sexta-feira

Artigo: Produtos orgânicos da agricultura familiar: Hora da merenda.

O Brasil distribui mais de 40 milhões merendas diárias (uma Espanha por dia!) e são as prefeituras que decidem onde e de quem comprar.
Antes de prosseguir , devo registrar que embora o politicamente correto seja a expressão “alimentação escolar”, peço licença para continuar chamando “merenda” nesta linhas, pois “hora de merenda” me remete a confratenização, prazeres simples e sabores honestos.
Poucos brasileiros conhecem a Lei Nº 11.947(16 /06/ 2009) e sua regulamentação (em 22/07/2009) que dispõe sobre mudanças no atendimento da alimentação escolar.
Segundo esta Lei, 30% no mínimo de todo recurso para merenda escolar deve ser comprado de produtos da Agricultura Familiar. O mínimo é 30%, mas pode ser comprado da agricultura familiar até 100% do recurso repassado para alimentação escolar pelo FNDE ( Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação)
O que pouquíssimos brasileiros sabem é que ”os produtos da agricultura familiar e dos empreendedores familiares rurais a serem fornecidos para Alimentação Escolar serão gêneros alimentícios, priorizando, sempre que possível, os alimentos orgânicos e/ou agroecológicos .( de acordo com a Resolução no 38/2/2009)
O papel das merendeiras neste cenário é estratégico, sendo reconhecido e valorizado pelo Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar. Criado pela Ação Fome Zero, este prêmio em 2011 contemplou 22 municípios que tiveram iniciativas bem-sucedidas. Neste ano, o Ministério do Desenvolvimento Social propôs a instituição de mais duas categorias: a de compra de merenda usando produtos orgânicos da agricultura familiar e a de compra de merenda com produtos da sociobiodiversidade, que contemplam a produção e os serviços dos agricultores familiares, extrativistas, povos e comunidades tradicionais, entre outros.
O tema é apaixonante é os desafios ainda são muitos: desde assistência técnica permanente até quebrar preconceitos sobre a capacidade de abastecimento e a qualidade dos produtos da agricultura familiar.
Há um ditado que diz “a palavra convence, o exemplo arrasta”. Quanto mais municípios reconhecerem os benefícios de se promover uma merenda de qualidade em parceria com produtores locais, mais alunos se beneficiarão e mais renda será gerada para a região.
É a hora da merenda no Brasil.
Artigo de Maria Beatriz Martins Costa, diretora do Planeta Orgânico
Fonte: Site EcoDebate

Coronéis do agreste de Alagoas aprisionam três Sem Terra .


Por Rafael Soriano
Da Página do MST

Na tarde do último domingo (01), os agricultores José Bigail (Dandara), Antônio Francisco e Wemerson Balbino, que vivem no acampamento Rosa Luxemburgo em Girau do Ponciano (AL), foram abordados e levados pela polícia, sob acusação de um fazendeiro que os associou a uma suposta queimada criminosa. Os trabalhadores voltavam a pé de uma confraternização no povoado Bacural quando foram acusados pelo vereador de Jaramataia Rubens Barbosa Rodrigues (PSDB), o "Rubinho", de atearem fogo em um terreno na região.

Uma faixa de terra de cerca de 30 metros rente à AL-220, pertencente a um assentamento criado pelo Banco da Terra, foi consumida pelo fogo no último domingo. O fazendeiro e representante do poder público Rubens Barbosa Rodrigues alega ter sido vítima de um incêndio criminoso em suas terras na última sexta-feira (30/12), distante cerca de cem metros do foco encontrado no domingo. Ironicamente, houve prisão “em flagrante” dos camponeses com base em duas testemunhas trazidas pelo acusador.

Os agricultores detidos relatam que o fazendeiro já vinha em busca de três homens naquele dia, um deles vestido com uma camisa amarela. Na delegacia, acusador e testemunhas mudaram de versão e identificaram os três Sem Terra como incendiários, mesmo sem nenhum deles usar camisa desta cor. O morador do lote atingido pelo incêndio do último domingo, José Honório, por sua vez, não manifestou qualquer queixa e não pretende se envolver no caso criado pelo vereador de Jaramataia. Dandara afirma: “somos inocentes!”.

Na volta de uma confraternização no primeiro dia do ano, os Sem Terra foram surpreendidos por uma abordagem truculenta da polícia. “Estávamos no lugar errado, na hora errada”, afirmou Wemerson. Segundo os detidos, os policiais, junto com o fazendeiro, chegaram aos gritos dizendo “deita no chão 'camboi' de vagabundo”, ao mesmo tempo em que os questionavam o porquê de terem feito aquilo – até de ladrão chamaram. Em condições humilhantes, os camponeses ficaram deitados por mais de 20 minutos, negando a participação em qualquer ocorrido.

A delegacia de Girau do Ponciano recebeu o caso e prontamente encaminhou a detenção dos três acusados. Quatro dias depois da detenção indevida dos agricultores, entretanto, a mesma delegacia ágil em dar procedimento à prisão ainda não encaminhou à justiça o caso, impedindo momentaneamente os Sem Terra até da possibilidade de um habeas corpus. “Há registro na polícia, mas para a justiça essa prisão ainda nem existe”, afirmou o advogado envolvido, que estuda um pedido de relaxamento de prisão em caráter emergencial.

Todos os abusos e desrespeitos aos direitos humanos relatados até aqui materializam uma visão secular da elite fundiária de Alagoas, que lega aos pobres o trato quase animalesco, ranço de uma tradição escravista que durou 4 dos 5 séculos da nossa História, separando com grande contraste senhores e cativos. Preconceito atualizado em nosso tempo quando direcionado ao povo Sem Terra, obrigado a lutar pela terra usurpada de suas gerações por séculos.

A tradição coronelista de cem anos atrás inspira os novos coronéis que se valem de abusos econômicos (diretamente ligados à posse da terra) e promiscuamente se escondem por trás da couraça dos mandatos eletivos, desta vez o de vereador. Perpetuam a truculência do crime de mando, da pistolagem, da coerção física, da compra dos poderes – relatos que assustam os menos avisados. Ao invés de propor alternativas concretas para o desenvolvimento agrário do seu município (Jaramataia), onde também há acampamentos, cumpre função inversa.
Fonte: Site do MST

quinta-feira

Um ano realmente novo ou seguiremos na mesma batida da irracionalidade?

Começo de ano é propício para a realização de reflexões, avaliações e promessas de todos os gêneros. As chamadas resoluções de ano novo servem para o estabelecimento de compromissos diversos que vão de mudanças de atitudes em relação aos outros e a si mesmo. Se depender da nossa vontade, seremos mais tolerantes, generosos, cultos, saudáveis e responsáveis, neste ano que se inicia, do que fomos em todos os anos anteriores de nossas vidas.
Certamente muitos dos nossos sinceros desejos não serão capazes de resistir ao primeiro mês, tragados pela dinâmica de nosso cotidiano. De qualquer modo, a passagem de ano possui esse efeito positivo. Não custa nada parar um momento para, quem sabe, redirecionar diversos aspectos de nossa vida.
Bom seria que fizéssemos também uma boa análise, mais abrangente mesmo, em dimensões globais sobre a irracional e destrutiva maneira pela qual estamos consumindo o planeta.  E, isso não é maneira de dizer, literalmente estamos sugando os recursos planetários e o pior, não necessariamente para dar melhores condições de vida para todos os seres humanos. Até podemos afirmar: muito pelo contrário! O que temos feito é consumir mais rápido e descartar  também em ritmo cada vez mais veloz.
Um bom exemplo são os celulares. Em 2007 os brasileiros trocavam seus aparelhos, em média, a cada dois anos. Atualmente essa troca já está sendo feita em 1 ano e 4 meses. Esse é apenas um caso entre muitos de produtos antes chamados de duráveis que tem se transformado ao longo dos anos em verdadeiras commodities.

Artigo: P1MC E O USO SOCIAL DA ÁGUA: ENTRE CONQUISTAS E CONFLITOS.

P1MC E O USO SOCIAL DA ÁGUA: ENTRE CONQUISTAS E CONFLITOS
Luzineide Dourado Carvalho
Drª em Geografia -UNEB/DCH III/NEPEC-SAB
 
Água e território no semiárido brasileiro é uma relação de territorialidade e de contradições. A maneira interativa e de convivência com os regimes de signos, códigos e alternâncias da natureza marca a relação do sertanejo com as condições de viver e sobreviver em um vasto território configurado pela irregularidade de chuvas. O sertanejo aprende desde cedo a lidar com esse ciclo natural, e nele viver “entre o excesso e a escassez da água a produção de processos subjetivos” (DE MARCO, 2003, p. 10)1. Ou seja, viver a escassez ou o excesso é a condição da existência no sertão semiárido e nessa temporalidade organizar a vida neste ambiente. Entretanto, a presença da seca gerou a conotação de natureza hostil. Comunicadas e representadas de forma estereotipada, negativa e pejorativa de dizer e de apresentar o território, a natureza e as gentes do sertão semiárido.
Compreendida como ‘catástrofe’, a seca tem gerado retóricas de fatalidade climática, cujas intervenções do Estado reordenaram o território Semiárido ao longo do século XX por ações de correção hídrica denominada de ‘política de combate à seca’. A transição para o século XXI surgem novos atores sociais para a produção e organização desse território, com  agenciamentos e arranjos produtivos da nova fase de intervenção estatal em consonância com a economia globalizada.
O Semiárido Brasileiro do século XXI ainda é demarcado pela forte exclusão social, mas, por outro lado, por um crescente posicionamento crítico e propositivo da sociedade civil. A experiência das lutas contra a pobreza e as injustiças sociais promove desde final dos anos de 1980 uma pressão para a democratização e o controle social dos programas de desenvolvimento por meio de importantes redes, tais como a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA).
A Reforma Hídrica promovida pela ASA  parte-se do pressuposto ético que a água é  uma necessidade básica de todos os seres vivos: “É um direito fundamental da pessoa humana” (ASABRASIL, 2005)2. A ASA considera que somente através de um programa de aproveitamento racional das águas disponíveis possa oferecer segurança hídrica à população do Semiárido. Ao longo da história política do Brasil/Nordeste, a água foi usada como símbolo da manipulação eleitoreira. Sua oferta diretamente associado a um modelo de desenvolvimento excludente e desvinculado de desenvolvimento rural integrado e sustentável e das reais necessidades da grande parcela de sua população, caracterizada por agricultores familiares. A opção pelas águas das chuvas, pela ASA, como fonte disponível e acessível, parte de uma contextualização das características das bacias hidrográficas do Semiárido, e da consideração de que os grupos humanos se assentam, em grande parcela, no meio rural e vivem da agropecuária tradicional.
Democratizar o acesso e uso da água direciona-se ideologicamente à desconstrução da apropriação sócio-política desse recurso, bem como superar um quadro de iniquidade social ainda vigente: A parcela da população mais afetada é a faixa de 0 a 17 anos;  42,12%  da população não tem rede geral e esse percentual aumenta no meio rural para 75% da população, sem acesso direto à água, pois não  tem poço ou nascente na propriedade (GOMES FILHO, 2003)3.
O P1MC  é desenvolvido no contexto das ações de  mobilização comunitária, reeditando o  mutirão, uma prática tradicional de cooperação entre os agricultores familiares; forte investimento  na  capacitação técnica, ofertando cursos de manejo com a água da cisterna e fortalecer o controle da sociedade civil nas ações sustentáveis para o conjunto de municípios e centenas de comunidades rurais dos Estados do Semiárido. Com sua metodologia participativa, já são mais de 624 reuniões microrregionais envolvendo 19.553 participantes; 273.104 famílias capacitadas; 6.397 comissões municipais também capacitadas, além de multiplicadores em GRH, gerentes administrativos, construtores de bombas manuais etc(ASABRASIL, 2010)4. A gestão do P1MC vai desde a escala local, com as organizações de base, até a escala nacional, com a atuação da Coordenação Executiva da ASA.
Carvalho (2010)5 identificou algumas mudanças  na cotidianeidade das famílias rurais com a presença da cisterna na suas vidas, de ordem material e subjetiva, em especial, em relação à vida da mulher sertaneja: Elas têm sido impactadas positivamente, pois as cisternas as libertam de uma tarefa árdua para suas vidas, e com tempo mais livre, dedicam-se à aprendizagem de outras tarefas, a se inserirem em atividades sócio-produtivas comunitárias, bem como, se qualificarem, participarem de intercâmbios de trocas de conhecimentos, tornarem-se lideres comunitárias etc. Na vida dos homens, esses adquirem novas profissões no rural, como tornar-se um pedreiro executor ou capacitador do P1MC. No geral, as cisternas mudam a vida de toda família, que passa a desenvolver atividades de ampliação de renda em projetos sócio-produtivos agregando o valor social aos produtos territorializados beneficiados por essas famílias (doces, geléias, polpas de frutas nativas da Caatinga, biscoitos etc).
A ‘cultura da convivência’ que se forma em torno da relação interativa natureza e cultura, cujos processos educativos contextualizados  abrem-se as possibilidades para emergir outra/nova linguagem de mundo, e no qual, os sujeitos podem perceber e reconhecer sua existência, reorientarem suas atitudes para o uso ecocentrado dos recursos naturais, com respeito e sem levá-los à exaustão; uma articulação do saber popular com o saber sistematizado/técnico/acadêmico, criando novas oportunidades para que os sujeitos aprendam/reaprendam habilidades pelo uso e manejo das tecnologias sociais voltadas para a criação, produção e organização comunitária a partir das demandas e potencialidades existentes. E funda a lógica ‘do guardar’ a água. Como retrata um trecho da música “Água de Chuva” (MALVEZZI, 2008)6: “Colher a água, reter a água, guardar a água quando a chuva cai do céu. Guardar em casa, também no chão e ter a água se vier à precisão”.
A cisterna é hoje, responsável pela elaboração de novos comportamentos, novas cotidianeidades e novas territorialidades no sertão semiárido. A água da chuva, agora, disposta ao lado das casas é uma água valorizada pelo sertanejo, pois este diz: “Uma água abençoada e guardada para beber”.
Certo que o P1MC ainda não equacionou as demandas de água potável para as populações rurais do Semiárido, mas se coloca como um Programa que atua diretamente na situação de necessidade e vulnerabilidade dessas populações. No entanto, ele se desenvolve dentro de um campo conflituoso, pois há diferentes modelos de desenvolvimento em disputa no Semiárido. A água, a terra e a biodiversidade da  Caatinga disponíveis, mais do que nunca, são territórios visados para a apropriação capitalista. Tais embates colocam os sertanejos em posição de luta em defesa desses territórios, considerados pelos mesmos como suportes para sua produção material e simbólico-cultural no mundo.
Enquanto Programa, o P1MC é dependente do interesse das gestões públicas manterem ou não seu apoio. Tal aspecto repercute na atual gestão federal, ao cancelar seu apoio à ASA para sua continuidade, repassando para a responsabilidade das gestões públicas estaduais a construção das cisternas. Isso coloca em dúvida todo o processo de articulação e de mobilização em rede proposta pela ASA.
Muito mais do que se pensa ser o P1MC uma ação pontual e emergencial, ele é uma ação transformadora e desencadeante de novas demandas e movimentos para que o acesso e o uso democrático da água passem a ser postos em prática como políticas públicas contextuais, no Semiárido e outros territórios, marcados pela exclusão e desconsideração sóciopolitica.



1 DE MARCO, Giovanna. Água e processos subjetivos. 2003. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica). Pontifica Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2003
2 ASABRASIL. Conhecendo o Semiárido: aspectos da proposta política de convivência com o semiárido. Recife (PE): ASABRASIL, 2005.
3 GOMES FILHO, José Farias. Crianças e Adolescentes no Semiárido Brasileiro. Recife/PE: UNICEF, 2003
4 ASABRASIL. ARTICULAÇÃO NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO. Construindo futuro e cidadania no semiárido. Publicação comemorativa 10 anos ASA. Recife (PE): ASABRASIL, 2010
5 CARVALHO, Luzineide Dourado. Ressignificação e Reapropriação Social da Natureza: Práticas e Programas de ‘Convivência com o Semiárido’ no Território de Juazeiro (Bahia). 2010. Tese (Doutorado em Geografia). Universidade Federal de Sergipe. Núcleo de Pós-Graduação em Geografia/NPGEO. São Cristóvão, Sergipe, 2010.
6 MALVEZZI, Roberto. Água de Chuva. Intérprete: Nilton Freitas, Roberto Malvezzi, Targino Gondim.In: Belo Sertão: a convivência com o semi-árido através da música:Compact disc digital áudio, 2008. CD. Faixa 03

quarta-feira

Trabalho Escravo no Brasil continua aumentando e atinge recorde de infratores


Por Evelyn Pedrozo



A "lista suja" de pessoas físicas e jurídicas flagradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em ato de exploração de mão de obra análoga à escrava foi acrescida de 52 nomes em 2011, totalizando o número recorde de 294 infratores. Foram retirados apenas dois empregadores, que cumpriram os requisitos para a exclusão. O baixo número deve-se, grande parte, à não quitação das multas aplicadas. Segundo o ministério, nunca houve tanta irregularidade ao mesmo tempo. 

O cadastro é utilizado pelas indústrias, varejo e exportadores para a aplicação de restrições e para não permitir a comercialização dos produtos oriundos do uso ilegal de trabalhadores. O Pará lidera a lista, com nove inclusões, devidas ao trabalho de desmatamento da mata amazônica. A Construtora BS, contratada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), foi flagrada utilizando 38 escravos na construção da Usina Hidrelétrica de Jirau. Entre os novos, estão usineiros, madeireiras, empreiteiras, médicos, políticos, famílias poderosas e casos de exploração de trabalho infantil e de trabalho escravo urbano.

Cartas para Dilma: Nas mensagens, agricultores e agricultoras aconselham a presidente.

Por:Verônica Pragana - Asacom
Recife - PE
Centenas de sertanejos e sertanejas escreveram para a presidente | Foto: Verônica Pragana/Asacom
Centenas de cartas escritas por mãos calejadas do trabalho na roça. Palavras de gratidão, fé e indignação revelam sentimentos contraditórios que se alastraram no Semiárido brasileiro neste mês de dezembro. Alegria, pela conquista de uma cisterna perto de casa, de uma alimentação saudável e de aumento da renda familiar; e frustração pela possibilidade de ver o que está dando certo para a região ser descartado.

As cartas escritas ou ditadas por homens e mulheres do Semiárido que, na maioria das vezes, não têm muita intimidade com as letras, são todas endereçadas à autoridade máxima da nação: a presidente Dilma Roussef.

Vindas de comunidades rurais de todos os cantos do Semiárido brasileiro – todos os estados nordestinos e também Minas Gerais – as correspondências foram recolhidas pela Articulação no Semi-Árido (ASA) no ato público que reuniu cerca de 15 mil pessoas em Petrolina/PE, no último dia 20. Amanhã de manhã (29), todas as cartas serão entregues ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para que cheguem às mãos da presidente Dilma.

Após a mobilização, o governo federal decidiu voltar atrás e renovar a parceria com a ASA que estava suspensa. Um aditivo foi acordado, garantindo a execução dos programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2) até o final de março de 2012 e uma nova reunião foi marcada para o dia 3 de janeiro, com o intuito de elaborar um novo termo de parceria.

Tratando a presidente como velha conhecida e dedicando-lhe respeito, muitas das mensagens são conselhos de quem não permite mais que as decisões importantes para sua vida sejam tomadas por quem não é conhecedor de sua realidade.
E também atestam que um outro Semiárido está sendo construído.

Os conselhos à presidente são uma tentativa de evitar a volta a um passado ainda recente, profundamente marcado pela sequidão e por promessas eleitoreiras.
Foram escritas por pessoas que passaram anos a fio dando seu nome todas as vezes em que apareceram propostas de doação de cisternas na comunidade, principalmente em época de eleições. Estas pessoas testemunharam este ciclo se quebrar a partir da força da sociedade civil organizada, através da atuação da ASA.

Os relatos das cartas contam sobre suas próprias vidas. E tem a força da verdade. Arrebatam os corações sensíveis. São histórias de sobreviventes de uma época em que a água que se bebia fazia crianças com menos de um ano morrerem de doenças intestinais.

As vozes das cartas falam também da precisão das cisternas de placa de cimento. Asseguram que a sua construção movimenta a economia local. Algumas são escritas por pedreiros que levam a vida a construir as cisternas de placa. As mensagens são unânimes em contestar as cisternas de plástico PVC, por terem consciência de que o plástico por sua própria natureza não apresenta a durabilidade das cisternas de alvenaria. Fonte: Site da ASA Brasil
  

terça-feira

As origens de um movimento camponês que fez história

Por: Joana Tavares
de Belo Horizonte (MG) 
Antes do golpe civil-militar de 1964, os camponeses e trabalhadores rurais se organizavam por todo o Brasil, lutando de muitas formas pela realização da reforma agrária. As Ligas Camponesas se espalharam por diferentes estados, com a criação de associações civis quando os sindicatos rurais ainda eram proibidos no país.   
Primeiro Congresso Nacional de Lavradores e Trabalhadores
Agrícolas, realizado em Belo Horizonte em novembro
de 1961 - Foto: portaldoprofessor.mec.gov.br
A atuação de Francisco Julião se tornou uma referência, e outros advogados como ele se somaram na defesa dos direitos dos trabalhadores do campo. Em Minas Gerais, também houve a articulação das Ligas, que contaram com a atuação de pessoas como Antônio Ribeiro Romanelli, que foi seu presidente e chegou a ser nomeado pelo presidente brasileiro João Goulart para articular uma rede nacional de defesa jurídica no campo. Em novembro de 1961, foi realizado em Belo Horizonte o I Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, onde se firmou a palavra de ordem “Reforma agrária na lei ou na marra”. Esse processo foi interrompido em abril de 1964, e muitos camponeses e militantes foram mortos e exilados. Romanelli ficou quatro meses preso e, com o AI-2, condenado a nove anos de prisão. Exilou-se no Chile e de lá trabalhou no processo de reforma agrária.    
Nesta entrevista ao Brasil de Fato, ele conta a história das Ligas em Minas Gerais, explica como o golpe interrompeu o processo e analisa a necessidade de se concretizar a reforma agrária no país. 

BALANÇO DA REFORMA AGRÁRIA 2011.

O ano de 2011 deixa enormes desafios para 2012, pois as baixas perspectivas só irão melhorar com muita luta do povo do campo e das suas entidades de classe. Em 2012 completará 50 anos da morte do líder das ligas camponesas, João Pedro Teixeira. Ele foi “um cabra marcado pra morrer" por sua luta em defesa da Reforma Agrária. Hoje, a depender do Estado brasileiro, e de todos os que o governam ou que dele se beneficiam, a Reforma Agrária também está "marcada pra morrer".

segunda-feira

Inverno dentro da normalidade, é o que prevê a EMPARN

De acordo com a previsão climática, o Estado do Rio Grande do Norte neste primeiro trimestre, referente a janeiro, fevereiro e março, apresentará uma condição dentro da normal a acima da média histórica. Com relação à temperatura do ar, a previsão é de normalidade sobre todo Estado.
É importante salientar que o Estado do Rio Grande do Norte tem como característica a alta variabilidade espacial e temporal dos índices pluviométricos. Isto significa que algumas localidades poderão receber uma quantidade de chuvas maior do que outras, não sendo descartada a possibilidade de ocorrência de chuvas de intensidade moderada a forte em algumas áreas devido alguns sistemas transientes, como os Vórtices Ciclônicos de Ar Superiores que atuam com maior frequência neste período. Sendo assim, de fundamental importância,  o monitoramento contínuo das condições atmosféricas sobre a Região e das condições oceânicas e atmosféricas globais. Os dados foram divulgados no início de dezembro de 2011.
Fonte: Blog do Rosivan Amaral

domingo

2012 de Muitas realizações a todos nós

NOVO TEMPO...
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça.

Ivan Lins


sexta-feira

Projeto MOVA - Brasil: Mensagem de Ano Novo

Participe: Blog tudo de Apodi realiza sorteio R$ 50,00 entre os fâs de sua página amanhã.

Amanhã (31/12/2011) às 18 horas tenção acontece o Sorteio do Reveyllon 2012. Os fâs do página do Tudo de Apodi no facebook concorrem a R$ 50,00. Para participar basta somente curtir a página Tudo de Apodi no Facebook e se inscrever no sorteio. Veja o link do sorteio e participe. 

http://www.facebook.com/pages/Tudo-de-Apodi/179508325407365?sk=app_1542461212966 

Enviado por: Caubi Torrês

quinta-feira

Artigo de Américo Canhoto: Eu Sabotador de Mim?

Somos seres sociais. Vivemos num mundo de influências recíprocas. Nunca estamos sós. Em momento algum. Mil olhos nos vigiam. Mil ouvidos capturam nossa fala. Estamos conectados, irremediavelmente; mesmo que não percebamos ou que não acreditemos.
Ao pensarmos em alguém nosso pensamento já o está influenciando. E quando pensamos em nós mesmos? Influenciamos quem?
Vivemos mais preocupados com o mal que os outros possam nos fazer do que com o bem que nos fazem.
Fomos treinados pela cultura a lutar contra o que está fora de nós e tentamos mudar o mundo e as pessoas para nosso conforto; ignorando que o grande adversário mora dentro de nós.
Nosso grande inimigo é o medo que gera todo tipo de conflitos.

Medo dos outros:
Mesmo dizendo o contrário, cada um do seu jeito, temos medo de sermos criticados e de como somos vistos. E, pelo injustificável receio das opiniões alheias deixamos de ser felizes para estarmos sob tormentos voluntários como moda, padrões e sistemas de crenças onde o sofrer traz benefícios e vantagens para a vítima.

Para camuflar as dúvidas nos tornamos críticos mordazes dos outros num processo de transferência de valores íntimos.
O mais grave é que fazemos isso com nós mesmos.
Somos nossos mais temíveis inimigos e algozes.

Para evitar a sabotagem aos nossos sonhos e desejos é preciso desenvolver auto – consciência de que somos merecedores do melhor que a vida oferece.
Adquirir consciência é despertar para resolver as próprias dúvidas compreendendo as responsabilidades íntimas e coletivas.

Ao adquirirmos consciência de nós mesmos descobrimos que somos complicados. Que temos problemas a resolver que não acabam mais.

É preciso, identificá-los um a um, e isolá-los, para que possamos determinar qual a melhor maneira de cuidarmos deles.
O que rotulamos de problemas, são como feridas.

Feridos em alguma parte do corpo, podemos ter com relação ao ferimento dois tipos de atitudes: deixar que o tempo se encarregue da cura ou proceder a um curativo imediato para a reparação dos tecidos lesados.
A necessidade de cada um cuidar dos próprios problemas é indiscutível, e não pode ser adiada, deve fazer parte das propostas diárias de todo aquele que já despertou para a consciência de si, não se permitindo cultivar conflitos mal resolvidos ou feridas da alma.
O auto – descobrimento deve ter como finalidade o bem-estar.
Mas, para começar há pré-requisitos:
Insatisfação pelo que se é, se possui ou como nos encontramos; desejo sincero de mudança. Persistência; disposição para aceitar-se e vencer; capacidade para desenvolver mais maturidade emocional.

Devemos estar insatisfeitos sempre: A insatisfação é a mola mestra da evolução do ser humano. Só progredimos quando estamos insatisfeitos.
Há dois tipos ou duas polaridades de insatisfação: a positiva e a negativa.


Na primeira tudo que já foi conquistado é valorizado; na segunda não se valoriza o que se tem, até que se perca; e vive-se descontente.
Para buscarmos continuamente o bem-estar é preciso positivar a insatisfação.

A polaridade oposta da insatisfação é : Acomodação.
A falta de maturidade condizente com nosso momento, nos faz buscar a segurança estática, afetiva, emocional, profissional, financeira.
Daí; sempre que conseguimos uma certa tranqüilidade tendemos a parar por aí, evitando riscos – e ao evitar riscos nos sabotamos.

Caímos no mesmismo, fazendo as coisas de forma rotineira e previsível.
Passamos a violar nossos próprios códigos de conduta, aceitamos situações exteriores desgastantes; e logo, estamos insatisfeitos, negativamente.

O caminho para atingir o equilíbrio entre a insatisfação e a acomodação é: Questionamento.
Devemos questionar sempre nossas posições. Mesmo quando tudo pareça bem; principalmente quando tivermos certeza absoluta.
Levar o pensamento sobre auto- avaliações positivas para o campo da dúvida é saudável e positivo.
Quando nos questionamos sobre nossas supostas qualidades: “Será que…?” criamos incerteza saudável e abrimos as portas para mudanças.
Para que abramos as portas a novos desafios é preciso: Aceitação de nós mesmos.
Nada a ver com acomodação. Aceitar as coisas como são no momento facilita a vida, pois cria uma predisposição para buscar soluções de forma mais racional.
Aceitar não quer dizer ficar estático.
É dar o primeiro passo para reagir e procurar soluções e saídas para o que nos perturba.
A atitude de não aceitar é uma forma de criar sofrimento.
E sofrer, é uma escolha como outra qualquer, às vezes, até, é apenas um tipo de interpretação.
Quem começa a se conhecer já sabe: Não devemos buscar culpados externos.
Somos as matrizes das nossas dificuldades.
As situações, os acontecimentos e as outras pessoas são apenas ferramentas naturais que atraímos para o nosso aperfeiçoamento – como também o somos para os outros.
Quando a consciência começa a se ampliar, perdemos o medo; nos enchemos de coragem e surge o desejo sincero de Mudança.
Esse ponto torna-se um marco; é como um renascer do indivíduo.
Permite uma tranqüila avaliação de quem nós somos, e de como estamos buscando os meios que nos tornem melhores no momento.
Querer verdadeiramente mudar permite que separemos dentre os nossos valores aquilo que importa daquilo que é secundário; ou não nos pertence. É como se a partir desse momento do pensar com lucidez, nos recriássemos de forma clara.
O segredo está no pensamento.
Mas antes de começar a tentar pensar de forma mais criativa e amorosa; recorde que: Há duas formas básicas de pensar.
Há os pensamentos conscientes, investigadores, que se formam quando observamos, analisamos, comparamos.
E os já padronizados, fixados no inconsciente, e, nos quais depositamos nossa fé; esse, é o nosso sistema de crenças.
É preciso agregar as conclusões dos pensamentos especulativos que hoje percebemos como verdadeiros e interessantes, confrontando-os com os já padronizados para reciclá-los, atualizá-los.
Dessa forma, a coragem de reivindicar nosso direito de ser feliz; substituirá o medo de não merecer o privilégio da felicidade; e trará consigo a paz nascida do esforço e da conquista; que reinará dentro de nós e em torno de nós; para sempre.

Américo Canhoto: Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Usa a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.
Fonte: Portal do Ecodebate

No Nordeste, cisternas serão usadas na produção de alimentos.

O ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e a Articulação no Semiárido Brasileiro, discutiram ações conjuntas dentro da meta do Plano Brasil Sem Miséria para beneficiar 750 mil famílias da região Nordeste com água potável para produção de alimentos. Foi acertada a liberação de 6 milhões e meio de reais na parceria para construção de cisternas destinadas ao uso na agricultura, conhecidas como “segunda água”. A repórter Beatriz Arcoverde conversou com o coordenador executivo da Articulação no Semiárido Brasileiro, Neidson Batista, sobre os benefícios da construção de cisternas para a população. Acompanhe a entrevista.

Beatriz Arcoverde, da Radioagência Nacional

Fonte: EcoDebate