sexta-feira

LUTO



Veja lista das vítimas
Karine tragédia Realengo (Foto: G1)
2- Rafael Pereira da Silva, 14 anos
3- Milena dos Santos Nascimento, 14 anos
Mariana tragédia realengo (Foto: Reprodução)
4- Mariana Rocha de Souza, 12 anos
Larissa dos Santos Atanázio Tragédia Realengo (Foto: G1)
5- Larissa dos Santos Atanázio, (aguardando documento)
6- Bianca Rocha Tavares, 13 anos
7- Luiza Paula da Silveira, 14 anos
8- Laryssa Silva Martins, 13 anos
9- Géssica Guedes Pereira (aguardando documento)
10- Samira Pires Ribeiro, 13 anos
11- menina não identificada - aguardando identificação de familiares
12 - menino não identificado - aguardando identificação de familiares























































Fonte:G1.

Presidente Dilma chora e se diz 'chocada'.

O ataque de um ex-aluno à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, fez a presidente Dilma Rousseff encerrar solenidade em Brasília e pedir um minuto de silêncio às vítimas. O perfil do Blog do Planalto no Twitter divulgou na tarde desta quinta-feira que a presidente pretende vir ao Rio para o velório dos alunos mortos.
"Presidenta Dilma diz que pretende comparecer ao velório das crianças mortas em ataque no Rio", diz o perfil.
Após evento com mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Dilma disse que fará "todo o esforço possível" para ir ao Rio prestar solidariedade às famílias das vítimas do atirador. Ela afirmou estar aguardando informações do prefeito Eduardo Paes sobre o horário do velório e enterro. O mais provável é que Dilma vá para o Rio na tarde de sexta-feira, depois de receber o líder da banda U2, Bono, no Palácio da Alvorada. A presidente embarcaria do Rio, à noite, para a China, onde cumprirá agenda oficial na próxima semana.
Encerrada a solenidade desta quinta-feira, ela decretou luto oficial de três dias . Dilma, que festejava a marca de um milhão de empreendedores individuais, alcançada graças ao fim da informalidade e à redução da alíquota da Previdência de 11% para 5%, disse, com voz embargada:
- Hoje temos que lamentar o fato que aconteceu em Realengo com crianças indefesas. Não era característico no país ocorrer esse tipo de crime. Vamos nos unir aqui em repúdio a esse ato de violência, sobretudo contra crianças indefesas. Crianças que perderam a vida e o futuro - disse a presidente. - Vamos fazer um minuto de silêncio em homenagem a esses brasileirinhos que foram tirados tão cedo da vida - completou Dilma, chorando.
Dilma conversou com o governador do Rio, Sérgio Cabral, e com o prefeito Eduardo Paes por telefone e determinou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que tome providências em conjunto com as autoridades de segurança do estado.
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, vai para a escola, seguindo orientação de Dilma. Segundo o secretário estadual de Assistência Social, Rodrigo Neves, depois de passar pelo local da tragédia, a ministra visitará parentes das vítimas.
O presidente do Senado, José Sarney, classificou a ação como um atentado terrorista. Ele acrescentou que a tragédia deve servir de alerta para as autoridades sobre a questão da segurança nas escolas brasileiras.

O RN Contará com Parque Eólico ainda este Ano.

A Eólica Potiguar, responsável pelo parque eólico Mangue Seco 1 a 4, Cabugi, Potiguar e Juriti em Guamaré, anunciou que deve começar a funcionar até setembro deste ano. O complexo terá uma potência instalada de 104MW, suficiente para suprir uma cidade com 540 mil habitantes. O empreendimento é uma parceria da Petrobras e Wobben Windpower
O investimento total para implantação dos projetos, que também contam com apoio da Alubar Energia e Eletrobras, é de aproximadamente R$ 430 milhões. Ontem, o Banco do Nordeste anunciou uma operação de crédito de R$ 84 milhões. Os recursos são oriundos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).
Quando instaladas, as quatro usinas terão 52 aerogeradores construídos pela própria Wobben Windpower, empresa brasileira subsidiária da Enercon GmbH. Cada torre possui 108 metros de altura e pás com 42 metros. 
A Wobben é a única fabricante de aerogeradores de grande porte instalada no Brasil, embora a sede fique na Alemanha. Isso é considerado mais uma vantagem, segundo os administradores do empreendimento. Cerca de 700 pessoas trabalham, atualmente, na execução dos projetos.
De acordo com o diretor-presidente Edmilson Cinquini, a experiência das empresas envolvidas é o que garante o sucesso do projeto. Ele ressalta que o grupo não enfrentou problemas com relação à instalação da linha de transmissão: "Nosso trecho é muito curto, de 8km. Além disso, vamos utilizar uma subestação já existente que é da Petrobras."
O superintendente estadual do Banco do Nordeste, José Maria Vilar, disse que essa é a primeira operação de crédito para geração de energia eólica firmada em 2011, mas a instituição financeira tem interesse de continuar apoiando empreendimentos como esse.
"Contribuímos assim, para o estabelecimento da infraestrutura necessária ao desenvolvimento da região", disse.
Fonte: Jornal De Fato.

quinta-feira

Você consome transgênicos, mas não te dizem nada

O Ministério da Justiça instaurou processos administrativos contra empresas de alimentos por terem descumprido regras de rotulagem de produtos que contém ingredientes transgênicos. De acordo com o governo, foi encontrado mais de 1% de organismos geneticamente modificados em mercadorias que usam milho ou soja em sua composição – quantidade em que a rotulagem é necessária. Isso descumpre o Código de Defesa do Consumidor e um decreto federal que exigem essa informação.
Segundo matéria na Folha de S. Paulo e no Valor Econômico de hoje, empresas afirmaram que não podiam se pronunciar porque não foram notificadas (ah, vá! Só por isso?), negaram a situação, informaram que analisarão o caso ou não se pronunciaram.
Da mesma forma que a obrigação de estampar que o tabagismo mata nos maços de cigarro, a exigência de rotulagem de produtos que contenham transgênicos também é alvo de furiosas reclamações.
Parte das empresas de publicidade e da indústria afirma que toda essa movimentação é um atentado à liberdade de expressão. Mas, ao usar essa justificativa, o que elas acabam defendendo é o direito de ficar em silêncio para não se expor diante à sociedade. O problema é que essa omissão de informações acaba sendo um atentado contra a liberdade de escolha. Como é possível decidir se não há informação suficiente para isso nos rótulos dos produtos? Atentado à liberdade de expressão fazem eles com esse comportamento.
Esse “capitalismo self-service” brasileiro, em que não se cumprem todas as regras do jogo, mas, pelo contrário, deixa-se de lado o que não convém, irrita muito. Pois apesar de haver dúvidas sobre os transgênicos para a saúde do consumidor e para o meio ambiente, não se está proibindo nada, apenas exigindo que seja informado se esse tipo de produto foi usado. Se alguém não se importar em consumir, ótimo, compre, frite um bolinho de milho. Mas se não quiser, este tem o direito de saber.
Ter informação é fundamental para poder exercer a cidadania. Afinal de contas, comprar é um ato político, pois ao adquirir um produto você dá seu voto para a forma através da qual uma mercadoria foi fabricada e mesmo o que ela representa. Seria importante, por exemplo, que toda a carne viesse com informações sobre sua fazenda de origem. Dessa forma, o consumidor poderia decidir se vai considerar apenas os fatores preço e qualidade na hora da compra ou se elementos como desmatamento, trabalho escravo, ocupação ilegal de territórios indígenas também influenciariam. Quanto mais informação tivermos, mais liberdade teremos ao tomar uma decisão.
Outra batalha que ainda não terminou é a obrigação de anúncios publicitários de produtos gordurosos ou com muito açúcar de trazerem informação de que seu consumo em excesso pode trazer doenças cardíacas, hipertensão, diabetes. Tempos atrás, a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação afirmou que alimentos e bebidas como refrigerantes e sucos concentrados não estão previstos como itens que podem receber advertências (como álcool e tabaco), que publicidade teria que ser normatizada por lei federal e que isso não vai dar certo porque a ação não educa o consumidor.
Incrível como é sagrado o direito dos operadores de mercado de ter toda a informação do mundo, mas pedir dados para o cidadão comum, mesmo que sejam migalhas, é um pecado.

quarta-feira

ISTO É FATO:





Agrotóxicos aumentam índice de câncer no meio rural.

Não é a toa que, entre 2000 e 2006, os agricultores tiveram uma maior incidência proporcional de câncer do que a população urbana, mostrou Raquel Maria Rigotto, integrante do Núcleo Tramas, da Universidade Federal do Ceará. “A leucemia é o principal câncer associado ao uso de agrotóxico”, afirmou.

Os agrotóxicos podem causar intoxicação aguda – aquelas em que se pode perceber imediatamente após o contato com o produto químico – ou doenças crônicas, que aparecem semanas e meses depois.
Os agrotóxicos podem causar, entre as doenças crônicas,dermatite, câncer, desregulamentação endócrina, neurotoxidade retardada, efeitos sobre o sistema imunológico, doença do fígado, má formação fetal e aborto.
Apesar disso, há uma grande barreira para associar o agrotóxico como causa dessas enfermidades. “Quando a gente vai discutir com as indústrias que os agrotóxicos são responsáveis pelas doenças, elas dizem que não há problema algum com os produtos químicos. O que dificulta a comprovação de que os agentes químicos são os causadores das doenças crônicas”, desabafou a pesquisadora da área de estatística e saúde publica da Fiocruz, Rosany Bochner.
Para avançar na construção de um banco de dados com informações sobre as intoxicações, Rosany ainda fez um apelo de que “é muito importante que as pessoas nos informem sobre os casos de doenças crônicas causadas pelo contato com agrotóxicos”.
A Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica, sob coordenação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Fiocruz, possui um disque intoxicação (0800 722 6001), por onde a população pode informar os centros sobre os casos de contaminação por agrotóxicos.
Para os estudiosos, é necessário que se criem políticas públicas que viabilizem uma produção agrícola sem o uso de agrotóxicos. “O problema do agrotóxico não é mais só do agricultor, mas também do consumidor”, afirmou Rosany.
O país é o maior consumidor de agrotóxico do mundo. Cerca de 451 produtos químicos estão registrados hoje no Brasil. Mais de 1090 produtos químicos são comercializados em território nacional e o governo brasileiro ainda faz redução fiscal para o uso de agrotóxico.
O integrante da coordenação nacional do MST João Pedro Stedile apresentou preocupação com a falta de estudos sobre os impactos dos agrotóxicos no meio ambiente nas áreas tropicais, uma vez que as indústrias de agrotóxicos fizeram testes somente em solos de clima temperado.

Por Vanessa Ramos
Da Página do MST

Movimentos fazem marcha contra agrotóxicos e novo Código Florestal


A “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” será lançada por movimentos de trabalhadores rurais e ambientalistas no Dia Mundial da Saúde, esta quinta-feira (7).
De acordo com a coordenadora do MST, Paola Pereira, haverá atos de lançamento nas principais capitais do Brasil. Em Brasília, uma marcha passará pelo Ministério da Saúde, da Agricultura e pelo Congresso Nacional com intuito de fazer dos agrotóxicos um debate público.
“A gente acredita que é importante fazer esse debate com a sociedade porque esse modelo de agricultura que está hoje implementado no Brasil, do agronegócio, tornou o país, desde 2009, em campeão mundial do uso de agrotóxico. Isso é perigoso para a saúde. Afeta os produtores que manejam inadequadamente o agrotóxico e os consumidores da cidade que acabam comprando produtos com um nível elevado de veneno. Por isso vamos fazer o lançamento no dia 7”, afirma.
De acordo com Paola, o Brasil consumiu cerca de 1 bilhão de litros de agrotóxicos em 2009 – uma média de 5 litros por pessoa.
A coordenadora do MST ressaltou que a marcha também protestará contra o projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de alteração do Código Florestal. “Nossa campanha defende um novo modelo agrícola, sem agrotóxico e que também viabilize o desmatamento zero. O projeto deste deputado é um desastre”.
Na mesma quinta-feira, na Câmara dos Deputados, a Comissão de Seguridade Social e Família promoverá uma audiência pública sobre agrotóxicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Fórum Nacional de Agrotóxicos, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estão convidadas para expor sobre o tema.
Além do MST, a “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” reúne entidades como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Instituto Socioambiental (ISA), Greenpeace, SOS Mata Atlântica, Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC).
Por Vinicius Mansur
Fonte: Site do MST.

Aumenta destruição da camada de ozônio devido ao uso de produtos químicos, advertem cientistas.

Aumenta destruição da camada de ozônio devido ao uso de produtos químicos, advertem cientistas
A Organização Mundial de Meteorologia (cuja sigla em inglês é WMO) identificou um aumento na destruição na camada no Ártico. A perda é considerada inédita, mas não inesperada. A principal causa da destruição é a elevação no uso de produtos químicos presentes em aerossóis, geladeiras e extintores de incêndio. A camada de ozônio é a que protege a vida no planeta dos efeitos nocivos dos raios ultravioleta.
O aumento da quantidade de gases de efeito estufa geram altas temperaturas na superfície da terra. Desde o final de março, a região considerada mais afetada pela destruição da camada de ozônio estende-se entre a Groenlândia e a Escandinávia. As medições mostram que a perda de ozônio ocorre entre 15 e 23 quilômetros acima do solo. Na região, mais de dois terços do ozônio foram destruídos até o momento.
De acordo com os cientistas, a tendência é que a radiação de raios ultravioleta não aumente nas regiões mais frias com mesma intensidade que nas áreas tropicais. Os raios ultravioleta (UV-B) têm sido associados ao aparecimento de câncer de pele, catarata e danos ao sistema imunológico humano.
O estudo divulgado hoje (5) informa ainda que a destruição do ozônio estratosférico é mais intensa nas regiões polares, quando as temperaturas caem abaixo de – 78 graus Celsius (ºC). “A perda de ozônio, pela experiência, depende das condições meteorológicas. A perda de ozônio em 2011 mostra que temos de permanecer vigilantes e manter um olhar atento sobre a situação no Ártico nos próximos anos “, disse o secretário-geral da organização, Michel Jarraud.
Um acordo internacional, firmado por vários países, define uma série de medidas para a recuperação da camada de ozônio. As medidas incluem iniciativas que devem ser implementadas até 2060.
Sem o Protocolo de Montreal, segundo os especialistas, a destruição na camada de ozônio poderia ser mais intensa. De acordo com os peritos, a lenta recuperação da camada de ozônio se deve ao fato de que as substâncias que a destroem permanecem na atmosfera por várias décadas.
A camada de ozônio fica na estratosfera, que é a segunda maior cobertura da atmosfera. Na Antártida, a destruição na camada de ozônio aumenta no período da primavera devido à existência de temperaturas extremamente baixas na estratosfera.
No Ártico, as condições meteorológicas variam mais de um ano para o outro, e as temperaturas são mais quentes do as registradas na Antártida. Os invernos árticos, de acordo com os cientistas, não apresentam perdas na camada de ozônio, enquanto as temperaturas frias na estratosfera do Ártico causam destruição.
Reportagem de Renata Giraldi, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate.
Fonte: Site do Ecodebate

segunda-feira

Compartilhe:Brasil registra aumento de transgênicos e agrotóxicos nas lavouras

De acordo com levantamento da consultoria Céleres, três variedades de sementes geneticamente modificadas – conhecidas como transgênicas – ocuparam mais de 25 milhões de hectares na safra brasileira 2010 /2011. Este número representa 67% da área plantada com soja, milho e algodão – únicas commodities do Brasil em que a modificação pode ser utilizada. No total, foram plantados mais de 37 milhões de hectares das três variedades. A soja conta com a maior área plantada. Dos quase 24 milhões de hectares, 75% são transgênicos. O milho fica em segundo lugar. Dos 5,30 milhões de hectares, pouco mais de 4 milhões são de produção transgênica. Já o algodão ocupou 25,7% da área destinada a cultura.
O aumento das áreas cultivadas explica o crescimento no uso de agrotóxicos. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), no primeiro semestre deste ano foram vendidas 8,6 milhões toneladas de fertilizantes. Um aumento de 5% se comparado ao mesmo período do último ano. De acordo com a integrante da organização Terra de Direitos, Larissa Packer, o uso de fertilizantes aumentou significativamente depois que os transgênicos entraram nas lavouras brasileiras.
“Os campos cultivados de soja e de milho, por exemplo, têm uma determinada semente que é viciada em determinado agrotóxico. Os agricultores não encontram outras sementes e agrotóxicos disponíveis e, com essa compra do pacote tecnológico, é a população quem sofre pela redução de seu padrão alimentar.”
De acordo com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), 15% dos alimentos consumidos pelos brasileiros apresentam taxa de resíduos de veneno em um nível prejudicial à saúde. Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Dez variedades vendidas livremente aos agricultores não circulam na União Europeia e Estados Unidos.

De São Paulo, da Radioagência NP, Danilo Augusto, publicado pelo EcoDebate.
Fonte: Site do EcoDebate

Cada brasileiro consume em Média cinco litros de veneno ao Longo do Ano.

agrotóxicos
Imagem: Istock
De acordo com informações do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindage), mais de um bilhão de litros de agrotóxicos foram jogados nas lavouras brasileiras na última safra. Dependendo do volume de vendas estimado em 2010 pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), esse recorde pode ser superado. A entidade estima um crescimento de até 8%, em relação ao período anterior.
O Brasil está em primeiro lugar no ranking dos países que mais usam agrotóxicos no mundo. Para se ter uma ideia da dimensão, é como se cada brasileiro consumisse, ao longo do ano, cinco litros de veneno. A sociedade não tem conhecimento dos estudos que mostram as consequências do uso intensivo dos agrotóxicos no solo, na água, no ar e nos alimentos que consumimos e até mesmo das graves consequências na saúde da população.
O uso excessivo está relacionado à atual política agrícola do país, que foi adotada a partir da década de 1960, com a chamada Revolução Verde, que representou uma mudança tecnológica e química no modo de produção agrícola. Com isso, o campo passaria por uma modernização, com o aumento da produção de alimentos, com a mecanização do campo e o uso dos pacotes agroquímicos [adubos e venenos].
No entanto, esta transformação, na agricultura, padronizou a produção de alimentos, fortaleceu os latifúndios, concentrou as propriedades agrícolas – com a substituição da agricultura em que a produção de alimentos estava relacionada às necessidades locais –, incentivou as práticas dos monocultivos, uso de sementes hibridas e transgênicas. Estes elementos alimentam o agronegócio, como explica o integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Frei Sérgio Görgen.
“O agronegócio faz uma mecanização de grande porte, cujo impacto ambiental é muito grande, principalmente com o aumento da produtividade do trabalho das máquinas, que expulsam as pessoas dos seus postos de trabalho. Isto faz com que áreas enormes sejam devastadas por essas máquinas, que permitem cultivar grandes extensões de terra com monocultivos muito intensivos. Com isso o grande capital industrial, com usos de máquinas, implementos, venenos e fertilizantes, atrelado com o capital financeiro, que fornece o dinheiro, formam uma unidade com o latifúndio que prejudica o campo.”
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), na última safra foram vendidos mais de 7 bilhões de dólares em defensivos agrícolas. O mercado de agrotóxicos se concentra nas mãos de seis grandes empresas transnacionais, que controlam mais de 80% do mercado dos venenos. São elas: Monsanto; Syngenta; Bayer; Dupont; DowAgrosciens e Basf.
O modelo do agronegócio provoca também a concentração do mercado de insumos. As empresas que fabricam os venenos são as mesmas que produzem as sementes resistentes a eles. Com isto, quando o produtor adquire a semente, obrigatoriamente terá que comprar o agrotóxico correspondente. Esse investimento coloca nas mãos das empresas transnacionais o controle das sementes, que são “viciadas” em insumos, como explica o pesquisador da Fiocruz, médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Antonio Pignati.
“As sementes das grandes indústrias são dependentes de agrotóxicos e fertilizantes químicos. As indústrias não fazem estudos para sementes livres destes produtos. Não criam sementes resistentes a várias pragas, sem a necessidade de agrotóxicos. Não fazem isto, porque são produtores de sementes e agrotóxicos. Criam sementes dependentes de agrotóxicos. E, com os transgênicos, a situação piora.”
Para o engenheiro agrônomo Horácio Martins, estas empresas criaram uma perigosa dependência, por meio do controle da forma como os produtos serão comercializados.
“Desde a semente até a colheita, a lavoura é dependente dos fertilizantes, agrotóxicos, hormônios e herbicidas que as sementes trazem como exigência para fecundarem. Estamos vivendo um momento dominado pelos “Impérios Setoriais.” São poucas as empresas, no mundo inteiro, que controlam o mercado dos agrotóxicos e fertilizantes. Com este controle, essas empresas dominam o “governo” do mundo, elas criam a necessidade das pessoas consumirem os produtos que eles produzem, oferecem o produto e definem a forma como ele será comercializado.”
Os governos fizeram uma opção pelo agronegócio que não permite a realização de um debate sobre as implicações do uso excessivo de agrotóxicos na saúde humana, no meio ambiente e que causam um sério risco sócio ambiental.
Por exemplo, no estado do Ceará, os agrotóxicos são isentos da cobrança de impostos como o ICMS, cobrança de IPI, de PIS/Pasep e de Cofins. Como há isenção de impostos, os custos sociais, ambientais e sanitários são pagos pela sociedade. Quem sofre com isso, segundo a professora da Universidade Federal do Ceará, Raquel Rigotto, é o agricultor, que trabalha diretamente com o veneno; e o consumidor, que se alimenta de produtos envenenados.
“Os trabalhadores do campo são os que mais estão expostos por mais tempo em suas jornadas de trabalho de até dez horas. Sem dúvida o agricultor é o segmento social mais atingido. O consumidor é atingido quando ingerir um alimento que, mesmo com pequenas concentrações, são produtos altamente tóxicos. Existem alimentos com até quinze tipos de substâncias. Os consumidores estão expostos ao que chamamos de efeitos crônicos, ou seja, irão sentir o efeito com o passar dos anos. O pior é que as perspectivas de reversão são bem pequenas. Há uma dessimetria de poder entre quem é atingido e quem gera o problema muito grande. Há uma produção de ocultamento, para que o problema não seja percebido por mais e mais pessoas. O tempo inteiro estão produzindo a invisibilidade dos problemas, das pessoas atingidas, dos impactos e até mesmo das soluções. É uma luta desigual e o prognóstico é sombrio.”
Para Frei Sérgio, a sociedade brasileira está passando por um processo de desinformação e uma alienação alimentar. Para ele, as mudanças só serão possíveis se houver uma consciência alimentar da população, que deve ser mais crítica com a questão da produção de alimentos no Brasil. Ele ainda afirma que é possível, apesar das dificuldades, fazer uma transição do atual sistema de produção para um modelo baseado na agroecologia e na agricultura camponesa.
“Não é uma coisa tão fácil, porque além de termos uma dependência tecnológica, temos uma dependência química das plantas e do solo para isso. Existem regiões em que há quatro gerações vêm-se usando estas tecnologias; por isso muitos agricultores nem sabem como era feito antigamente. Não é algo fácil de fazer, mas a transição é possível porque existe conhecimento técnico para isso, para que se produza sem veneno, ou com pouca quantidade dele. O exemplo é a agricultura camponesa e a agroecologia com suas histórias. Mas a transição, onde já está enraizado, vai ser lenta, sacrificada, pois significa recuperar a capacidade e a fertilidade natural do solo e a biodiversidade local para haver equilíbrio biológico na região.”
Nesse quadro, há uma disputa entre dois modelos agrícolas: o agronegócio e a pequena agricultura. Diante dos efeitos causados pela utilização dos agrotóxicos, é necessário que os produtores, juntamente com os consumidores, discutam qual o melhor modelo de produção agrícola para o país.

Reportagem de Danilo Augusto, da série especial “Os perigos dos agrotóxicos no Brasil”, produzido pela Radioagência NP.
Fonte: Portal do EcoDebate

ENTREVISTA: Agronegócio causa estrago.


Dr. Raquel Rigotto - Imagem Retirada da Internet

Considerada uma das principais pesquisadoras das consequências ocasionadas pelo agronegócio no País, a médica e doutora em sociologia Raquel Maria Rigotto, da Universidade Federal do Ceará (UFC), em entrevista exclusiva ao JORNAL DE FATO, faz uma dura crítica ao modelo de produção agrícola adotado pelos grandes empresários no Brasil, destacando a Chapada do Apodi, que engloba o Rio Grande do Norte e Ceará, e chama a atenção para os graves problemas na saúde pública causado pelos agrotóxicos usados nos cultivos nestas regiões. "O Brasil vem sendo o campeão mundial de consumo de agrotóxicos desde 2008".
Raquel Maria Rigotto esteve no dia 29 de março ministrando palestra para os agricultores no município de Apodi, tratando exatamente sobre os estudos que realiza na Chapada do Apodi (território cearense). Segundo a professora, o Governo Federal destinou mais de 100 bilhões para o agronegócio e apenas 16 bilhões para a agricultura familiar. O que, segundo a pesquisadora, revela uma distorção perigosa do Governo Federal quando a política de governo tanto de saúde pública como de desenvolvimento regional.
Para a pesquisadora, o modelo de monocultura praticado em demasia no País é altamente prejudicial, pois força o uso de agrotóxico e contribuiu com o surgimento de pragas. Um exemplo de monocultura é a Serra do Mel, que tem mais de 30 mil hectares de pomares de cajueiro. Raquel Maria Rigotto destaca que o modelo do agronegócio praticado no Brasil não é brasileiro e só interessa financeiramente os grandes grupos estrangeiros e a indústria química.
DE FATO - De 2008 a 2009, ficou comprovado que o Brasil era o maior consumidor de agrotóxico do mundo, pela sua extensão territorial e sua vocação para a agricultura irrigada. É possível produzir com menos agrotóxico, melhorar este quadro?Raquel Maria Rigotto - Esta pergunta é muito inteligente, Cezar Alves. O Brasil vem sendo o campeão mundial de consumo de agrotóxicos desde 2008, num cenário que insere toda a América Latina, pelo papel que foi destinado a nosso continente pelos atores que conduzem a re- estruturação produtiva no plano mundial. Trata-se do papel de produzir commodities, especialmente agrícolas e agropecuárias, além da cadeia minério-ferro-aço. Estamos aqui voltando, neste momento, as nossas riquezas de solo, ar, água, força de trabalho humano, biodiversidade para produzir commodities para o mercado internacional: a soja, a cana-etanol, eucalipto-celulose e, aqui em nossa região, as frutas, o camarão, incluindo aí também a carne de boi na Amazônia. Tem mais cabeça de boi do que habitantes no Mato Grosso, por exemplo. Além disso, há a questão do modelo escolhido para esta produção.

DE FATO - Que modelo é este?
Raquel Maria Rigotto - Temos aí o modelo da monocultura, que começa destruindo a biodiversidade, desmatando, tirando o que tem de vegetação. Então todo o equilíbrio do ecossistema, que garante a sua saúde, se rompe. Desmatam o cerrado, a caatinga, a floresta amazônica ou a mata atlântica, e instalam ali 3 mil, 4 mil hectares de um monocultivo, e esta é uma condição indutora do surgimento de pragas. Neste ambiente artificial, não há condições de resistir como acontecia quando a biodiversidade estava preservada. Além disso, é um modelo que chamamos de químico-dependente, ou seja, é um modelo viciado em agroquímicos.

DE FATO
- Por quê?Raquel Maria Rigotto - Porque, nestas condições, ele precisa dos agrotóxicos, ele precisa de fertilizante químico em grandes quantidades. Assim que os atores hoje deste modelo de desenvolvimento do campo, são não só aquele latifundiário, dono da terra, mas também a indústria química, o capital financeiro, a ciência e tecnologia, o aparato jurídico institucional, e até mesmo político legislativo. Temos uma bancada ruralista no Congresso Nacional para defender este modelo. Então é este conjunto de elementos que levou o Brasil a esta triste condição, que a partir de 2008 até 2010 somos campeões internacionais de consumo de agrotóxicos: quase cinco quilos de veneno por habitante/ano.

DE FATO - Existe algum trabalho sendo feito pela comunidade científica para reduzir o agrotóxico usado pelos grandes e também pelos pequenos produtores?
Raquel Maria Rigotto - A comunidade científica tem pelo menos duas posições em relação a isto. Nós temos instituições de pesquisa como a Embrapa e universidades também, que estão gerando conhecimento para facilitar e ampliar este modelo do agronegócio. No caso da Embrapa há a estimativa que 95% dos recursos financeiros e humanos estariam voltados para isto e apenas 5% estariam voltados para a outra vertente, que seria o investimento no resgate dos saberes populares e tradicionais dos camponeses, somando-os com os conhecimentos ecológicos atuais, para o avanço daquilo que chamamos da transição agroecológica, para caminhar rumo a um outro modelo de produção no campo, não só em relação ao uso dos agrotóxicos. Não se trata apenas de substituir o veneno químico por veneno biológico, mas de organizar a produção voltada para o acesso equitativo aos bens naturais como a terra, a água e a própria biodiversidade. O acesso ao conhecimento sobre a terra, a produção, aos recursos públicos de financiamentos, que é um tema muito crucial hoje...

DE FATO - Inclusive, o governo Lula destinou muitos recursos para os grandes produtores e pouco para a agricultura familiar. Qual sua opinião com relação a isto?
Raquel Maria Rigotto - Os dados dos últimos dois anos, por exemplo, mostram que R$ 100 bilhões foram investidos para financiar o agronegócio enquanto cerca de R$ 16 bilhões foram voltados para fortalecer políticas ligadas à agricultura familiar. Em 2007 e 2008, a União gastou quase R$ 1,5 bilhão com a securitização das dívidas agrícolas. Em 2009, foram utilizados outros R$ 842 milhões. São dimensões de recursos públicos distribuídos com extrema desigualdade, especialmente se a gente levar em consideração que 70% do alimento que chega à mesa do brasileiro vem da agricultura familiar.

DE FATO - Existe um percentual já calculado de quanto por centro de produtos produzidos com agrotóxicos são consumidos pelo brasileiro?
Sim. O Ministério da Saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, tem um programa cuja sigla é PARA (Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos). Eles coletam amostras de diversos alimentos nos supermercados e analisam os resíduos de agrotóxicos presentes neles. Para 2010, por exemplo, foram monitorados 20 frutas, legumes e verduras, e foram encontrados 29% de resultados insatisfatórios, sendo que 23% apresentavam princípios ativos inadequados para aquele cultivo. É uma situação crítica, que retrata muitas dificuldades do pequeno agricultor no Brasil.

DE FATO - Por quê?
Raquel Maria Rigotto - Porque isto reflete uma situação de alguém que enfrentou uma praga no seu cultivo; que, com medo de perder sua produção, procurou o balcão de uma loja que vende veneno - porque não tem acesso a uma assistência técnica qualificada enquanto política pública; comprou o veneno que o vendedor indicou - porque não passa por um receituário agronômico. A legislação sobre o receituário agronômico não tem sido cumprida. Então você tem aí dinheiro e compra o veneno que você quiser. Não precisa de mais nada. Se você quiser comprar 100 quilos de classificação toxicológica 1, que é extremamente tóxico (com 3 gramas dele você mata um adulto de 70 quilos), você compra e não há dificuldade nenhuma. Então aí o pequeno agricultor comprou o que vendedor indicou para ele, usou no seu cultivo, contaminou o alimento e isto vai atingir o consumidor, contaminou a ele mesmo e sua família, contaminou o solo e a água. Quem ganhou com isto? Só a indústria química e a loja de veneno. E esta é uma situação que ainda está acontecendo no nosso País.

DE FATO - E a Legislação? O que ela prevê quanto ao uso de agrotóxico?
Raquel Maria Rigotto - A Legislação federal sobre agrotóxico data de 1989, regulamentada por um decreto de 2004. E ela é fruto do contexto de mobilização da Assembleia Nacional Constituinte, com toda a efervescência do País no período pós-ditadura. E a Legislação atribuiu aos Ministérios da Agricultura, Meio Ambiente e da Saúde, o controle desta situação dos agrotóxicos e de forma análoga aos órgãos estaduais de agricultura, meio ambiente e saúde. Então nós temos uma legislação com aspectos positivos, mas que não tem sido respeitada em várias dimensões. Mas ela se baseia no que chamamos de paradigma do uso seguro, ou seja, a suposição de que, garantidas e algumas regras e limites, você poderia usar os agrotóxicos - que são biocidas, feitos para matar - você poderia utilizá-los com segurança. Estas condições que estão descritas na Legislação infelizmente não têm sido cumpridas, e o próprio Censo Agropecuário de 2006 mostra isto. Uma delas é o receituário agronômico: é preciso uma receita de um agrônomo, onde estaria discriminado o nome da propriedade e localização, o nome do proprietário, o cultivo, o diagnóstico da praga, o princípio ativo indicado para tratá-la, a dose, a segunda opção de tratamento caso seja necessário, os cuidados que ele tem que ter durante a aplicação, o número de aplicações, o período e os equipamentos... Tudo isto deveria vir no receituário agronômico. Só que isto praticamente não existe.

DE FATO - O que sua pesquisa constatou?
Raquel Maria Rigotto - Nós entrevistamos todos os proprietários de lojas na região da pesquisa. O que eles nos disseram? Que tem um agrônomo sim, e que uma vez por mês ele passa na loja e assina todas as receitas daquilo que já foi vendido. Ou seja, ele sequer viu o agricultor. Este é um exemplo de que a Legislação não é cumprida. Outro exemplo é que não temos no Ceará nenhum laboratório público em condições de analisar a água de um rio para dizer se ali tem veneno ou não, se está contaminado ou não. E esta é uma das atribuições do órgão estadual de meio ambiente.


DE FATO - E no Rio Grande do Norte?
Raquel Maria Rigotto - Aqui no Rio Grande do Norte, nas universidades e centros tecnológicos, temos conhecimento de estudos realizados por séria pesquisadora. Mas, enquanto laboratórios com capacidade de atender a toda a demanda de monitoramento, vigilância e fiscalização, acredito que a situação seja semelhante a do Ceará. Isto para mostrar que as condições para o uso seguro não estão sendo respeitadas.

DE FATO - Qual a ligação dos produtores do Ceará com os produtores do RN? O que está acontecendo lá pode estar acontecendo aqui?
Raquel Maria Rigotto - Olha, quando nós iniciamos a pesquisa, viemos aqui para conhecer, identificar quais são as empresas, os cultivos, se já havia estudos. Descobrimos que todas as embalagens de agrotóxicos lá do Ceará vêm para Mossoró. Aqui existe uma unidade de processamento de embalagens como exige a Legislação. No Ceará nós não temos. Então nós estamos exportando resíduos tóxicos para vocês, daqui do Rio Grande do Norte. Mas depois a gente não prosseguiu num estudo aqui nesta região, porque nosso objetivo junto ao CNPQ e ao Ministério da Saúde era estudar o Ceará. Mas observamos que existe uma forte semelhança porque a Chapada do Apodi é uma unidade territorial única, que está dividida pela fronteira geopolítica. Mas na prática é um mesmo território. No Rio Grande do Norte, com mais antecedência, as mesmas empresas com os mesmos cultivos de frutas para exportação. No Ceará isto começa a partir do ano 2000 e aqui no RN este trabalho começou bem antes e por isto a gente veio no começo exatamente para aprender com a experiência de vocês. Fomos convidados a estar hoje no "Seminário Impacto do agronegócio/agrotóxicos na saúde, no trabalho e no ambiente" organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Apodi, CPT-RN, ASA-Potiguar, CUT, etc. em parceria com o Núcleo Tramas-UFC e o Grupo de Pesquisa Marcos Teóricos Metodológicos Reorientadores da Educação e do Trabalho em Saúde da Uern. O objetivo foi socializar alguns resultados da nossa pesquisa quanto aos impactos do agronegócio para a saúde, o trabalho e o ambiente de comunidades rurais do Baixo Jaguaribe no Ceará. Ficamos animados hoje com a presença do Cerest regional e da Vigilância de Mossoró; do PSF e da Secretária de Saúde de Apodi; da Renap; do Bispo Dom Mariano, da Ufersa, etc, no seminário. Os movimentos sociais, trabalhadores rurais e entidades da região estão atentos ao problema dos agrotóxicos, que poderá ser agravado com a instalação do Perímetro Irrigado Apodi, pelo Dnocs, possibilitando a expansão do agronegócio na região, a exemplo do que já ocorreu em Baraúna e Assu, como evidenciaram as comunidades presentes. Hoje os agricultores familiares de Apodi mostraram que desenvolvem atividades agroecológicas como a apicultura, entre outras e demonstraram que não querem e não precisam do agronegócio, mas de incentivos na agricultura familiar. A contribuição de pesquisadores e professores universitários do RN amplia as possibilidades de informação adequada dos trabalhadores e moradores, que é um direito.

DE FATO - Qual cultivo preocupa mais os pesquisadores?
Raquel Maria Rigotto - Os cultivos em monocultura em grande escala, ou seja, o agronegócio.


DE FATO - A Serra do Mel foi projetada e instalada na década de 70 e lá plantada quase 2,5 milhões de pés de cajueiro em 30 hectares. Hoje deve haver 4 milhões. Isto é um exemplo a não ser seguido?
Raquel Maria Rigotto - Sim. É um exemplo de monocultura muito intensa e que certamente preocupa. No Ceará a gente acompanhou melão, abacaxi e banana.

DE FATO - Considerando a forma de produção, estes três preocupam muito?
Raquel Maria Rigotto - Preocupam muito, especialmente do ponto de vista da saúde e do meio ambiente, tanto dos trabalhadores como das famílias que vivem na região. Cada um com sua especificidade. O melão, por exemplo, são mais de 30 princípios ativos diferentes de veneno utilizado para controlar as pragas. Na banana, as pragas são em menor número. Mas existe um problema muito sério, que são os 'organofosforados' usados para matar uma praga chamada "moleque", que causa a broca do rizoma. E tem o problema da pulverização aérea que para combater um fungo, que causa a doença chamada "sigatoka amarela". A negra não chegou por aqui.


DE FATO - E o que os empresários fazem numa região como a Chapada do Apodi, que tem semelhança em quantidade plantada com o Vale do Açu, para conter estas pragas?
Raquel Maria Rigotto - Na chapada do Apodi são 2.950 hectares de cultivo de banana, o que em 10 anos, com uma média de 6 a 8 pulverizações por ano, eles já despejaram 4.425.000 litros de calda tóxica sobre a Chapada do Apodi, onde estão muitas comunidades.

DE FATO - Com tanto veneno jogado sobre estas propriedades cultivadas e inúmeras comunidades, quais as consequências para a saúde humana em curto e em longo prazo?
Raquel Maria Rigotto - Nós temos um primeiro comprometimento importante que é da segurança alimentar das famílias camponesas, na medida em que a terra está sendo concentrada, em que os camponeses estão perdendo terra, estão virando empregados do agronegócio, eles já não produzem mais seu milho, feijão, macaxeira. Eles já têm que comprar isso. O que eles produzem no agronegócio eles não têm coragem de comer, pois eles vêm à quantidade de veneno que aquele produto tem. Então tem um comprometimento da segurança alimentar das famílias camponesas. Existe outro grupo importante de impacto sobre a saúde que diz respeito ao processo de migração e de alteração do modo de vida. Por exemplo, o cultivo do melão, que vocês têm aqui na região do Rio Grande do Norte também, ele é um cultivo sazonal. Ele só é feito na época do ano que não chove, ou seja, no segundo semestre. No nosso caso lá no Ceará, de repente a empresa abre a contratação de 4 mil homens, que vem de Mossoró, da Paraíba, do Piauí, do sul do Ceará para atender a esta demanda de emprego por um período de 4, 5 ou 6 meses. Homens que vêm sem suas famílias. Atrás deles vem a rede da prostituição. No distrito de Lagoinha, em Quixeré (CE), aqui vizinho do RN, existe uma elevação enorme no índice de gravidez na adolescência. Três vezes mais do que o Ministério da Saúde tem encontrado em média no Brasil. As doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a Aids, aumentando muito. As drogas ilícitas e as lícitas também aumentam muito. A violência doméstica, a violência contra a mulher, que as famílias todas ficam desestruturadas com este processo. Outro ponto é o sofrimento psicológico que advêm disto, a depressão, a tristeza, o suicídio.

DE FATO - E no que diz respeito somente aos agrotóxicos?
Raquel Maria Rigotto - Nós temos dois grandes grupos de impactos dos agrotóxicos sobre a saúde: o primeiro são as intoxicações agudas, que acontecem logo após exposições a concentrações significativas de agrotóxicos por um período curto tempo - que é uma experiência que a vários trabalhadores que participaram hoje (quarta-feira, 29 de março) conosco do seminário já teve. No nosso estudo epidemiológico no Ceará, que teve uma amostra de 545 trabalhadores examinados, 32,1% deles tinham relatos de episódios de intoxicação aguda em algum momento de sua vida. É aquele caso que o cidadão pulveriza e começa a sentir tonteiras, náuseas, vômitos, dor de cabeça, tontura, irritação de olhos, garganta, pele, fraqueza, tremores, etc...

DE FATO - O Equipamento de Proteção Individual, o EPI, previsto na Legislação, não evita estes tipos de reações?
Raquel Maria Rigotto - A gente não pode, Cezar, considerar que o EPI seja a medida de proteção eficaz e suficiente. A própria Legislação trabalhista coloca que o equipamento de proteção individual deve ser utilizado enquanto se implantam as medidas de proteção coletiva; ou em caráter complementar às medidas preventivas para controlar totalmente o risco; ou em caráter emergencial, quando acontece um vazamento, se coloca uma máscara e vai fechar este vazamento. Mas basear a prevenção no equipamento de proteção individual é um erro técnico e legal, muito frequente e comum. A maioria dos profissionais de saúde acredita ainda neste mito do EPI, infelizmente - é o senso comum cultivado pela própria indústria fabricante de EPI. Mas existem várias teses provando o contrário. Por exemplo, um macacão, que faz parte do equipamento de proteção individual, este se encharca de veneno durante o dia porque estava pulverizando com o pulverizador nas costas e vazou. Se no dia seguinte o trabalhador veste novamente este macacão e começa a suar dentro dele, ele funciona como uma compressa de veneno sobre a pele, já que o veneno é absorvido também pela pele, além da via respiratória e da digestiva. Então o EPI não resolve, e às vezes pode ampliar o risco.

DE FATO - E tem também os efeitos crônicos dos agrotóxicos nas pessoas?
Raquel Maria Rigotto - Aí temos um amplo leque de efeitos e quanto mais se estuda mais se descobre. Então o primeiro grupo que sempre nos preocupa muito são os cânceres e hoje não há dúvidas de que a questão ambiental é responsável por 30% a 70% dos cânceres. E nós temos vários cânceres que são diretamente relacionados aos agrotóxicos. Como, por exemplo, a leucemia mielóide aguda, os linfomas não-hodgkin. Agora, são doenças que vão aparecer 5, 10 e até 20 anos depois da exposição. Então, nem sempre a ponte é feita para descobrir a origem do câncer - aquele tempo que trabalhava com agrotóxico ou morando perto de uma fazenda de produção agrícola.


DEFATO - E quanto aos nascimentos de crianças com problemas de formação no útero?
Raquel Maria Rigotto - Neste ponto, temos as malformações congênitas que podem ser causadas também por agrotóxicos. Bastante discutida hoje, por exemplo, é a chamada criptorquidia, que é quando o bebê do sexo masculino nasce com os testículos ainda na cavidade abdominal. Eles não descem para a bolsa escrotal. Isto tem ligação com o agrotóxico e tem sido cada vez mais frequente em áreas de exposição a agrotóxicos. A infertilidade masculina também tem ligação com os agrotóxicos: eles alteram o número de espermatozóides, a mobilidade deles, a porcentagem de espermatozóides anormais. Nós temos distúrbios endócrinos causados pelos agrotóxicos, já que eles são capazes de imitar o comportamento dos hormônios sexuais. Eles entram no corpo, "enganam" as nossas células receptoras dos hormônios, como se fossem hormônios masculinos ou femininos, e isto contribui para a puberdade precoce das meninas, por exemplo, entre outras alterações.

DE FATO - E problemas hepáticos são frequentes?
Raquel Maria Rigotto - Na nossa pesquisa no Ceará, entre os trabalhadores da monocultura do abacaxi, 53% deles estavam com alteração nas provas de função hepática, ou seja, o fígado funcionando mal. O fígado funciona como um laboratório químico no corpo, e é muito sobrecarregado pelos venenos. Tivemos inclusive o caso de um trabalhador jovem e sadio, desta mesma empresa, que adoeceu em agosto de 2008 e em novembro faleceu com uma doença hepática tóxica, depois de trabalhar por 3 anos de meio no almoxarifado químico.

DE FATO - E o parto prematuro e o nascimento com baixo peso, que tem acontecido com muita frequência nesta região, também têm ligações com exposições aos agrotóxicos dos pais, no caso da mãe?
Raquel Maria Rigotto - Tem sim. O parto prematuro, nascimento com baixo peso e o aborto também são relacionados aos agrotóxicos, mas é claro que existem outras causas. É preciso que o profissional de saúde esteja alerta quanto a isto, para que sejam feitas perguntas a respeito do trabalho e ao ambiente em que aquela pessoa vive, exatamente para poder fazer estas pontes e, não só fazer o tratamento adequado, como também dar visibilidade ao problema e tomar as medidas preventivas necessárias.

DE FATO - Mossoró tem 260 mil habitantes e polariza outras 40 cidades. Tem uma única maternidade, onde são feitos 600 partos mês, sendo que 30 prematuros. Só temos 3 leitos de UTI neonatal e nenhum leito de UTI pediátrico. Isto considerando os hospitais públicos e privados. Isto agrava o problema?
Raquel Maria Rigotto - Este problema fica agravado quando não há leitos de UTI pediátrica disponíveis para oferecer cuidados a estas crianças. Meu Deus!

DE FATO - Existe estudo que mostre alguma relação com o desenvolvimento intelectual das crianças ao agrotóxico?
Raquel Maria Rigotto - Bem lembrado. As pesquisas estão demonstrando as dificuldades de aprendizado das crianças na escola, a hiperatividade, a falta de concentração, o comprometimento da memória, que estão relacionadas a alguns tipos de agrotóxicos.

DE FATO - Obviamente tudo isto gera uma demanda de serviços novos na rede de saúde pública. O SUS está preparado para este tipo de atendimento?
Raquel Maria Rigotto - Então, desde o processo de reforma sanitária, quando o Sistema Único de Saúde - SUS - foi construído, também o campo da Saúde do Trabalhador se fortaleceu no SUS. Teve um papel importante no modelo que seria adotado a partir de então. De forma que a gente tem uma legislação de Saúde do Trabalhador no SUS e um conjunto de atribuições muito rico, com ações desde o Programa de Saúde da Família, responsável pela atenção básica, os Centros de Referência em Saúde do trabalhador (Cerest), a Vigilância em Saúde, que também tem um papel importantíssimo nisto; a CIST, que é a Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador que deve fazer parte dos Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde. Também no campo da Saúde Ambiental esta política vem sendo construída. Nós tivemos em 2009 a primeira Conferência Nacional de Saúde Ambiental para tratar destes assuntos. Porque o SUS precisa identificar e dar resposta às novas necessidades de saúde das populações expostas a estes contextos de riscos. Não se pode prosseguir cegamente no tradicional pacote de programas de hipertensão, diabetes, hanseníase, tuberculose, sem se dar conta de que o território está passando por profundos processos de transformação.

DE FATO - Doutora, realmente existem muitos mecanismos previstos no SUS que beneficiam o trabalhador rural, mas na prática...
Raquel Maria Rigotto - Infelizmente, há uma enorme distância entre aquilo que está previsto que o SUS faça e aquilo que ele vem conseguindo fazer na maioria dos locais do País, com honrosas e homenageadas exceções. Temos aí uma dificuldade muito grande. Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador que ainda não conseguiram estabelecer um diálogo direto e profundo com os movimentos dos trabalhadores, sindicatos, trabalhadores do campo, informais: ouvir estes trabalhadores, saber quais são os dramas que estão vivendo e o que eles precisam que o SUS faça em termos de prevenção, de vigilância, de informação, de acessos aos seus direitos, de garantias mesmo a saúde. Então ainda temos muita coisa pra crescer, inclusive na articulação entre as ações e políticas de Saúde do Trabalhador e as de Saúde Ambiental, que ainda estão muito separadas. Isto é artificial, porque na realidade são os processos de produção e consumo que delineiam o perfil de saúde-doença dos grupos populacionais.

DE FATO - O seu trabalho de pesquisa junto aos trabalhadores do agronegócio pode terminar por contribuir com um aprimoramento do SUS para atender o trabalhador rural?
Raquel Maria Rigotto - Eu espero que nosso trabalho de pesquisa possa estar ajudando o SUS a se encontrar no meio de tantos problemas que existem aí pedindo a abordagem dele na Saúde do Trabalhador e na Saúde Ambiental. Por exemplo, o Cerest poderia integrar a questão ambiental, e passar a ser Ceresta, não?

Por: Cezar Alves
FONTE: Jornal De Fato.