segunda-feira

Pulverização aérea tem fiscalização precária e regulamentação frágil

 

Por Elizângela Araújo
Do SINPAF

Dados da Embrapa mostram que mesmo com calibração, temperatura e ventos ideais, a pulverização aérea deixa cerca de 32% dos agrotóxicos retidos nas plantas e 49% no solo, enquanto 19% se expandem para áreas circunvizinhas à da aplicação.
Essa atividade atinge 15% da área agrícola do país, segundo estimativas do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). Ainda de acordo com o Sindag, as operações se dão, principalmente, na produção de soja (54%), algodão (25%) e arroz.
A pulverização aérea foi debatida nesta quinta (22/9), na Câmara dos Deputados, numa mesa-redonda promovida pela Subcomissão Especial Sobre Uso de Agrotóxicos e suas Consequências à Saúde. Falaram sobre o assunto representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), do Sindag e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cada um sobre sua respectiva área.
O debate deixou claro que o Estado brasileiro tem pouco controle sobre a pulverização aérea de venenos agrícolas e uma estrutura de fiscalização precária. Além disso, a legislação específica para o setor é frágil, como concluiu o deputado Padre João (PT-MG), relator da subcomissão.

PIB envenenado.

Nem tudo que é PIB presta. Há muita especulação, muito lixo, muito veneno inflando a tal riqueza brasileira
Por Roberto Malvezzi (Gogó)
 
Qual seria realmente o tamanho do PIB mundial, particularmente o brasileiro, se livre do lixo econômico que ajuda inflar seu corpo?
As últimas informações nos dizem que o PIB real do mundo é cerca de 60 trilhões de dólares, enquanto o especulativo é de 600 trilhões de dólares. Portanto, dez vezes mais.
Mas não é do lixo inflacionário que falo agora, mas daquele que é literalmente envenenado, o caso brasileiro.
O chamado PIB do agronegócio em 2010 foi estimado em R$ 821,1 bilhões. Destes, R$ 88,8 bilhões foram da cadeia de insumos, R$ 217,5 bilhões no campo, R$ 251,4 bilhões na indústria e R$ 263,4 bilhões na distribuição. (http://www.ourofino.com/noticias/mercado/2011/06/14).
Entretanto, faz parte desse monumento econômico tudo que se gasta com veneno, aquele consumido basicamente pelos brasileiros numa média de 5,2 litros por pessoa ao ano. Evidentemente o veneno entra na lista dos insumos.
Segundo Raquel Maria Rigoto, desde 2008 o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos, movimentando 6,62 bilhões de dólares (http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br).
Esse é o tamanho econômico do PIB envenenado. Mas, temos que ressaltar que a venda de aeronaves destinadas à borrifarão, o custo dos pilotos, etc está embutido na dimensão industrial do agronegócio.
Portanto, no PIB mundial, se formos descartar o orçamento militar, por exemplo, ele encolherá substancialmente. Se formos descartar a indústria dos venenos, tanto em termos mundiais como em termos brasileiros, ele encolherá também significativamente.
Os movimentos sociais da Via Campesina estão promovendo uma campanha permanente contra o uso dos agrotóxicos. É uma campanha pela saúde brasileira.
Portanto, nem tudo que é PIB presta. Há muita especulação, muito lixo, muito veneno inflando a tal riqueza brasileira.
Enfim, PIB não é sinônimo de qualidade, mas apenas a contabilidade econômica de tudo que se produz, indo das armas aos venenos, passando inclusive pela lavagem do dinheiro do tráfico.


Artigo originalmente publicado na edição impressa 446 do Brasil de Fato