quarta-feira

A história de resistência dos camponeses e camponesas da Chapada do Apodi é destaque no VIII ECONASA.

Territórios de lutas, futuro de conquistas

Por Fernanda Cruz - Asacom

Viva Zumbi, viva a liberdade, viva o Semiárido! O segundo dia do VIII EnconASA , nesta terça-feira (20), começou celebrando o Dia da Consciência Negra e os mártires do Semiárido, a exemplo de Antônio Conselheiro. Precedida de muita música e animação, mais de 600 pessoas conheceram realidades de luta e resistência dos povos do Semiárido, mais especificamente dos povos do Vale do São Francisco, no território mineiro; e da Chapada do Apodi, território do Rio Grande do Norte.


Na mesa “ Territórios de Convivência – Trajetórias de Lutas, Resistências e Conquistas para a Superação da Pobreza e Construção da Cidadania”, a beleza do rio São Francisco foi pano de fundo para o vídeo “Território do Vale do São Francisco”. Retratando a realidade de diversos povos do Semiárido mineiro, o vídeo traz depoimentos, que juntos apresentam a luta pela terra e pelo território dos quilombolas, indígenas, vazanteiros, geraizeiros, guardiões de sementes, etc.


A realidade da Chapada do Apodi foi retratada pelo grupo teatral Escarcéu. A peça misturou encenação e música, demonstrando, de maneira lúdica, o impacto do projeto implementado pelo Governo Federal, através do DNOCS, na Chapada do Apodi, que prevê a instalação de perímetros de irrigação que beneficiarão grandes empresas fruticultoras, em detrimento dos agricultores da região.


 
Debate
Edílson Neto - Presidente do STTR representa os agricultores de Apodi
Vale salientar que a Chapada do Apodi tem um histórico de luta pela reforma agrária que data da década de 1970. Nos últimos dez anos, várias pessoas foram assentadas nessa área, dando início ao processo de convivência com o Semiárido. “Fala sobre a importância de mostrar essa experiência no EnconASA”.

Apesar dos quilômetros de distância, o povo quilombola de Brejo das Crioulas, em Minas Gerais, também vive uma situação semelhante de opressão, sob a ameaça de perder todo o seu território. No caso do povo mineiro, parte da área foi tomada pelos fazendeiros, restando apenas três mil hectares dos 17 mil que pertencem ao povo de Brejo dos Crioulos.


As experiências apresentadas provocaram a plateia. O agricultor José Nobre, do Sítio Augustinho, em Sergipe, não se intimidou em pegar o microfone e ser o primeiro a falar. “Para mim não importa o quanto eu sei de acentuação, mas o que importa é o que eu entendo sobre a minha terra. Aqui estamos falando de agricultor para agricultor, de camponês para camponês. Não estamos falando para os doutores”.  Ele também questionou: quem é que coloca alimento na mesa dos doutores? Somos nós, respondeu, recebendo aplausos do público.
Segundo Carlos Dyrell, do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, a realidade apresentada demonstra a necessidade de políticas estruturantes para o Semiárido, em lugar das políticas compensatórias praticadas atualmente. “Precisamos de políticas de proteção das terras e territórios dos povos camponeses e de um projeto de revitalização socioambiental do rio São Francisco”, exemplificou.

O assessor da KAS, Adriano Martins, encerrou a manhã fazendo uma leitura política da mesa. Segundo ele, o desafio para o povo do Semiárido não é pequeno, mas ressaltou a grande capacidade que a ASA tem para se mobilizar. “Precisamos refletir sobre como nos colocamos nesse contexto de disputa”, destacou.

Para Cristina Nascimento, coordenadora executiva da ASA e coordenadora da plenária, esse debate representou o ponto de partida do VIII EnconASA. “Esse debate tem uma relação direta com os encontros estaduais da ASA, que também refletiram sobre seus territórios, e é ele que irá nos orientar sobre a continuidade das ações da ASA”, pontuou.

Petição solicita a paralização do Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi


Paralisação do 'Projeto do DNOCS em Apodi'

A Chapada Apodi – RN tem a segunda maior produção agroecológica nacional, onde milhares de famílias subsistem nos 49 % do território rural da cidade, de maneira totalmente alternativa e livre de agrotóxicos. São mais de 500 famílias que vivem na chapada do Apodi, que construíram seus valores, seus vínculos de amizade, seu trabalho aos moldes da agricultura familiar e, se veem agora ameaçados em sua integridade psicológica e raízes que lapidaram em extrema consonância com o clima semiárido, para dar lugar a um projeto do capital, que descabidamente dará lucro as multinacionais.


Este projeto O projeto, capitaneado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas -DNOCS, consiste na desapropriação de 13.855 ha (treze mil oitocentos e cinquenta e cinco) hectares para a implementação de um programa de fruticultura irrigada sob o comando de quatro grandes empresas, deslocando de maneira forçada cerca de 6.000,00 (seis mil agricultores) que vivem em 30 comunidades na região acerca de cinquenta anos. A possível implantação do projeto será o fator de desarticulação da experiência agroecológica e de agricultura familiar ao priorizar a monocultura e a exploração de grandes extensões de terra, com grande utilização de agrotóxicos, causando diversos problemas aos recursos naturais e à vida humana. Representará, também, a implosão de um grave problema social, já que as indenizações a serem pagas aos agricultores serão em valores ínfimos, impossibilitando-os de ter nova moradia e outra forma de sustento.

Considerando que o DNOCS, impõe o projeto do “Perímetro Irrigado da Chapada do Apodi”, o qual, tem por objetivo o cultivo de frutas com o uso de insumos agrícolas (agrotóxicos), cercamento das áreas irrigadas e destinação das terras prioritariamente a grandes multinacionais.

Deve-se ponderar ainda, que para que se efetive esse projeto, uma média de 300 famílias serão desapropriadas, tendo suas terras compradas por valores irrisórios (média de R$ 700,00 por ha), seus direitos a propriedade imaterial, posse direta, dignidade cultural, competitividade no mercado violados e que todo o processo de licenciamento é questionável no âmbito jurídico, técnico e ambiental.

Além disso, o Relatório de Impactos Ambientais – RIMA, é totalmente negligente quanto a presença de um importante sítio arqueológico existente na região, o Lajedo de Soledade, onde podemos encontrar várias pinturas rupestres com datações que extrapolam os 10.000 anos de idade, representando um significativo registro do homem pré-histórico nordestino. O próprio RIMA cita que o Lajedo de Soledade está situado dentro da área impactada do projeto, no entanto omite maiores detalhes sobre quais impactos e quais ações mitigadores deverão ser tomadas, quanto a estes impactos, sendo desprezada qualquer outra informação sobre o Lajedo.

Entre os vários pontos que não foram elucidados, temos a incerteza da origem da água que abastecerá o empreendimento, sendo que em alguns pontos o RIMA mencionar que as águas utilizadas virão do reservatório de Santa Cruz do Apodi, e, no mesmo documento, as águas que serão empregadas, será as do projeto de transposição do Rio São Francisco, que ainda não tem perspectiva para chegar até a região da Chapada do Apodi. Somado a esses problemas, temos ainda o baixo potencial hídrico de abastecimento da obra, que de acordo com o próprio RIMA, as águas que abastecerão o perímetro irrigado só estarão disponíveis por apenas 5 anos, sendo que após isso, a região não terá mais condições hídricas de sustentar uma obra com tal demanda.
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terça-feira

Arroz orgânico produzido no Vale do Apodi é tema de cursos de Agroecologia



Estudantes de Agronomia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido e de Agroecologia do IFRN, Campus Ipanguaçu, estão tendo a oportunidade de conhecer o cultivo de arroz orgânico e variedades com experimentos realizados por pesquisadores da UFERSA e da Embrapa. Os cursos acontecem nas comunidades rurais de Santa Rosa e Baixa Fechada, localizadas no município de Apodi. Na semana passada, duas visitas foram realizadas e mais duas estão programadas para a próxima semana.

A proposta, afirma o professor da UFERSA Neyton Miranda, é mostrar para os estudantes as Unidades Demonstrativas de Arroz Vermelho Orgânico, bem como apresentar dados sobre o Ensaio de Cultivares de Arroz Vermelho. Para o Professor, que coordenado o Projeto no Vale do Apodi, atividades como essa tem o objetivo de transferir para estudantes de ensino técnico e superior conhecimentos sobre os estudos desenvolvidos, para reduzir impactos ao meio ambiente, além de desenvolver alternativas que promovam o desenvolvimento sustentável nas esferas econômica, ambiental e social.

O curso possibilita ainda a difusão de tecnologias sobre a cultura do arroz orgânico para as famílias agricultoras do Vale e de outros municípios. Na ocasião, são realizadas rodas de conversas sobre o sistema orgânico de produção de arroz vermelho e as formas da áreas. "A proposta é promover o debate de vários temas, entre eles, a organização da comercialização da produção, custo da produção, logística do produto, assessoria técnica, importância da cultura para região, políticas publicas voltadas para o desenvolvimento da cultura em sistema orgânico", ressalta Neyton Miranda.

O projeto que está sendo desenvolvido pela UFERSA, numa parceria com a Apava, Embrapa, STTR e Seapac, dando seqüência a um trabalho de pesquisa participativa que surgiu de demandas das comunidades iniciadas a partir da criação da Associação dos Produtores de Arroz do Vale do Apodi - APAVA, em 2005. Dissertações de mestrado, monografias e até mesmo Tese de Doutorado já foram desenvolvidas com essa temática. De acordo responsável técnico pelo Projeto, o agrônomo e bolsista do CNPq, José Flaviano B. de Lira, o desafio da universidade, é tornar o RN o maior produtor de arroz Vermelho em sistema orgânico de produção. "É uma forma a melhorar a sustentabilidade das famílias", acredita Flaviano Lira. Outro fator favorável está relacionado às condições climáticas e disponibilidade de água, que favorecem o cultivo em dois períodos do ano.

Na próxima terça-feira, 20, a experiência vivenciada em Apodi com o arroz orgânico será apresentada a turma do quarto ano de Agroecologia de Ipanguaçu e, no dia 28 de novembro, o projeto recebe a visita dos integrante do Núcleo de Agroecologia da UFERSA, coordenado pela professora Vânia Porto. 
Fonte: http://www.correiodatarde.com.br/

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Entidades denunciam série de violações a direitos humanos na instalação de projeto de irrigação na Chapada do Apodi/RN



Entre outras irregularidades apontadas no “dossiê-denúncia”, destaca-se o deslocamento forçado de cerca de 6.000.00 (seis mil) agricultores. A expectativa é que o Estado brasileiro tome providências imediatas no sentido de coibir as violações apontadas no relatório. 
 
A Rede nacional de Advogados e Advogadas Populares/RN-CE, a Comissão Pastoral da Terra, o CRDH-RN, Via campesina, GEDIC, e diversas outras entidades ligadas a defesa dos direitos humanos protocolaram “dossiê-denuncia” junto à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica, Secretaria-Geral da Presidência da República, IPHAN, TCU, e mais dez órgãos do Governo Federal, apontando dezenas de violações aos direitos humanos, meio ambiente, patrimônio histórico e aos cofres públicos na instalação do Perímetro Irrigado da Chapada do Apodi/RN.
O projeto, capitaneado pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas -DENOCS, consiste na desapropriação de 13.855 ha (treze mil oitocentos e cinquenta e cinco) hectares para a implementação de um programa de fruticultura irrigada sob o comando de quatro grandes empresas, deslocando de maneira forçada cerca de 6.000,00 (seis mil agricultores) que vivem em 30 comunidades na região acerca de cinquenta anos.
Segundo as entidades denunciantes, o projeto de irrigação configura-se em uma “reforma-agrária ao contrário”, uma vez que a região da Chapada do Apodi/RN vêm se consolidando como uma das experiências mais exitosas de produção de alimentos de forma agroecológica e familiar do nordeste, destacando o arroz, frutas, criação de caprinos, ovinos e bovinos, projetos de piscicultura, além do mel de abelha, maior produtora de maneira orgânica do país.
 Conforme especialistas, a obra é, ainda, hidricamente inviável, já que a água disponível conseguirá irrigar o monocultivo por no máximo cinco anos, representando o mal uso de R$ 280.000,00 (duzentos e oitenta milhões de reais) dos cofres públicos, valor orçado até o momento.
A possível implantação do projeto será o fator de desarticulação da experiência agroecológica e de agricultura familiar ao priorizar a monocultura e a exploração de grandes extensões de terra, com grande utilização de agrotóxicos, causando diversos problemas aos recursos naturais e à vida humana. Representará, também, a implosão de um grave problema social, já que as indenizações a serem pagas aos agricultores serão em valores ínfimos, impossibilitando-os de ter nova moradia e outra forma de sustento.
 Os agricultores estão em estado de apreensão, se negam a deixar suas terras, e esperam que o Governo Federal reveja o modo como o projeto está sendo implantado.
 

quinta-feira

MP e IFRN reascendem debate sobre distrito irrigado em Apodi


Por Cezar Alves/Da Redação do Jornal De Fato
 
O Ministério Público Estadual e o Instituto Federal de Educação Tecnológica (IFRN) acenderam de novo o debate em torno do projeto do Distrito Irrigado proposto pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) para a Chapada do Apodi, com água da Barragem de Santa Cruz, durante seminário realizado na sede o IFRN em Mossoró tratando sobre os Aspectos Econômicos, Técnicos e Ambientais do que vai ser o distrito irrigado

O corpo de palestrantes do seminário, formado por doutores em recursos hídricos, meio ambiente, advogados e sociólogos, mostraram tecnicamente que o projeto irrigado proposto pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) não tem viabilidade técnica de do ponto de vista econômico, social e ambiental. Observam grande risco de ser apenas mais um distrito irrigado no País entre tantos outros sem funcionar.


As colocações foram feitas dos promotores de Justiça Rachel Germano (foto), do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Meio Ambiente, e o Ministério Público Federal (CAOP), moradores das comunidades que estão sendo desapropriadas, especialistas da Universidade Federal Rural do Semi Árido (UFERSA), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), IFRN, sindicatos e associações, Comissão da Pastoral da Terra, e o bispo da Igreja Católica Dom Marino Manzana, que estava acompanhado com o padre Talvacy Chaves.

Compareceram também o prefeito eleito Flaviano Monteiro, o presidente da Câmara João Evangelista e outros cinco vereadores, e o professor João Paulo, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, que assessora juridicamente os trabalhadores rurais.


O professor doutor em Recursos Hídricos, João Abner, da UFRN, disse que a vazão da Barragem de Santa Cruz é insuficiente para irrigar o distrito irrigado. “Assegura que a própria Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), reconhece isto quando só libera o uso de apenas 2 metros cúbicos para o distrito”, destaca o professor.


Mesmo que existisse água, João Abner disse que cientificamente está provado que não compensa transpor água de uma superfície a uma altura de 60 a 80 metros, que é o caso da Chapada de Apodi. E, ainda, mesmo se tivesse água e viabilidade para transpor a uma altura de 80 metros, o custo da energia para bombear a água seria muito alto, sendo inviável ao pequeno e também ao grande produtor rural.


A saída nestes, o DNOCS, segundo Joao Abner, fornece energia subsidiada aos empresários do agronegócio. “Em Limoeiro do Norte, por exemplo, quem paga parte da conta de energia é a população e Fortaleza. No caso de Apodi, quem iria pagar a conta é a população de Mossoró. Alguém já perguntou em Mossoró se a população aceita subsidiar água para cinco grandes empresas produzir na chapada de Apodi?”, questiona o professor João Abner.


O advogado João Paulo estudou o Relatório de Impacto Ambiental feito pelo DNOCS para conseguir as atuais licenças ambientais: Ele disse que pode para resultar em problemas graves a população de Apodi e região no futuro em curto espaço de tempo. “Descobrimos que para este relatório se aprovado, não consta se quer que a região da chapada mora gente. Eles não reconhecem a existência de mais de 500 famílias”, diz.


O relatório é também é superficial em relação à questão ambiental. Reconhece a existência de vários tipos de espécies de árvores na região, mas não fala sobre reposições destas arvores com o desmatamento de 13 mil hectares para instalar o distrito irrigado. Trata-se sobre o agrotóxico, mas nada estabelece quanto ao uso deste agrotóxico de forma racional e suas consequências à população. “É preciso lembrar que este projeto está sendo implantadas as presas, onde os moradores não estão sendo consultados”, diz João Paulo.


A promotora de Justiça Rachel Germano disse que a seminário foi muito importante pois ascendeu o debate, nasceu a possibilidade da parceria com o Ministério Público Federal, através do procurador da república Fernando Rocha, para que seja adotadas medidas necessárias para que o projeto do Distrito Irrigado da Chapada seja realmente debatido. Inclusive a promotora de Justiça destacou que vai ouvir as explicações técnicas do DNOCS com relação aos questionamentos feitos pelos especialistas durante o seminário.
 
Fotos de Cezar Alves.

terça-feira

MPE e MPF realizam seminário sobre irrigação na Chapada do Apodi

O Ministério Público Estadual, através do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Meio Ambiente, e o Ministério Público Federal realizam na próxima quarta-feira, dia 14/11/2012, das 8h30 às 13h, no auditório do IFRN, à Rua Raimundo Firmino de Oliveira, 400, Conjunto Ulrick Graff, em Mossoró, o seminário sobre Projeto de Irrigação na Chapada do Apodi – Aspectos Econômicos, Técnicos e Ambientais.

Serão palestrantes no referido evento o Professor Doutor da UFRN, João Abner, que falará sobre Aspectos Técnicos do perímetro irrigado da Chapada do Apodi; o Professor Doutor Joaquim Pinheiro da UFERSA, que irá palestrar sobre Aspectos da organização social da agricultura familiar; e o Professor Doutor Daniel Santiago, do IFRN, que irá falar sobre Impactos econômicos do perímetro irrigado sobre a apicultura.
Fonte: http://apodiariooblog.blogspot.com.br/

domingo

Mulheres que lutam: Elas se recusam a sair.

Por: JOSÉ DE PAIVA REBOUÇAS
Especial de Apodi
Do Jornal De Fato
No coração da Chapada do Apodi, em Apodi, 31 famílias vivem o pior pesadelo de sua vida. Por ordem do Governo Federal, através do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), homens, mulheres e crianças da comunidade de Agrovila Palmares estão sendo obrigados a deixar seus lares para dar lugar a um perímetro irrigado. O projeto milionário que vai de encontro às políticas sociais em discussão no país construiu uma polêmica discussão entre campesinos e Governo que repercute em âmbito internacional e vai parar nos bancos do Ministério Público Federal.
A Agrovila Palmares está situada numa parcela de terra apontada como uma das melhores do mundo. Além disso, fica na mesma área do principal sítio arqueológico do Estado e segundo mais importante do Brasil, o Lajedo de Soledade. As famílias que habitam esse lugar são simples e, a maioria, está no limite da linha da pobreza, ainda assim, não querem desistir da única coisa que conquistaram na vida.
A área foi cedida às famílias pela Força Sindical no ano de 1999, em comodato por 15 anos. 90 famílias participaram de uma seleção, entre elas estava a dona de casa Ivonilda de Souza Oliveira, hoje com 47 anos. Ela e outras 30 famílias receberam 12 hectares, uma casa com água e luz, um televisor e uma bicicleta para recomeçar a vida. Casada há 20 anos com o trabalhador braçal Francisco Célio, que nunca teve sobrenome, ela viu sua vida mudar depois que seu marido abandonou o trabalho nos fornos de cal para cuidar da própria terra. “Entramos aqui no dia 3 de maio de 2000 e nunca mais saímos daqui”, lembra.
Ao longo dos 12 anos, Ivonilda construiu uma história e plantou raízes. Seus filhos cresceram e ela virou avó. Há dois anos, recebeu, junto com o resto da comunidade o que chamou de “maior presente de sua vida”: a posse permanente da terra.
A história da dona de casa que transformou o seu quintal numa área de produção de frutas, hortaliças e plantas medicinais se repete pela pequena vila. É a mesma das donas de casa Antônia de Noronha Freire, Francisca Helena de Paiva e Maria da Conceição e das outras marias, antônios e josés que não sabem o que fazer se tiverem de deixar suas casas.
O medo é tanto que todo veículo que entra na localidade é motivo de mobilização das pessoas. Elas estão com medo dos técnicos do Dnocs, que, segundo contam, fazem pressão psicológica para que os moradores concordem com a desapropriação. “Os mais velhos chegam a chorar de angústia”, disse Ivonilda, lembrando que, na última vez que em eles apareceram, não tiveram permissão para entrar. “Fechamos o portão com cadeado”, conta.
A Agrovila Palmares não é a única que sofre desse problema. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) estima que pelo menos 600 famílias em 147 propriedades tenham de deixar suas casas em nome do perímetro. O projeto está orçado em R$ 280 milhões, mas destina somente R$ 40 milhões para a desapropriação. A média oferecida por hectare é de R$ 700,00. Isso significa que a propriedade de dona Ivonilda, que tem 12 hectares, está orçada em R$ 8.400,00, um pouco mais se colocar os benefícios feitos na terra, mas nunca será suficiente para ela comprar sua área de volta, nem mesmo outro terreno nas redondezas porque a chegada do perímetro está supervalorizando as terras.

sábado

Opção pelo agronegócio permite desigualdade social, diz especialista.

Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou o Atlas do Espaço Rural Brasileiro, publicação que integra os dados do Censo Agropecuário 2006 com pesquisas sociais, populacionais, ambientais e econômicas. Segundo o Instituto, o objetivo da publicação é retratar a realidade territorial do campo brasileiro. Os dados, referentes à educação no campo, tecnologia e modernização do meio rural brasileiro, uso dos recursos naturais e concentração de terras, mostram um campo brasileiro desigual, no qual uma minoria segue privilegiada enquanto a maioria dos agricultores vive em situações precárias. 
De acordo com José Juliano De Carvalho Filho, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP e membro da Associação Brasileira da Reforma Agrária (ABRA), “Tudo isso ocorre porque o agronegócio é a opção econômica que o governo adotou para o campo”. Em entrevista à Página do MST, o professor comentou os dados apresentados pelo IBGE, e aponta que a realidade territorial do campo brasileiro é dura para os mais pobres. 
Confira a entrevista:     
Dos proprietários rurais que administravam diretamente propriedades agropecuárias, 3,9 milhões de estabelecimentos, ou 39%  do total, eram analfabetos ou sabiam ler e escrever sem terem frequentado a escola, e 43% não tinham completado o ensino fundamental. Por que esse percentual tão grande?
Essa população não existe para o estado, e quando existe, as políticas para ela são de baixa qualidade. É só ver a distância que as crianças assentadas precisam percorrer para chegar à escola. Além disso, os professores recebem salários baixos, e dão aulas a muitos alunos. Para os pobres do campo, a política é pouco efetiva.
Já a concentração dos maiores percentuais de produtores proprietários com nível médio de instrução (regular e profissionalizante) ocorre nas áreas de domínio do complexo agroindustrial da soja e de outras commodities de exportação, demonstrando a correlação entre o aprimoramento técnico da agricultura e o nível de instrução do produtor rural. 
Há uma mudança no tipo de emprego: as monoculturas, aliadas com a modernização do campo, acabam com boa parte do emprego rural, que costuma ser degradante para o trabalhador. Agora emprega-se apenas pessoas capacitadas para atividades industriais, como operação de máquinas, ao passo que os mais pobres perdem seu emprego braçal. Em áreas onde a soja entra, como no norte do país, há uma expulsão das populações tradicionais, e quando se expulsa uma população, obviamente não se gera emprego para ela.    
A publicação também destaca que a agropecuária é uma das atividades humanas que causam maior impacto sobre o ambiente natural. O pampa lidera a depredação, com 71% da sua área ocupada com estabelecimentos agropecuários, seguido pelo pantanal (69%), mata atlântica (66%) e cerrado (59%). Por que a produção agrícola tem este caráter predatório?
O impacto negativo não é só na flora, mas também no controle privado dos bens naturais que esse modelo de produção exerce. É a opção brasileira, inclusive dos governos Lula e Dilma. Reinaldo Gonçalves (professor de economia da UFRJ) diz que temos uma “especialização retrógrada”, pois o agronegócio é uma forma subalterna e marginal de entrar no mercado internacional. É preciso exportar commodities em grandes quantidades para equilibrar a balança comercial, o que dá muito poder aos latifundiários e faz o governo refém da bancada ruralista. 
Ao invés de produzirmos bens manufaturados, há apenas os primários: soja, carne, etanol. O impacto do agronegócio no meio ambiente é grande justamente por essa visão mercantil da terra e a influência ruralista grande, basta ver a aprovação do Código Florestal, que atendeu a diversos interesses ruralistas, e vai causar danos maiores no meio ambiente. 
Aproximadamente 90% dos recursos hídricos do país são destinados à produção agrícola, produção industrial e consumo humano, sendo a maior demanda de água proveniente das atividades de agricultura irrigada. Em relação à produção agrícola, para quem vai a água?
A água está sendo usada pelo agronegócio. Há a deterioração da qualidade da água, devido a todos os produtos químicos que são despejados nela, sem que haja consequências para os grandes produtores. Quem acaba responsabilizado são os pequenos produtores: em um assentamento, existe uma burocracia para se abrir um poço, enquanto que os latifundiários usam recursos abundantes de forma irresponsável e não pagam por isso. Não é o pequeno produtor que contamina a água, e sim o grande. 
O estudo aponta como avanços tecnológicos no campo os transgênicos e o uso de máquinas. Qual o impacto dessa tecnologia no meio rural?
A tecnologia é enviesada, pois desconsidera o saber dos povos do campo. O discurso de que “precisamos superar a fome” monopoliza a produção na mão de algumas transnacionais, pois há o mito de que o agronegócio é a única solução possível para acabar com a fome. As empresas só querem lucrar, não estão preocupadas com o país. Elas querem dominar as terras e a produção. Se continuar assim, vamos chegar em um ponto onde para plantar ou colher qualquer coisa vamos ter que pagar royalties a eles.  O agronegócio não é a única opção, e ele deveria ser regulado pelo estado, pois o latifúndio impede os pequenos produtores ao seu redor de crescerem. 
Não sou contra a tecnologia, mas a forma como ela é apropriada pelo agronegócio preocupa. A intenção é o monopólio. É como se fosse uma Reforma Agrária ao contrário, e a impressão que eu tenho é que os ruralistas veem o caminho livre para fazer o que querem.
A agricultura familiar, apesar de abranger 4,4 milhões de estabelecimentos agropecuários do país (84,4%), cobre apenas 80 milhões de hectares (24,3% da área total). A área média dos estabelecimentos com agricultura familiar era de 18,3 hectares, enquanto a dos com agricultura não familiar era de 330 hectares. Como a concentração de terras se relaciona aos outros dados mencionados?
Essa questão está na base de tudo. As principais características do campo brasileiro são a concentração de terras e a violência. O estado não cuida da questão da terra no sentido de beneficiar os pequenos produtores. Ao não regular o agronegócio, o estado destrói o pequeno produtor, que é muito vulnerável sem a sua assistência. 
Medidas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a compra de alimentos da Reforma Agrária para merenda escolar, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são interessantes, mas insuficientes, pois ao mesmo tempo em que temos essas políticas, investe-se pesadamente no agronegócio. Nós precisamos de políticas estruturantes para os pequenos produtores.
Dessa forma, os interesses das empresas permanecem, e a agricultura familiar, sem os incentivos e políticas necessárias, não tem condições de enfrentá-los. O estado é ineficaz porque beneficia o capital. Não há opção política do governo em beneficiar os pequenos produtores; há muito diálogo, mas de concreto, não existe planejamento político. 
Tudo isso ocorre porque o agronegócio é a opção econômica que o governo adotou para o campo, basta ver o assustador desmatamento na Amazônia. Se a mesma situação perdura há mais de vinte anos, mesmo com uma ampla quantidade de pesquisas e denúncias sobre os impactos que o desmatamento causa, é porque o projeto político do governo para o campo demanda isso. Se continuarmos desse jeito, nosso futuro infelizmente é o do agrobrasil, no qual os pequenos produtores não terão chance de sobreviver e o meio ambiente será cada vez mais depredado para a produção de mercadorias primárias.

quinta-feira

Sociedade apodiense discute integração entre Chapada e Vale e inviabilidade do Perímetro Irrigado proposto pelo DNOCS.

Auditório da CDL - Lotado
Na Noite da ultima terça (06) aconteceu mais um importante debate a cerca do que o movimento campesino tem proposto para a sociedade apodiense com relação ao aproveitamento das águas da barragem de santa cruz. O evento realizado pelo Sindicato dos/as Trabalhadores/as rurais de Apodi/RN teve como objetivo discutir um projeto de desenvolvimento integrado entre Chapada e Vale, projeto este que fortaleça a agricultura familiar de Apodi e os outros seguimentos da sociedade apodiense.

O evento contou com colaboração do Professor João Abner Guimarães Júnior que é Doutor em Engenharia Recursos Hídricos, na oportunidade o estudioso da área explicou a inviabilidade do Projeto que o DNOCS quer instalar em Apodi, listando vários pontos falhos de tal projeto. Em seguida Abner explanou um Projeto Alternativo para o Município de Apodi e região que visa integrar Chapada e vale do Apodi totalmente viável, respeitando o meio ambiente, a saúde humana e as condições técnicas de um projeto responsável.

Edílson Neto - Presidente do STTR
O Auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) estava lotado, o evento contou com a presença de várias representações da sociedade Apodiense, tais como; Agricultores, Professores, Pastores, Estudantes, Políticos, Pescadores, Técnicos Agrícolas, Lojistas, blogueiros.
Edílson Neto, presidente do STTR de Apodi,  enfatizou que "o Movimento dos Trabalhadores não é e nunca foi contra a água ir pra chapada do Apodi, o que queremos é que as águas sirvam pra quem realmente precisa dela, porque que quando a água chega o povo tem que sair?" indagou Edílson Neto.

O Pastor e Professor Weligthon disse que: "A sociedade apodiense precisa ser conscientizada dos perigos que o Projeto do DNOCS pode trazer, essa é uma luta de toda sociedade apodiense, não só o homem do campo vai sofrer os impactos de um projeto mal elaborado, como também o espaço urbano sentirá efeitos negativos se não acordar pra debater esse projeto".

Professor Dr. João Abner Guimarães 
João Abner esclareceu que "o projeto integrado não é um produto acabado e que está em construção, pois a sociedade de Apodi é quem vai decidir de que forma vai utilizar os recursos do Governo Federal, se é para fortalecer o capital do Agronegócio ou a permanência dos filhos de Apodi no campo com vida digna". 

O evento serve de demonstração que o movimento camponês tem provas técnicas substancias para questionar o duvidoso Projeto proposto pelo DNOCS e que tem argumentos para defender a vida e a permanência no campo com dignidade, pois o projeto proposto pelo movimento que se contrapõe ao fadado projeto do DNOCS é totalmente alto sustentável e viável, o que falta na verdade é os gestores deste país ouvir as propostas elaboradas pelos que fazem o movimento.

Mais fotos do evento: 













segunda-feira

As águas da Barragem de Santa Cruz devem serem utilizadas para o fortalecimento da Agricultura familiar de Apodi, afirma estudioso.


O Estudioso professor Dr. João Abner Guimarães* da UFRN estará em Apodi/RN nesta terça feira (06) debatendo sobre a utilização das águas da Barragem de Santa Cruz do Apodi; o estudioso relata que irrigar nos moldes em que o DNOCS propõe se traduz em uma realidade totalmente ultrapassada o que coloca em risco toda a dinâmica social, econômica e ambiental das localidades onde o DNOCS tem instalado seus perímetros irrigados.
Professor João Abner tem acompanhado a
 problemática desde o início do debates.
João Abner virá a Apodi e na oportunidade fará apresentação de um Projeto ousado que trata da utilização das águas da Barragem de Santa Cruz para o favorecimento da Agricultura Familiar de Apodi, desta maneira todos os seguimentos da sociedade apodiense estarão fortalecidos.
O Projeto elaborado por João Abner juntamente com as entidades e agricultores/as de Apodi surgiu em meio as várias duvidas existentes com relação ao projeto do DNOCS que até mesmo tal órgão ainda não teve a capacidade de explica-lo para a sociedade apodiense.
O evento acontecerá na Camara de Dirigentes Logistas de Apodi (CDL) nesta terça feira (06) a partir das 18hoomin.
SERVIÇO:
O que é? APRESENTAÇÃO DO PROJETO ALTERNATIVO PARA AGRICULTURA FAMILIAR DE APODI versus  PERÍMETRO IRRIGADO DA CHAPADA DO APODI.
Quando? No dia 06 de Novembro de 2012, a partir das 18h00min.
Aonde?  Câmara de Dirigentes Lojistas de Apodi, Rua Pe. Benedito Alves – Centro.


*João Abner é Professor da área de Recursos Hídricos da UFRN; tem sua formação profissional nas áreas seguintes: Engenheiro Civil UFRN, Mestre em Recursos Hídricos UFPB, Doutor em Hidráulica e Saneamento EESC/USP; Área de atuação profissional: Recursos Hídricos.

quinta-feira

Convite a população apodiense: Debate Sobre o Aproveitamento das águas da Barragem de Santa Cruz.

Movimento Campesino de Apodi irá apresentar Projeto Alternativo para a agricultura familiar de Apodi e região, em contra-ponto ao Perímetro Irrigado que o DNOCS quer instalar na Chapada do Apodi.
Professor Dr. João Abner - Estudioso da área de Recurso Hídricos  


Convite

Os Movimentos do campo do Rio Grande do Norte e o Sindicato dos Trabalhdaores e das Trabalhadoras Rurais de Apodi vem através deste Convidar Vossa Senhoria para participar de uma palestra que tratará DO PROJETO ALTERNATIVO PARA AGRICULTURA FAMILIAR DE APODI versus  PERÍMETRO IRRIGADO DA CHAPADA DO APODI, que estará acontecendo no dia 06 de Novembro de 2012, a partir das 18h00min no Auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas de Apodi.
Na oportunidade o professor Dr. João Abner Guimarães da UFRN fará uma exposição sobre a viabilidade do aproveitamento das águas da Barragem de Santa Cruz de Apodi forma economia, ambiental e socialmente correta.
Sua presença é de suma importância para o Fortalecimento da Agricultura Familiar de Apodi/RN.

SERVIÇO:
O que é? APRESENTAÇÃO DO PROJETO ALTERNATIVO PARA AGRICULTURA FAMILIAR DE APODI versus PERIMETRO IRRIGADO DA CHAPADA DO APODI.
Quando? No dia 06 de Novembro de 2012, a partir das 18h00min.
Aonde? Camara de Dirigentes Lojistas de Apodi, Rua Pe. Benedito Alves – Centro.


quarta-feira

Do diálogo à resistência das mulheres em Apodi.


Por Tica Moreno*
A resistência das mulheres em Apodi é uma expressão do feminismo anticapitalista da MMM. Os direitos que a gente tem nas leis não significam igualdade real na prática se vivemos em um mundo onde predominam os interesses do capital sobre a soberania dos povos. É o que está acontecendo agora, na chapada do Apodi (RN).
Quando a proposta do perímetro irrigado de Apodi apareceu, as mulheres da MMM, em aliança com os movimentos sociais da região, denunciaram que o que estava em jogo eram dois modelos de agricultura.
De um lado, está o agro e hidronegócio. O projeto propõe entregar as terras da Chapada do Apodi e as águas da barragem de Santa Cruz para 5 empresas que produzem frutas para exportação.
Do outro lado, está a agricultura familiar e camponesa e a produção do viver de centenas de famílias, que, a partir da produção em grande parte agroecológica nas pequenas propriedades, representa o terceiro PIB agropecuário do Rio Grande do Norte.
Esse projeto foi apelidado de Reforma Agrária ao contrário. Isso porque o projeto tem por objetivo desapropriar 13.855 hectares de pequenas propriedades para concentrar essa terra nas mãos de 5 empresas da agro-exportação. É uma contradição gigante para o governo, porque, se somarmos os anos dos governos Lula e Dilma, essa quantidade de terra não foi desapropriada para a reforma agrária noRN e, agora, com apenas um decreto, irá das pequenas propriedades para grandes empresas do agronegócio.
Manifestação contra o agro e hidronegócio em Apodi
A soberania alimentar, a reforma agrária e a agroecologia fazem parte da nossa luta por igualdade e autonomia econômica das mulheres, que se articula com uma mudança estrutural no modelo de (re)produção e consumo. No vídeo caseiro abaixo, a Conceição Dantas, conta como as mulheres tiveram que lutar muito pra conquistar a terra e as condições para produzir, como água e infra-estrutura. E da mesma forma tem que lutar para permanecer na terra. Perder as terras significa perder a autonomia econômica e ter que buscar outras formas de sobreviver, provavelmente na periferia das cidades. Mais uma contradição para um governo que quer acabar com a pobreza, mas opera este projeto que privilegia a reconcentração de terra, empurrando mais cidadãs e cidadãos para a exclusão social.
“Não adianta conquistarmos direito a terra e ao crédito, quando o capital avança no campo e o agronegócio reconstrói sua força por dentro do nosso governo e ameaça todas as nossas conquistas com a conivência de quem deveria nos proteger”  Kika- vice-presidente do STTR-Apodi.
Se, em um primeiro momento, a nossa pressão se direcionou para um diálogo com o governo para revogar este projeto, agora estamos em um momento de articular a luta de resistência, pois o governo demonstra ter escolhido um lado, ao implementar a proposta do agro e hidronegócio, e já iniciou a indenização de 35 famílias que serão atingidas pela primeira fase da construção do perímetro irrigado.
Estamos em marcha até que todas sejamos livres. No Brasil, isso significa, também, até que o campo esteja livre do agronegócio.

Lutar e resistir pela Chapada do Apodi!

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segunda-feira

Estudo revela: Coquetel de agrotóxicos ingerido no consumo de frutas e verduras pode causar Alzheimer e Parkinson


Comer cinco frutas e legumes por dia é bom para a saúde. Não tão bom é o “coquetel” de pesticidas ingerido no processo: a mistura dessas substâncias químicas pode multiplicar seus efeitos tóxicos em proporções tão surpreendentes quanto preocupantes, segundo os resultados de um estudo preliminar publicado na revista científicaPloS One.

A reportagem é do Le Monde e reproduzida no Portal UOL, 08-08-2012

Os testes toxicológicos sistemáticos conduzidos dentro do regulamento europeu Reach visam às substâncias uma por uma. “Sabe-se muito pouco sobre seus efeitos combinados, sendo que somos literalmente cercados por combinações de venenos”, explica o principal autor do estudo, o toxicólogo Michael Coleman, da Universidade de Aston, na Inglaterra.
Sua equipe comparou o efeito isolado e o efeito combinado, sobre células de nosso sistema nervoso central, de três fungicidas encontrados com frequência nas prateleiras de hortifrúti: o pirimetanil, o ciprodinil e o fludioxonil.

Resultado: os danos infligidos às células são até vinte ou trinta vezes mais graves quando os pesticidas são associados. “Substâncias que são conhecidas por não afetarem a reprodução humana e o sistema nervoso e não serem cancerígenas, combinadas possuem efeitos inesperados”, resume um dos autores do estudo, o biólogo molecular Claude Reiss, ex-diretor de pesquisa do CNRS e presidente da associação Antidote Europe.

“Observamos o agravamento de três tipos de impactos”, detalha o pesquisador francês: “A viabilidade das células é degradada; as mitocôndrias, que são as ‘baterias’ das células, não conseguem mais alimentá-las com energia, o que desencadeia a apoptose, ou seja, a autodestruição das células; por fim, as células são submetidas a um stress oxidante muito poderoso, possivelmente cancerígeno e que pode levar a efeitos em cascata”.
Entre as possíveis consequências de tais agressões sobre as células, os pesquisadores citam o risco de uma vulnerabilidade crescente a doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer, de Parkinson ou a esclerose múltipla. “Nosso estudo aborda um pequeno número de substâncias, trazendo mais perguntas do que respostas, mas esses efeitos foram evidenciados em doses muito pequenas, concentrações próximas às encontradas em nossos alimentos”, observa o professor Coleman.

O cientista considera urgente popularizar esse tipo de teste, apesar das milhares de combinações possíveis: “Isso permitiria determinar se as misturas são nocivas, para ajudar os agricultores a escolher os produtos que eles utilizam”. O fato de conduzir esses estudos em células humanas e não em ratos, como acontece no procedimento Reach, permitiria diminuir os prazos e os custos, ao mesmo tempo em que fornecem resultados mais confiáveis. “A maior parte das substâncias químicas não são testadas corretamente: não somos ratos de 70 quilos!”, reclamaClaude Reiss.

Para o Movimento pelo Direito e pelo Respeito das Gerações Futuras (MDRGF), que cofinanciou o estudo, esses testes são ainda mais necessários pelo fato de que um terço das frutas e legumes fiscalizados pela Direção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão de Fraudes contém resíduos de vários pesticidas.

“Em 2008, detectamos em um mesmo cacho de uvas os três produtos testados pelo professor Coleman”, lembraFrançois Veillerette, porta-voz do MDRGF. Na época, análises encomendadas pela associação haviam revelado que quase todas as uvas vendidas no grande varejo continham múltiplos pesticidas, totalizando oito substâncias diferentes por cacho, em média.

A associação pede para que a Comissão Europeia “lance sem demora uma estratégia de avaliação global das misturas de produtos químicos” e que “abaixe significativamente os limites máximos de resíduos tolerados nos alimentos, em um cuidado elementar de precaução”.
Fonte: Site do IHU.

Desigualdade rural persiste devido à opção pelo agronegócio, diz especialista.


Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou o Atlas do Espaço Rural Brasileiro, publicação que integra os dados do Censo Agropecuário 2006 com pesquisas sociais, populacionais, ambientais e econômicas. Segundo o Instituto, o objetivo da publicação é retratar a realidade territorial do campo brasileiro. Os dados, referentes à educação no campo, tecnologia e modernização do meio rural brasileiro, uso dos recursos naturais e concentração de terras, mostram um campo brasileiro desigual, no qual uma minoria segue privilegiada enquanto a maioria dos agricultores vive em situações precárias. 
De acordo com José Juliano De Carvalho Filho, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP e membro da Associação Brasileira da Reforma Agrária (ABRA), “Tudo isso ocorre porque o agronegócio é a opção econômica que o governo adotou para o campo”. Em entrevista à Página do MST, o professor comentou os dados apresentados pelo IBGE, e aponta que a realidade territorial do campo brasileiro é dura para os mais pobres. 
Confira a entrevista:     
Dos proprietários rurais que administravam diretamente propriedades agropecuárias, 3,9 milhões de estabelecimentos, ou 39%  do total, eram analfabetos ou sabiam ler e escrever sem terem frequentado a escola, e 43% não tinham completado o ensino fundamental. Por que esse percentual tão grande?
Essa população não existe para o estado, e quando existe, as políticas para ela são de baixa qualidade. É só ver a distância que as crianças assentadas precisam percorrer para chegar à escola. Além disso, os professores recebem salários baixos, e dão aulas a muitos alunos. Para os pobres do campo, a política é pouco efetiva.
Já a concentração dos maiores percentuais de produtores proprietários com nível médio de instrução (regular e profissionalizante) ocorre nas áreas de domínio do complexo agroindustrial da soja e de outras commodities de exportação, demonstrando a correlação entre o aprimoramento técnico da agricultura e o nível de instrução do produtor rural. 
Há uma mudança no tipo de emprego: as monoculturas, aliadas com a modernização do campo, acabam com boa parte do emprego rural, que costuma ser degradante para o trabalhador. Agora emprega-se apenas pessoas capacitadas para atividades industriais, como operação de máquinas, ao passo que os mais pobres perdem seu emprego braçal. Em áreas onde a soja entra, como no norte do país, há uma expulsão das populações tradicionais, e quando se expulsa uma população, obviamente não se gera emprego para ela.    
A publicação também destaca que a agropecuária é uma das atividades humanas que causam maior impacto sobre o ambiente natural. O pampa lidera a depredação, com 71% da sua área ocupada com estabelecimentos agropecuários, seguido pelo pantanal (69%), mata atlântica (66%) e cerrado (59%). Por que a produção agrícola tem este caráter predatório?
O impacto negativo não é só na flora, mas também no controle privado dos bens naturais que esse modelo de produção exerce. É a opção brasileira, inclusive dos governos Lula e Dilma. Reinaldo Gonçalves (professor de economia da UFRJ) diz que temos uma “especialização retrógrada”, pois o agronegócio é uma forma subalterna e marginal de entrar no mercado internacional. É preciso exportar commodities em grandes quantidades para equilibrar a balança comercial, o que dá muito poder aos latifundiários e faz o governo refém da bancada ruralista. 
Ao invés de produzirmos bens manufaturados, há apenas os primários: soja, carne, etanol. O impacto do agronegócio no meio ambiente é grande justamente por essa visão mercantil da terra e a influência ruralista grande, basta ver a aprovação do Código Florestal, que atendeu a diversos interesses ruralistas, e vai causar danos maiores no meio ambiente. 
Aproximadamente 90% dos recursos hídricos do país são destinados à produção agrícola, produção industrial e consumo humano, sendo a maior demanda de água proveniente das atividades de agricultura irrigada. Em relação à produção agrícola, para quem vai a água?
A água está sendo usada pelo agronegócio. Há a deterioração da qualidade da água, devido a todos os produtos químicos que são despejados nela, sem que haja consequências para os grandes produtores. Quem acaba responsabilizado são os pequenos produtores: em um assentamento, existe uma burocracia para se abrir um poço, enquanto que os latifundiários usam recursos abundantes de forma irresponsável e não pagam por isso. Não é o pequeno produtor que contamina a água, e sim o grande. 
O estudo aponta como avanços tecnológicos no campo os transgênicos e o uso de máquinas. Qual o impacto dessa tecnologia no meio rural?
A tecnologia é enviesada, pois desconsidera o saber dos povos do campo. O discurso de que “precisamos superar a fome” monopoliza a produção na mão de algumas transnacionais, pois há o mito de que o agronegócio é a única solução possível para acabar com a fome. As empresas só querem lucrar, não estão preocupadas com o país. Elas querem dominar as terras e a produção. Se continuar assim, vamos chegar em um ponto onde para plantar ou colher qualquer coisa vamos ter que pagar royalties a eles.  O agronegócio não é a única opção, e ele deveria ser regulado pelo estado, pois o latifúndio impede os pequenos produtores ao seu redor de crescerem. 
Não sou contra a tecnologia, mas a forma como ela é apropriada pelo agronegócio preocupa. A intenção é o monopólio. É como se fosse uma Reforma Agrária ao contrário, e a impressão que eu tenho é que os ruralistas veem o caminho livre para fazer o que querem.
A agricultura familiar, apesar de abranger 4,4 milhões de estabelecimentos agropecuários do país (84,4%), cobre apenas 80 milhões de hectares (24,3% da área total). A área média dos estabelecimentos com agricultura familiar era de 18,3 hectares, enquanto a dos com agricultura não familiar era de 330 hectares. Como a concentração de terras se relaciona aos outros dados mencionados?
Essa questão está na base de tudo. As principais características do campo brasileiro são a concentração de terras e a violência. O estado não cuida da questão da terra no sentido de beneficiar os pequenos produtores. Ao não regular o agronegócio, o estado destrói o pequeno produtor, que é muito vulnerável sem a sua assistência. 
Medidas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a compra de alimentos da Reforma Agrária para merenda escolar, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são interessantes, mas insuficientes, pois ao mesmo tempo em que temos essas políticas, investe-se pesadamente no agronegócio. Nós precisamos de políticas estruturantes para os pequenos produtores.
Dessa forma, os interesses das empresas permanecem, e a agricultura familiar, sem os incentivos e políticas necessárias, não tem condições de enfrentá-los. O estado é ineficaz porque beneficia o capital. Não há opção política do governo em beneficiar os pequenos produtores; há muito diálogo, mas de concreto, não existe planejamento político. 
Tudo isso ocorre porque o agronegócio é a opção econômica que o governo adotou para o campo, basta ver o assustador desmatamento na Amazônia. Se a mesma situação perdura há mais de vinte anos, mesmo com uma ampla quantidade de pesquisas e denúncias sobre os impactos que o desmatamento causa, é porque o projeto político do governo para o campo demanda isso. Se continuarmos desse jeito, nosso futuro infelizmente é o do agrobrasil, no qual os pequenos produtores não terão chance de sobreviver e o meio ambiente será cada vez mais depredado para a produção de mercadorias primárias.