sexta-feira

Dicionário Popular do Aquecimento Global.

- A Terra geme em dores de parto.  CF 2011 -

Roberto Malvezzi (Gogó)

1)      Aquecimento global: elevação da temperatura média da Terra. Antes da era industrial a temperatura média era de 14,5ºC e hoje é de aproximadamente 15,0ºC.

2)      Mudança climática: toda alteração na temperatura da Terra, seja para menos, seja para mais. A Terra já conheceu períodos mais quentes e eras glaciais. A diferença que muitos cientistas fazem entre um e outro é que o aquecimento é considerado produto da ação humana, enquanto as mudanças climáticas são processos naturais.

3)      Efeito estufa: fenômeno natural de retenção de calor do sol produzido por gases que fazem parte da atmosfera da Terra. É o efeito estufa que gera a temperatura média atual da Terra e permite a existência da vida nesse planeta. Mas, essa temperatura média depende do equilíbrio entre os gases que compõem sua atmosfera.

4)      Gases de efeito estufa: Os gases do efeito estufa (GEE) ou gases estufa são substâncias gasosas que absorvem parte da radiação infra-vermelha, emitida principalmente pela superfície terrestre, e dificultam seu escape para o espaço.São eles basicamente: dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), Perfluorcarbonetos (PFC's ) e também o vapor de água.

5)      Causa do aquecimento global: injeção desses gases na atmosfera a mais do que já existe. Normalmente essas emissões derivam da queima e derrubada de florestas, queima de combustíveis fósseis, animais, agricultura, etc. Para se ter uma idéia, a atmosfera de Vênus, formada por CO2 em 95%, faz com que a temperatura daquele planeta seja próxima de 484ºC. A presença de CO2 na atmosfera da Terra, não passa de 0,03%.

6)      PPM: parte por milhão. Por exemplo, a concentração de CO2 na atmosfera da Terra está em 391 PPM. Isso significa que, de cada milhão de partículas de outros gases, 391 são de CO2.
7)      Conseqüências do aquecimento global: a elevação da temperatura média da Terra provoca efeitos como: derretimento dos glaciais, elevação dos oceanos, aumento de água na atmosfera, com conseqüente aumento na pluviosidade. Com isso aumentam os “efeitos extremos” como furacões, nevascas, tempestades que acabam causando enchentes, desmoronamentos, deslizamentos, inundações, prejuízos econômicos, doenças e mortes.  Outro efeito extremo pode ser as secas e estiagens prolongadas.

8)      IPCC: Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, estabelecido em 1988 pela Organização Meterológica Mundial e PNUMA, encarregado de estudar as mudanças climáticas em curso.
9)      REDD: redução de emissões por desmatamento e degradação. É um mecanismo  que prevê atacar as causas do aquecimento global reduzindo os desmatamentos e a degradação ambiental em geral.
10)  Crédito carbono: mecanismo econômico que possibilita um poluidor comprar em outro lugar, inclusive em outro país, estoques de carbono para compensar a emissão que ele faz em seu lugar de origem.
11)  Mitigação e adaptação: mecanismos que prevêem atacar a causa do aquecimento global e propor adaptações a situações que já não tem mais retorno. Um exemplo de mitigação é a tentativa de diminuir o desmatamento, como na Amazônia. Um exemplo de adaptação é começar a remover as populações que moram em área de risco.
12)  COP: Conferência das Partes. São cúpulas mundiais que reúnem países para estabelecer mecanismos de controle do aquecimento global. Já aconteceram 16 COP. Até agora têm fracassado.
13)  Para muitos cientistas, como James Lovelock, ou países como a Bolívia, ou para movimentos como a Via Campesina, esses mecanismos pouco adiantam. Teríamos que mudar efetivamente o padrão civilizatório, principalmente a matriz energética do planeta.
O fato concreto é que o aumento dos gases de efeito estufa continua aumentando. Se continuarmos com esse nível de emissão em 2050 atingiremos 500 PPM e em 2090 atingiremos 760 PPM. Dessa forma, a temperatura média da Terra poderá elevar-se até 7ºC a mais. Portanto, um inferno.
Enviada por: Antonio Nilton Bezerra Júnior
- Ass. Social da CPT/RN.

quinta-feira

Governo Federal tem nova Logomarca


A marca foi desenvolvida pelos publicitários João Santana e Marcelo Kertész, que doaram ao governo. “Governo Federal, Brasil - País Rico é País sem Pobreza” trata-se do slogan que vai nortear todas as peças publicitárias do governo.

Campanha da Fraternidade 2011 propõe debate mais amplo sobre mudanças climáticas

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2011
Cartaz da Campanha da Fraternidade 2011
Ao abrir a 48ª Campanha da Fraternidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil alertou sobre a gravidade das consequências do aquecimento do planeta. O texto-base da campanha expõe conclusões da ciência sobre mudanças climáticas, mostra a participação humana no problema e critica o modelo energético que privilegia fontes fósseis, o desmatamento e o agronegócio
A Igreja quer mobilizar fiéis sobre os impactos das mudanças climáticas e estimular ações práticas para preservar o meio ambiente. Com o tema Fraternidade e a Vida no Planeta, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou ontem (9) a 48ª Campanha da Fraternidade, que pretende alertar os católicos para a gravidade das consequências do aquecimento do planeta.
No texto-base da campanha, a CNBB expõe as principais conclusões da ciência sobre as mudanças climáticas e a participação humana no problema, faz críticas ao modelo energético que ainda privilegia fontes fósseis – grandes emissoras de gases de efeito estufa, ao desmatamento e até ao agronegócio.
Segundo o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, a ideia é aproximar o debate sobre mudanças climáticas das pessoas e estimular mudança de hábitos e políticas públicas que ajudem a preservar a vida e o planeta.
“Pergunta-se o que o cidadão comum pode fazer. As enchentes em São Paulo e em outros capitais, por exemplo, poderiam ser minimizadas se não houvesse uma massa de detritos jogados nos rios”, citou dom Dimas.
Entre as ações práticas sugeridas pela campanha estão a redução do uso de sacolas plásticas, o uso de energias renováveis e mudanças de hábitos de consumo. “As campanhas da Fraternidade são caracterizadas pela capilaridade, chegamos ao ribeirinhos da Amazônia e aos grandes condomínios. Isso contribui para o alcance da reflexão.”
Durante a apresentação da campanha, o secretário-geral da CNBB criticou a falta de investimentos em fontes alternativas de energia, como a eólica e a solar, o risco de aprovação de mudanças no Código Florestal sem considerar a opinião de movimentos ligados à terra e a construção de grandes projetos de infraestrutura sem garantia de contrapartidas sociais.
Dom Dimas reiterou críticas da CNBB a algumas das propostas de mudanças no Código Florestal previstas no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), como a possibilidade de anistia para desmatadores e a redução de limites de áreas de preservação. “Nossa preocupação é que o código não seja votado de forma apressada porque as consequências serão duradouras.”
Reportagem de Luana Lourenço, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate,

Cai Bela chuva em Apodi agora a tarde.

Chegada da Chuva na Comunidade de Bamburral. 
Por volta das 14h30min da tarde de hoje (10) caiu uma boa chuva em Apodi e cidades circunvizinhas, o que melhorou bastante as condições do tempo que estava bastante quente. Na comunidade de Bamburral o pluviômetro chegou a marcar 12 mm de chuvas.
Por: Agnaldo Fernandes

Associações Explanam Projetos Executados articulados pelo FUMAC de Apodi.

Na última Semana de Fevereiro deste Ano as Comunidades Rurais e os Assentamentos de Apodi que foram beneficiados com os Projetos do Programa de Desenvolvimemnto Solidário (PDS) no ano de 2010, estiveram apresentando a execução de tais Projetos para o público. O Evento Contou com a presença de vários companheiros (as) que foram de fundamental importância para o êxito da execução dos referidos projetos. Dentre eles, se fez Presente: João Maria Antas (Supervisor do PDS), Edinarte (Supervisor do PDS), Flaviano (Tec. Agronômo do Centro Juazeiro), Cildo (Tec. da COOPERVIDA), além das lideranças comunitárias de diversas regiões do nosso município.
Para Júnior do Trapiá (Pres. do FUMAC/APODI), "esse foi um momento de muita satisfação tendo em vista que marca a concretização de vários sonhos, pois com a concretização destes seis projetos no município de Apodi se torna capaz o fortalecimento cada vez mais da Agricultura familiar, que já é bastante forte em Apodi", finalizou Júnior.
Veja a seguir algumas imagens do Evento:   


Por: Agnaldo Fernandes

Conheça o Semiárido Brasileiro.


Segundo dados oficiais do Ministério da Integração, o Semiárido brasileiro se estende por 975 mil quilômetros quadrados e compreende 1.133 municípios de 9 estados do Brasil: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Nessa região, vivem 22 milhões de pessoas. A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) atua em todos esses estados e também no Maranhão.
A vegetação predominante é a caatinga — único bioma exclusivamente brasileiro —, rica em espécies vegetais que não existem em nenhum outro lugar do planeta. É o Semiárido mais populoso do planeta e também o mais chuvoso.
Curiosamente, é uma região de déficit hídrico. Isso quer dizer que a quantidade de chuva é menor do que a água que evapora, numa proporção de 3 para 1. Ou seja, a quantidade de água que evapora é 3 vezes maior do que a de chuva que cai. Além disso, as chuvas são irregulares e, algumas vezes, há longos períodos de estiagem. Durantes essas épocas, a média pluviométrica pode chegar perto dos 200 milímetros anuais. Daí a importância de guardar a chuva adequadamente. No Semiárido brasileiro, também existem diferenças marcantes do ponto de vista da precipitação anual de uma região para outra. Em alguns locais, o índice das chuvas pode chegar a 800 milímetros por ano. 

Caixa faz CPF gratuito para mulheres

Para comemorar a semana da mulher, a Caixa Econômica Federal está disponibilizando até a próxima sexta-feira (11), o serviço de inscrição gratuita no Cadastro de Pessoa Física (CPF), em todas as agências do banco.
De acordo com a assessoria da Caixa, o objetivo dessa iniciativa é possibilitar o acesso das mulheres de todo o país
Segundo a Caixa, o objetivo é possibilitar o acesso das mulheres às políticas públicas do governo federal: Programa Fome Zero, Bolsa Família e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), além de facilitar o acesso à inclusão bancária e ao microcrédito.
Em Mossoró o documento pode ser feito em qualquer uma das agências da Caixa Econômica Federal.
O CPF é um banco de dados gerenciado pela Receita Federal do Brasil que armazena informações cadastrais de contribuintes pessoas físicas.

Fonte: Jornal De Fato.

quarta-feira

Esther Vivas: ‘Comemos o que nos dizem as grandes empresas agroalimentares’

Esther Vivas
Esther Vivas é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais de la Universitat Pompeu Fabra en Barcelona, ativista e co-autora de livros como Del campo al plato (Icaria editorial, 2009) o Supermercados, no gracias (Icaria editorial, 2007), entre outros.


Comprar em uma grande superficie um kilo de açúcar, um litro de leite ou um pacote de bolachas pode parecer um ato dos mais comuns. Mas, sob esta aparencia inócua subjaz a relevancia política de nossas ações, inclusive as mais inocentes.
Esther Vivas, ativista social, pela soberanía alimentar e militante do movimento antiglobalização, alerta sobre a primazia do capital privado na hora de impor gostos, marcas e produtos. Junto com Xavier Montagut publicou os livros “Del Campo al Plato”, “¿Aonde va el comercio justo?” e “Supermercados, no gracias”.
Você é co-autora do livro “Del Campo al Plato” (Ed. Icaria, 2009). É sua opinião que estão nos envenenando?
O modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentares das pessoas, a sua saúde e a respeito ao meio ambiente. Comemos o que as grandes empresas do setor querem. Hoje há o mesmo número de pessoas no mundo que passam fome que pessoas com problemas de sobrepeso, afetando, em ambos casos, aos setores mais pobres da população tanto nos países do norte como do sul. Os problemas agrícolas e alimentares são globais e são o resultado de converter os alimentos em uma mercadoria.
925 milhões de pessoas no mundo ainda passam fome. Esta é uma prova do fracasso do capitalismo agro-industrial?
Sim. A agricultura industrial, quilométrica, intensiva e petrodependente demonstrou ser incapaz de alimentar a população, uma vez que tem um forte impacto no meio ambiente reduzindo a agro-diversidade, gerando mudança climática e destruindo terras férteis. Para acabar com a fome no mundo não se trata de produzir mais, como afirmam os governos e as instituições internacionais. Pelo contrário, faz falta democratizar os processos produtivos e propiciar que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população.
As empresas multinacionais, a ONU e o FMI propõe uma nova “revolução verde”, alimentos transgênicos e livre comécio. Que alternativa pode ser proposta desde os movimentos sociais?
Faz falta recuperar o controle social da agricultura e da alimentação. Não é possível que umas poucas multinacionais, que monopolizam cada uma das etapas da cadeia agro-alimentar, acabem decidindo o que comemos. A terra, a água e as sementes devem estar nas mãos dos campesinos, daqueles que trabalham na terra. Estes bens naturais não devem servir para fazer negócio, para especulação. Os consumidores devem ter o poder de decidir o que comer, se queremos consumir produtos livres de transgênicos. Em definitivo, temos que apostar na soberanía alimentar.
Poderia definir o conceito de “soberanía alimentari”?
Consiste em tener a capacidade de decidir sobre tudo aquilo que esteja relacionado com a produção, distribuição e consumo de alimentos. Apostar no cultivo de variedades autóctonas, de temporada, saldáveis. Promover os circuítos curtos de comercialização, os mercados locais. Combater a competencia desleal, os mecanismos de dumping, os incentivos a exportação. Conseguir este objetivo implica uma estratégia de ruptura com as políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Mas reivindicar a soberanía alimentar não implica um retorno romântico ao passado, pelo contrário, se trata de recuperar o conhecimento das práticas tradicionais e combiná-las com as novas tecnologías e saberes. Asim mesmo, não consiste em uma proposição localista e sim de promover a produção e o comércio local, na qual o comércio internacional funcione como um complemento do anterior.
A Vía Campesina afirma que hoje comer se converteu em um “ato político”. Está de acordo?
Completamente. O que comemos é resultado da mercantilizaç]ao do sistema alimentar e dos intereses do agro negócio. A mercantilização que se está levando a cabo na produção agro-alimentar é a mesma que afeta a outros muitos âmbitos de nossa vida: privatização dos serviços públicos, precarização dos direitos trabalhistas, especulação com a habitação e o território. É necessário antepor outra lógica e organizar-se contra o modelo agro-alimentar atual nos marcos de um combate mais geral contra o capitalismo global.
Estamos nas mãos das grandes cadeias de distribução? O que implica isso e que efeitos tem este modelo de consumo?
Hoje, sete empresas no Estado Español controlam 75% da distribuição dos alimentos. E esta tendencia representa mais. De tal maneira que o consumidor cada vez tem menos portas de acesso a comida e o mesmo acontece com o produtor na hora de chegar ao consumidor. Este monopolio garante um controle total aos supermercados na hora de decidir sobre nossa alimentação, o preço que pagamos pelo que comemos e como foi elaborado.
Servem as soluções individualistas para romper com estas pautas de consumo?
A ação individual tem um valor demostrativo e aporta coerência, mas não gera mudanças estruturais. Faz falta uma ação política coletiva, organizar-nos no âmbito do consumo, por exemplo, a partir de grupos e cooperativas de consumo agroecológico; crias alternativas e promover alianças amplas a partir da participação em camapanhas contra a crise, em defesa de territorio, fóruns sociais, etc…
Também és necessário sair as ruas e atuar políticamente, como em determinado momento se fez com a campanha da Iniciativa Legislativa Popular contra os transgênicos impulsionada por “Som lo que Sembrem”, porque, como já sew viu em muitas ocasiões, aqueles que estão nas instituições não representam nossos interesses mas sim os privados.
Kyoto, Copenhague, Cancún. Qual o baçanço geral que se pode fazer das diferentes cúpulas sobre mudança climática?
O balanço é muito negativo. Em todas estas cúpulas pesaram muito mais os interesses privados e o curto prazo e não a vontade política real para acabar com a mudança climática. Não foram feitos acordos vinculantes que permitam uma redução efetiva dos gases de efeito estufa. Ao contrário, os critérios mercantis têm sido uma vez mais a moeda de troca, e o mecanismo de comércio de emissões são, neste sentido, a máximo expressão disso.
Em Cancún foi muito utilizada a ideia de “adaptação” a mudança climática. Se escondem detrás os interesses das companhias multinacionais e de um suposto “capitalismo verde”?
Isso mesmo. Em lugar de dar soluções reais, se opta por falsas soluções como a energía nuclear, a captação de carvão da atmosfera para seu armazenamento ou os agro-combustíveis. Se trata de medidas no qual o único que fazem é agudizar ainda mais a atual crise social e ecológica e, isto sim, proporcionar uma grande quantidade de beneficios para umas poucas empresas.
O Movimento pela Justiça Climática trata de oferecer alternativas. Como nasce e quais são seus princípios?
O Movimiento Pela Justiça Climática faz uma crítica às causas de fundo da mudança climática, questionando o sistema capitalista e, como muito bem diz seu lema, se trata de “mudar o sistema, não o clima”. Deste modo expressa esta relação difusa que existe entre justiça social e climática, entre crise social ecológica.
O movimento vem tendo um forte impacto internacional, sobretudo esteve na raíz dos protestos na cúpula do clima de Copenhague e, mais recentemente, nas mobilizações de Cancún. Isto contribuiu para visualizar a urgencia de atuar contra a mudança climática. O desafio é ampliar sua base social, vinculando as lutas cotidianas e buscar alianças com o sindicalismo alternativo.
A solução é mudar o clima ou mudar o sistema capitalista?
Faz falta uma mudança radical de modelo. O capitalismo não pode solucionar uma crise ecológica que o sistema mesmo criou. A crise atual coloca a necessidade urgente de mudar o mundo de base e fazê-lo desde uma perspectiva anticapitalista e ecologista radical. Anticapitalismo e justiça climática são dois combates que devem estar estreitamente unidos.
*Entrevista realizada por Enric Llopis para Rebelión.
Tradução de Paulo Marques para o site Brasil Autogestionário www.brasilautogestionario.org

Apesar dos Avanços: Divisão de trabalho perpetua desigualdades entre homens e mulheres

 
“A pobreza no Brasil tem sexo” costuma dizer a presidenta Dilma Rousseff em alusão ao fato de as mulheres estarem predominantemente nos estratos mais pobres da sociedade brasileira. Segundo os dados em análise na Coordenação de Igualdade de Gênero do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais da metade das famílias com filhos chefiadas por mulheres (53%) são pobres; ao passo apenas 23,7% das famílias com filhos chefiadas por homens estão nessa condição.
“Quando a mulher é chefe de família, esta tem muito mais chance de estar na pobreza do que quando a estrutura familiar tem como chefe um homem”, confirma a economista Luana Simões Pinheiro, do Ipea.
A razão da pobreza feminina está na divisão do trabalho. As mulheres são historicamente incumbidas das tarefas domiciliares, como cuidar dos filhos e, no mercado de trabalho, ocupam os postos de mais baixa remuneração, dando preferência às atividades que permitam continuar cuidando de casa e dos filhos.
Os dados analisados pela economista foram levantados pela Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE). Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio das mulheres (R$ 786) é 67,1% do rendimento médio dos homens (R$ 1.105), a despeito de terem escolaridade média maior (7,4 anos de estudo contra 7 anos dos homens).
Uma série com dados da Pnad montada pelo Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade (IETS) mostra que nos últimos 20 anos houve alguma melhora na relação entre os rendimentos médios de homens e mulheres. Em 1992, o rendimento das mulheres era de menos de 60% e em 2001, 65%.
Apesar da evolução, é possível ainda notar, na maioria das atividades econômicas, que as mulheres ganham menos do que os homens. Conforme análise publicada pelo IBGE com os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (dados 2009) sobre trabalhadores com curso superior ou com ensino médio completo, as mulheres ganham menos se trabalham na indústria, no comércio, na prestação de serviços, na administração pública e nos serviços domésticos.
A administração pública e os serviços domésticos são as duas únicas atividades em que as mulheres são maioria das pessoas empregadas (94,5% e 63,2%, respectivamente). “Com certeza não são cargos de direção na administração pública. As mulheres estão agora começando a ocupar esses cargos”, avalia Eliana Graça que é assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e voluntária do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea).
Em sua opinião, as mulheres são maioria na administração pública por causa dos concursos. “A questão da discriminação não aparece e elas se dão bem nessa seleção, que costuma ser isenta.”
Eliana lembra que muitas mulheres incluídas na administração pública trabalham como professoras. Na maior parte dos níveis de magistério, as mulheres prevalecem, chegando a ocupar 97% das vagas na educação infantil, 82,2% do ensino fundamental e 64,1% do ensino médio, de acordo com dados do Ministério da Educação (Sinopse do Professor da Educação Básica, 2010).
Para Eliana Graça e Luana Simões Pinheiro, a redução da discriminação no mercado do trabalho depende, no plano privado, da redistribuição dos afazeres domésticos entre homens e mulheres; e na esfera pública, de mais investimento do Estado em políticas sociais que tenham como objetivo “emancipar as mulheres”. “Não vamos conseguir isso com política universal”, disse a assessora do Inesc.
Reportagem de Gilberto Costa, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate em 09/03/2011

Sugestão de Leitura:Transposição do Rio São Francisco na perspectiva do Brasil real

A obra traz uma coletânea, em ordem cronológica, dos textos sobre a Transposição do Rio São Francisco elaborados pelo pesquisador João Suassuna na última década, representando a sua contribuição à hidrologia nordestina, com a discussão do assunto através da fundamentação em fatos concretos, com alternativas e soluções em torno de questões que ainda se arrastam no esquecimento e, quiçá, na ignorância do povo, tudo no contexto do Brasil real.
Agindo como uma “cobra cascavel das mais peçonhentas”, o pesquisador, nos últimos 15 anos, zoou o guiso denunciando na internet as deficiências do projeto em questão, fazendo uma síntese das principais características ambientais da região e uma análise crítica dos impactos que o projeto já vem causando na natureza nordestina. Além do mais, o projeto não é a fundo perdido, e quando chegar a hora de se pagar a conta, todos irão pagá-la, independentemente de classes sociais, raças ou crenças. Nesses aspectos, Suassuna sempre deu provas de estar do lado da coerência e da razão. Com o lançamento de seu livro, o pesquisador deflagra o “bote fatal” nessas questões, elucidando, de vez, os pontos mais polêmicos do projeto e apontando saídas mais viáveis para os entraves existentes no abastecimento do povo, fazendo cair a máscara de seus responsáveis, os quais sempre se mostraram favoráveis ao uso da água do rio São Francisco para o agro e hidronegócio, fato que vem iludindo a população, a qual sempre se mostrou aberta às alternativas mais simples de convivência com o Nordeste seco, notadamente aquelas voltadas para o setor hídrico.

Merenda escolar tem pior avaliação no Norte e Nordeste

 


As populações do Norte e Nordeste são as que têm a pior avaliação sobre a qualidade da merenda oferecida nas escolas brasileiras. Enquanto na média nacional 59,5% acha que a qualidade dos alimentos servidos é boa, nessas duas regiões a maior parte avalia o serviço como regular: 39,7% no Norte e 47% no Nordeste.
Os números foram apresentados nesta segunda-feira (28) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de 2.773 entrevistas realizadas em novembro. O objetivo foi captar a opinião da população sobre políticas e serviços públicos na área da educação. Menos de 43% acreditam que o impacto de programas de alimentação escolar sobre o desempenho dos alunos é bom ou muito bom e 17% acham que é ruim.
No Sul e no Centro-Oeste, mais de 70% dos entrevistados disseram que a qualidade dos alimentos oferecidos é boa. Sobre a quantidade dos alimentos, mais uma vez a pior avaliação foi feita no Norte e no Nordeste: 52,6% e 53,6%, respectivamente, consideraram pouca ou muito pouca a quantidade de comida ofertada. No Sul do país, esse percentual é inferior a 15%. Na média nacional, a maioria (67%) avalia como suficiente a quantidade servida nas escolas.
A oferta de merenda nas escolas é responsabilidade dos estados e municípios, com apoio do governo federal. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do Ministério da Educação, repasse atualmente R$ 0,30 por aluno ao dia para custeio desse serviço. O restante deve ser complementado pelos governos estaduais e municipais.
O Ipea também aponta o desconhecimento da sociedade em relação aos conselhos escolares, cuja função é acompanhar a gestão administrativa, financeira e pedagógica de uma unidade de ensino. Mais de 70% da população desconhece a existência dessa instância, que deve ser composta por representantes de pais, estudantes, professores, servidores da escola e membros da comunidade local.

Fonte: Agência Brasil

Blocos feministas ganham as ruas no 8 de março carnavalesco




O Dia Internacional da Mulher mobiliza, todos anos, vários setores dos movimentos sociais e, principalmente, do feminismo para dar visibilidade às lutas das mulheres pela igualdade de gênero, por mudanças estruturais que garantam sua autonomia e autodeterminação, além do acesso a políticas públicas que beneficiam diretamente a população feminina.
Em 2011, o dia 08 de março coincide com o período de Carnaval, o que fez com que os protestos, reivindicações e bandeiras de luta ganhassem um formato bem peculiar e adaptado ao colorido e à alegria carnavalesca.
As marchinhas já tão conhecidas se transformaram em paródias para dar visibilidade aos blocos das mulheres, que já divulgaram sua programação. “Ô abre alas que eu quero passar, ô abre alas que eu quero passar, sou feminista não posso negar, sou feminista não posso negar”, anuncia uma das paródias. No estado do Rio Grande do Norte, está sendo organizado o bloco de mulheres na praia da Redinha, litoral norte de Natal. Na praia de Pirangi do Norte, litoral sul, também sairá o bloco As Poderosas.
Além dos blocos de mulheres que sairão em pleno 8 de março carnavalesco, também está prevista uma programação após o carnaval, com atividades de formação feminista e atos públicos nas cidades de Natal e de Mossoró. Os temas abordados serão bem variados. As companheiras do MST trazem a denúncia dos agrotóxicos, dos transgênicos e sua repercussão na autonomia e na saúde das camponesas. As mulheres da cidade irão debater sobre a feminização da pobreza, a violência e a legalização do aborto, além de fazerem uma reflexão sobre o papel das mulheres no poder.
Nesse carnaval, a luta das mulheres por um mundo sem machismo, sem opressão e sem violência terá o seu lugar garantido, com muita irreverência e ousadia.
Tárzia Medeiros - Comunicadora Popular da ASA
Natal - RN

segunda-feira

Veneno não se come.

Mulheres do campo e da cidade na luta por direitos.

Em todo o Brasil, as mulheres da Via Campesina em conjunto com outros movimentos urbanos, deflagraram a Jornada de Lutas das Mulheres para denunciar a utilização excessiva de agrotóxicos nas lavouras brasileiras, responsabilidade do modelo de produção do agronegócio.
O Brasil ocupa o primeiro lugar na lista de países consumidores de agrotóxicos desde 2009. Mais de um bilhão de litros de venenos são jogados nas lavouras, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola.
No Ceará estamos realizando duas mobilizações, uma em Santa Quitéria com 500 mulheres, protestando contra a instalação da mina de Itataia e a outra em Fortaleza, no Palácio da Abolição com 600 mulheres e homens que estão na luta por direito a moradia e direitos sociais para as mulheres.
Fortaleza é a quinta maior capital do país, com mais de três milhões de habitantes. Aqui existem cerca de 96 áreas, onde vivem mais de 100 mil famílias em condições precárias. Essa desigualdade social é também fruto da grande concentração de terra e  especulação imobiliária imposta pelos grandes grupos econômicos que recebem financiamento publico dos governos, como incentivos fiscais e financeiros para executarem seus projetos.
Segundo dados do IBGE mais de 900 mil pessoas vivem com menos de R$ 1,50 reais por dia em nossa cidade. Por outro lado a cidade tem o 15º maior PIB municipal da nação e o segundo do Nordeste, com 24,4 bilhões de reais, sendo um dos mais importantes centrosindustrial e comercial do Brasil, com o sétimo maior poder de compra do país.
Nosssa pauta em Fortaleza é reivindicar das autoridades públicas, moradia popular para as familias de baixa renda, pois segundo estudos Fortaleza está entre os piores capitais na implantação do Programa “Minha Casa Minha Vida”. Por isso queremos moradia e direito a cidade.
Cobramos tambem do estado a aplicabilidade da lei Maria da Penha, com mais estruturas de serviço, e protençao as mulheres vitimas dessas violencias.


MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - MST
MOVIMENTO DOS CONSELHOS POPULARES - MCP
CENTRAL DOS MOVIMENTOS POPULARES - CMP

R$ 210 milhões para agricultores familiares do semiárido

O Senado aprovou no dia 1°de março, a MP 506 que, enviada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concede crédito extraordinário de R$ 210 milhões para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para agricultores familiares que sofreram perdas na safra 2009/2010.
O montante será destinado ao Fundo de Garantia Safra e beneficiará cerca de 595 mil agricultores familiares da região semiárida que tiveram prejuízos decorrentes da estiagem ou excesso de chuva.
Para Elisângela Araújo, coordenadora Geral da FETRAF-BRASIL, “a destinação desse recurso faz com que os agricultores familiares enfrentem melhor os efeitos da estiagem que assim como as chuvas irregulares castigam o Nordeste ano após ano. É um estímulo para a atividade da agricultura familiar e também para a permanência das famílias na região.”
Instituído pela Lei 10.420/02, o programa Garantia Safra é uma ação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e foi criado para atender produtores de 859 municípios da Região Nordeste na safra 2009/2010. Abrange os municípios localizados na Região Nordeste, norte de Minas Gerais (Vale do Mucuri e Vale do Jequitinhonha) e norte do estado do Espírito Santo.
A MP 506 segue para sanção presidencial.

Com informações da FETRAF BRASIL

No Noticias do Campo não há Feriado

No Noticias do Campo é assim não tem feriado que nos deixe sem levar informação aos nossos leitores. Desde já queremos agradecer pelos Quinze Mil acessos que atingimos hoje pela manhã. Você Internauta é a maior razão de nossa existência, um forte abraço a todos (as). 
Por: Agnaldo Fernandes.