sexta-feira

Pense Nisso...

O Lavrador de café (1934), by Cândido Portinari
A situação do camponês do Brasil é pior do que a de um cão. Sim, porque os cachorros podem ao menos escolher o lugar onde se deitam e têm liberdade de ação, enquanto que o nosso caboclo tem que se sujeitar às fétidas pocilgas que o senhor da terra lhe dá para morar, ficando tão endividado diante do regime do vale, que só fugindo da fazenda poderá temporariamente fugir da escravidão. Paga o nosso homem do campo pelo crime de ser trabalhador. (Cândido Portinari, em entrevista ao jornal Hoje São Paulo: 17 de janeiro de 1947).

Outro agricultor é assassinado.

O agricultor Valdemar Oliveira Barbosa, 56, foi assassinado à tiros na manhã desta quinta-feira 25, em Marabá, no interior do Pará. Conhecido como Piauí, ele também era sócio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e líder de ocupações de terras na região.
De acordo com a nota divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o assassinato foi cometido por dois pistoleiros que trafegavam em uma moto. Segundo a Agência Pará de notícias do governo do estado, a Polícia Civil já iniciou as investigações do assassinato do agricultor.
Há mais de um ano Valdemar passou a coordenar um grupo de famílias que ocupavam a Fazenda Califórnia no Município de Jacundá. No final do ano passado as famílias foram despejadas da fazenda pela polícia militar do Pará. Piauí não perdeu o contato com as famílias e ameaçava voltar a ocupar novamente a Fazenda.
Os pistoleiros teriam sido contratados pelo fazendeiro dono do imóvel para impedir uma nova ocupação. Para a CPT, o assassinato de Piauí pode ter ligação com a tentativa de reocupação da fazenda. A vítima já havia registrado denúncia de ameaça à Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá (DECA), em maio deste ano.
Após o assassinato dos extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, esse é o quarto trabalhador assassinado com fortes indícios de que os crimes tenham sido por motivados por disputa pela terra. Após três meses, apenas os assassinatos dos extrativistas de Nova Ipixuna foi parcialmente investigado. Dos seis homicídios, ninguém foi preso até o momento. O comportamento da polícia civil do Pará tem sido de investigar as vítimas e não os responsáveis pelas mortes, quando se trata de crimes no campo.

quinta-feira

Cabra marcado pra perder

A história de um agricultor que achava que ficaria rico com Belo Monte, e agora sofre a violência de uma desapropriação forçada
Ruy Marques Sposati
Movimento Xingu Vivo

Seu Amadeu acreditava que ficaria rico com Belo Monte. Que a construção da barragem seria uma oportunidade para que ele e a família prosperassem. Por isso, defendeu o empreendimento sem titubeios. Acreditou nisso por três anos – até que algumas coisas mudaram.
Representantes do empreendimento realizaram o primeiro contato com Amadeu em 2008. Contaram a ele sobre a obra e sobre o progresso. Explicaram como o seu terreno era parte essencial da barragem – afinal, sem um canal, não haveria 80% da vazão da Volta Grande desviada, e aí não sairiam os migalhawatts prometidos.
No entanto, na hora de receber a bolada que mudaria sua vida – a gorda indenização por sua terra e benfeitorias na margem esquerda do quilômetro 50 da rodovia Transamazônica -, seu Amadeu, o filho e a nora depararam-se com um valor de pouco mais de 90 mil reais.
“90 mil eu não aceito”, reagiu Amadeu Fiok, o acometido. O pai é turco. “O que é isso? Vocês me prometeram muito mais”.
E aí chegou uma intimação, dando prazo para que ele saísse da terra, e dizendo que o valor (na ação, ligeiramente mais baixo) já estava depositado em sua conta. Retrucou: “daqui eu não saio”.
Mas, feito um lutador que toma uma pancada e não sabe bem de onde veio, seu Amadeu não entendeu: ele não tem saída. Está marcado para perder.
Através de um decreto publicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que transforma toda a extensão da Volta Grande do Xingu em área de utilidade pública, basta à Norte Energia entrar na Justiça com uma ação de desapropriação contra cada proprietário que se recusar a aceitar os valores propostos pela empresa. E pronto: a indenização está paga e os moradores removidos.

Inícia Hoje o 2º Encontro Territorial de Sementes do Semiárido Potiguar

Apresentação

    Para os povos do semiárido e para os povos da antiguidade, as sementes sempre tiveram uma importância e um significado central em suas vidas, em suas culturas, em seus costumes alimentares.
    As sementes nativas e crioulas representam a luta pelo patrimônio genético da humanidade em geral e do semiárido em particular. Esse patrimônio não pode ser transformado em mercadoria e ficar à mercê dos interesses do grande capital, hoje representados pelas transnacionais do agronegócio e das redes de alimentação (cadeias de supermercados e de Fast Food). A sabedoria camponesa em guardar, preservar e defender as suas sementes precisa ser valorizada e reconhecida pelo poder público como algo que deve ser incorporado pelas ações do Estado, com leis que defendam esse patrimônio genético, com políticas públicas que favoreçam a sua produção e armazenamento, propiciando a sua distribuição ou comercialização.
    As gerações presentes e futuras, principalmente aquelas cujo trabalho e sobrevivênvia dependem diretamente de sua preservação, precisam defender esse patrimônio.O resgate e a preservação das sementes nativas é algo estratégico para o projeto de convivência sustentável com o semiárido, pois relaciona-se transversalmente com a garantia da soberania alimentar, a prática da agroecologia, o combate à desertificação e preservação do bioma Caatinga. A Articulação no Semiárido (ASA), cujas ações de formação e mobilização dos povos do semiárido incorporam o resgate e preservação das sementes, realizou o Encontro Nacional de Sementes nos dias 6, 7 e 8 de julho, na cidade de Maceió. Num esforço de compartilhar as discussões e encaminhamentos realizados nesse encontro, a Cooperativa TECHNE e a ASA Potiguar estão realizando o 2º Encontro Territorial de Sementes do Semiárido Potiguar, cuja programação encontra-se abaixo. Esperamos todas e todos por lá.
 
SERVIÇO
Tema: “Agricultura familiar e camponesa na luta por direitos, pela soberania alimentar e a agrobiodiversidade no semiárido”
Data: 25 e 26 de agosto de 2011
Local: IFRN de João Câmara/RN
 

Texto enviado por: Tárzia Medeiros
Comunicadora Popular da ASA Potiguar
Equipe da UGT/TECHNE