárido, a economia popular solidária e o feminismo como estratégia de construção do bem viver”. 
No dia 11 (quinta-feira), o seminário terá continuidade com a construção de uma agenda de lutas.
Segue abaixo a programação de todo o evento.



segunda-feira

Marcha de mil mulheres neste 8 de março em Mossoró: em defesa da previdência e exigindo Diretas Já!


Com o tema “Aposentadoria fica. Temer sai. Mulheres exigem Diretas já”, a mobilização organizada da Marcha Mundial das Mulheres junto ao MST, CUT e Frente Brasil Popular, promete um ato público de 8 de março com mais de mil mulheres. A concentração para o ato será a partir das 14h com oficinas de batuque e cartazes em frente ao prédio do INSS (centro) e é aberta à participação da comunidade em geral.

Conceição Dantas, da coordenação da Marcha Mundial das Mulheres, explica: “o 8 de março é sempre dia de luta e, a cada ano, organizadas, atacamos diretamente os desafios que nos são colocados. Pós golpe, o vice presidente tem feito mudanças que são retrocessos nos direitos da classe trabalhadora, mulheres, estudantes. E agora, a sua proposta de reforma da previdência quer que o povo pague a conta de uma crise da qual não temos culpa. Por isso nós defendemos a previdência e fazemos coro por Diretas Já! Esse golpe tem que parar!”
Caso seja aprovada na forma como foi enviada, a reforma fará com que o povo brasileiro se aposente mais tarde e com valores sem reajuste com o salário mínimo. Além de aumentar a idade de aposentadoria das mulheres, desconsiderando o acúmulo do trabalho doméstico e do cuidado, a reforma é ainda mais cruel com as mulheres do campo que têm mais dificuldade em comprovar renda e com as professoras, como alerta Inalda Lira, do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadores em Educação, SINTE, e também da Frente Brasil Popular: “a reforma acaba como a aposentadoria especial. A professora que se aposenta com 25 anos de contribuição e 50 anos de idade vai passar a contribuir 49 anos e se aposentar aos 65 anos. Com todas as condições difíceis que enfrentamos em sala de aula, como conseguiremos garantir a nossa saúde e uma boa educação?”.

Pela manhã, militantes da Marcha participarão da audiência pública: Os impactos da Reforma da Previdência na vida das mulheres, puxada pelo mandato popular da vereadora Isolda Dantas.

terça-feira

Audiência reuniu entidades do campo e da cidade em defesa da Previdência

Na manhã desta segunda-feira (20), movimentos sociais urbanos e rurais estiveram reunidos em audiência pública, no auditório da Assembleia Legislativa, realizada através de iniciativa do mandato do deputado estadual Fernando Mineiro (PT).

A audiência debateu os impactos da Reforma da Previdência (PEC 287), As Propostas feitas para a reforma da previdência são um verdadeiro golpe ao povo brasileiro, que coloca em risco a previdência social do país e conquistas históricas da classe trabalhadora.

Na Praça 7 de Setembro, cerca de duas mil pessoas participaram da manifestação contra a PEC 287.









Comissão de Idosos do STTR-Apodi realizou manhã de lazer

No ultimo domingo 19 de fevereiro, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi realizou uma manhã de lazer na praia de Tibau, atividade essa da comissão de idosos do STTR, cerca de 200 pessoas que fazem parte do quadro de sócios estiveram presentes.

O dia é um momento de muita alegria para a turma da melhor idade, e também satisfação para a diretória do STTR-Apodi, que realiza essa atividade.  

Fotos da atividade:














quarta-feira

Fórum da Agricultura Familiar de Apodi se reuniu na manhã de hoje

O Fórum da Agricultura Familiar de Apodi/RN (FOAFAP)  reuniu na manhã desta quarta-feira 8 de fevereiro, na reunião se fizeram presentes presidentes de associações, lideranças comunitárias, entidades que atuam no meio rural apodiense. Também estiveram presentes representantes do poder legislativo de do município de Apodi/RN.



Na reunião de hoje as principais pautas decorreram sobre: articulação para o lançamento da Frente Brasil Popular do oeste potiguar, que ocorrerá nesta sexta-feira, 10 de fevereiro, no auditório do STTR-Apodi, 8 de Março, questão hídrica e também o contador Sonaleo esteve presente para orientar as associações, sobre os prazos e novas regras das declarações obrigatórias (RAIS, DCTF, EFD e Certificado digital)

As reuniões do fórum ocorrem toda segunda quarta feira de cada mês, a partir das 9 horas da manhã no auditório do STTR de Apodi/RN. 


Mais fotos:













terça-feira

Temer antecipa 'pacote do veneno' e proíbe Anvisa de se manifestar sobre agrotóxicos

Ministério da Agricultura assume controle das informações sobre venenos já registrados. Pasta dirigida por Blairo Maggi vai excluir Anvisa e Ibama e controlar sozinha registro de novos agroquímicos.

Da Rede Brasil Atual

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), subordinada ao Ministério da Saúde, não presta mais informações a respeito de agrotóxicos, inclusive sobre aqueles registrados antes de 2016. A informação é da assessoria de imprensa da agência. Indagada na tarde da quarta-feira (1º) sobre as substâncias registradas ano passado – um recorde, segundo nota do Ministério da Agricultura (Mapa) –, limitou-se a informar que os questionamentos devem ser encaminhados diretamente à Agricultura.

No último dia 10, o Mapa divulgou que foram registrados 277 novos agroquímicos, um recorde histórico segundo o próprio ministério. Do total, 161 são produtos técnicos equivalentes (PTEs) – os chamados genéricos –, o que corresponde a alta de 374% em comparação a 2015, quando foram registrados 43 PTEs, além de 139 novos produtos. A média histórica anual é de 140 registros.


No anúncio do recorde, o coordenador geral de agroquímicos e afins do Mapa, Júlio Sergio de Britto, observou "grande evolução na qualidade e no número de produtos ofertados, graças ao esforço dos técnicos dos ministérios da Agricultura, da Saúde (Anvisa) e do Meio Ambiente (Ibama)".





Anvisa recebe solicitações de informações sobre facilidades dada pelo governo Temer à indústria de agrotóxicos, ainda sem resposta

Até a conclusão desta reportagem, a assessoria de imprensa do ministério que abrange ainda a Pecuária e o Abastecimento, cujo titular é o ruralista Blairo Maggi, o "rei da soja", não havia respondido à solicitação de informações.


Leia a matéria completa em:

STTR acompalhou assembleia da Associação dos Agricultores de Santa Cruz II .

Na manhã deste ultimo domingo 05 de fevereiro o STTR esteve presente na Assembleia da Associação dos Agricultores de Santa Cruz II. 


A reunião teve como pauta a reforma da Previdência como um desafio ao homem do campo, e a importância da participação dos trabalhadores na luta contra a retirada de direitos.



Famílias agricultoras do Semiárido fortalecem produção mesmo na grande estiagem

Por Neto Santos - comunicador FPCSA


Ana Lúcia e sua família sempre desejaram ter um pedaço de chão pra plantar. Hoje, o sonho foi realizado e ela se orgulha da produção Foto: Neto Santos


Quando se faz o cálculo dos seis últimos anos com chuvas abaixo da média no Semiárido Brasileiro, significa dizer que já se passam mais de mil e cem dias em que as famílias agricultoras lutam, criam e se mobilizam para conviver com um fenômeno que se mistura com a história deste mesmo povo: as fortes estiagens.
E como explicar diante de tanto tempo com poucas chuvas ver um povo com sua semente crioula guardada? Uma carne de bode na panela temperada com um cheiro verde, produzido no quintal de casa? E na mesa um doce caseiro quase sempre exclusivo daquela comunidade ou região? Pra ver ou sentir como é possível isso acontecer na mesa de tantas famílias, se faz necessário ir até as pequenas propriedades para uma boa prosa com a família.

Nas comunidades rurais do Semiárido é fácil encontrar ao lado da casa ou quintal, uma tecnologia de captação de água e ver também que isso é possível graças à maneira de conviver com a realidade local, aproveitando de maneira sustentável o que a natureza oferece.
Confira a matéria no site da ASA: http://www.asabrasil.org.br/noticias?artigo_id=10080

segunda-feira

A reforma da Previdência é um golpe violento contra o povo

“Para um camponês  ter que chegar a uma idade de 65 anos para alcançar o seu beneficio é uma tortura, e muitos chegarão totalmente debilitados”, relata Frei Sérgio.



As propostas feitas para a reforma da previdência são um verdadeiro golpe ao povo brasileiro, não se trata de uma reforma, mas sim de uma destruição da previdência social no país, segundo Frei Sérgio Gorgen da coordenação nacional do MPA. Para Frei a PEC é uma crueldade sobre tudo com os idosos, os deficientes e as mulheres de nosso país, “ igualar a idade para aposentadoria de homens e mulheres aos 65 anos é violentar sobretudo as mulheres, que chegam a jornadas triplas de trabalho, tirar a referência do salário mínimo do Benefício da Prestação Continuada significa simplesmente distribuir miséria”, relata Frei Sérgio.
A reforma da previdência camufla-se com uma roupa de combate a deficit por meio de corte de gastos, no entanto essa PEC é uma forte investida aos diretos dos trabalhadores e atingirá as populações mais vulneráveis do país. a reforma da previdência é um violento golpe aos camponeses e camponesas do Brasil.

Organizações do campo Brasileiro afirmam que rebaterão fortemente qualquer processo de mudança da previdência que exclua, dificulte ou diminua qualquer direito dos trabalhadores e trabalhadoras, veja na integra manifesto assinado por diversas organizações camponesas contra as mudanças na previdência:

MANIFESTO DOS MOVIMENTOS DO CAMPO CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

O Governo Temer encaminhou ao Congresso Nacional a sua proposta de Lei para a Reforma da Previdência Social no Brasil.
As principais mudanças que atingem todos os trabalhadores/as são o aumento da idade mínima para aposentadoria aos 65 anos de idade para homens e mulheres e tempo de serviço para 49 anos de trabalho para ter direito a aposentadoria integral.

Em relação aos agricultores/as familiares, camponeses/as e trabalhadores/as rurais as mudanças propostas são radicais e profundas:

1º – Extingue a figura jurídica de segurado especial, sistema solidário/contributivo de Previdência, criado ainda nos Governo Militar e consolidado com a Constituição de 1988, que garante uma aposentadoria de um salário mínimo para os homens, aos 60 anos e para as mulheres aos 55 anos, com a comprovação de atividade agrícola por no mínimo 15 anos. No entanto os Militares e as Polícias Militares que também possuem um sistema diferenciado continuaram sendo Segurados Especiais.

2º – Obriga os agricultores/as familiares, camponeses/as e trabalhadores/as rurais a ingressar no sistema do INSS, com pagamento mensal em dinheiro, para ter acesso à aposentadoria aos 65 anos, com a comprovação de pagamento de INSS por 25 anos.

3º – Os Benefícios de Prestação Continuada, que hoje é concedida a pessoas idosas pobres com mais de 65 anos que não tem acesso aos benefícios previdenciários, e para Pessoas com Deficiência que recebem um Salário Mínimo Mensal, pelo Projeto Golpista, aumenta a idade para 70 anos e desvincula o benefício do Salário Mínimo, pagando menos que este salário para o mais de 4,5 milhões de pessoas que hoje sobrevivem com um mínimo de dignidade com esta renda.

4º – As pensões por viuvez serão reduzidas a 50% e do salário mínimo e não podem mais ser acumuladas com a aposentadoria.

5º – Se aprovada á lei os agricultores/as familiares, camponeses e assalariados rurais que não estiver em dia com a contribuição mensal, não terá acesso ao auxílio doença, aposentadoria por invalidez e nem licença maternidade.

Os impactos dessa reforma serão tremendos sobre tudo nos municípios de economia de base local, onde pensões e aposentadorias giram o comercio mensalmente, dentre os impactos citamos:

·  As consequências para o comércio local, a renda e a viabilidade econômica dos pequenos e médios municípios do interior do Brasil serão enormes, pois se a lei for aprovada, por dez anos não haverá novos aposentados diminuindo a renda em todas as atividades econômicas destes municípios.

·  As consequências destas medidas só podem ser descritas como crueldade, desrespeito, perversidade e violência social.

·  Os mais violentados são os idosos, as pessoas com deficiência, os doentes e as mulheres.

·  Ainda mais quando os privilégios dos militares são mantidos e o presidente e grande parte dos seus ministros se aposentaram com 53 anos com salários superiores a R$ 15.000,00 por mês.

·  Quem alimenta o Brasil, os agricultores e agricultores que produzem 70% da comida que vão todos os dias para as mesas do povo brasileiro, estão sendo atacados e desrespeitados.

·  Os capitalistas tomaram de assalto o Estado Brasileiro, deram um Golpe, e agora estão mostrando as garras e usando o controle do Congresso Nacional, o Poder Judiciário e a Globo para explorar ao máximo os trabalhadores.

Diante disto, os Movimentos abaixo assinados, afirmam:

* Rejeitamos, rechaçamos e vamos combater com todos os nossos meios e forças de pressão, este projeto perverso;

* Defendemos a garantia Constitucional da Legislação de Segurado Especial e do Salário Mínimo como referência para qualquer benefício;

* Defendemos os atuais limites de idades para acesso aos benefícios;

* Exigimos que o governo apresente publicamente as contas da seguridade social para justificar as mudanças, pois isso comprovaria a fraude que essas representam;

* Exigimos que o governo explique porque não mexe nos juros e outros serviços do capital ao invés de retirar direitos dos mais pobres, mulheres, pessoas com deficiência como saída para “resolver” as questões da previdência.

Nos mobilizaremos e lutaremos em todos os cantos do Brasil, com todos os nossos meios de pressão e em todas as instâncias contra a aprovação desta lei e vamos cobrar de todos os deputados e senadores que receberam votos das famílias agricultoras para que rejeitem o projeto de lei que golpeia duramente quem alimenta o Brasil.

Belo Horizonte, 08 de dezembro de 2016.

Confederação Nacional dos Trabalhadores/as na Agricultura- CONTAG
Confederação Nacional dos Agricultores Familiares- CONTRAF
Comissão Pastoral da Terra- CPT
Comissão Nacional de Comunidades Quilombolas= CONAQ
Conselho Indigenista Missionário- CIMI
Movimento camponês Popular- MCP
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra-MST
Movimento dos Atingidos por Barragens- MAB
Movimento dos Pequenos Agricultores- MPA
Movimento pela Soberania Popular sobre a Mineração- MAM
Pastoral da Juventude Rural
Via Campesina Brasil

terça-feira

Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi realizou bingo entre sócios e sócias

Na assembleia anual do STTR, nesse ultimo sábado 28 de janeiro, aconteceu um bingo entre sócios e sócias em dias, na oportunidade as sócias foram premiadas com uma geladeira, uma TV e uma Moto Honda CG 160cc 0KM.

Sócias premiadas: 






segunda-feira

Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi realizou sua assembleia anual

Na manhã do ultimo sábado 28 de janeiro, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadores rurais de Apodi realizou mais uma assembleia anual.

Como todos os anos a assembleia foi bastante movimentada e com boa participação dos agricultores (as) sócios da entidade sindical. Representantes do poder legislativo, pároco da Paróquia de Apodi e entidades parceiras também se fizeram presentes para prestigiar esse momento.




A abertura da assembleia foi marcada por um momento de mística, refletindo sobre os desafios e desejos para o novo ano de 2017.

Durante o evento ocorreu um debate informativo sobre a reforma da previdência social, o assessor jurídico da Fetarn, Marcos George fez uma explanação das propostas feitas para a reforma que são um verdadeiro golpe ao povo brasileiro, coloca em risco a previdência social do país e conquistas históricas de nossa classe.

Logo após como o sindicato lotado foi feita a prestação de contas do exercício 2016, que foi posta em votação e  os sócios e sócias aprovaram por unanimidade.

A assembleia foi encerrada com o bingo de prêmios entre sócios e sócias em dias. 

Mais fotos: 


















A crise hídrica perfeita

São cinco fatores fundamentais que geram a atual crise hídrica brasileira. 

O primeiro, alertado por vários cientistas, é a possível ruptura no ciclo de nossas águas. Em resumo, grande parte delas tem origem na evapotranspiração da floresta amazônica, sendo carreada para o sul, centro-oeste e sudeste pelos rios voadores. Com a derrubada da floresta amazônica os rios voadores estão perdendo força. 
Completa essa ruptura o desmatamento do Cerrado, que tem como consequência sua impermeabilização. O Cerrado não está na origem do ciclo de nossas águas, mas tem o papel fundamental de armazená-las em tempos de chuva e depois liberá-las para nossas bacias hidrográficas em tempos de estiagem. É o que os técnicos chamam de vazão de base. Ela garantia a perenidade de nossos rios, a exemplo do São Francisco. Hoje porém, com menos absorção, não garante mais. 

O segundo fator é a escassez qualitativa. Destruídos, poluídos, muitas vezes os mananciais estão ao lado de nossas casas, cortando nossas cidades, mas impróprios para o consumo humano e doméstico. O exemplo mais clássico são as águas do Tietê do Pinheiros em São Paulo. Mas podemos estender essa lógica a todos os rios que atravessam centros urbanos, desde os pequenos até os grandes. 

O terceiro fator é a expansão do uso da água para fins econômicos, particularmente a agricultura irrigada. Hoje temos 6 milhões de hectares irrigados e eles são responsáveis por 72% da água doce consumida no Brasil. Entretanto, estudiosos dizem que temos potencial para mais 29 milhões de hectares – outros falam em 60 milhões -, sobretudo no território do agronegócio chamado de MATOPIBA, iniciais de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. 

O quarto fator é o hidronegócio. A mercantilização da água despertou cobiça no mundo inteiro em seus múltiplos usos, particularmente dos serviços de abastecimento urbano e na água envazada. Quando um bem essencial à vida como a água é apropriado privadamente e mercantilizado, passa a ser gerido pelas regras absolutistas do mercado. A consequência é o preço exorbitante da água para populações mais pobres e o lucro soberbo das empresas que adquirem esses serviços. O que aconteceu em Itu e nas periferias da grande São Paulo ilustram esse fator de forma cabal. 

Finalmente, o descuido. Não temos nenhuma política de educação, ética do cuidado com nossos mananciais ou a utilização de nossas águas. Mesmo quando a questão é abordada, simplesmente prefere-se transferir o problema para os consumidores domésticos, exatamente a parte menos influente na crise. 
A ruptura do ciclo das águas + escassez qualitativa + expansão da demanda + hidronegócio – cuidado. Eis a equação da crise perfeita e perversa.


Autor(a): Roberto Malvezzi (Gogó)-Escritor, compositor e músico 


Plantando organização e colhendo autonomia e resistência: os quintais e a luta das mulheres de Palmares pelo seu território





bv6a0449-copia

“Aqui quem bota pra frente são as mulheres” é o que diz Natália Medeiros, agricultora do Grupo de Mulheres de Palmares. Não é à toa a afirmação. As mulheres são as responsáveis pela produção nos quintais. Natália, por exemplo, mora sozinha e, em seu quintal, produz as hortaliças que vende para feira da cidade e de onde tira a sua própria renda. Um pouco mais a frente mora Maria Antônia, conhecida como Branca que, diferente de Natália, não vende a produção de seu quintal, mas dele tira frutas e hortaliças para o seu consumo e de sua família: “em vez de tá comprando, eu já tenho em casa e isso economiza muito!”. No quintal de Branca tem: banana, caju, manga, tamarindo, limão, laranja, côco, acerola, pinha, cajarana, siriguela, graviola, hortaliças diversas e plantas ornamentais como rosas e palmeiras que ela ama.
BV6A0532.JPG











Natália e Branca são do grupo de mulheres da Agrovila Palmares, Apodi/RN. Palmares nasceu a partir de um projeto de assentamento modelo idealizado no final dos anos 90 pela Força Sindical e Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo que, chegando à Apodi, fez um processo de seleção de 30 famílias e capacitação das mesmas. Das 30, 28 famílias foram aprovadas para receber os benefícios previstos e em maio de 2000, cada uma dessas famílias recebeu uma casa, com televisão e bicicleta, em uma estrutura com água, luz, transporte escolar e duas matrizes de caprinos”, lembra Nova. Com o tempo, por falta de recursos, o sindicato parou de investir no assentamento e em 2006 doou as casas e um quintal de 100 metros para as famílias e as terras coletivas para a associação da comunidade.
A partir da associação e do trabalho conjunto com a Comissão de Mulheres do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi – STTR, formou-se o Grupo de Mulheres de Palmares em 2006 e, neste mesmo ano, o Centro Feminista passou a atuar diretamente na comunidade com assistência técnica para produções nos quintais, formação feminista e fortalecimento da auto-organização.
O grupo Mulheres de Palmares conta com a participação ativa de 16 mulheres da comunidade que se reúnem mensalmente para debates e articulação da participação nos espaços de discussão e tomadas de decisões. Foi através da participação no STTR que, em 2011, as mulheres souberam que o projeto do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca – DNOCS desapropriaria mais de 13 mil hectares de terras do lado potiguar da Chapada, onde vivem mais de 800 famílias, para dar lugar à instalação do Projeto de Irrigação Santa Cruz do Apodi, evidenciando uma política de irrigação em benefício da expansão do agronegócio.
As mulheres de Palmares fizeram o enfrentamento direto contra a tomada de seu território pelo projeto do DNOCS e em defesa da agroecologia em 2012/2013. Os atos de rua que contaram com mais de 3 mil mulheres e campanha internacional nas redes sociais junto ao movimento Marcha Mundial das Mulheres mostraram a força da auto-organização da qual as mulheres de Palmares protagonizaram.
Para Branca, a união e a oportunidade de fazer a luta também fora da comunidade são motivos de alegria e pelos quais a fazem continuar firme e forte no grupo. Natália afirma:“depois que entrei no grupo, eu aprendi muita coisa com as outras mulheres. Pra mim, a melhor coisa de morar em Palmares, além da água, é as mulheres e a nossa organização que faz a gente ser mais independente”. A experiência das mulheres de Palmares é uma prova do quanto a auto-organização contribui para defesa dos territórios, resistência nas lutas por direitos e a autonomia das mulheres.
*Fotos de Wigna Ribeiro
Fonte: Centro Feminista 8 de Março

sexta-feira

12 anos sem a presença física de Ronaldo Valência




Hoje estar fazendo 12 anos que o nosso amigo, companheiro e um grande exemplo de dedicação e luta pelos mais humildes, Ronaldo Valência, se foi de forma trágica, e prematura, fica registrado em nosso blog a nossa homenagem e lembranças de todos aqueles que conviveram e lutaram juntos com ele na construção de dias melhores para todos.


quinta-feira

O golpe parlamentar como assalto ao bem comum


Leonardo Boff

Um dos efeitos mais perversos do golpe parlamentar, destituindo com razões juridicamente questionáveis pelos juristas mais conceituados de nosso país e também do exterior, foi impor um projeto econômico-social de ajustes e de modificações legais que significam um assalto ao já combalido bem comum. O golpe foi promovido pelas oligarquias endinheiradas e anti-nacionais que usaram um parlamento de fazer vergonha por sua ausência de ética e de sentido nacional, que por ele pretendem drenar para seu proveito a maior fatia da riqueza nacional. Isso foi denunciado por nomes notáveis como Luiz Alberto Moniz Bandeira, Jessé Souza, Bresser Pereira, entre outros.

Está em curso um desmonte da nação. Isto significa a implantação de um neoliberalismo ultraconservador e predatório que praticamente anula as conquistas sociais em favor de milhões de pobres e miseráveis, tirando-lhes direitos com referencia ao salário, ao regime de trabalho e das aposentadorias além de reduzir e até liquidar com projetos fundamentais como a Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, o FIES e outros institutos que permitiam o acesso aos filhos e filhas da pobreza ao estudo técnico ou superior.

Mais que tudo, começou-se a leiloar bens coletivos como partes da Petrobrás e a colocação à venda de terras nacionais. A privatização significa sempre uma diminuição do bem de interesse geral que passa às mãos do interesse particular. Atacam-se ao que se chama hoje de “direitos de solidariedade” que submete os interesses particulares ao interesses coletivos e comuns.

Estão sendo erodidas as duas pilastras fundamentais que historicamente construíram o bem comum: a participação dos cidadãos (cidadania ativa) e a cooperação de todos. Em seu lugar, a atual ordem imposta pelos que perpetraram o golpe, enfatiza as noções de rentabilidade, de flexibilização, de adaptação e de competividade. A liberdade do cidadão é substituída pela liberdade das forças do mercado, o bem comum, pelo bem particular e a cooperação, pela competitividade.

A participação e a cooperação asseguravam a base do interesse e do comum. Negados esses valores, a existência de cada um não está mais socialmente garantida nem seus direitos afiançados. Logo, cada um se sente constrangido o garantir o seu. Assim surge um individualismo avassalador, acolitado por ondas de ódio, de homofobia, de machismo e de todo tipo de discriminações.

O propósito dos atuais gestores, já reconhecidos como incompetentes, alguns até imbecilizados é: o mercado tem que ganhar e a sociedade deve perder. Ingenuamente creem ainda que é o mercado que vai regular e resolver tudo. Se assim é por que vamos construir o bem comum? Deslegitimou-se o bem-estar social e o bem comum foi enviado ao limbo.
Mas cabe denunciar: quanto mais se privatiza mais se legitima o interesse particular em detrimento do interesse geral além de enfraquecer o Estado, o gerenciador do interesse geral. Estão nos impondo um killer capitalismo. Quanto de perversidade social e de barbárie vão aguentar os movimentos sociais, aqueles que da pobreza estão sendo jogados para a miséria, os partidos de raiz popular e a inteligentzia brasileira com sentido de nação e de soberania de nosso pais?

Esclareçamos o conceito de bem comum. No plano infra-estrutural o bem comum é o acesso justo de todos aos bens comuns básicos como à alimentação, à saúde, à moradia, à energia, à segurança e à comunicação. No plano social é a possibilidade de levar uma vida material e humana satisfatória na dignidade e na liberdade num ambiente de convivência pacífica.
Pelo fato de estar sendo desmantelado pela atual ordem injusta, o bem comum deve agora ser reconstruído. Para isso, importa dar hegemonia à cooperação e não à competição e articular todas as forças comprometidas com o interesse geral a resistir, a pressionar e a ganhar as ruas.

Por outro lado, o bem comum não pode ser concebido antropocentricamente. Hoje desenvolveu-se a consciência da interdependência de todos os seres com todos e com o meio no qual vivemos. Nós enquanto humanos, somos um elo, embora singular, da comunidade de vida e responsáveis pelo bem comum também desta comunidade de vida. Não podemos vender nossas terras nem deixar de delimitar os territórios indígenas, os donos originários de nosso país nem descuidar do desmatamento desenfreado da Amazônia como está ocorrendo agora.

Nós humanos, possuímos os mesmos constituintes físico-químicos com os quais se constrói o código genético de todo o vivente. Dai se deriva um parentesco objetivo entre todos os seres vivos como o tem enfatizado o Papa Francisco em sua encíclica sobre a ecologia integral. Por isso cuidar e defender a natureza é cuidar e defender a nós mesmos, pois somos parte dela. Em razão desta compreensão o bem comum não pode ser apenas humano, mas de toda a comunidade terrenal e biótica com quem compartimos a vida e o destino.

Cooperação se reforça com mais cooperação, pois aqui reside a seiva secreta que alimenta e revigora permanentemente o bem-comum, atacado pelas forças que ocuparam o Estado e seus aparelhos no interesse de poucos contra o bem comum de todos os demais.

Leonardo Boff é articulista do JB on line e escreveu: De onde vem? o Universo, a Terra, a vida, o espírito, Mar de Ideias, Rio.