segunda-feira

STTR de Apodi/RN realiza mais uma grande Assembleia anual.



Por Agnaldo Fernandes
Fotos: Carmelo Fioraso 
No ultimo sábado (31) o Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Apodi/RN esteve realizando sua assembleia anual que sempre ocorre no primeiro mês do ano.
As atividades tiveram início logo às 7h30min. da manhã com um café compartilhado onde todos os presentes na assembleia tiveram a oportunidade de tomar café da manhã de forma coletiva, onde agricultores, representantes de pastas em governos e políticos compartilharam deste momento.
Continuando iniciou-se a assembleia anual do STTR de Apodi/RN, sendo aberta com um momento místico proporcionado pelos agricultores (as) de Apodi/RN, em seguida Edílson Neto (Presidente do STTR) deu as boas vindas a todos os presentes e falou da satisfação de ver o auditório do sindicato lotado. A assembleia contou com o lançamento do documentário que conta a história dos 50 anos de existência do STTR, intitulado de “Lutas, Conquistas e Desafios”.
A Assembleia contou ainda com a prestação de contas exercício 2014, onde foi apresento o balancete anual e os dados contábeis da instituição para assembleia, sendo a prestação de contas aprovada por unanimidade.
No final das atividades os sócios e sócias que estão em dias com as obrigações sindicais concorreram ao sorteio de duas motos zero quilometro ofertadas pelo STTR.
A Assembleia foi bastante prestigiada por representantes de governo, pelo movimento social e sindicalista e pela classe política.
A direção do STTR agradece a todos que se fizeram presentes na assembléia e avalia o momento como muito importante e significativo para a agricultura familiar de Apodi/RN.
A seguir mais fotos  da assembleia, veja:



Francina Mota recita versos de sua autoria.



Edílson Neto - Presidente do STTR

Dario Andrade - Delegacia do MDA

Cesar Oliveira - EMATER/RN

Vinicius - INCRA/RN

Flaviano Monteiro - Prefeito de Apodi/RN

Raimundo Costa - SEARA


Fernando Mineiro - Deputado PT/RN


José Rodrigues - CUT/RN


Manoel Candico - FETARN

Raimundo Canuto - FETRAF/RN

Romana Neta - MST

Mesa de Prestação de Contas


Aprovação da prestação de contas de forma unânime




Motos Sorteadas.

Grupo de trabalhadoras rurais produzem coletivamente e geram renda.

Grupo de Mulheres “Unidas para Vencer”
ANDRÉ ARAÚJO / DIACONIA
A 20 km da cidade de Caraúbas, no Rio Grande do Norte, um grupo de mulheres do Projeto de Assentamento Primeiro de Maio, composto por oito agricultoras, compartilha uma área produtiva de um hectare. Assessoradas pela Diaconia, Dona Luzimar, Vera Lúcia, Rita Alexandre, Maria Aparecida, Vanuzia Vieira, Ivanuzia do Nascimento, Antônia Damiana e Antônia Luzia, utilizam métodos agroecológicos para produzir coentro, cebola, alface, goiaba, couve, hortelã, mamão e plantas medicinais.

O que no começo era apenas para o consumo das famílias, tornou-se uma boa fonte de renda. Agora, além de vender na própria comunidade para os vizinhos e amigos, os produtos são comercializados na feira agroecológica da cidade.

Em dia de feira, elas viram à noite, organizando o material. Cada sábado, duas mulheres ficam responsáveis por ir a Caraúbas vender o que foi produzido coletivamente durante a semana. O dinheiro que ganham tem dado para custear despesas com luz, água e transporte, e ainda gerar uma renda extra para as famílias.

“Para levar os produtos para a feira, a gente aluga um carro por R$ 50,00. Além disso, a gente ainda paga uma taxa para montar e manter a barraca; no final das contas, faz diferença no lucro. Mas, pelo menos o rapaz se dispõe a transportar os produtos”, relata a agricultora de 51 anos, Vera Lúcia Pereira. Do apurado da feira, elas ainda separaram uma pequena quantia em dinheiro para colocar no cofrinho do grupo, que funciona como uma reserva para pagar despesas com consertos e manutenção.

“Já tivemos muitas melhorias aqui. A maior dificuldade sempre foi a falta d’água. Até que conseguimos um poço que tem água suficiente para plantarmos nosso roçado”, conta a agricultora Antônia Damiana, que junto à outras mulheres vem buscando alternativas sustentáveis de manejo d’água para produção.

Através do Projeto Semiá, desenvolvido pela Diaconia em parceria com a União Europeia e a agência de cooperação inglesa Tearfund, elas conseguiram implantar um sistema de irrigação por microaspersão, alternativa que possibilita uma maior economia de água, comparada a sistemas tradicionais.

Cada mulher organiza seu horário de trabalho de acordo com a sua disponibilidade. “Algumas só podem estar na área de manhã cedo. Outras, só depois de deixar as crianças na escola”, diz dona Ivanuzia, atual coordenadora do grupo. Mensalmente, elas se reúnem para tomar decisões e resolver questões administrativas. “Na reunião, a gente também decide quem vai ficar responsável pela irrigação da área produtiva. Cada dia da semana é uma mulher diferente”, conta. Por enquanto, as reuniões acontecem na sede da Associação Comunitária do Primeiro de Maio, mas elas já necessitam de um espaço próprio para se reunir e guardar as várias ferramentas de trabalho.

A formação do grupo de mulheres contribuiu bastante para a autoestima das agricultoras do Assentamento. A maioria delas não possuía renda, dependia dos maridos ou tinha como única fonte de rendimento os benefícios sociais do governo federal. Hoje, contribuem com as despesas de casa e se tornaram referência na comunidade, pela atuação que têm nos espaços de incidência política. Além da Associação Comunitária, também participam da Associação de Agricultores/as Agroecológicos do Oeste Verde – AAOEV.

Filha de agricultores, Dona Luzimar conta que trabalha no campo desde muito nova e sempre dependeu do marido. Só depois do grupo, passou a receber o próprio dinheiro. “Antes, eu achava que lugar de mulher era dentro de casa. Hoje, sinto que consegui conquistar o meu espaço. A cozinha ficou pequena para mim”, conta. Apesar da resistência que enfrentou na família e na comunidade quando nasceu a iniciativa de formar o grupo de mulheres, atualmente, o marido da agricultora é um dos maiores incentivadores de sua participação nas atividades do grupo, assim como nas viagens de capacitação e intercâmbio promovidas pela Diaconia nas áreas de economia solidária e cooperativismo.

A agricultora se orgulha da quantidade de cidades que já conheceu. “Eu perdi as contas de quantas vezes eu viajei. Antes, não saia de casa para lugar nenhum. Nos últimos anos, participei de vários intercâmbios e cursos de capacitação. Fomos para a Marcha das Margaridas e para a Marcha Mundial das Mulheres. Tive a oportunidade de conhecer vários estados e aprender bastante nesses encontros, mas também transmitir um pouco do conhecimento que adquiri durante toda minha vida dedicada à agricultura”, finaliza.

“Unidas para vencer”, as mulheres do Primeiro de Maio encontraram no trabalho coletivo a principal arma para conviverem com o Semiárido e resistirem ao machismo. O sorriso que se espalha pelos olhos das agricultoras ao ver que a terra seca se transformou em frutos é o mesmo que as mantém vivas. Depois de dez anos organizadas, estão conseguindo, aos poucos, se transformar em mulheres protagonistas de suas próprias vidas, que lutam pela garantia dos seus direitos e que trazem, marcadas na pele, a coragem e a vontade de ser mulher.
Fonte: Site da Diaconia

Mensagem do STTR de Apodi de Natal e Fim de Ano.

Clique na imagem para ampliar.

Modelo exterminador do Agronegócio põe em risco a soberania da Agricultura Familiar na Chapada do Apodi.

Aquíferos entram em colapso e compromete produção de frutas na Chapada do Apodi


O volume de água nos aquíferos Jandaíra (60 a 80 metros) e Açu (120 a 150 metros) está se exaurindo na região da chapada do Apodi, que engloba parte do Rio Grande do Norte e do Estado do Ceará, comprometendo principalmente a fruticultura irrigada. O colapson nos dois aquíferos foi notícia do Globo Rural deste domingo, 21.

Sem água, grandes plantações de bananeira, melão, maracujá, mandioca, cebola, manga, milho, entre outros produtos, estão se perdendo. Alguns já não existem mais. É o caso das plantações de Leonardo Moura, no município de Baraúna, que parou de produzir.

Leonardo Moura disse que muitos produtores estão rebaixando as bombas, ou seja, perfurando mais os poços para tentar encontrar água em profundidade maiores, mas mesmo assim não estão mais conseguindo água. Os poços dele eram de 60 metros e agora nem com 100 metros tem água.

sexta-feira

STTR de Apodi/RN marca presença no 2º Seminário Brasileiro de Saúde e Ambiente.

Movimentos Sociais marcam presença no 2º SIBSA, em Belo Horizonte.



Agnaldo Fernandes

Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi (RN)
O município passa por um momento difícil com a possibilidade da instalação de um mega projeto de irrigação que está ameaçando as organizações e cultivos agroecológicos locais. Agnaldo trabalha na afirmação de que a agroecologia e a agricultura familiar são um viés para o Brasil na geração e distribuição de renda. Por pessoas simples e humildes, mas que respeitam a natureza. Elas sabem muito bem produzir e respeitar o meio ambiente, diferentemente do agronegócio: a agroecologia é viável, apesar de muitos falarem o contrário tentando legitimar o agronegócio, tentamos mostrar a organização dos grupos que produzem agroecológicamente respeitando o manejo da caatinga: a apicultura que é um potencial muito forte, a produção de polpa de fruta, grupos artesanais, grupos de mulheres, etc. No município de Apodi tem mais de 70 associações comunitárias, então é mais para a gente estar visitando esse histórico da organização.
Conheça quais são os Movimentos Sociais que vão apresentar suas experiências durante o 2º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente, em Belo Horizonte, de 19 a 22 de outubro. Clique aqui e veja...


quarta-feira

Comunidade tradicional é atingida por impactos dos parques eólicos

Comunidade quilombola Malhada (BA) é uma das que resistem à implantação de parque eólico em seu território
Iasmin Santana e Allan Lustosa* - comunicadores populares da ASA
Caetité | BA
27/08/2014
O vento é a fonte de energia que mais cresce no Brasil. Entre 2006 e 2013, houve um crescimento de 829% desse setor. Hoje, já são 167 parques eólicos em todo o país, mas 36 deles estão desconectados da rede por falta de linhas de transmissão. Um parque eólico é um espaço, terrestre ou marítimo, onde estão concentrados vários aerogeradores destinados a transformar energia eólica em energia elétrica.
Do ponto de vista físico, não existe energia limpa. Ou seja, não existe uma fonte energética convertida em outra fonte que não emita gases, resíduos e que não impacte socialmente. Podemos classificar as fontes como 'sujas', no caso dos combustíveis fósseis, gás natural, carvão mineral e derivados de petróleo e minérios radioativos, e as fontes 'menos sujas', que são as energias renováveis solar, eólica, biomassa e hidráulica", diz o especialista Heitor Scalambrini (veja entrevista completa aqui).


 
 Parque de energia eólica | Foto: Allan Lusttosa
O Nordeste é uma das regiões de maior potencial eólico do Brasil, com destaque para a Bahia, que abriga o maior complexo eólico da América Latina, localizado no município de Caetité, no sertão do estado. Segundo informações do Atlas Eólico da Bahia de 2013, o estado apresenta a existência de recursos eólicos abundantes, com ventos regulares, distribuídos principalmente no Semiárido baiano.

Atualmente, existem oito usinas eólicas em operação nos municípios de Brotas de Macaúbas, Sento Sé e Sobradinho. Além disso, de acordo com o Atlas, a Bahia tem 87 projetos de energia eólica previstos para instalação que somam, aproximadamente, R$ 8,5 bilhões.

O crescimento dessa fonte de energia, no entanto, merece atenção, pois os parques eólicos têm causado grandes impactos sociais e ambientais. Em Caetité, um dos focos do problema é o modo como os parques vêm sendo implantados, aliado à falta de informação. Essa realidade é vivenciada por 67 famílias da comunidade quilombola de Malhada, pertencente ao Distrito de Maniaçu. Os moradores não se opõem ao trabalho das empresas, mas querem seu território livre para decidir o que fazer com ele. “Nós aqui não é contra a empresa, nós queremos a nossa terra. Se nós não tiver a nossa terra, pra onde é que nós vamos?”, desabafa dona Odetina de Jesus, uma das moradoras mais antigas da comunidade.

A comunidade foi reconhecida como quilombola em 2012, com o apoio do sindicato, pastorais da igreja católica e movimentos sociais.  A certificação possibilita que a comunidade seja defendida juridicamente pela Fundação Cultural Palmares e beneficiada com políticas públicas federais. A luta agora é pela demarcação e titulação das terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Seu Joaquim da Silva, presidente da Associação do Pequeno Agricultor da Comunidade de Quilombo de Malhada e de Maniaçu, relembra que foi procurado por representantes de empresas para que ele autorizasse a implantação da torre eólica, mas apesar de ser presidente da associação, ele afirmou que só poderia “fazer as coisas juntamente com a comunidade”.

Mesmo sem autorização dos moradores de Malhada, há mais ou menos dois anos, foi implantada uma torre de pesquisa em uma área da comunidade e também colocada uma cancela com uma placa que informa ser proibida a circulação de pessoas. Essa área tem um significado histórico, pois era onde os antepassados deles trabalharam. Na época, a comunidade reuniu os moradores e representantes de algumas organizações da sociedade civil para saber da empresa o motivo da implantação, mas o diálogo não avançou. A partir do momento que o território deixa de ser deles e passa a ser da Companhia, como será para as futuras gerações? Essa é uma preocupação de dona Teresinha da Silva que questiona: “Essa nova geração pra onde vai?”

Para Thomas Bauer, da Comissão Pastoral da Terra na Bahia (CPT-BA), os parques eólicos que ocupam imensas extensões territoriais causam grandes impactos socioambientais para as populações locais, na sua maioria comunidades tradicionais.

“Além da volta da grilagem de terra, os contratos de arrendamento assinados são sigilosos, abusivos e totalmente favoráveis às empresas que na sua grande maioria nem sequer explicam o teor destes contratos e os camponeses/as são pressionados a assinar entre a casa e a porteira da roça, comprometendo toda a geração futura”, afirma Thomas.


Joaquim, Odetina e Teresinha resistindo na comunidade quilombola | Foto: Allan Lusttosa
A expulsão de comunidades de suas terras é um dos impactos na energia eólica, mas há outros. Segundo a Pesquisa sobre Licenciamento Ambiental de Parques Eólicos do Ministério do Meio Ambiente, realizada em 2009, os principais impactos apontados pelos estados são os relacionados ao efeito do parque eólico na paisagem, alteração de uso do solo e relevo, aumento da mortandade de pássaros que se chocam nas hélices, interferências eletromagnéticas e impactos sonoros, que podem causar sérios danos à saúde humana.

“Sem falar que os Parques Eólicos, em grande parte financiados com investimentos públicos e entregues à mão privada, reforçam um modelo desenvolvimentista, aumentando a concentração gerando lucro para poucos", explica Thomas.

Fórum Social Temático
A energia eólica foi um dos temas debatidos no Fórum Social Temático sobre Energia (FTS – Energia), realizado de 7 a 10 de agosto, em Brasília-DF, com o tema: “Energia: para quê? Para quem? Como?. O evento foi realizado para atender à necessidade de reflexão sobre os problemas que vêm sendo criados pelas matrizes energéticas utilizadas (hidroelétricas, termoelétricas, energia nuclear, combustíveis fósseis), como também para debater maneiras alternativas de produção de energia, de forma a diversificar as matrizes geradoras de energia e garantir menos impactos ao meio ambiente e aos grupos sociais. 


Para Cláudio Dourado, agente da CPT BA – Centro Norte, a temática sobre energia eólica foi uma das mais interessantes do evento, porque tinha uma grande representação de movimentos sociais, moradores de comunidades de fundo de pasto, quilombolas e indígenas dos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco, que se reuniram durante todo o fórum e trocaram experiências no que diz respeito à questão do impacto dos aerogeradores nas suas regiões.

Ele destaca também que os encaminhamentos desse grupo de trabalho foram bastante concretos, como a formação de uma comissão, com representantes de cada estado, para pensar estratégias de enfrentamento desses impactos ocasionados pela implantação dos parques eólicos e a realização de encontros regionais para debater esse assunto.

O FST-Energia é uma iniciativa de organizações da sociedade civil brasileira vinculadas ao tema, organizadas em um Coletivo de Facilitação e autônomas em relação a governos, partidos e empresas.
Durante o FST-Energia foi lançada a Campanha Nacional por uma Nova Política Energética com o slogan ENERGIA para a Vida!. O objetivo da campanha é promover uma nova política para o setor elétrico no Brasil à altura dos desafios do século 21, baseada em princípios de eficiência econômica, justiça social, respeito à diversidade cultural, participação democrática e sustentabilidade ambiental.

Mais informações:  www.energiaparavida.org

*Colaborou Gleiceani Nogueira, da ASACom.

segunda-feira

Cisternas de enxurrada garantem produção agrícola com água de chuva em comunidades.

Região conhecida nacionalmente como terra do bode e referência em todo Semiárido brasileiro pelo trabalho de beneficiamento de frutas da Caatinga, especialmente o umbu, Uauá, no sertão da Bahia, é um dos municípios contemplados pelo Projeto Mais Água, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza da Bahia – Sedes, que nesta região é executado pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – Irpaa.
Ao longo do Projeto, cerca de 180 comunidades do município serão contempladas com um total de 173 implementações, em sua maioria em comunidades de Fundo de Pasto. D. Marlene, D. Adriana e S. João Bosco estão entre as/os beneficiários/as do projeto que já estão usando a água armazenada na cisterna de enxurrada com as últimas chuvas para cultivar alimentos.
Trabalho em família
Marlene Silva de Aquino Almeida, de 30 anos, vive com a filha e o esposo na comunidade de Volta do Rabelo, a 12 km da sede de Uauá. Beneficiária do Mais Água, ela mostra com satisfação os primeiros resultados do projeto, destacando que a chegada da cisterna animou algumas pessoas da sua família a se unirem para cultivar a horta e o pomar ao lado da tecnologia de captação e armazenamento de água da chuva. As chuvas que caíram no mês de dezembro encheu a cisterna e a água vem sendo usada para manter o cultivo de coentro, cebolinha, alface, pimentão, quiabo, mandioca, além de plantas medicinais e fruteiras como mamão, pinha, acerola, maracujá e goiaba.
O cunhado de Marlene, S. Rogério de Almeida, relata que “quando um não pode molhar, o outro molha, a gente tem união pra plantar né, cuidar e cada um ter seu canteiro”. Marlene completa dizendo que não basta apenas a vontade de plantar, mas “tem que saber também cuidar”, diz tomando como base o esforço coletivo que membros das famílias estão tendo para confirmar a eficácia da tecnologia implantada na propriedade. Para Marlene, só o fato de não comprar mais os produtos que agora tem ao lado de casa e todos sem agrotóxicos, já é uma grande contribuição do projeto. À espera da segunda filha, os planos da agricultora são de “futuramente poder vender, poder ajudar a comunidade também, não pensar só na gente”.
Segurança Alimentar e complemento à renda
Na Fazenda São Bento, a cisterna também já está contribuindo para algumas mudanças na família de D. Adriana Cardoso Varjão. Além do consumo de hortaliças como couve e coentro na alimentação cotidiana, tudo produzido de forma orgânica nos canteiros construídos também pelo projeto, a venda do excedente desses produtos na Feira da cidade já é uma realidade.
D. Adriana, que também é criadora de abelhas e preside a Associação de Apicultores da Fazenda São Bento, conta que a família sempre fez plantios de chuva, mas agora experimenta cultivos permanentes a serem irrigados com a água armazenada na cisterna de enxurrada. Junto com o esposo, S. José Carlos Santana, ela vem cuidando da produção e está sempre em busca de mudas, principalmente de fruteiras.
Na área de Fundo de Pasto onde o casal mora com os filhos, além da criação de caprinos e ovinos e da apicultura, a família agora passará também a ter para o sustento, podendo até vender, alimentos como abobrinha, pinha, manga, seriguela, acerola, umbuzeiro, além de ervas bastante usadas na medicina alternativa como capim santo e hortelã.
O adubo utilizado vem dos animais da propriedade e a cisterna possibilita cultivar também alimento para o rebanho, conta D. Adriana, que está apostando também no plantio de forragem como capim e sorgo.
Complementação de tecnologias
Na comunidade de Ouriciu, região de vasta Caatinga, as famílias estão apostando na preservação. A caprinovinocultura, no modo de criação em área coletiva (Fundo de Pasto), ainda é uma das principais fontes de renda. Para complementar esta prática e garantir o armazenamento da água da chuva, S. José Bosco Pedro Mariano conta que está ansioso para cultivar a partir da cisterna de enxurrada que recebeu do governo, através do Irpaa, no Projeto Mais Água.
Os 52 mil litros de água hoje guardados na cisterna serão utilizados para manter cultivos deraízes como mandioca, beterraba, cenoura, planeja S. João Bosco. Uma grande vantagem é que sua propriedade fica ao lado de outra cisterna de enxurrada, a do seu vizinho Antônio Ferreira Matos, também contemplado com o projeto, e ambos compartilham uma área de captação de uma barragem subterrânea, construída pela Articulação do Semiárido (Asa). A barragem, que fica situada entre as duas cisternas, está na terra de S. Antônio, mas o cultivo pode ser feito nas duas propriedades.
Assim, o uso da água da cisterna certamente será menor, permitindo uma economia na irrigação e aumentando a possibilidade de cultivos. Atualmente, nas áreas já estão sendo colhidos legumes como feijão de corda, maxixe, frutas a exemplo de melancia, além de hortaliças. Os agricultores estão vendo se desenvolver também sorgo, banana, limão, acerola, tomate, mamão e até abacaxi.
Saiba mais sobre o Projeto Mais Água
O Projeto Mais água executado pelo Irpaa vai instalar um total de 651 tecnologias de captação e armazenamento de água de chuva e realizar atividades voltadas para a Convivência com o Semiárido em cinco municípios dos Territórios do Sertão do São Francisco, Norte de Itapicuru e Itaparica, na Bahia. Trata-se de um total de 885 famílias dos municípios de Abaré, Curaçá, Uauá, Jaguarari e Andorinhas que além de receber as tecnologias, estão participando de cursos, visitas e intercâmbios.
Em Uauá estão sendo implementados: 77 cisternas de produção; 01 barragem subterrânea; 60 barreiros trincheiras familiares; 05 barreiros trincheiras comunitários; 10 limpezas de aguadas; 20 quintais produtivos.
Texto e Foto: Eixo Comunicação

quinta-feira

Famílias de Apodi conhecem novas estratégias de convivência com o semiárido em intercâmbio.

Stefanya Neves - comunicadora popular da ASA
Mossoró | RN

Agricultores\as observam experiências no intercâmbio | Foto: Arquivo Terra Viva
Terminou nesta quinta-feira, dia 24, o intercâmbio de dois dias realizado pelo Centro Terra Viva com as famílias beneficiárias do projeto Uma Terra e Duas Águas (P1+2) do município de Apodi, localizado na região do médio oeste potiguar.  As vistas aconteceram nos municípios de Campo Grande e Caraúbas, respectivamente, onde as famílias tiveram oportunidade de observar tecnologias que ajudam na convivência com o semiárido e viabilizam condições de produção para os agricultores e agricultoras do semiárido brasileiro.
O primeiro dia do intercâmbio aconteceu no sítio Bom Jesus, em Campo Grande, e as famílias agricultoras conheceram duas experiências bem sucedidas. A primeira foi no quintal de seu Francisco Damião, conhecido como “Ibo”, onde os agricultores entenderam como funciona o processo de dessalinização da água salobra, extraída dos poços, e observaram seu manejo nas plantações regadas com essa água.  Um criadouro coletivo de peixe também faz parte do experimento que tem parceira com a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) e há quatro anos foi instalado no local, se aproveitando do alto índice salino e dos rejeitos da água tratada.
Atualmente seu Ibo é quem toma conta do criadouro e de acordo com ele cerca de 500 peixes alevino estão ocupando os tanques. Conforme o técnico de campo do Núcleo Sertão Verde, entidade parceira da Terra Viva, Deroci Araújo, no último experimento foram retirados dos tanques 178 quilos de peixe com uma média de venda a seis reais cada quilo, garantindo a sobrevivência da família de Ibo. 
Ainda no quintal de seu Ibo, os agricultores de Apodi contemplaram uma plantação de palma forrageira que ele cultiva com água salobra, como prevenção para a alimentação dos animais caso falte no futuro. 
Ainda no sítio Bom Jesus as famílias da chapada do Apodi visitaram a propriedade de dona Josena Luzia e Luiz Filho, que possuem uma plantação de goiaba e de acerola voltadas para a produção de poupa de frutas. De acordo com Josena, em 2012, os dezoito pés de fruteiras eram regados com apenas um balde de água durante a seca porque na época ela não possuía sua cisterna calçadão. A agricultora garante que hoje a situação é bem melhor depois da tecnologia implantada no seu quintal. 
Quintais produtivos
Ainda em Campo Grande, as famílias do intercâmbio conheceram a experiência de seu Antônio, agricultor experimentador conhecido como o “Jovem”, morador da comunidade rural do Campo de Aviação. Fruto do Projeto Juventude Rural do Dom Helder Câmara, Jovem produz batata, macaxeira, tomate, alface, mamão, milho, coentro, pimenta, coco, pinha, manga e outras frutas e verduras em seu sítio. Conforme o agricultor ele vende seus produtos na feira da cidade e nos sítios vizinhos também.  Nessa experiência os agricultores perceberam a importância da agricultura familiar que traz diversidade de produção, evitando pragas e preservando os nutrientes da terra. Já no sítio Veneza os agricultores também observaram uma plantação de maracujá bem sucedida.
Pouca chuva e o apoio das tecnologias
O segundo de visitação foi no município de Caraúbas e os agricultores observaram mais três experiências no assentamento Santa Agostinha: uma barragem subterrânea, um entreposto de mel e o processo de bioágua. Coordenador do manejo da caatinga no assentamento, o agricultor Carlos Alberto mostrou para as famílias beneficiarias do P1+2 a eficiência da barragem subterrânea em uma plantação de capim. Segundo Carlinhos, como o agricultor é conhecido na região, as chuvas do inverno este ano só alcançaram a marca de trezentos milímetros. 
A falta de chuvas também prejudicou a produção de mel. Segundo Carlinhos apenas 400 kg foram vendidos, o que o agricultor considera como um número baixo devido a produções anteriores.
Avaliação
Os agricultores e agricultoras de Apodi ficaram impressionados com o sucesso das experiências das famílias visitadas. De acordo com a agricultora Lúcia, ver a realidade de outros agricultores é inspirador. “A gente vai vendo essas experiências e volta pra casa com vontade de ter todas essas tecnologias para produzir”, comentou.
O intercâmbio é uma espécie de capacitação da ASA que possibilita o agricultor de ver na prática experiências de sucesso, despertando a curiosidade e o interesse para fazer também seus próprios experimentos nos quintais.  Este foi o terceiro intercâmbio executado pelo centro Terra Viva dentro do atual termo, que visa construir 303 tecnologias entre cisternas calçadão e enxurrada e barreiros trincheira nos município de Apodi, Severiano Melo e Rafael Fernandes.

Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi, obras paradas e salários atrasados.


As informações dão conta que as Obras do Perímetro Irrigado da Chapada do Apodi estão paralisadas devido a falta de pagamento da rapaziada que ali trabalha...

Desde a semana passada que o Sindicato que representa a categoria fez intervenção e a turma cruzou os braços diante do não pagamento do trabalho prestado.

Como assim? Os defensores da redenção do Apodi não falaram que o Perímetro Irrigado vai desenvolver Apodi? Vai desenvolver enganando pais de famílias, o povo trabalhador?

Por que até o momento nem um defensor do tal Projeto prestou esclarecimentos aos "peões" do Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi/RN?

E os Vereadores/as defensores do "povão", onde estão?

Por Agnaldo Fernandes

Acampamento Edivan Pinto celebra um ano de existência.

Há exatamente um ano atrás centenas de agricultores e agricultoras sem terra ocuparam um latifúndio localizado na Chapada do Apodi, o fato demonstrou que há muito que ser feito no sentido de se garantir ou que se realize uma reforma agrária popular. Muito embora muitos digam que não há trabalhadores sem terra no município de Apodi, o fato demonstra que pensar assim corrobora em um grande equívoco pensar assim.
No dia 24 de Julho de 2013 surgia o Acampamento Edivan Pinto, que representa mais um manifesto na luta contra a hegemonia do agronegócio na Chapada do Apodi. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para parabenizar a todos e todas que resistem e lutam até os dias de hoje.
A luta pela reforma agrária não tem sido fácil e nunca foi fácil nesse Brasil de contradições, ainda mais quando se tem um modelo desenvolvimentista baseado na ideologia do agronegócio.
Finalizamos parafraseando João Pedro Stédile.  “Há 20 anos atrás o trabalhador dizia que queria terra para ele trabalhar. Hoje, o trabalhador quer terra para produzir alimentos saudáveis, sem agrotóxico. Isso é a Reforma Agrária Popular que estamos falando”.

Por: Agnaldo Fernandes

Algumas fotos do Acampamento Edivan Pinto.