sexta-feira

Trabalhadoras rurais aprendem sobre preparação e apresentação de produtos

Cerca de 60 mulheres participaram durante dois dias de uma capacitação que serviu de preparação para a 1ª Feira Territorial da Economia Feminista e Solidária. As participantes fazem parte de grupos localizados em diversos municípios do estado e produzem gêneros alimentícios, além de artesanato através dos princípios da economia solidária.
O responsável pela capacitação, professor da Ufersa Tiago Dias, especialista no assunto, forneceu informações sobre preparação e apresentação dos produtos, desde as etapas iniciais de produção até a venda.
Os grupos que participaram da capacitação e estarão expondo seus produtos durante a feira representam os territórios Açu-Mossoró e Sertão do Apodi. “Elas fabricam mel, hortaliças orgânicas, subprodutos à base de peixe, além de artesanato como renda, crochê e ponto cruz. O nosso objetivo é apresentar esses produtos alternativos para a sociedade e também conquistar a certificação deles dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura”, explica Lanusa Cristine, coordenadora do projeto Feiras da Economia Feminista e Solidária do RN.
Durante a feira cerca de 80 grupos estarão expondo seus produtos e realizando mesas de negociação dentro da programação do Encontro Estadual de Trabalhadoras Rurais, que acontece simultaneamente, no espaço Carcará. “Queremos que os órgãos apresentem as propostas sobre o que podemos fazer para conseguir os selos exigidos pelo ministério para comercializarmos nossos produtos. O nosso objetivo é sair do evento com os encaminhamentos”, diz Lanusa.
Além de dar mais visibilidade a produção, comercialização e intercâmbio dos produtos, os dois eventos que são fruto do processo de auto-organização das trabalhadoras rurais do estado, têm o objetivo principal de avançar nas políticas públicas voltadas para as mulheres e fortalecer a organização produtiva dos grupos.
Fonte: Blog Economia Feminista e Solidaria do RN

quinta-feira

Agrotóxicos: Água em áreas da Chapada do Apodi está contaminada

Os agrotóxicos identificados nas águas apresentam solubilidade de moderada a alta e mobilidade moderada quanto à capacidade de retenção no solo, significando que podem ser detectados em águas subterrâneas. A conclusão consta de uma análise feita pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) na Chapada do Apodi, região leste do Estado, onde se concentram as maiores áreas irrigadas com água subterrâneas do Ceará.
O estudo, financiado pelo Banco Mundial, constatou a presença de calcário na água que também é salobra, sendo portanto imprópria para o consumo humano. “Segundo a população local (os que vivem em sítios e distritos) o alto índice de calcário tem causado muitos problemas renais”, de acordo com o relatório.

Saiba mais: Cogerh mapeia potencial hídrico do Estado e avalia o uso de agrotóxicos na Chapada do Apodi

O documento, batizado de Plano de Gestão Participativa dos Aquíferos da Bacia Potiguar (CE), foi concluído em outubro do ano passado pelos técnicos da Cogerh, mas foi apresentado há dois meses aos usuários da água na Chapada do Apodi, informa o diretor de planejamento do órgão, João Lúcio Farias de Oliveira.
Ele disse que foi criado um grupo gestor que fará o acompanhamento quantitativo e qualitativo da água na região, principalmente nos municípios cearenses de Limoeiro do Norte, Quixeré, Tabuleiro do Norte e Alto Santo. Foram instaladas 40 estações de monitoramento que dão informações de hora em hora.
João Lúcio reafirma que a água de lá é muito pesada, tem muito calcário e precisa ser acompanhada com relação aos agrotóxicos pulverizados na área de plantio. No relatório, é citada a preocupação dos moradores com relação ao meio ambiente “altamente impactado em função das queimadas, dos agrotóxicos e das caieiras que não são estruturadas”.
A população, por causa disso, constata o aumento do número de doenças provocadas pela poluição do ar como a tuberculose, alergias, micose, problemas respiratórios e até casos cancerígenos. Isso é o que consta no relatório da Cogerh.

Fiscalização

O diretor de planejamento do órgão diz que foi firmado um convênio com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) para a fiscalização naquela área e para um trabalho de educação ambiental. Doze comunidades são envolvidas nesse trabalho. E, de dois em dois meses, serão apresentados os dados do monitoramento da água. Estão sendo feitas ainda reuniões com os produtores de fruticultura.

SAIBA MAIS

- A médica e professora do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC), Raquel Rigotto, e uma equipe de pesquisadores realizam, desde 2007, um trabalho de acompanhamento do impacto dos agrotóxicos na saúde do trabalhador e dos consumidores de frutas no Ceará, com ênfase na Chapada do Apodi. O trabalho é patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e já constatou a contaminação da água por produtos químicos.

- No dia 21 de Abril deste ano, o ambientalista José Maria foi assassinado com 19 tiros. Ele vinha denunciando o uso de agrotóxicos na região que tem área destinadas ao plantio da fruticultura para exportação.

- Agrotóxicos são produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, usados na produção, armazenamento e beneficiamento dos produtos agrícolas e pastagens. É usado ainda em ambientes urbanos, hídricos e industriais para alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa dos seres vivos.

Informações: OPOVO Online, por Rita Célia Faheina

quarta-feira

Ministério Público do Trabalho já recebeu dossiê sobre uso de agrotóxicos na Chapada do Apodi


O Ministério Público do Trabalho recebeu dossiê elaborado pela Universidade Federal do Ceará (UFC) que aponta malefícios à população da Chapada do Apodi causados pelo uso de agrotóxicos na região. A apresentação do estudo serviu de palco para manifestações pela memória do ambientalista José Maria Filho.
A professora explanava sobre os impactos do agrotóxico nas comunidades da Chapada do Apodi (no seminário 'Conhecimento e Ação', ocorrido entre 19 e 20/08). Mas foi interrompida por uma homenagem a um protagonista da luta contra o agrotóxico. Era um grupo de manifestantes que adentrava o auditório, lembrando os quatro meses de morte do ambientalista José Maria Filho, assassinado com 19 tiros em 21 de abril de 2010, em Limoeiro do Norte.
Os gritos eram de “Companheiro Zé Maria, aqui estamos nós, falando por você, já que calaram a sua voz”. E foram repetidos, várias e várias vezes, por membros dos movimentos sociais que foram ao auditório da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), em Limoeiro do Norte. A professora Raquel Rigotto, que comandava a apresentação, também participou da homenagem.
Raquel Rigotto, médica e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), descrevia a pesquisa, iniciada há cerca de três anos.
É um estudo epidemiológico da população do Baixo Jaguaribe exposta a contaminação ambiental em área de uso de agrotóxico.
Foram estudadas oito comunidades, que abrigam cerca de mil moradores cada. São oito mil pessoas, no total, expostas ao veneno, segundo ela.
Populações de Limoeiro do Norte, Quixeré e Russas foram analisadas, além da cultura de abacaxi, melão e banana, maiores responsáveis pelo agronegócio na região. Em uma das comunidades estudadas, cita a professora, foi constatada a presença do endossulfam, substância tóxica que teve uso banido pelo Ministério da Saúde nesta semana.
Foram achados ainda sete tipos de veneno na comunidade Cabeça Preta. “E esse veneno é na água que é oferecida à comunidade, naquela que vai servir pra fazer a mamadeira do neném”, cita ela.
Um dado preocupante foi a quantidade de agrotóxico que é pulverizada na região - 73.750 litros de calda tóxica a cada pulverização aérea, ou seja, a cada vez que o avião joga nas plantações. Como as casas da região são próximas aos bananais, a situação é ainda mais problemática, porque o contato aumenta.
Durante a apresentação de quinta-feira (19/08), um dossiê do estudo foi entregue ontem a representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), presentes no auditório da Fafidam. Receberam o dossiê Geórgia Aragão, procuradora do Trabalho, e Bianca Leal, promotora de justiça de Limoeiro do Norte. “Vamos analisar o documento e constatar se há subsídios para uma ação civil pública”, declarou a representante do MPT.

Morte sob suspeita

Rigotto apresentou também um estudo feito com um agricultor de 29 anos, empregado da cultura do abacaxi. Em agosto de 2008, ele era considerado sadio. Três meses depois, morreu de uma doença hepática grave. Depois de o caso ter sido estudado por especialistas do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), foi constatado que a hepatite foi induzida por substâncias tóxicas.
Segundo a professora, que é médica do Trabalho, mestre em Educação e doutora em Sociologia, o Ceará é o quarto estado do País em número de estabelecimentos que usam agrotóxicos. Na pesquisa, foram entrevistados 496 trabalhadores do agronegócio, moradores de assentamentos e pequenos e médios produtores.

ENTENDA O CASO

Em 21 de abril, Zé Maria foi assassinado. Ele denunciou a desapropriação dos agricultores devido à implantação de grandes projetos de irrigação e o uso de agrotóxicos e a pulverização aérea na região.
Em maio, uma audiência pública em Limoeiro discutiu a pulverização aérea das lavouras da Chapada do Apodi. A lei municipal que proibia as pulverizações acabou revogada.
No dia 21 de julho, em protesto em Fortaleza, manifestantes pediam agilidade nas investigações do assassinato do ambientalista. Familiares e amigos participaram da passeata. Até o momento, não foram apontados os mandantes ou executores do crime.

Fonte: Guiame.com.br, por Thatiane de Souza

Roquel Rigotto Cordenadora da pesquisa do Nivel de Contaminação do Lençol Freático da Chapada do Apodi cede entrevista a Leila Leal

Raquel Rigotto - Especialista
"O uso seguro de agrotóxicos é um mito”, afirma especialista.
Por Leila Leal
Da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz

Raquel Rigotto, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), participou como palestrante do Seminário Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos, realizado de 14 a 16 de setembro na Escola Nacional Florestan Fernandes – Guararema, São Paulo.
Coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, pesquisa a relação entre agrotóxicos, ambiente e saúde no contexto da modernização agrícola no estado do Ceará. Nesta entrevista, ela defende o debate sobre uso de agrotóxicos como um tema estratégico e critica a ideia de que é possível utilizá-los de forma segura.

Qual a importância da discussão sobre agrotóxicos na atual conjuntura?

Os agrotóxicos não podem ser vistos apenas como um conjunto de substâncias químicas que pode causar riscos químicos à saúde. Eles precisam ser entendidos no contexto em que são utilizados, que envolve o processo de modernização agrícola conservadora em curso no Brasil, que tem a ver com a reestruturação produtiva no campo e a divisão internacional da produção e do trabalho, na qual cabe ao Brasil a produção de commodities de origem agrícola.
Esse contexto mais geral precisa ser considerado, assim como o entendimento do agronegócio não apenas em sua dimensão de latifúndios e monoculturas, mas também como um subsistema técnico e político que envolve o capital financeiro, a indústria química, a indústria de biotecnologia, sementes, fertilizantes, tratores, enfim, toda a indústria metal-mecânica. Esse contexto determina a vulnerabilidade das populações aos agrotóxicos. E que populações são essas? Temos em primeiro lugar os trabalhadores das empresas, mas também outros segmentos de trabalhadores que são influenciados por esse processo, como os pequenos produtores. No Ceará, os pequenos produtores foram colocados na condição de parceiros do agronegócio, o que na verdade é uma forma de terceirização.
O cultivo de fumo no Rio Grande do Sul também é um exemplo disso, são pequenos produtores que estão completamente subordinados às exigências da indústria fumageira. Além desses trabalhadores, são atingidos os moradores dessas regiões. No Mato Grosso, há municípios completamente cercados pelo agronegócio, que atinge até mesmo a reserva do povo Xingu: há rios que nascem fora de sua área e cuja água já entra no território indígena contaminada por agrotóxicos.
Há também a questão dos consumidores de alimentos, que têm uma ingestão diária aceitável de veneno. É o ‘veneno nosso de cada dia’ na alimentação. E, ainda, temos os trabalhadores que fabricam esses venenos. Há conflitos ambientais já identificados com esses trabalhadores de fábricas e as comunidades do entorno das fábricas, que são contaminadas. No nordeste, há uma fábrica de agrotóxicos que tem problemas sérios com 11 bairros na sua vizinhança por causa da sua contaminação atmosférica.
Além disso, a questão dos agrotóxicos é abrangente porque vai nos ajudar a resgatar a interrelação campo e cidade. Na medida em que o país se urbaniza, tendemos a pensar o Brasil como um país urbano – e há uma conotação simbólica de que isso nos aproxima mais do perfil dos países desenvolvidos e deixa para trás o ‘atraso do campo’ –, perdendo de vista que há uma dinâmica rural-urbana fundamental. Isso se expressa na produção de alimentos, na manutenção de riquezas naturais como a água, os microclimas, as chuvas (importantes para a cidade e ‘produzidas’ no campo) e também do ponto de vista da organização do campo. A concentração de terra, que expulsa pessoas das áreas rurais, faz com que as cidades fiquem cada vez mais ingovernáveis, por causa da migração e de todos os processos de degradação da qualidade de vida, como a violência, as drogas e outros. Enfim, faz com que toda a problemática ambiental urbana cresça.
Os agrotóxicos dão oportunidade para discutirmos tudo isso, e também para debatermos a ciência e seus limites hoje. Há substâncias químicas que nos mostram a insuficiência dos conhecimentos produzidos para que possamos ter alguma segurança ao lidar com elas. Um exemplo é o problema da exposição múltipla a vários ingredientes ativos, que ainda carece de respostas. São várias situações que nos colocam os limites da ciência e que também desafiam o Estado, porque não há como tratar os problemas dos agrotóxicos apenas como problema agrícola ou agrário, apenas como problema de saúde ou de meio ambiente. Esse é um problema que perpassa diversos setores das políticas públicas e exige uma atuação integrada, o que também é um exercício interessante de fazermos.

Na sua palestra no Seminário Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos, foi destacada a importância de esclarecermos se estamos discutindo agrotóxicos e saúde ou agrotóxicos e doença. Qual a diferença entre as abordagens e o que isso significa para o debate?
Na cultura positivista que temos, existe uma certa tendência, tantos dos empresários como algumas vezes até da própria mídia, de procurar por agravos à saúde que pudessem ser atribuídos aos agrotóxicos, identificando e quantificando casos. É como se, para validar a questão dos agrotóxicos como um problema digno de atenção, relevante e urgente, dependêssemos disso, como se precisássemos ter geração e comprovação da doença para começarmos a pensar no assunto e nos problemas dos agrotóxicos.
O que estamos propondo é que o conhecimento sobre a nocividade dos agrotóxicos está dado a priori, porque ao defini-los como agrotóxicos estamos dizendo que são biocidas, que fulminam a vida, e ao atribuir a eles uma classificação toxicológica que vai de pouco tóxico a extremamente tóxico também estamos deixando isso claro.
Não há nenhuma classificação que seja ‘não-tóxico’. O mesmo acontece em termos da classificação ambiental, que se relaciona à resistência do solo, e aos estudos da biomagnificação, teratogênese, mutagênese e carcinogênese [referentes ao acúmulo de produtos tóxicos ao longo da cadeia alimentar e à possibilidade de anomalias e malformações fetais, mutações genéticas e desenvolvimento de câncer].
Então, os agrotóxicos já estão classificados nesse sentido. Não há que se perguntar se são veneno ou remédio, está claro que são um tipo de veneno. Esse potencial de dano está dado, e defendemos que não precisaríamos provar a existência do dano para postergar políticas públicas e iniciativas dos agentes econômicos para combater esse problema. Poderíamos, desde já, estar trabalhando na perspectiva de que existe um risco e um contexto de risco, partindo para o controle desses riscos.

Por que é difícil estabelecer relações entre exposição humana aos agrotóxicos e os danos à saúde?
Os efeitos crônicos causados pela exposição a agrotóxicos são muito diversificados. Cada composto e princípio ativo tem um perfil toxicológico e uma nocividade própria, e isso se relaciona a uma série de patologias que vão desde dermatoses até infertilidade, abortamento, malformações congênitas, cânceres, distúrbios imunológicos, endócrinos, problemas hepáticos e renais...
Mas todas essas patologias têm etiologias variadas, o que significa que podem ser causadas por outros elementos que não os agrotóxicos. E, como somos acostumados a fazer raciocínio muito linear entre doença e agente causal, isso fica muito complicado. É possível, por exemplo, quando uma empresa quer se negar a assumir suas responsabilidades, que ela diga que o trabalhador teve uma leucemia porque a família tem carga genética para isso.
Do ponto de vista epidemiológico, os estudos têm evidenciado essas correlações, demonstrando que populações mais expostas, comparando com não expostas, têm carga maior de doenças. Mas gerar essa informação é difícil. No caso do Ceará, o instituto que recebe a maioria dos cânceres hematológicos não tem na sua ficha de investigação o dado sobre a ocupação do trabalhador. Isso é um exemplo da dificuldade que temos para fazer um perfil que relacione a ocupação e, por consequência, o contato com agrotóxicos, a uma determinada doença.

Existe um discurso muito difundido de que os agrotóxicos seriam uma necessidade para garantir a produção de alimentos, e de que sem eles ‘o mundo morreria de fome’. A partir daí, a proposta é desenvolver formas seguras de lidar com os agrotóxicos. Qual a sua opinião sobre isso? O ‘uso seguro’ é possível?
A ‘Revolução Verde’, que é o momento que marca na história da humanidade a questão dos agrotóxicos, aconteceu há cerca de 50 anos. A humanidade tem cerca de 8 mil anos de história conhecida na agricultura, e nós vivemos e nos alimentamos por todos esses milênios sem os agrotóxicos e transgênicos (o que é um outro argumento muito comum agora, de que, de repente, não podemos mais viver sem os transgênicos).
É claro, há relatos de que desde os povos mais antigos havia uso de algumas substâncias para controle de pragas e de processos de cultivo, a humanidade tem um acúmulo nesse sentido. Estou me referindo a esse uso massivo de agrotóxicos, estimulado pela indústria química, que pode fazer propaganda na televisão, ter isenção de impostos como o ICMS, IPI, Cofins, PIS/Pasep.
Então, a primeira coisa importante de tomarmos consciência é que já vivemos muitos anos como humanidade sem os venenos, e que depois do uso de venenos a produtividade da agricultura certamente elevou-se, mas a segurança e a soberania alimentar da humanidade não. Continuamos tendo quase um bilhão de pessoas desnutridas ou subnutridas no mundo, então está clara que essa não é uma crise que seja explicada pela subprodução, mas sim pela má distribuição. Isso se deve ao fato de que aquilo que o agronegócio e a modernização agrícola produzem não são alimentos, mas sim commodities, o que é muito diferente. Há todo um aparato jurídico, institucional, legal, para regular o uso de agrotóxicos e o que vemos é que esse aparato não tem sido eficaz. O que se vê é que, desde o processo de normatização, houve interferência.

Temos documentos dos produtores de agrotóxicos em que afirmam a sua estratégia de interferir no processo regulatório, fazer lobby, interferir na capacitação dos servidores públicos e dos operadores de direito que lidam com essa área. Então, desde o início da regulação, há problemas. Quantos desses estatutos que estão previstos na legislação funcionam efetivamente?
O receituário agronômico não funciona e há pouquísmos laboratórios, no país inteiro, que são capazes de fazer análise da água e da contaminação humana por agrotóxicos.

Estamos agora no processo de revisão da Portaria 518, que diz respeito à potabilidade da água para consumo humano, e um dos grandes dramas é esse: podemos colocar lá todos os 450 ingredientes ativos de veneno registrados que temos no Brasil, mas onde vão ser analisados para cada uma das prefeituras de cada um dos quase 6 mil municípios do nosso país?
Não temos essa capacidade instalada.
Fazemos o licenciamento ambiental desse empreendimento, mas não temos condições de monitorar se as condicionantes e requisitos colocados no licenciamento são cumpridos, porque não há fiscal, não tem diária, não tem aparelho e laboratório. Há também uma série de argumentos que foram trazidos pelo Censo Agropecuário, através do qual podemos constatar que há mais de 5 milhões de estabelecimentos com mais de 16 milhões de trabalhadores rurais dos quais um número significativo é de crianças, com escolaridade considerada baixa. Como podemos pensar em uso seguro numa vastidão dessa? A assistência técnica é precária. O Censo mostra que as propriedades que mais receberam assistência são aquelas acima de 200 hectares, ou seja, há milhões de propriedades de pequenos produtores que estão à revelia de assistência técnica. Como podemos imaginar que o uso seguro acontecerá assim? Qualquer pessoa pode chegar a uma loja e comprar o veneno que o balconista estiver interessado em vender e usar do jeito que o balconista ensinar. É muito difícil pensar em uso seguro assim.

Você falou em sua palestra que há um despreparo dos profissionais de saúde e do próprio SUS para lidar com essa questão. Como isso acontece?
Do ponto de vista da Política Nacional de Saúde do Trabalhador, temos previstas ações que vão desde a atenção básica – que seria principalmente através da Estratégica de Saúde da Família – até os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerests), com ações hierarquizadas.
A proposta é muito interessante. Mas o que vemos, especialmente no Ceará, é que a forma como o SUS chega aos territórios que sofreram profundas transformações pelos processos de mordenização agrícola é insuficiente. Os profissionais da atenção primária estão completamente absorvidos pela assistência médica, têm pouco tempo de fazer as outras ações pensadas para sua atuação e conhecem muito pouco a dinâmica viva dos territórios em que as unidades de saúde estão inseridas.
Então, têm poucas notícias sobre a instalação de empresas de agronegócio, não sabem se há trabalhadores migrantes que vêm para atender demanda de força de trabalho sazonal, para, por exemplo, a colheita do melão (que é um caso muito comum), que estão sem suas famílias e que isso causa a expansão de uma rede de prostituição — o que gera outros problemas, como gravidez indesejada na adolescência, uso de drogas, doenças sexualmente transmissíveis, inclusive Aids. Então, para o sistema de saúde que está ali absorvido em diagnosticar e tratar doenças – embora estejamos tentando superar esse paradigma, isso nem sempre é possível –, é difícil enxergar essas dinâmicas.
A resposta às novas necessidades de saúde tem sido insuficiente, é isso que mostrou o estudo realizado pela Vanira Mattos na UFC. Nos Cerests, há experiências ricas pelo Brasil afora, mas estou falando de um olhar local do Ceará. Ainda não conseguimos, ao longo dos três anos da nossa pesquisa, envolvê-los no atendimento a esses trabalhadores, nem desenvolver conjuntamente as ações de vigilância sanitária, epidemiológica, ambiental e em saúde do trabalhador, que ainda não estão acontecendo adequadamente.

segunda-feira

MILHO AOS POMBOS

Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí
queimando pestanas organizando suas batalhas
Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas
mortalhas
A cada conflito mais escombros
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
dando milho aos pombos
Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil
o pão, o arroz, o feijão, o aluguel
Uma nova corrida do ouro
o homem comprando da sociedade o seu papel
Quando mais alto o cargo maior o rombo
Eu dando milho aos pombos no frio desse chão
Eu sei tanto quanto eles se bater asas mais alto
voam como gavião
Tiro ao homem tiro ao pombo
Quanto mais alto voam maior o tombo
Eu já nem sei o que mata mais
Se o trânsito, a fome ou a guerra
Se chega alguém querendo consertar
vem logo a ordem de cima
Pega esse idiota e enterra
Todo mundo querendo descobrir seu ovo de Colombo.

sábado

O PREÇO DO VOTO

Votar deveria ser uma atitude de natureza cívica e voluntária, livre, democrática e espontânea.
O ato de votar, presume-se, deveria ser revestido e precedido de um espírito independente sem as amarras que o associam a intercâmbios financeiros ou materiais.
O voto não é objeto de troca nem de venda.
O voto sufragado nas urnas haveria de ter as digitais da nossa conduta ética e moral.
Ele tem o exato valor da nossa consicência.
E a nossa consciência não está à venda.
Ela não tem preço.
O abuso do poder econômico constitui um vício danoso à democracia cuja existência o eleitor é um dos responsáveis.
O eleitor que vende ou troca o seu voto é também o maior perdedor numa eleição independentemente de quem a venceu.
O meu voto não pode ter o valor de uma dentadura nem de um reles par de chuteiras.
Fazer do voto moeda de troca não é racional, quanto mais legal.
E não contribui para o fortalecimento do processo democrático.
Quem vende ou negocia seu voto também comete uma ilicitude diante da Justiça contribuindo penosamente para que as fraudes eleitorais sejam uma nódoa que desnuda o atraso cultural e foca na pobreza material ainda existentes no Brasil.
Neste domingo é dia de eleição.
O povo escolherá, pelo voto, os seus candidatos.
A palavra candidato vem de “cândido” e lembra alguém limpo, inocente e puro.
Sôa até cômico e pretensioso buscar encontrar alguém com tal perfil nos dias atuais.
Entretanto, importa frisar que não existe o político corrupto sem que haja o eleitor que se deixe corromper.
Ninguém vende nada se ninguém nada comprar.
Não faça da sua consciência uma mercadoria e vote de acordo com seus valores éticos.
O Brasil precisa de cidadãos justos e coerentes comprometidos com o seu desenvolvimento e bem estar social, político e econômico.
E quando deixamos nos manipular pelos políticos de caráter ou ficha sujas, estamos, ainda que involuntariamente, desconstruindo a ética e deixando transparecer que o outro lado da nossa personalidade habita alguém cuja ficha também não é tão limpa assim.
O voto livre, só é livre verdadeiramente quando brota como planta do centro da nossa consicência e se ramifica na terra arenosa das urnas e cresce sem imposições nem manipulações de qualquer espécie.
Vote e escolha o candidato que achar mais comprometido com as causas sociais do nosso Município, Estado e País.
Faça a melhor escolha. E leve, além do Título, um documento oficial com foto.
Leve também, se quiser ou precisar, uma cola com os nomes e números dos seus candidatos.

Boa votação a todos!

Mais de 135 milhões vão às urnas amanhã

Amanhã, das 8 às 17 horas, exatos 135.804.433 brasileiros irão às urnas para eleições em que estarão em disputa os cargos de presidente da República, senador, governador, deputados federais, estaduais ou distritais. Em relação à eleição presidencial de 2006, o eleitorado cresceu em 9 milhões - menos que entre 2002 e 2006, quando passou de 115 milhões para 126 milhões (11 milhões).
Em São Paulo, o eleitorado equivale à população da Argentina. São quase 8,5 milhões na capital e 21,8 milhões no interior, totalizando 30.301.398 eleitores aptos, para uma população estimada em 42 milhões. O Estado é o maior colégio eleitoral do País, seguido por Minas Gerais, com 14,5 milhões, e Rio de Janeiro, com 11,5 milhões.
Ainda de acordo com as estatísticas do Tribunal Superior Eleitora (TSE), com dados atualizados até 2 de setembro, 9 pessoas disputarão o cargo de presidente da República. Para governador, 171 candidatos concorrerão a 26 vagas referentes aos Estados e uma ao Distrito Federal.
Há 276 concorrentes para 54 vagas ao Senado. Para a Câmara, 6.057 candidatos disputam 513 vagas. Já para deputado estadual, serão eleitos 1.059 candidatos entre os 14.418 concorrentes. Para deputado distrital, 882 candidatos lutam por 24 vagas.
Projeção. 'Nossa expectativa para a eleição é a melhor possível. O TSE já divulgou uma projeção de uma demora de cerca de um minuto e meio para o eleitor votar, um pouco mais que a eleição passada, mas acredito que não teremos problemas no pleito', analisou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, Walter Guilherme.
Na madrugada da segunda, de acordo com Guilherme, já deverão estar definidos os nomes dos vencedores das eleições para presidente e governador. O pleito contará com 420 mil seções, nas quais trabalharão 2,2 milhões de mesários distribuídos em todos os municípios do País e em 154 cidades no exterior.
Pouco mais de 200 mil brasileiros votarão em outros países. O maior eleitorado fora do Brasil, com 21 mil brasileiros aptos a votar, é Nova York, seguida por Lisboa e Boston, ambos com cerca de 12 mil eleitores.

sexta-feira

O que pode ser feito contra a desertificação?

Por Neuza Árbocz, especial para Envolverde e CartaCapital
O Sr. Zephania Phiri Maseko, do Zimbabwe, respondeu a esta questão com maestria. Num trabalho solitário, ele recuperou 3 hectares de uma terra árida, tornando-os recordistas em produção de alimentos, frutas e criação de gado.
A transformação começou com seu olhar atento para o caminho das chuvas pelo solo, numa região de extremos de precipitações. Ora são intensas demais, ora desaparecem provocando grandes secas. De forma autodidata, Phiri fez, com suas próprias mãos, muros de pedras e depressões, servindo de valas de infiltração e covas de fruição. Com a sensibilidade de quem aprendeu a olhar e entender a Natureza, construiu com persistência e experimentação, um sistema capaz de reduzir a velocidade das águas pluviais, permitindo que elas se infiltrassem no solo e, até mesmo, formassem reservatórios.
Aos poucos, este cuidado facilitou o crescimento e a sobrevivência das plantas em sua propriedade. Com mais plantas e mais umidade, os reservatórios passaram a enfrentar melhor o tempo de estiagem. Uma coisa foi puxando a outra, a ponto de ele ter hoje um verdadeiro oásis numa região que sofre com secas bravas e ser conhecido como o “homem que cultiva água”.
Esta capacidade de observar seu ambiente e interagir de forma equilibrada com seus elementos, criando melhores condições de vida não apenas para os seres humanos, mas também para as demais espécies, é a grande necessidade atual da humanidade.
Phiri Maseko não foi o único a colocá-la em prática. Também são exemplos marcantes deste desenvolvimento sustentável, os australianos Bill Mollison e David Holmgren, fundadores da Permacultura e Ernst Götsch, difusor de Sistemas Agroflorestais, responsável pela recuperação de terras exauridas no Sul da Bahia.
Seus trabalhos já datam de algumas décadas, mas mesmo assim, ainda predominam no mundo formas de produção menos inteligentes, com queimadas, desmatamento e extração excessiva. Como resultado, perdem-se solos férteis e aumentam as áreas sob risco de desertificação.
Terras áridas e semiáridas cobrem, hoje, 41% da superfície do planeta e abrigam 35% da população mundial. No mapa, elas coincidem com os pontos de maior pobreza no mundo.

VOTO CONSCIENTE: Toda Mudança Começa por Voce.

Votar consciente é não fazer do voto uma mercadoria, é ter a convicção de que fez a escolha certa, embasado num plano de governo sensato, coerente e com os pés no chão.
Votar consciente é saber que seu título não tem validade apenas no período eleitoral, mas tem a validade da sua cidadania e do seu espírito cívico.
Votar consciente é fazer valer a Constituição em toda sua plenitude, não subjugando-a e não lançando-a no calabouço da injustiça.

Votar inconsciente é o contrário de tudo isso.

Pense nisso!

"FALTAM 02 DIAS PARA A GRANDE DECISÃO"

quinta-feira

CONVITE URGENTE: Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi

Os Agricultores (as) Familiares e Pequenos Propietários da Chapada do Apodi juntamente com o STTR convida toda a sociedade apodiense e os demais para se fazer presente na Sexta Feira próxima (01 de Outubro de 2010) no Auditório do STTR a partir das 09 horas da manhã, onde na oportunidade haverá a apresentação da pesquisa realizada na chapada do Apodi referente a análise do Nível de contaminação do lençol freático da chapada da Apodi pela Universidade Federal do Ceará. A Apresentação da Pesquisa será realizada pela Professora da UFC Raquel Rigoto.

Desde já agradecemos a presença de todos (as).

quarta-feira

“Precisamos conscientizar a população sobre os efeitos dos agrotóxicos”

Por Vanessa Ramos

Os prejuízos causados à saúde com a utilização exagerada de agrotóxicos ainda são desconhecidos pela maioria da população e pouco discutidos pela sociedade. Por isso, mais de 20 entidades lançaram a campanha nacional contra o uso dos agrotóxicos.
Na semana passada, essas entidades participaram do seminário contra o uso dos agrotóxicos, organizado pela Via Campesina, em parceria com a Fiocruz e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.
Na atividade, os participantes fizeram um estudo sobre os impactos dos agrotóxicos na economia agrícola nacional, na saúde pública e no ambiente. A partir dessas discussões, a campanha tirou como eixos de atuação informar a sociedade sobre os efeitos da utilização desse “agroveneno” e apresentar uma nova proposta para a agricultura.
Roseli de Sousa, da direção nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Via Campesina, afirma que a meta da campanha é “denunciar esse modelo de produção agrícola, as causas desse veneno e alertar sobre quantas pessoas hoje estão doentes, sobretudo, com câncer, em função do uso desses venenos”.
A seguir, leia a entrevista concedida à Página do MST.



Como você avalia o seminário contra o uso dos agrotóxicos?



O seminário dos agrotóxicos foi um grande passo contra o uso exagerado de venenos na agricultura brasileira. O Brasil já é campeão em consumo de venenos, em consumo de agrotóxicos. Isso gera grandes danos à saúde da população. Nesse momento, em que há grandes avanços do agronegócio, o seminário foi de extrema importância, já que o veneno é parte desse modelo de desenvolvimento de agricultura. Além disso, conseguimos reunir quase 30 entidades e organizações de diversos setores da sociedade. Isso é um grande avanço na tentativa de conscientização contra esse modelo agrícola.

Quem são os maiores prejudicados pelo o uso do agrotóxico na agricultura brasileira?



Quem produz, como os camponeses, os agricultores, os assentados, sofre um efeito maior porque está em contato direto com o veneno. Mas também a população em geral, que consome um produto que não é de boa qualidade, é o maior prejudicado. Assim, as doenças aumentam e aparecem cada vez mais. E quem lucra com isso tudo, sem dúvida, são as empresas.

Quais os objetivos da campanha?



O grande objetivo da nossa articulação contra o agrotóxico e do seminário em si é conseguir traçar um plano, uma estratégia de combate a esse modelo agrícola e ao grande uso de veneno no Brasil. A partir disso, essas articulação vai resultar na campanha nacional contra o agrotóxico no Brasil.

Como será realizada?



A nossa campanha terá dois eixos. O primeiro tem como meta denunciar esse modelo de produção agrícola, as causas desse veneno e alertar sobre quantas pessoas hoje estão doentes, sobretudo, com câncer, em função do uso desses venenos, além de como é que esse veneno tem sido uma das formas do agronegócio ganhar dinheiro. O que as empresas lucram vendendo o veneno é muito grande. Dessa forma, um dos eixos da campanha será a denúncia desse modelo.



E o segundo eixo da campanha?



Vamos anunciar o que queremos para a sociedade, dentro de um outro projeto de desenvolvimento para a agricultura. Assim, devemos almejar um desenvolvimento baseado na agroecologia, na agricultura saudável, na produção de alimentos para toda a população. Baseado também numa outra sociedade com outros tipos de valores, que valorize uma educação e uma saúde diferente. Certamente, a nossa campanha terá esses dois eixos: denúncia contra o modelo agronegócio e anúncio de qual sociedade nós queremos para o futuro.



Quais setores da sociedade podem se somar nessa luta?



Nós já temos engajados nessa luta os movimentos sociais da Via Campesina, centrais sindicais, setores das universidades, médicos, organizações não governamentais (ONGs). Tivemos também a presença muito importante da atriz Priscila Camargo no seminário. Ela representou os artistas e se colocou à disposição para ajudar a fazer esse grande debate no meio dos artistas.
Temos também o apoio da Fiocruz, sobretudo da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz. Passaram pelo seminário diversos pensadores e professores, que nos ajudaram e que estão se engajando nesse debate. Nós queremos convidar não só esses, mas todos os setores da sociedade para fazer parte desse grande debate, dessa grande conscientização para de fato darmos um outro rumo para a nossa agricultura brasileira.

Como a sociedade pode se informar sobre o tema dos agrotóxicos e participar da campanha?



Em breve, nós teremos um site e um blog no ar. Os interessados também podem procurar nossos veículos de comunicação de apoio, como o Brasil de Fato, que vai elaborar matérias específicas sobre o tema, além dos movimentos sociais ligados à Via Campesina. Nos seus espaços de trabalho, de militância e de atuação, devem procurar informações sobre as causas dos venenos e ajudar nessa grande conscientização.
O dia 16 de outubro é o Dia Internacional dos Alimentos. É um dia também em que a gente quer fazer debates e ações contra esse modelo e a favor da produção saudável. Certamente, terão outros meios que, logo assim que a gente estruturar melhor a campanha, vai estar à disposição de toda a sociedade a fim de se somar a esse grande debate.

Quais serão as ações a serem realizadas no Dia Internacional dos Alimentos?



É tradição da Via Campesina Brasil e Internacional fazer grandes debates em torno dos alimentos saudáveis no dia 16 de outubro. Os estados e os movimentos nas suas regiões devem promover debates e ações. Vamos fazer também 5º Congresso da Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo (CLOC), no Equador. Por isso, o dia 16 vai ser um dia de grande debate em toda a América Latina.



Qual a nossa tarefa para o próximo período?



Fica a grande tarefa de entender de fato quem são os grandes prejudicados com o uso de agrotóxico. Enquanto as empresas como a Bayer, a Monsanto, a Syngenta, além de outras, ganham tanto dinheiro, a população está condenada a morrer por doenças adquiridas em função do uso dos agrotóxicos. Neste contexto, o seminário representou passos que devem ser continuados.
Cada indivíduo desse país precisa fazer a sua parte. Cada um de nós precisa ajudar a desconstruir esse modelo de produção agrícola e construir outro modelo de sociedade, baseado na agroecologia, baseado na vida humana. Nós queremos uma agricultura camponesa que preserve os recursos naturais e que resgate as práticas camponesas de cultivo, que está comprometida hoje com o bem estar de quem produz e de quem consome o alimento. Nós só vamos ter um outro modelo de sociedade se conseguirmos fazer a Reforma Agrária.

*Matéria originalmente publicada no site do MST .

NA HORA DE VOTAR NÃO ESQUEÇA OS SEUS ESCOLHIDOS!!!

Para a sua maior comodidade e segurança o eleitor pode levar consigo uma colinha para não esquecer em quem vai votar no dia 03 de Outubro. A justiça eleitoral desponibilizou o modelo acima; vale salientar que colas com fotos de candidatos, os famosos "satinhos" que são destribuídos por candidatos não são permitidos pela justiça eleitoral.

Encontro Estadual da Batucada Feminista

Encontro Estadual da Batucada Feminista

Dias 16 e 17 de Outubro de 2010
Local: Mossoró

Participantes: Jovens da Região Oeste e da Região Mato Grande do Rio Grande do Norte.

Dia 16: Como encaminhamento do ultimo encontro das batucada faremos um encontro de ritmos com oficinas de musica e com intervenção no encontro de trabalhadoras rurais.

Dia 17: Uma Plenária Ampliada da Marcha Mundial das Mulheres encerrando as atividades da ação 2010.

VOTO CONSCIENTE: Toda Mudança Começa por Você.

CIDADANIA SE FAZ COM O VOTO CONSCIENTE


Em tempos de eleições diretas, é oportuna a seguinte pergunta: é possível exercer o chamado voto consciente? A resposta, em linhas gerais, é sim! O voto consciente é aquele que é direcionado ao candidato ou à candidata que julgamos ser o(a) melhor para governar e legislar em prol de todos os votantes. Para muitos, na atual conjuntura, o voto consciente é aquele que é direcionado ao menos ruim e não ao melhor. Independentemente de suas peculiaridades, o voto consciente, ou de qualquer outra natureza, é, sim, um ato de exercício da cidadania.
Por mais difícil e complexo que seja o quadro de representantes exposto para nossa escolha, o sufrágio [voto] é fundamental para o fortalecimento de qualquer democracia. Décadas de regime militar privaram os brasileiros deste direito. O movimento público pelas Diretas Já [lembra-se?] foi um marco histórico na história republicana brasileira. Neste contexto, a pregação em prol do voto nulo ou voto em branco é mais uma manifestação de revolta ou indignação do que de consciência cívica.
Entretanto, não se pode julgar quem opta por estes tipos de votos. Afinal, a democracia é parte de uma sociedade pluralista e multifacetada, pelo menos teoricamente. De todo modo, as eleições para cargos públicos mexem com o cotidiano das localidades onde serão realizadas. É um tempo em que diferenças vêm à tona, contradições são exploradas, falhas são mencionadas, conquistas são relatadas, alianças políticas são costuradas e desavenças são praticadas. Neste emaranhado de acontecimentos, a população se vê em meio a um bombardeio de coisas boas e ruins [com mais ênfase, normalmente, para as últimas].
Apesar de tudo isso, ter o direito de escolher os nossos representantes foi uma das maiores conquistas democráticas conseguidas. Qualquer democracia do mundo não pode se furtar desta condição. Eu sei que muitos brasileiros [talvez uma grande parcela] são contra a obrigatoriedade do voto. Tudo bem! Não vamos entrar em uma interminável polêmica. No entanto, quem não escolhe ou não tem o direito de escolher não pode cobrar com legitimidade o seu representante. O cerceamento deste direito é um ato contra qualquer princípio democrático.
Bom, voltando ao foco central deste texto, o voto consciente precisa ser exercido, de fato, com os famosos pés-no-chão. Não se vota com consciência sob influência de terceiros. A consciência, neste caso, tem que ser individual. A grande responsabilidade cabe a cada eleitor. A cidadania só é legitimada pelo voto direto à medida que o eleitor não seja influenciado por postulantes a cargos públicos que fazem do pleito eleitoral um momento de exercer a sua arrogância e a sua vontade de satisfação privada estimulada pelo poder e pela influência negativa que, via de regra, são itens presentes em boa parte das candidaturas existentes em várias localidades brasileiras.
Por fim, quero manifestar o meu apoio aos eleitores que, como eu, têm a consciência da importância de se votar com segurança e conscientemente. Mesmo sabendo que esta é uma tarefa complicada, não podemos nos furtar deste direito que nos foi concedido depois de várias manifestações e reinvidicações da própria sociedade. Votar é preciso, mas, de preferência, com consciência! Até o próximo texto e boas eleições em 03 de outubro!
"FALTAM 04 DIAS PARA A GRANDE DECISÃO"

Paulo Rogério dos Santos Lima
Publicado no culturatura em: Set/04

Prazo para entrega de declarações de ITRs só vai até amanhã (30 de Setembro) .

Gostaríamos de lembrar aos Senhores (as) Proprietarios (as) que o Prazo  para a entrega da declaração do  Imposto Territorial Rural (ITR) só vai até amanhã dia 30 de Setembro de 2010. Avisamos também que aqueles proprietarios (as) que possuem a sua propriedade com menos de 50 hectares e tem seu Sindicato em dias pode efetuar a sua declaração na Sede do STTR de Apodi sem custo nenhum. 

NOTA DO BLOG: Desde o início do mês que está sendo realizado as declarações no STTR de Apodi.