segunda-feira

Eleições do Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais de Apodi mostram que o trabalho desenvolvido pela direção do STTR tem respaldo junto aos agricultores (as).

Parte da Nova Diretoria Eleita
O Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Apodi realizou no último sábado (14) suas eleições para a renovação de sua diretoria, na oportunidade Edílson Neto foi reeleito presidente da entidade.  A eleição teve registro de chapa única.
Estavam aptos a votar 571 trabalhadores (as) rurais, destes, 506 compareceram as urnas, uma participação de 74,00% que fizeram valer seu poder de decisão, onde a Chapa 01 obteve 502 votos, o que contabiliza um total de 99,2% das intenções de votos válidos, também foram apurados 04 votos em branco e 00 votos nulos.
“Estamos felizes com todo o processo que ocorreu em plena tranquilidade”, disse Kika, Vice-Presidente eleita. Já Edílson Neto, Presidente reeleito, complementou que a eleição fortalece a categoria, já que houve um expressivo aumento na participação dos trabalhadores. “Já notamos uma maior e mais ativa participação dos trabalhadores no dia a dia do Sindicato e isso é muito importante porque fortalece a categoria. Com este respaldo que tivemos nesta eleição, continuaremos buscando manter e ampliar os direitos do trabalhadores (as) Rurais de Apodi. Quanto mais unidos estivermos, maiores e melhores serão nossas conquistas”, concluiu o presidente reeleito.

Confira no quadro abaixo o resumo das Eleições do STTR de 2012:
RESULTADO ELEIÇÃO STTR APODI - 2012  

LOCAIS DE VOTAÇÃO
ATIVOS
APOSENTADOS
SUB
CHAPA 01
NULO
BRANCO
TOTAL
01
STTR APOSENTADOS
 00
12
12
11
00
01
12
02
STTR APOSENTADOS
00 
12
12
12
00
00
12
03
STTR ATIVO
29
 00
29
29
00
00
29
04
STTR ATIVO
58
 00
58
57
00
01
58
05
STTR ATIVO
38
 00
38
38
00
00
38
06
STTR ATIVO
24
 00
24
23
00
01
24
07
SANTA ROSA
42
03
45
45
00
00
45
08
AURORA DA SERRA
36
04
40
39
00
01
40
09
PORTAL DA CHAPADA
10
01
11
11
00
00
11
10
CÓRREGO
9
11
20
20
00
00
20
11
SÍTIO DO GÓIS
13
12
25
25
00
00
25
12
SANTA CRUZ
19
05
24
24
00
00
24
13
MELANCIAS
21
13
34
34
00
00
34
14
MILAGRES
11
05
16
16
00
00
16
15
BAIXA FECHADA
112
06
118
118
00
00
118
TOTAL

422
84
506
502
00
04
506
RESULTADO FINAL
QUÓRUM ATINGIDO
         74
(%)
Intenções dos Votos Válidos
99,2
CHAPA 01
TOTAL APTO
      571
00,8
BRANCO


Confira a nova diretoria eleita para o próximo quadriênio de 2012 à 2016:
NOME
CARGO
FRANCISCO EDILSON NETO
PRESIDENTE
FRANCISCA ANTONIA DE L. CARVALHO
VICE - PREIDENTE
FRANCISCO AGNALDO DE O. FERNANDES
1º TESOUREIRO
IVONE MARIA DE MORAIS B. DOS SANTOS
2ª TESOUREIRA
JOSE RITA MENEZES
1º SECRETÁRIO
FRANCISCO ANTONIO DE O. TARGINO
2º SECRETÁRIO
ANTONIA MARIA DE SOUZA OLIVEIRA
C. FISCAL - TITULAR
ISAIAS GUIMARAES DE ALMEIDA
C. FISCAL - TITULAR
JOSÉ HOLANDA DE MORAIS
C. FISCAL - TITULAR
JOSIELTON DE FREITAS SOUZA
C. FISCAL - SUPLENTE
FRANCISCA MARIA DE FRANÇA VIANA
C. FISCAL - SUPLENTE
JOAO DE OLIVEIRA BALBINO
C. FISCAL - SUPLENTE
IVONILDA DE SOUSA OLIVEIRA
COORD. C. MULHERES
MARIA DA C. CARVALHO M. TARGINO
VICE – CORRD. C. MULHERES
MARIA ALDINEIDE DA CONCEIÇÃO
C. MULHERES
FRANCISCA SUELI LIRA
C. MULHERES
LUCILENE MOREIRA BARBOSA
C. MULHERES
MARIA LUCINEIDE DINIZ
C. MULHERES
FRANCISCA ANTONETE DA SILVA SOARES
C. MULHERES
FRANCISCA TATIANA GOMES DE OLIVEIRA
C. MULHERES
AUCIR BEZERRA DE QUEIROZ MAIA
C. MULHERES
MARIA RAIMUNDA PEREIRA
C. MULHERES
FRANCISCA FRANCINA MOTA DE MELO
COORD. C. IDOSOS
FRANCISCO VIEIRA DE SOUZA
VICE-COORD. C. IDOSOS
GENTIL MOREIRA FERNANDES
C. IDOSOS
MARIA ALDEIZA DA COSTA GOMES
C. IDOSOS
RAIMUNDO PINHEIRO DE MELO
C. IDOSOS
MOACIR BEZERRA DO NASCIMENTO
C. IDOSOS
MARIA DO SOCORRO ALVES DA SILVA
C. IDOSOS
ALDENOR JOSE BALBINO
C. IDOSOS
ADRIÃO FLORENCIO DE LIMA
C. IDOSOS
PEDRO CABRAL DE MENEZES
C. IDOSOS
ANTONIA GILVANA MOTA SOUSA
COORD. C. JOVENS
LEILA KALINE COSTA OLIVEIRA
VICE-COORD. C. JOVENS
JERLANDIO DE LIMA MOREIRA
C. JOVENS
IDILENE FERNANDES BARBOSA
C. JOVENS
WALDERLANDIA MICHELLY DE MORAIS BRILHANTE
C. JOVENS
FRANCISCO ROGERIO DE PAIVA
C. JOVENS
FRANCISCA MARCIA FERNANDES DE MORAIS
C. JOVENS
SAMANDA MEIRE MOTA PINHEIRO
C. JOVENS
JOAO FRANCISCO LEITE DOS SANTOS
C. JOVENS
MARIA LILIANE DOS SANTOS LIMA
C. JOVENS

Por: Agnaldo Fernandes

quinta-feira

Assentamento Aurora da Serra vai comemorar 15 anos de LUTA!

Damião - Presidente do Assentamento

O Assentamento Aurora da Serra na Chapada do Apodi estará no próximo sábado, 14 realizando uma festa para comemorar seus 15 anos de fundação, com participação de todos os seus quase sessenta sócios.

Segundo o presidente da Associação Damião da Aurora a festa começa as 19h00minh do sábado, na quadra de esportes da comunidade e com presença de autoridades, executivo, legislativo, e representantes do INCRA.

“Teremos musica ao vivo e uma festa a altura para celebrar os nossos quinze anos de fundação, muitas lutas e muitas vitórias” comentou o presidente da associação Damião da Aurora.
Fonte: Blog do Josenias

A ineficácia dos transgênicos e suas verdadeiras intenções.


Por José Coutinho Júnior

Da Página do MST


Para o professor e pesquisador da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Pedro Ivan Christoffoli, é preciso duvidar e questionar as informações existentes sobre alimentos transgênicos. Em entrevista concedida à Página do MST, o professor discute o porquê do uso dominante dos transgênicos na agricultura brasileira, a falta de liberdade para pesquisar o assunto e reflete sobre a atual situação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

quarta-feira

Pesquisa demonstra efeitos causados pelos agrotóxicos à biodiversidade

Pesticidas pelo jeito não matam apenas pestes. O declínio de populações de abelhas, essenciais para a polinização de plantas, é um fenômeno que se suspeitava ser causado por eles. E agora dois estudos independentes publicados recentemente na revista "Science" demonstraram causa e efeito.
Os inseticidas para uso agrícola conhecidos como neonicotinoides começaram a ser usados no começo da década de 1990 e hoje são extremamente populares.

Um dos estudos, pela equipe de Penelope Whitehorn, da Universidade de Stirling, Reino Unido, investigou o impacto de um desses pesticidas, o imidacloprid, em mamangabas da espécie Bombus terrestris.

Um dos coautores do estudo, Dave Goulson, lembra que várias espécies de mamangabas se tornaram extintas em anos recentes nos EUA e no Reino Unido.

Depois de receberem doses não letais do pesticida, os insetos foram colocados em um lugar onde poderiam agir em condições naturais por seis semanas.

No final do experimento, as colônias de mamangabas que foram expostas ao pesticida eram em média entre 8% a 12% menores do que outras estudadas ao mesmo tempo sem o inseticida.

E ainda mais grave: as colônias expostas ao pesticida produziram 85% menos rainhas, essenciais para a reprodução de novas colônias.

Já uma equipe na França liderada por Mickaël Henry, do Instituto Francês de Pesquisa Agrícola em Avignon, usou um enfoque mais tecnológico: abelhas receberam minúsculos equipamentos de identificação por rádio grudados no tórax e tiveram seus movimentos minuciosamente detalhados.

Algumas delas receberam uma pequena dose de outro pesticida, o thiamethoxam.

As abelhas que receberam o pesticida morreram bem mais; as chances de não voltarem à colônia depois de saírem em busca de pólen eram de duas a três vezes maiores, pois com quase certeza o thiamethoxam interferiu na sua capacidade de navegação.

Abelhas e mamangabas são importantes para a polinização de culturas agrícolas, como árvores frutíferas. Que um pesticida usado para proteger um setor da agricultura afete outro é uma curiosa ironia, além de um grave problema potencial.
 

Por Ricardo Bonalume Neto
Da Folha de São Paulo

Água de educar nas escolas rurais do Semiárido

Cisterna construída ao lado de escolas rurais favorece o acesso à água no Semiárido | Foto: Fred Jordão
Quando começou a conceber o projeto Cisternas nas Escolas, a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) tinha em mente dois objetivos principais. Um deles era a garantia de água de qualidade para o consumo de crianças e adolescentes. Outra preocupação é a que as cisternas instaladas nessas escolas deveriam ser um elemento de discussão durante as aulas com as crianças e adolescentes.
Através da parceria entre a ASA, a Cooperação Espanhola, o Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), 843 cisternas estão sendo erguidas em escolas rurais da região semiárida. A tecnologia permite o abastecimento de água para essas unidades que ficam em mais de cem municípios de nove estados brasileiros. O projeto, que já está em fase final de execução, já beneficiou diretamente mais de 52 mil crianças e jovens até 21 anos e envolveu quase três mil adultos, entre professores, diretores, merendeiras.
O acesso à água nas escolas aponta-se como fundamental para a garantia do direito das crianças e adolescentes frequentarem as unidades de ensino. No entanto, um relatório produzido pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), com base em dados levantados pelo Programa de Fortalecimento Institucional das Secretarias Municipais de Educação do Semiárido (Proforti) do Ministério da Educação (MEC), das 37,6 mil escolas da zona rural da região, 28,3 mil não são abastecidas pela rede pública. Dessas, 387 não possuem nenhum tipo de abastecimento de água.
As condições precárias de funcionamento e até a paralisação das atividades escolares durante o período da estiagem é uma realidade dessas escolas que não têm como ofertar água de qualidade aos alunos e nem água suficiente para produzir os alimentos das refeições, conhecidas como merenda. O problema também foi detectado no Censo Escolar 2007, que verificou a existência de 5.005 escolas sem energia elétrica em 578 municípios do Semiárido Legal. Em 121 desses municípios, foram encontradas 315 escolas sem abastecimento de água.
Nesse sentido, a cisterna instalada ao lado da escola garante a água de qualidade para o consumo dos alunos. Isso trouxe uma mudança na rotina de alunos e professores. “Essa cisterna foi um benefício muito bom para a comunidade. Antigamente a gente pegava água de um poço e tinha problema de não ter água na escola para os alunos. Às vezes a gente tinha que terminar a aula cedo, devido à falta de água”, afirma a professora Nadja, da comunidade de Vista Alegre, em Pedro II, no Piauí. Antes da construção do reservatório há cerca de dois anos, faltava água na escola até para as crianças lavarem as mãos antes das refeições.
Se a cisterna contribuiu para a melhoria do acesso à água, igualmente se apresenta como um instrumento de estudo dentro da própria sala de aula. Isso porque o projeto Cisternas nas Escolas trabalha com a lógica da educação contextualizada, em que a realidade das crianças está inserida nos temas trabalhados com os professores. Essa proposta de educação respeita e valoriza a identidade, a cultura e diversidade da região.
“Com esse projeto Cisternas nas Escolas, a ASA e os parceiros acreditam que a cisterna chega não somente com uma construção, mas, sobretudo, como um instrumento pedagógico onde a partir da cisterna esses alunos e alunas vão discutir todas as condições necessárias para uma vida no Semiárido que passa, concretamente, pelo acesso à água de qualidade” Ana Célia Menezes, integrante da Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab) na Paraíba.
 
Durante aula em escola do Piauí, crianças assistem episódio da série Água, Vida e Alegria | Foto: Fred Jordão
As escolas que participam do projeto Cisternas nas Escolas recebem materiais audiovisuais que podem ser trabalhados pelos professores. Um deles é o vídeo-teatro Cuidados com as Cisternas que retrata, de maneira descontraída, a situação de duas famílias no manejo da água da cisterna. O vídeo traz elementos que adaptados às questões das cisternas nas escolas, contribui na discussão do tema em sala de aula.
Outro material utilizado é a série de desenhos animados Água, Vida e Alegria no Semiárido. São oito episódios em que os personagens Caru, um mandacaru falante, e várias crianças vivem situações que abordam temáticas voltadas à convivência com o Semiárido.
Partindo do respeito aos saberes locais, a cisterna vira tema das aulas de matemática, português, história, geografia. Discutir sobre o abastecimento de água na região, aprender as operações matemáticas calculando a quantidade de água armazenada nas cisternas e debater as alternativas de convivência com o Semiárido são alguns exemplos de como essa educação contextualizada vem se dando na prática.
Esse envolvimento faz com que crianças e adolescentes reconheçam a região como um lugar de vida digna e valorizem o próprio conhecimento. José Pinheiro, coordenador do Centro de Formação Mandacaru, uma das entidades executoras do projeto no Piauí, acredita que o Cisternas nas Escolas contribui principalmente para que os jovens queiram permanecer no Semiárido.
“Uma construção dessas, além de acumular 52 mil litros de água potável para as crianças terem acesso de beber e melhorar sua condição da escola, também trabalha a educação contextualizada. Vamos trabalhar com essa educação mais voltada para a realidade do Semiárido, em que os jovens encontrem suas alternativas de viver mesmo aqui mesmo e não queiram ir embora para São Paulo”, afirmou o coordenador.

quinta-feira

Relatório indica que lutas de agricultores contra Monsanto deram resultado

Da África à América Latina passando pela Europa e a Índia, milhares de agricultores protestaram contra a Monsanto e seus alimentos geneticamente modificados, um esforço que teve resultados, já que levou os responsáveis políticos a regulamentar melhor o setor agroalimentar, segundo um relatório de várias ONGs. Matéria da AFP.
“Onde a Monsanto está presente, as sementes locais passam a ser ilegais, a biodiversidade desaparece, as terras são contaminadas e os agricultores e trabalhadores agrícolas são envenenados, incriminados, expulsos de suas terras”, afirmam Os Amigos da Terra Internacional, Via Campesina e Combate Monsanto no relatório.
Em quase quarenta páginas, o documento relata, com testemunhos, os recentes combates contra o principal fornecedor de sementes geneticamente modificadas.
“Este relatório demonstra que as fortes objeções dos movimentos sociais e das organizações da sociedade civil tiveram um impacto sobre os responsáveis políticos encarregados de regulamentar o setor agroalimentar e de decretar as normas sobre pesticidas e cultivos transgênicos”, destaca a síntese do texto.
Na Guatemala, por exemplo, as redes antitransgênicos alertaram sobre projetos de legislação e de adoção de programas de desenvolvimento americanos que favoreciam a chegada de sementes transgênicas ao país.
Na África, uma aliança pela soberania alimentar pode não seguir o exemplo da África do Sul, que adotou a tecnologia dos transgênicos “apesar das variedades de plantas transgênicas em questão (…) não resistirem nem à seca nem às inundações”, aponta o relatório.
Na Europa, a opinião pública é majoritariamente contrária à produção de alimentos a partir de sementes geneticamente modificadas.
Segundo o relatório, o combate é mais difícil nos países em desenvolvimento ou emergentes.
Apesar disso, alguns movimentos agrícolas conquistaram algumas vitórias, como a moratória sobre a berinjela BT, uma versão transgênica do legume na Índia, ou a rejeição das doações de sementes híbridas no Haití, depois de uma mobilização massiva contra os riscos para a soberania alimentar.
Apesar de toda esta mobilização, o relatório lamenta “a ofensiva sem precedentes do agronegócio sob a bandeira da nova ‘economia verde’ nos preparativos da cúpula Rio+20″ prevista para junho.
Matéria da AFP, no Yahoo Notícias.

“Quando vai acabar a ditadura civil-militar?”

Dizem que quando uma mentira é repetida exaustivamente, ela se torna verdade. Dizem também, que é como farsa que o presente repete o passado. Por isso, vamos "celebrar" a farsa, a mentira e sua repetição exaustiva.
No dia da mentira de 1964, ocorreu o golpe que instituiu a ditadura civil-militar. Dizem que ela acabou. Porém, a maior ilusão da história brasileira repete-se. A ditadura civil-militar se fortalece no golpe de Primeiro de abril 1964 e, até hoje, ninguém sabe quando vai acabar! Nós vamos celebrar.
No dia primeiro de abril, abram alas para o Cordão da Mentira!
Quando admitimos que os crimes do passado permaneçam impunes, abrimos precedentes para que eles sejam repetidos no presente. Com a roupagem indefectível da democracia, da constituição, do direito à livre manifestação, o Estado continua executando os seus inimigos e calando de uma forma ou de outra aqueles que pensam e atuam em favor da tolerância, em favor da utilização dos espaços públicos de maneira respeitosa e saudável. Em nome da manutenção da produção e do consumo ostensivo vivemos o estado de exceção como regra e o direito conquistado de ir às urnas acaba apenas legitimando o que é uma verdadeira licença para calar, reprimir, matar.
Afinal:
Quando vai acabar o massacre de pobres nas periferias?
Quando os corpos do passado serão encontrados e dignamente reconhecidos em suas lutas?
Quando as armas dos militares deixarão de ser o signo do extermínio?
Até quando o dinheiro de poucos financiará o silêncio de muitos?
Até quando ouviremos o ronco dos Caveirões, Fumanchús e das Kombis genocidas?
Lembremos Pinheirinho, Eldorado do Carajás, Araguaia e as Ligas Camponesas! Casos que podem ser vistos como exemplos históricos do nosso tempo para a compreensão do processo pelo qual o Estado colocou a especulação imobiliária, a propriedade privada e a lucratividade acima da vida. Nada pode ser mais valorizado do que a vida. Somente um Estado calcado em mentiras pode favorecer essa inversão de valores.
Lembremos Mariguela, Pato N´Água, Herzog e os 492 executados em São Paulo em Maio de 2006! Personlidades anônimas ou conhecidas exterminadas pelas práticas autoritárias que resolvem suas contradições à bala.
Hoje, uma simples Comissão da Verdade - que apenas pretende investigar a história - levanta os fantasmas do passado, ocultos nas sombras da Lei de Anistia. Façamos então um Cordão da Mentira! Celebremos com a força dos batuques a farsa que une presente, passado e futuro.
Vivamos nossa balela! Enquanto isso, ditadores são julgados e condenados por seus crimes em terras argentinas, chilenas e uruguaias. Falemos outra língua: a gramática do engodo com o sotaque do esquecimento. Entremos na contramão da história!
Risquemos da memória que alguém pagou pra ver até o bico espumar no choque agudo das genitálias! Exaltemos os gozos pervertidos de empresas e seus braços armados, irmãos de sangue do torturado. Lembremos as mãos limpas que aplaudem as sessões de sofrimento. Pois o que vale é a fábula da tradição, assassina de famílias, com a maior propriedade!
Povoemos os porões do imaginário, com tudo aquilo que a ditadura encarcerou na sua cultura! Levemos pra lá o samba dos cordões, as imagens censuradas, as bocas amordaçadas. Fantasiemos as ruas com seus símbolos de opressão! Enganemos a todos com as farsas de nossa história!
Neste Primeiro de Abril, façamos a Mentira responder: Quando vai acabar a ditadura civil-militar?

terça-feira

Água para a seca

Conheça o projeto que já instalou mais de 370 mil cisternas no semiárido, mudou a cara da região e melhorou a vida de 1,8 milhão de pessoas
Revista Vida Simples

Imagem retirada da Internet
Andar quilômetros para pegar água e cozinhar usando lenha. Atividades quase impensáveis nos dias de hoje, em que velocidade e conforto governam nossa vida. Mas para mulheres como Ivanilda Torres, 44, Edite Maria da Silva, 63, e Maria Irene Silva, 51, impensável seria, há apenas oito anos, ter água a poucos metros de casa e acender um fogão a gás. As três, que vivem no agreste de Pernambuco, viram suas experiências serem radicalmente transformadas com a chegada de uma bem-vinda desconhecida: a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), entidade que agrega cerca de 750 ONGs dedicadas a melhorar a vida da população do semiárido.


Clique aqui para ler a reportagem em arquivo PDF


Matéria extraída do Site da ASA Brasil

segunda-feira

Transposição - E o bispo tinha razão...

Por: Ruben Siqueira
CPT Bahia / Articulação Popular São Francisco Vivo

“Quando a razão se extingue, a loucura é o caminho". Com esta ideia, o bispo franciscano de Barra–BA dom Luiz Cappio justificava seus dois jejuns, em 2005 e 2007, contra o projeto de transposição, em defesa do Rio São Francisco e do semiárido brasileiro. Dizia que o projeto, além de ignorar o mal estado do rio, visava, como sempre no Nordeste, concentrar água, terra e poder, levaria dinheiro público para o ralo e votos para urnas e – vaticínio profético? – não seria concluído.
E não é que, não à parte a loucura, ele tinha razão! Quatro anos e meio depois de iniciado, o projeto capenga, confirmando as críticas do bispo, de cientistas respeitados e dos movimentos populares. O próprio sertanejo da região “beneficiada", até aqui iludido com a mítica promessa, começa a desconfiar.

Como já estamos em temporada eleitoral, ficam mais claras tanto as manobras do governo como as da oposição, a mídia a reboque. O início de 2012 é pródigo em matérias em vários veículos sobre o desandar da transposição. O governo corre a cons(c)ertar... Em meio ao jogo dos interesses – de empreiteiras, políticos, empresas da indústria e do agronegócio e da mídia a estes ligados – nem sempre se evidenciam os fatos dando razão ao bispo e aos demais críticos.

Já em outubro de 2011, por ocasião do 4 de outubro, dia do santo e do rio São Francisco, a Articulação Popular São Francisco Vivo, com mais de 300 entidades da Bacia, lançava documento chamando atenção para a confirmação de quase todas as principais críticas ao projeto:

“1. A obra seria muito mais cara que o previsto: de 5 bilhões iniciais já estão reajustadas em 6,8 bilhões, um aditivo de 1,8 bilhões, 36% em média. Há lotes ainda não re-licitados, o que vai onerar ainda mais o preço final.

2. Não atenderia a população mais necessitada: efetivamente, não pôs uma gota d’água para nenhum necessitado; antes desmantelou a produção agrícola local por onde passou.

3. O custo da água seria inviável: hoje o governo reconhece que o metro cúbico valerá cerca de R$ 0,13 (poderá ser ainda bem maior), seis vezes maior que às margens do São Francisco, onde muitos irrigantes estão inadimplentes por dívidas com os sistemas de água. Para ser economicamente viável, este preço terá que ser subsidiado, e é certo que o povo pagará a conta;

4. Impactaria comunidades indígenas e quilombolas: comunidades quilombolas impactadas são 50 e povos indígenas nove. As demarcações de seus territórios foram emperradas, patrimônios destruídos. No caso dos Truká, em Cabrobó – PE, em cuja área o Exército iniciou o Eixo Norte, o território já identificado é demarcado se aceitarem as obras. No caso dos Tumbalalá, em Curaçá e Abaré – BA, na outra margem, se aceitarem a barragem de Pedra Branca. Ainda não foi demarcado pela FUNAI o território Pipipã e concluído o processo Kambiwá, a serem cortados pelos futuros canais, ao pé da Serra Negra, em Pernambuco, monumento natural e sagrado de vários povos. Muitas destas comunidades resistem. Em Serra Negra povoado e assentamento de reforma agrária não admitem as obras em seu espaço.

5. Destruiria o meio ambiente: grandes porções da caatinga foram desmatadas. Inventário florestal levantou mais de mil espécies vegetais somente no Eixo Leste.

6. Empregos precários e temporários: como sintetizou o cacique Neguinho Truká, “os empregos foram temporários, os problemas são permanentes”. Em Cabrobó, nada restou da prometida dinamização econômica, só decepção e revolta. Nas cidades por onde a obra passou ficou um rastro de comércio desorientado, casas vazias, gente desempregada, adolescentes grávidas...

7. Arrastadas no tempo, a obra se presta a “transpor” votos e recursos: não debela, antes realimenta a “indústria política da seca”. Nova precisão de data para conclusão: 2014! Vem mais uma eleição aí, em 2012, outra em 2014...

8. Faltam duas das conseqüências graves a serem totalmente comprovadas, que só teremos certeza se a obra chegar ao fim: vai impactar ainda mais o rio São Francisco e não vai levar água para os necessitados do Nordeste Setentrional. Enfim, a Transposição é para o agro-hidronegócio e pólos industriais do Pecém (CE) e Suape (PE).”

As obras começaram apressadas sob pressão político-eleitoral. Foram aprovados e iniciados projetos sem suficiente detalhamento. Ignoraram-se solenemente as condições climáticas e geológicas da região. O resultado logo apareceu: canais rachados, túneis desabando, deslizamento de solo, infiltrações... Montanhas de dinheiro público jogado fora! O governo diz que a responsabilidade pela reconstrução é das empresas... Mas o custo total da obra já foi acrescido em 36%. E o prazo dilatado para 2015. E ainda faltam 30% do eixo leste (287 km) e 54% do eixo norte (426 km). Se tudo ficar pronto mesmo, pleno funcionamento só em 2030! Até lá quanto ainda vai custar aos cofres públicos, à paciência sertaneja e nacional e à verdade científica e ética?

Empregos frustrados, caatinga devastada, animais mortos, lavouras perdidas, difícil recomeço para quem perdeu o que tinha e foi mal indenizado... Maria Rosa, aposentada, do povoado Montevidéu, em Salgueiro-PE, disse à reportagem do Jornal do Commercio (Recife, 07/02/2012) indignada sem a água que a obra da transposição ao invés de trazer estancou: “Cadê essa água que não chega? Só quando Deus mandar. Eu vou ficar aqui esperando por Deus. Diz que quem espera por Deus não cansa e eu acho que estou cansando, mas vou levando”. Todo estardalhaço da mirabolante transposição até agora fez foi confirmou a “sina” nordestina de conformismo e resistência, do que o bispo Cappio bem entende há quase 40 anos. A luta de sempre continua!

Documentos que relatam conflitos pela terra no Brasil estão disponíveis na internet.

Por Danilo Augusto

A Comissão Pastora da Terra (CPT) está disponibilizando todos os relatórios Conflitos no Campo Brasil, que foram produzidos desde 1985. O livro, publicado anualmente – desde 1985 – pela entidade registra os conflitos por terra que ocorrem no Brasil. As obras dão destaque para violência, como despejos e expulsões, e os números da violência contra pessoa, como assassinatos, ameaças de morte e prisões.

Outros problemas e desafios apontados no documento são dados referentes ao trabalho escravo, conflitos pela seca e gerados pelo uso da água. Em 2002, devido a sua importância, a obra foi reconhecida como publicação científica pelo Instituto Brasileiro de Informação e Ciência e Tecnologia (IBICT).

A CPT é a única entidade que realiza tamanha pesquisa da questão agrária em escala nacional, e os seus dados são utilizados por várias instituições de ensino, pesquisadores, instâncias governamentais e pela imprensa.

Para ter acesso a essas 27 obras, basta acessar o site www.cptnacional.org.br. O documento é gratuito.

sábado

Milho transgênico rende 93% menos que o convencional em Santa Catarina

Da Car@s Amig@s


Análise dos custos de produção do milho convencional e do transgênico elaborada pela Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos (SC) mostra que o plantio do milho transgênico eleva o custo de produção e que a produtividade esperada é a mesma [1]. Os dados foram apresentados em evento realizado pela Embrapa Milho e Sorgo no início de março na cidade mineira de Sete Lagoas.

Na planilha de cálculo apresentada pela Copercampos o item “insumos” aparece agregado, ou seja, as despesas com sementes, adubos e agrotóxicos não estão descriminadas. Para o milho convencional gasta-se com insumos R$ 1.199,52 por hectare, contra R$1.392,76 para o transgênico. É possível que a diferença seja explicada pelo preço mais elevado da semente modificada. Neste caso, os dados também sugerem não haver redução no uso de agrotóxicos, ao contrário do propalado pela indústria. No cômputo geral, o produtor convecional gasta R$ 1.928,65 para plantar um hectare de milho, enquanto o produtor que adotou variedades transgênicas gasta R$ 2.156,13 para a mesma área.

Ainda de acordo com os números da Copercampos, em 2011 a diferença de rentabilidade foi de 93%, com o convencional apurando R$ 472/ha e o transgênico, R$ 244,00. Esses dados consideram a saca de milho de 60 kg vendida a R$16,00. A produtividade considerada foi de 9 toneladas/ha.

Segundo dados da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural de Santa Catarina), o rendimento médio do cereal no estado em 2010/2011 foi de 6,66 t/ha. Para 2011/12 a previsão é de 6,76 t/ha. Assim, em 2011 o convencional teria prejuízo de R$ 152,65/ha e o transgênico prejuízo de R$ 380,13. Em 2012, mantendo-se o preço do grão em R$ 26, que está próximo do praticado hoje, e aplicando-se a produtividade prevista pela Epagri, o convencional obterá receita de R$ 1.001,00/ha e o transgênico, R$ 773,00. Quase 30% menos, o que significa gastar o equivalente a quase 5 toneladas de milho para colher 6,7t.

Também em Santa Catarina, na região do Planalto Norte, propriedades em início de transição agroecológica acompanhadas pela AS-PTA produziram em média 4,2 t de milho/ha na safra 2008-09, com custo médio de R$ 200,00/ha. Esses produtores apuraram receita líquida de R$ 980,00/ha. Note-se que nesse ano foram registradas fortes perdas na região por adversidades climáticas.

Segundo o agrônomo da Copercampos Marcos André Paggi, "ainda não dá pra enfatizar, na nossa região, grande aumento da produção de milho" por causa da opção pelos transgênicos [2].

Também presente no evento, o doutor Anderson Galvão, da consultoria Céleres, afirmou que "hoje, o produtor de milho paga mais satisfeito R$ 400,00 por saca de [semente de] milho transgênico do que pagava, antes, R$ 100,00 / R$ 120,00 por milho convencional" [2]. Será?


sexta-feira

CONVITE - Acampamento de Vida no Espirito Santo

Clique na imagem para ampliar

O Programa de Cisternas de Placas prevê a construção de 60 mil cisternas de placas.

Nesta quinta-feira (29) foi lançado em Brasília (DF) o Programa de Replicação de Tecnologias Sociais - Cisternas de Placas, da Fundação Banco do Brasil, em parceria com a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA). O lançamento ocorreu na sede do Banco do Brasil e contou com a presença do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho, da ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campelo, do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, do presidente da Fundação Banco do Brasil Jorge Streit, do coordenador da ASA Naidison Baptista, além de representantes de organizações da Articulação e de várias autoridades. 

José dos Santos Neto, presidente da  Arcas , uma das entidades que compõe a ASA, assinou o contrato representando todos os parceiros. Foram testemunhas da assinatura o ministro Gilberto Carvalho e a ministra Tereza Campelo.

O Programa de Cisternas de Placas, situado dentro do Água para Todos, do Governo Federal, prevê a construção de 60 mil cisternas de placas, utilizando a metodologia e tecnologia da ASA. Os reservatórios serão construídos em oito estados do Semiárido brasileiro, garantindo a cerca de 300 mil pessoas o direito à água potável e de qualidade. Esta ação situa-se dentro do Plano de Combate a Exterma Pobreza lançado pela presidenta Dilma no inicio do seu governo.

Ao pronunciar-se sobre o significado do evento e do programa, Naidison Baptista destacou a coerência da Fundação Banco do Brasil ao optar por cisternas de placas enquanto uma tecnolologia social, já que a Fundação há anos lida com processos de identificação e ampliação dessa tecnologia. 

O coordenador também reforçou a importância da abertura e do processo democrático construído pela Fundação na identificação das entidades que foram contratadas via chamada pública. Ele ressaltou que 93% das entidades classificadas são da ASA, demostrando a competência e importância da Articulação nesse processo. 

Em nome das entidades, Naidison garantiu à Fundação que as metas serão cumpridas e com qualidade, pois o que move a ASA é a construção de um Semiárido digno para seu povo.  

“Na prática, uma tecnologia social, nascida da luta das comunidades, se transforma em politica, já que é intenção do governo universalizar o acesso à água através das cisternas”, ressaltou Naidison. 

O presidente da FBB agradeceu a todos os envolvidos e comprometeu-se com as organizações em realizar os repasses de recursos em tempo hábil para que as ações possam ser desenvolvidas. Ele também destacou que o bom resultado dessa experiência poderá abrir perspectivas para ações semelhantes.

A ministra Tereza Campelo destacou a importância desta parceira para o combate e erradicação da pobreza no Brasil, em ações que deveriam ser concatenadas e integradas com outras políticas de governo. Ela parabenizou a presença da ASA e da sociedade civil na iniciativa e anunciou publicamente que a AP1MC, Oscip que gerencia os programas da ASA, foi a única entidade classificada para construção de cisternas de consumo humano no edital público aberto pelo MDS. A ministra manifestou sua alegria em continuar a parceria com a ASA. 

O ministro Gilberto Carvalho ressaltou o significado daquela ação, olhando para as 60 mil casas humildes e sem água que agora passarão a ter o direito à água potável e de qualidade. Ele destacou igualmente a importância da ASA e das organizações da sociedade civil, fundamentais e indispensáveis na construção do desenvolvimento social do País. 

“O dia de hoje passa a ser histórico para a ASA. Celebramos, com força política, uma parceria que nos coloca na responsabilidade de fazer chegar água a mais de 300 mil pessoas e recebemos da própria ministra Tereza Campelo, num evento especial, o anúncio de ser a única entidade classificada na chamada pública de cisternas de placas do MDS”, comemorou Naidison. 

O coordenador ainda frisou que essa é uma vitória do povo do Semiárido, de suas organizações, daqueles que acreditaram e acreditam ser possível construir uma história diferente na região.