sexta-feira

Caravana Agroecológica vai ao encontro de famílias que resistem ao avanço do agronegócio em Minas.

caravana EFA Paulo FreirePor Gleiceani Nogueira - Asacom.

Entre uma comunidade e outra, passando por estrada de asfalto, de barro, de terra, subindo e descendo morros, adentrando a Mata Atlântica, a Caravana Agroecológica e Cultural da Zona da Mata – MG percorreu durante três dias (22 a 24 de maio) em torno de 1627 quilômetros. Para se ter uma ideia, essa distância equivale a sair de São Luiz, capital maranhense, a Salvador, na Bahia, no extremo sul da região Nordeste. A iniciativa faz parte do processo preparatório do III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), previsto para o primeiro semestre de 2014.
O percurso foi dividido em três rotas (Muriaé, Araponga e Acaiaca), que se subdividiram em sete grupos. Ao todo, foram visitados 17 municípios da Zona da Mata Mineira: São Miguel do Anta, Canaã, Araponga, Divino, Ponte Nova, Acaiaca, Abre Campo, Diogo de Vasconcelos, Simonésia, Sem Peixe, Conceição de Ipanema, Visconde do Rio Branco, Ervália, Muriaé, Pedra Dourada, Espera Feliz e Alto Caparaó.
Os participantes, vindos de todas as regiões do País, conheceram experiências de agricultores e agricultoras em produção agroecológica, sistemas agroflorestais, sementes, educação do campo, acesso à terra, manejo dos recursos naturais e acesso a mercados, mobilizadas e articuladas pelo Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM), em parceria com entidades locais.
Para o representante da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e coordenador do Centro Sabiá, Alexandre Henrique Pires, a caravana conseguiu fazer uma boa mobilização de organizações e movimentos sociais de todo o Brasil e mostrou uma capacidade de articulação de experiências bastante interessante dentro da proposta do III ENA, que é de reafirmar a agroecologia como a principal estratégia para o desenvolvimento rural.
“As experiências mostram capacidade de produção de alimentos, de geração de renda, de conservação da biodiversidade e dos recursos naturais, de geração de trabalho, de perspectivas para a juventude rural, de força e visibilidade do papel das mulheres camponesas”, avalia Pires, que também está na comissão nacional de preparação do ENA.

Território de disputa
barragem granada caravanaGranada (MG) - Além de conhecer experiências agroecológicas, os participantes tiveram a oportunidade de visitar projetos do agronegócio, perceber suas contradições e efeitos negativos na vida das famílias, em contraposição à realidade da agroecologia.

No município de Abre Campo, os contrastes entre os dois modelos são bastante evidentes. Na comunidade foi construída a barragem de Granada, no rio Matipó, bacia hidrográfica do Rio Doce. O processo de licenciamento teve início em 1995, mas a licença de operação e instalação foi concedida em 2002. Durante todos esses anos, as famílias contam que eram procuradas dia e noite pelo representante da empresa, que eles chamam de “homem da mala preta”.
“Se há uma represa que deu lágrima foi essa. Aqui todo mundo saiu chorando. Quando eu sai da minha casa, fui parar num barraco de maderito. Fiquei 10 anos no barraco de maderito e não é coisa de gente morar não. Pra quem tinha uma casa como eu tinha, de madeira, de tábua”, desabafa Carminha, uma das atingidas pela construção da barragem. “A gente tinha fartura de tudo. A gente comprava um sal, um óleo, pouca coisa. Hoje, o que eu tenho, é tudo comprado”, compara Carminha.
No semblante das famílias, ainda percebe-se um olhar triste. Na lembrança, as memórias de ‘um tempo que não volta mais’ ainda são muito presentes. A construção da barragem desterritorializou centenas de famílias, acabou com a agricultura da região, com as fontes de água, com a vegetação e com o campinho de futebol, principal espaço de lazer da comunidade. Contraditoriamente, no entorno da grande obra, a Brookfield, empresa canadense que comprou a barragem em 2008, espalhou placas com a seguinte frase: Preserve o meio ambiente!

caravana PAISApesar do sofrimento, as famílias da comunidade Granada estão aos poucos conseguindo reestruturar suas vidas e encontraram na agroecologia uma grande aliada. Com o apoio do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), o casal Alzira e Veio implantou um sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) onde combinam espécies arbóreas com cultivos agrícolas, em hortas circulares. No centro é instalado um galinheiro, cujas fezes servem de adubo para o plantio.
Além das barragens, o território sofre com os efeitos na mineração, da monocultura do eucalipto, da cafeicultura e tantas outras expressões do agronegócio. Ao mesmo tempo, a caravana mostrou que há um grupo significativo de famílias que estão resistindo a esse modelo, através de práticas que valorizam o conhecimento local e respeitam a natureza.
“Quando os agricultores têm consciência do seu papel enquanto sujeitos políticos, eles criam um conjunto de estratégias de independência do mercado, gerando um grau de autonomia econômica, cultural, produtiva, bastante diferente daquelas famílias que não têm acesso a esses conhecimentos ou que não se reconhecem como sujeitos desses conhecimentos”, avalia Pires.
(*) Fonte: Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA).

quarta-feira

As perspectivas da caravana agroecológica de Apodi/RN.

agnaldoAlém dos agricultores, lideranças de movimentos, técnicos, acadêmicos, dentre outros representantes da sociedade civil, os próximos organizadores das Caravanas Agroecológicas rumo ao III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) também participaram das atividades na zona da mata. A ideia é multiplicar esse método de mobilização e conscientização por todo o país, de modo à visibilizar a agroecologia e ampliar o debate com a sociedade.
Para a avaliação das atividades e apresentação das perspectivas em sua região, conversamos com Agnaldo Fernandes, do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi, do Rio Grande do Norte. Nos próximos meses está prevista uma caravana no município, que passa por um momento difícil com a possibilidade da instalação de um mega projeto de irrigação que está ameaçando as organizações e cultivos agroecológicos locais.
Como você viu a forma de organizar a caravana na zona da mata?
Agnaldo – Faço uma avaliação extremamente positiva do evento, porque a gente conheceu várias experiências que reafirmam que a agroecologia e a agricultura familiar são um viés para o Brasil na geração e distribuição de renda. Por pessoas simples e humildes, mas que respeitam a natureza. Elas sabem muito bem produzir e respeitar o meio ambiente, diferentemente do agronegócio. Essa caravana serve para afirmar isso: a agroecologia é viável, apesar de muitos falarem o contrário tentando legitimar o agronegócio. É muito positivo vermos aqui dentro das práticas, que os agricultores através das organizações conseguem essa autonomia de gestão dos territórios gerando renda e economia solidária. Isso nos deixa maravilhado com o evento.
Como você vê o ponto de vista operacional da caravana, já na perspectiva da sua realização no Apodi?
Agnaldo – A metodologia é bastante interessante, em todas as comunidades e cidades que passamos, pensamos repetir isso que é positivo. Vamos rever algumas coisas da questão do alojamento do pessoal, mas a dinâmica da troca de saberes é válida e importante para a gente tirar como positivo e aplicar em qualquer região e território que vá sediar um encontro regional das caravanas.
Vocês já estão se reunindo e pensando nas rotas?
Agnaldo – A gente teve uma primeira reunião no mês passado, e afirmamos que a gente tem o interesse de sediar o encontro lá. A data e número de pessoas ainda não trabalhamos, e as rotas vamos também tentar mostrar a organização dos grupos que produzem agroecológicamente respeitando o manejo da caatinga: a apicultura que é um potencial muito forte, a produção de polpa de fruta, grupos artesanais, grupos de mulheres, etc. No município de Apodi tem mais de 70 associações comunitárias, então é mais para a gente estar visitando esse histórico da organização. E também confrontar com um projeto de irrigação que está sendo proposto para ser instalado lá nos modelos do agronegócio, que coloca em ameaça toda essa produção agroecológica e a autonomia dos grupos. É uma questão de modelo, de confrontar também essas idéias e mostrar que aquilo tudo está em ameaça.
Teremos algumas dificuldades para realizar a caravana lá, porque as cidades são um pouco mais distantes, como Apodi, Mossoró, Caraúbas, Governador, Felipe Guerra, que têm experiências agroecológicas bastante interessantes. Pretendemos explorar o sertão do Apodi, são locais com uma dinâmica mais complicada e vamos ver como faremos essas rotas, depende também dos recursos e apoio.
Fonte: Site da ANA. 

quinta-feira

Agricultores e agricultoras de Apodi ocupam Prefeitura Municipal.



Aconteceu hoje pela manhã, dia 16, uma mobilização dos agricultores e agricultoras ligados ao Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi na Prefeitura Municipal. Cerca de 100 agricultores e agricultoras ocuparam as dependências da Prefeitura Municipal para pressionar o governo municipal a garantir a liberação de ônibus para viabilizar a participação de uma delegação de Apodi na mobilização “Grito da Seca” que ocorrerá em Natal na próxima terça feira, dia 21.

O Presidente do STTR informou que em reunião na última segunda feira com o Chefe de Gabinete o mesmo não deu garantias dessa liberação, isto forçou a convocação de uma reunião extraordinária do Fórum das Associações que culminou com a ocupação da Prefeitura. No momento da ocupação, tanto o Prefeito como o Chefe de Gabinete se encontravam em Natal. Os agricultores e agricultoras foram recebidos pelo Chefe Adjunto do Gabinete Professor Pedro Filho que de imediato entrou em contato com o Prefeito colocando a situação e em seguida passou o telefone para o Presidente do STTR Francisco Edilson que colocou a reivindicação e cobrou uma solução. Após entendimento o Sr. Prefeito determinou ao Chefe Adjunto do Gabinete que procedesse com a contratação de 03 ônibus para garantir a participação dos agricultores e agricultoras de Apodi na mobilização do dia 21.


Para o Presidente do STTR Francisco Edilson essa ação foi bastante positiva e mostra que quando os agricultores e agricultoras se organizam e lutam de forma coletiva as coisas acontecem.

Por: Agnaldo Fernandes

terça-feira

Fórum da Agricultura Familiar de Apodi/RN convoca reunião em Caráter de Urgência.



O Fórum da Agricultura Familiar de Apodi/RN convoca todos/as Presidentes de Associações Comunitárias e Áreas de Assentamento para Assembleia em caráter de URGÊNGIA do referido Fórum que irá acontecer nesta quinta feira, 16 de maio de 2013 a partir da 8h30min. no Auditório do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi/RN. 
A reunião irá tratar como principal ponto de pauta o ato público que estará acontecendo dia 21 de maio em Natal.
“A necessidade dessa Assembleia Extraordinária é para discutirmos e deliberamos sobre a forma como iremos participar da mobilização em Natal na próxima terça feira. Na última reunião do Fórum ficou decidido que a Diretoria do STTR iria se reunir com o Prefeito para solicitar apoio para o deslocamento da nossa delegação.  Na última segunda feira aconteceu a reunião mas que não houve por parte da Prefeitura a garantia desse apoio. Daí a necessidade de nos reunirmos em caráter extraordinário para encaminharmos formas que garanta a nossa participação nessa importante mobilização que irá ocorrer na próxima terça feira em Natal”, esclareceu a coordenação do Fórum.
Portanto, é de fundamental importância que todas as lideranças que presidem associações comunitárias e de assentamento se façam presentes na assembleia do dia 16 de maio de 2013, próxima quinta feira, a partir da 8h30min. no Auditório do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi/RN.

quinta-feira

Leite é adulterado com produto cancerígeno no Rio Grande do Sul



Cem milhões de litros de leite podem ter sido misturados com água não tratada e um produto químico cancerígeno para aumentar o lucro de seis empresas de transporte. É o que descobriu uma investigação do Ministério Público no Rio Grande do Sul. O leite adulterado era vendido também no Paraná e em São Paulo. Oito dos nove suspeitos estão presos.
O galpão onde o leite era adulterado fica em Ibirubá, interior do Rio Grande do Sul. No local, caminhões-tanque sem qualquer refrigeração armazenam água e ureia que, segundo a investigação, são misturados com o leite. A ureia é um fertilizante muito usado no campo e contém formol, substância cancerígena condenada pela Organização Mundial da Saúde.
O engenheiro químico Jerônimo Luiz Menezes Friedrch explica porque os suspeitos precisavam adicionar ureia no leite: “O formol, que está dentro da ureia, é usado para maquiar a adição de água, que era colocada dentro do leite. Eles queriam ganhar no volume. Só que o formol é um produto cancerígeno e cumulativo no organismo, então eles estavam usando a ureia, desconhecendo que dentro havia o formol”.

No final de fevereiro, o Ministério da Saúde identificou a presença do formol. Os promotores começaram a investigar e descobriram que os suspeitos compraram mais de 98 toneladas de ureia, o suficiente para adulterar os 100 milhões de litros de leite que os envolvidos vendem no Rio Grande do Sul, no Paraná e em São Paulo em um ano.

“Nós apuramos que alguns empresários do setor de transporte de leite cru, que realizam o transporte do produtor para os postos de resfriamento, estavam lucrando com a adição de 10% de água ao volume trabalhado. Como essa adição de água faz uma diminuição do poder nutricional do leite, estavam adicionando ureia”, relata o promotor Mauro Rockenbach.
O leite era comprado do produtor por intermediadores, que antes de vender para a indústria adulteravam o produto nos chamados postos de resfriamento. Para o promotor, os fraudadores sabiam do risco à saúde da população. “Eles agiam até com um certo deboche. Houve um diálogo captado em determinada ocasião em que um dos empresários fraudadores pedia ao seu motorista que antes de fazer a mistura e levar o leite adulterado, deixasse o leite bom, cru, para ser usado pela sua família. Usando a expressão: ‘deixa para minha guachaiada’”, conta.

Pela manhã, os promotores cumpriram 13 mandados de busca e nove de prisão em quatro cidades gaúchas. Eles estiveram no depósito visitado pela equipe do Jornal Hoje e descobriram que nem a água adicionada ao leite era tratada e vinha deste poço artesiano.
Após a descoberta da fraude, o Ministério da Agricultura determinou o recolhimento de lotes de quatro marcas nas prateleiras dos supermercados: Latvida, Italac, Líder e Mu-mu. “É possível que alguma coisa ainda esteja no mercado. Tem que se evitar o consumo desses lotes que foram identificados”, alerta o promotor Alcindo Luz Bastos Filho.
A investigação não apontou o envolvimento das indústrias na fraude, mas Mauro Rockenbach criticou a análise do produto nas fábricas:  “Eles falharam no controle de qualidade, uma vez que recebem leite com ureia e formol e não detectam antes da linha de industrialização. Falharam no controle de qualidade”.
A Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul afirma que a indústria Latvida não pode mais produzir leite, derivados e doces, pois havia formol em algumas amostras coletadas. A empresa alega que os problemas aconteceram durante o transporte e se referem a apenas um lote.
A empresa que fabrica a marca Mu-Mu afirma que atende os requisitos exigidos pelo Ministério da Agricultura e está à disposição da investigação e dos consumidores para esclarecer dúvidas. A equipe do Jornal Hoje tentou falar com os fabricantes das marcas Italac e Líder, mas ainda não conseguiu resposta.
Confira a lista dos lotes de leite retirados do mercado pelo Ministério da Agricultura:
Fábrica BOM GOSTO – TAPEJARA/RS – SIF 4182
Leite UHT integral
- Marca Líder
Lote: TAP 1 MB
Fábrica GOIASMINAS – PASSO FUNDO/RS – SIF 1369
Leite UHT integral
- Marca Italac
Lote: L 05 KM3
Leite UHT semidesnatado
- Marca Italac
Lote: L 12 KM1
Leite UHT integral
- Marca Italac
Lote: L 13 KM3
Leite UHT integral
- Marca Italac
Lote: L 18 KM3
Leite UHT integral
- Marca Italac
Lote: L 22 KM4
Leite UHT integral
- Marca Italac
Lote: L 23 KM1
Fábrica VONPAR – VIAMÃO/RS – SIF 1792
Leite UHT integral
Marca Mumu

segunda-feira

´Eu ainda penso que ele vai voltar´, diz esposa de agricultor.


Num dos maiores polos agrícolas do Nordeste, farra de agrotóxicos e casos de contaminação, como o de José Liberato

Para Helena, o tempo parece não passar e, assim, a saudade de liberato não diminui com o passar dos dias, meses, anos

Juazeiro (BA). Parece que foi ontem o dia 20 de julho de 2010. Os mais de 39 anos de casada com Liberato não permitem que Helena ache distante o tempo que já não vive mais com o esposo. "Distância é o tempo que fica para frente". Ao redor de casa, o horizonte lembra Liberato - um campo agrícola e o campo de futebol. E, quando a tarde avança, é maior a sensação de que o homem está perto de voltar.

"Era louco por futebol. Era sagrado o jogo à tardinha. Chegava da plantação pra se trocar para o jogo. Duas coisas que ele gostava: jogar bola e ouvir um sonzinho em casa". Seu Liba, como era chamado na comunidade, diziam que dava de dez a zero nos rapazotes. "Era um coroa enxuto". O gosto pelo futebol é tanto que só percebe que a contaminação por agrotóxico virou coisa séria no meio de uma partida, quando bate uma fraqueza e desmaia no meio do campo. No hospital, dizem que provavelmente não é nada. "Mas eu já tinha impressão que fosse o início desse problema", afirma Helena. É o início do recomeço, pois antes foram vários decaimentos no campo agrícola.

"Ele já tinha se intoxicado de veneno em 83, teve a segunda vez, aí a terceira foi aqui na frente de onde tá a gente". Estamos no assentamento Mandacaru, Juazeiro (BA), em pleno Vale do Rio São Francisco. Por causa disso, passa sete anos afastado da roça. "Se fosse lá (na roça), chegava em casa com dor de cabeça e coceira no corpo".

Corpo "em chamas"

O formigamento e o calor no corpo são tantos que 5 horas da madrugada, quando o sertanejo pode encontrar o momento mais frio do dia quente, Liberato está no segundo ou terceiro banho. Vã tentativa de apagar a sensação de chamas. "Quando ele sentia dor de cabeça, o médico dizia ´o senhor não vá pra roça, pode dar um problema e o senhor ficar paralisado´. Era uma dor de cabeça muito forte, ele gritava feito criança", conta.

Além da casa, o casal Helena e Liberato conquistou um lote de oito hectares no assentamento. Lá, passaram 24 anos das quase quatro décadas de casados. Nesse tempo, viram o Rio São Francisco iniciar a propulsão de um grande movimento de produção agrícola irrigada, a partir de Petrolina (PE), na outra margem do rio. O polo Petrolina-Juazeiro é hoje referência de desenvolvimento rural no Nordeste.

"Na época em que ele começou, não tinha proteção . Naquele tempo, não tinha EPI. Tinha tempo de ele chegar em casa todo molhado de veneno. Depois, eu ia lavar a roupa. Mas também ajudava ele assim: ele botava veneno num dia, no outro eu ia limpar. Quando eu fiquei assim (aponta manchas no corpo), fiz todo tipo de exame e não deu nada para agrotóxico".

Reunião da ASA Potiguar acontecerá nesta terça-feira no município de Currais Novos.

 
Acontecerá nesta terça-feira, dia 07 de maio, no auditório da CDL do município de Currais Novos, localizado na microrregião do Seridó no Estado do Rio Grande do Norte a segunda reunião da ASA Potiguar do RN.

A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) é uma rede formada por mil organizações da sociedade civil que atuam na gestão e no desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida. Sua missão é fortalecer a sociedade civil na construção de processos participativos para o desenvolvimento sustentável e a convivência com o Semiárido referenciados em valores culturais e de justiça social. No Rio Grande do Norte, essa rede é muito atuante, subdividida em microrregionais e já tem desenvolvido várias atividades nas várias regiões do Estado. Aqui no RN, a ASA é coordenada pelo Centro Terra Viva, na pessoa do Técnico Paulo Segundo.

Aqui no Estado, a ASA atua principalmente com dois programas importantes para a convivência com o Semiárido, o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) que são ações do Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semiárido da ASA.

“Reforço a importância e a necessidade de participação de todas as UGs (unidades gestoras), entidades membro da ASA, Comunicadores(as)  e delegados(as),  pois, precisamos socializar os informes e as várias articulações que estão acontecendo nas microrregionais”, afirma Paulo Segundo.

As discussões principais da reunião serão os programas que estão sendo executadas pelas Organizações da ASA, como também já iniciar o debate acerca do ECONASA, Atividades do FOCAMPO e discutir agendas e programações para as atividades de atuação no RN.

 Enviado por: Jerlândio Moreira - Centro Terra Viva - Comunicação Popular

Silêncio e dor se multiplicam nos campos brasileiros.


Nesta série contamos a história de homens e mulheres vítimas da intoxicação por agrotóxicos na atividade agrícola e o que diz a política, a economia e a ciência

Para garantir a colheita e aumentar a produtividade, passou-se a usar o agrotóxico, que alguns chamam de defensivo químico ou agroquímico. O veneno usado para matar pragas nas lavouras chega com força ao ser humano e ao meio ambiente quanto maior e mais indiscriminado é o seu uso. Mortes silenciosas passam a ocorrer nos campos agrícolas brasileiros e fora deles. Assim foi com Valderi, Wanderlei, Rosália, Liberato e Antônio. Estes são alguns entre milhares de nomes registrados pelo Sistema Nacional de Informações Toxicológicas (Sinitox) com óbitos por agrotóxico agrícola.

São trabalhadores rurais do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Bahia, que conhecemos após percorrer quase 6 mil quilômetros. Os seus últimos anos de vida são narrados pelas esposas, as "viúvas do veneno". Entre as vítimas incluímos Rosália, que lavava diariamente as roupas do marido sujas de veneno. Morreu de leucemia. Deixou três filhos e Marizaldo, o viúvo desta série.

Maria da Conceição cuidou dos últimos dez anos de vida de Valderi. Mas os cinco últimos valeram por outros dez. O agricultor foi perdendo partes do corpo. A reportagem conheceu Valderi logo após ele perder os primeiros dedos do pé, em 2005. Fizemos também a sua última foto em vida, em 2008.

Esta série especial não começa agora, mas há sete anos, em Limoeiro do Norte, cidade de José Maria Filho, uma das fontes exclusivas entre os moradores e lideranças na Chapada do Apodi. Sabíamos, dois anos antes, das ameaças de morte que sofria por denunciar a pulverização aérea onde hoje está um dos maiores polos fruticultores do Nordeste. Mesmo assim, ele insistia em não se calar. Quando foi assassinado, a comunidade de Zé Maria não se calou e os cientistas constataram as doenças causadas pelo veneno denunciado. A partir de amanhã, e até domingo, acontece a Semana Zé Maria do Tomé. Serão dias de protestos pela causa ambiental.

O Brasil é, há mais de quatro anos, o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Somente em 2011 circularam cerca de US$ 8,9 bilhões no comércio de veneno, dominado por nove empresas fabricantes que não concorrem entre si, pois, para cada cultura, uma delas produz um ou vários venenos específicos.

Em todo o País, foram confirmadas 171 mortes por agrotóxico agrícola somente em 2010, ano mais recente levantado pelo Sistema Nacional de Informações Toxicológicas. Mas a subnotificação é um dos grandes imbróglios neste setor. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada caso notificado, existem outros 40 que não são.

E de quem é a culpa? Do modelo agrícola, da desinformação do trabalhador, do lobby dos fabricantes de venenos, da venda a qualquer custo? Desde a "revolução verde", há 50 anos, não se falou tanto em agrotóxicos no Brasil quanto nestas primeiras décadas do século XXI. "Delicado", "espinhoso", "polêmico", "necessário" são alguns adjetivos dados ao assunto, não importa qual opinião se tenha. No meio disso tudo, um fato: mais pessoas estão morrendo, o solo e a água estão com maiores teores de produtos químicos. Tudo de uma forma silenciosa, só definida com o tempo.

Estivemos também em Campinas (SP) reunidos com autoridades do agronegócio e representantes do segmento fabricante de agrotóxicos. Enquanto tudo isso, o mundo corre para garantir a segurança alimentar para 9 bilhões de pessoas até 2050. Há respostas de cunho político, econômico, social ou científico. Todas elas são consideradas nesta série especial inédita de hoje até o próximo dia 20 de abril.

Fonte: Diário do Nordeste 

sexta-feira

Avião pulveriza inseticida e contamina crianças em Goiás.

Crianças e adultos foram levados para os hospitais da região apresentando sintomas como vômitos, coceiras e olhos lacrimejantes

GOIÂNIA - Na manhã de desta sexta-feira, 3, um avião de pulverização agrícola, carregado com um tipo de inseticida, causou a contaminação de aproximadamente 40 pessoas, mais da metade delas crianças de uma escola rural situada entre os municípios de Paraúna e Rio Verde, no Sudoeste de Goiás. Professores e funcionários também foram contaminados. 
Crianças e adultos foram levados para os hospitais da região apresentando sintomas como vômitos, coceiras e olhos lacrimejantes. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Rio Verde, Cléber Cândido, foi preciso um comboio de bombeiros e ambulâncias do Samu para o atendimento.
As crianças foram levadas para hospitais de Montidiu e Rio Verde. Ainda não se sabe se o piloto sobrevoou a escola por engano na hora da pulverização, ou se o agrotóxico foi levado pelo vento. As crianças são moradoras de um assentamento do Incra situado entre os dois municípios.
Por: Marília Assunção, de O Estado de S. Paulo

quarta-feira

MST ocupa sede do Dnocs para negociar os problemas da seca no Ceará.

 Da Página do MST

Manifestantes ligados ao MST ocuparam pela manhã desta quarta-feira (17) a sede do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNCOS), localizada na Avenida Duque de Caxias, em Fortaleza.

O Movimento reivindica reunião com representantes do órgão para negociar pontos referente à seca que assola a região, umas das piores dos últimos anos. Para esta quinta-feira, já está marcada uma audiência com o governador do estado, Cid Gomes (PSB).

Os trabalhadores estavam acampados desde ontem no canal da Integração em Pacajús. A ação tem como objetivo exigir políticas públicas efetivas de combate aos efeitos da seca, investimentos para reforma agrária, assentamento imediato de famílias acampadas e evidenciar a situação crítica que vivem os agricultores do estado, como problemas referentes a falta de distribuição de água, a perca do rebanho e da produção agrícola. 

A mobilização é uma das ações que acontecem em todo o Brasil e faz parte do calendário de lutas que marcam a jornada de lutas pela reforma agrária, em referência ao massacre de Eldorado dos Carajás ocorrido em 17 de abril de 1996 no estado do Pará.
 

“Combater” ou Conviver com a Seca?

Por José Lemos*
O primeiro passo para resolver um problema é conhecer-lhe a essência e as suas causas. Quando isso não acontece, ficamos circulando em seu entorno, buscando-lhe arremedos paliativos que, obviamente, não resolverão. A tendência é a sua perpetuação, agravando as suas implicações com o passar do tempo. A ocorrência de secas no Nordeste é um desses problemas para o qual nunca se buscou soluções definitivas. Não convinha, como não convém, que elas aconteçam. Quando não existir mais flagelados pelas secas, seca (o trocadilho é proposital) a fértil fonte de sobrevivência política de muita“gente boa”. E não são apenas aqueles velhos conhecidos“coronéis” do Nordeste. Eles continuam firmes, mas agora convivendo (quem haveria de convir!?) com muitos daqueles que no passado, nem tão remoto assim (coisa de pouco mais de dez anos), lhes ridicularizavam, adjetivando-os com expressões impublicáveis. A “safra” está se renovando e agora já não mais fazem questão de distinguir gregos de troianos. Se é que me faço entender.
Nestes dois anos os registros de pluviosidade no Nordeste semi-árido, incluindo ao menos quinze municípios maranhenses, sinalizam que estamos diante de uma das maiores, se não a maior seca dos últimos cinqüenta anos. A paisagem que se observa em boa parte deste sofrido pedaço de Brasil é de calamidade. Mortandade de animais por falta de alimentos e de água. As lavouras não produziram ano passado. Não produzirão neste ano.
Uma cena que não é novidade para quem conhece o Brasil. Ela se junta às calamidades das avalanches do Rio de Janeiro, que desabriga, ou desaloja, centenas de famílias e mata outro tanto de pessoas, por excesso de chuvas. Tragédias anunciadas em que governantes nos níveis federal, estadual e municipal, lá e cá, apenas buscam soluções paliativas. Nada de ir fundo nas causas, nem de buscar soluções definitivas. Li na imprensa que, por ocasião da avalanche no Rio de Janeiro, o Governador assistia nos EUA, descontraidamente com o filhote, a uma partida de basquetebol. Ninguém é de ferro! A Presidente, em plena crise no Rio de Janeiro, direto do Vaticano, atribuiu a culpa pelo desastre às populações que insistem em morar naquelas áreas de risco. Guerrilheira como exaltou o seu companheiro de partido, anti-capitalista (como dizia quando era conveniente nos tempos das vacas magras), atribuiu àqueles, que não tem alternativa de morar em lugar mais seguro e digno, a culpa por perecerem ou verem os seus parentes morrerem soterrados. Na cabeça dela, do Governador, dos Prefeitos, as pessoas estão ali porque querem. Estranho querer!
A Presidente veio ao Nordeste lançar o plano de “combate à seca”. Como a seca é um fenômeno meteorológico, que consiste na má distribuição espacial, temporal e quantitativa de chuvas, provocado por uma complexa sinergia que envolve movimentos de marés, deslocamentos de massas de ar frio e seco, dentre outros, fica difícil imaginar como algum terráqueo (mesmo com os poderes sobrenaturais que ela acredita ter) poderia “combater” semelhante combinação de fatores físicos e naturais. Com ela vieram o Ministro da Integração Nacional, governadores do Nordeste (não vi a Governadora do Maranhão, talvez porque por aqui não haja seca e tudo esteja correndo às mil maravilhas) e, pasmem o Presidente do Senado. Ele mesmo. O “grande criador de gado” das Alagoas, figura carimbada do coronelismo regional. Sentado à direita da deusa-mãe, a administradora intransigente com “mal-feitorias” que, segundo o que a imprensa divulga, costuma tratar com dedo em riste os seus subalternos-bajuladores (inclusos membros do Congresso). O Presidente do Senado, outrora desafeto, caprichava na pose concentrado no texto em que mais tarde faria afagos aos egos das empregadas domésticas, em cadeia nacional de televisão pago por nós que trabalhamos duro para sustentar as “bondades” dessa gente. Discurso de bom moço, que sempre se preocupou com causas nobres. Não poderia deixar dúvidas nas cabeças dos telespectadores de que a PEC das empregadas domésticas apenas passou porque ele esteve firme, defendendo-lhes os interesses contra patrões escravagistas (na linguagem dele) da classe média. Todos juntos em Fortaleza, numa comitiva cujo deslocamento e hospedagem devem ter custado bem mais do que o volume dos recursos anunciados. A presidente, ao lado de todos com a aparência séria e contrita, como convinha ao momento, anunciou como principal medida de “combate à seca” a utilização dos outrora execrados caminhões-pipas.
Não se falou em medidas estruturantes, ou em ações que resolvam, em definitivo, o problema. As Bibliotecas das Escolas de Agronomia do Nordeste e da EMBRAPA estão abarrotadas de trabalhos mostrando alternativas de produção agrícola com escassez pluviométrica. Podem-se ainda fomentar atividades não agrícolas geradoras de ocupação e renda em áreas com deficiência hídrica. Mas disso não se cogita. Melhor “combater a seca”, via carros-pipas. Prá quem“acabou com a pobreza extrema” transferindo ‘setentinha’ de renda, será moleza “eliminar a seca” via água de carro-pipa. Os Nordestinos, e Celso Furtado em seu leito tumular, podem ficar tranqüilos. Os ainda vivos não precisarão mais emigrar para os estados do Norte. O paraíso agora é aqui!
==========
*Professor Associado na Universidade Federal do Ceará. Escreve aos sábados para jornal O Imparcial

terça-feira

Morte de liderança do MST no RN será investigada pela Polícia Civil.

Os militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foram surpreendidos com a notícia da morte do jovem Leonardo Silva da Penha, 25 anos, encontrado morto na noite de ontem na estrada que separa as cidades de Nova Cruz e Montanhas, no interior do estado.Leonardo é um dos líderes do MST no Rio Grande do Norte e era articulador das ocupações nas cidades de Nova Cruz, Montanhas e Boa Saúde.
Pela forte atuação de Leonardo na luta pela reforma agrária no estado ele já havia recebido várias ameças de morte. As causas iniciais da morte do militante foram atribuídas a um acidente de moto, porém outros membros do  MST relatam não acreditar nessa versão,  já que o estado do veículo e a condição que o corpo foi encontrado são suspeitas. Eles acreditam na hipótese de morte política, dada a atuação de Leonardo dentro do MST.
Visando tentar elucidar e garantir que haja uma investigação rigorosa sobre a  morte do militante, o Vereador Sandro Pimentel (PSOL) se reuniu hoje com  diretor de Polícia Civil para o interior do Rio Grande do Norte, Dr José Carlos.O vereador informou ao diretor sobre as circunstâncias suspeitas da morte de Leonardo, além de lembrar as ameaças de morte que o jovem tinha recebido.
Sandro conhecia Leonardo e tinha participado de uma reunião com o rapaz na segunda-feira, 15/04, pela manhã, onde trataram de temas ligados as ocupações que o MST  realiza no estado.
José Carlos se comprometeu em fazer uma investigação criteriosa e já designou um delegado para cuidar do caso. A  partir desta quarta-feira, 17, haverá a coleta de depoimentos de pessoas próximas a Leonardo. Os depoimentos ocorrerão na Delegacia de Polícia Civil de Nova Cruz,  distante 100 km da Capital Potiguar.
O corpo de Leonardo Silva já está no Instituto Técnico-Científico de Polícia (ITEP), onde passa por perícia. Se houver liberação do corpo, o sepultamento deve ocorrer na manhã dessa quarta, 17/04, em Ceará-Mirim,  cidade onde nasceu.
Fonte: Site do Vereador Sandro Pimentel.