quinta-feira

DESCASO EM APODI

Chuvas estragam estradas e isolam famílias

Todo ano de inverno é a mesma coisa. O rio Apodi começa a receber água e as comunidades do Vale do Apodi ficam prejudicadas por falta de acesso. Sem pontes ou passagens molhadas, os moradores de várias localidades da região conhecida como várzea precisam encontrar acessos que, muitas vezes, aumentam em até duas vezes o trajeto percorrido no verão. Quem se arrisca a passar pelos caminhos de sempre só pode fazer no máximo de motocicleta, uma vez que a água toma partes da estrada.
Thiago Costa mora no sítio Baixa Fechada I, mas trabalha em Apodi e faz faculdade em Caraúbas no turno noturno. Todos os dias, ele enfrenta o dilema de atravessar dois trechos do rio Apodi duas vezes por dia em sua motocicleta, que, segundo ele, não vai aguentar até o final do inverno. "A alternativa que tenho é ir pelo sítio Caboclo, mas aí o percurso aumenta dois tantos", disse.
Segundo Thiago, qualquer caminho que precise tomar, o obriga a atravessar o rio ou seus afluentes. "Só conseguimos atravessar o rio hoje, porque fizemos passagens com troncos de carnaubeiras, senão estávamos todos ilhados", enfatizou o estudante, dizendo que a comunidade espera a instalação de passagens molhadas prometidas pela Prefeitura.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Apodi (STR), Francisco Edilson Neto, disse que todas as estradas vicinais da zona rural de Apodi estão praticamente intransitáveis. Segundo ele, o problema atinge todas as regiões. "Na comunidade de Várzea de Salinas, por exemplo, as pessoas só conseguem pegar a RN que dá acesso a Apodi se forem por São Geraldo, em Caraúbas", completou.
O engenheiro agrônomo Júnior Costa reclama que transitar nas estradas da Chapada do Apodi está sendo uma tarefa das mais difíceis, principalmente na extensão entre o distrito de Soledade e a divisa com o Ceará, passando pelas localidades de Laje do Meio e Paraíso.

Prefeitura
O secretário de Obras de Apodi, Moésio Fernandes, explica que já foram feitas passagens com bueiros em algumas localidades, no entanto, ele explica que nesse período de inverno não é possível resolver nada. "Nossa prioridade é fazer com que os alunos cheguem às escolas. Estamos ajeitando o que dá, mas a chuva destrói no dia seguinte", enfatiza.
Segundo Moésio, existem dois projetos da Prefeitura tramitando em Brasília que pedem a liberação de recursos para construção de pontes de alvenaria em dois pontos estratégicos do Vale. A intenção é permitir aos moradores das localidades mais atingidas alternativas de acesso ao centro da cidade em situações mais críticas.
Enquanto isso não se concretiza, Moésio pede que as pessoas entendam as dificuldades de resposta neste período de inverno rigoroso. "Temos mais de mil quilômetros de estradas carroçáveis em quatro regiões do município para cuidar", explica o secretário.

Por.: JOTTA PAIVA De Apodi
Fonte: Jornal De Fato

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