segunda-feira

Via Campesina, Contag e Fetraf realizam ato político na Câmara dos Deputado

Nesta terça (28/2), a Via Campesina, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf) farão um ato político às 14h, no plenário 15 da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na ocasião, as organizações divulgarão as decisões tomadas durante o Seminário Nacional de Organizações Sociais do Campo, que se inicia hoje na sede da Contag.
“É preciso unir forças para que as nossas pautas sejam priorizadas pelo governo federal e construir uma visão conjunta acerca da questão agrária no Brasil. Nossa articulação busca o compromisso de setores do Governo, senadores, deputados e de toda a sociedade para questões como reforma agrária, políticas de crédito, habitação e comercialização”, explica Rosângela Piovizani, integrante da Via Campesina.
O seminário nacional conta com a presença de cerca de 100 dirigentes de movimentos sociais nacionais e regionais, como o MST, MPA, MMC, Contag e Fetraf para aprofundar a articulação e definir os pontos de consenso e as táticas comuns.
Propostas de mobilizações unificadas e o retorno da reforma agrária para a centralidade das políticas do País são as principais questões a serem debatidas. “A ideia é que todos os movimentos presentes apresentem elementos que contribuam na construção de uma unidade em torno desse tema”, completa Willian Clementino, secretário de Política Agrária da Contag.

Dow e Monsanto somam forças para envenenar população dos Estados Unidos


Em um casamento que muitos diriam foi engendrado no inferno, os dois maiores produtores de agroquímicos do país somaram forças em uma parceria para reintroduzir o uso do herbicida 2,4-D, metade do infame desfolhante Agente Laranja, que foi usado pelas tropas norte-americanas para limpar as florestas durante a Guerra do Vietnã. Essas duas gigantes da biotecnologia desenvolveram um programa de administração de semente que, se for bem sucedido, será um grande passo na direção de dobrar o uso do herbicida nocivo no cinturão de milho dos Estados Unidos durante a próxima década.
O problema para os fazendeiros de milho é que as “super sementes” vem desenvolvendo resistência ao Roundup, herbicida campeão de vendas nos Estados Unidos, que é pulverizado em milhões de hectares do centro-oeste e em outros lugares. A Dow Agrosciences desenvolveu uma variedade de milho que ela diz que resolve esse problema. A nova variedade geneticamente modificada tolera o 2,4-D, que vai matar as ervas resistentes ao Roundup, mas deixará o milho em pé.  Os fazendeiros que optarem pelo sistema terão que dar uma dose dupla a suas plantações, com o coquetel mortífero de Roundup mais o 2,4-D, ambos fabricados pela Monsanto.
Mas este plano alarmou os ambientalistas e também muitos fazendeiros, que relutam em reintroduzir um químico cuja toxicidade já foi muito bem documentada. O 2,4-D foi banido por vários países da Europa e em províncias do Canadá. Suspeita-se que a substância seja carcinogênica, e já foi provado, em um estudo conduzido pelo patologista Vincent Garry, da Universidade de Minnesota, que a incidência de defeitos de nascença dobra em filhos de aplicadores de pesticidas.

sexta-feira

Condenação da Monsanto pode abrir caminho para outras acusações


Do Le Monde


A empresa americana Monsanto foi julgada “responsável”, segunda-feira (13), pelo envenenamento por herbicida de um agricultor francês. Esta decisão do Tribunal Superior de Lyon, pela primeira vez adotada na França, poderá abrir caminho para outras condenações similares, de acordo com Stephane Cottineau, advogado especializado em questões ambientais e que trabalha estreitamente com a associação Phytovictimes.

Concretamente, o que esse julgamento vai mudar ?

Por enquanto esta é apenas uma sentença em primeira instância. Eu acho que a Monsanto vai recorrer e, portanto, o caso pode ser prorrogado. Mas esta decisão constitui uma primeira iniciativa na história e vai, mesmo assim, dar idéias para muitas pessoas. Agora isto significa que cada vez que um acidente ou uma doença profissional envolva produtos químicos bem identificados, será possível atacar o produtor. Esta é uma notícia muito positiva, o que poderia permitir a obtenção indenizações em muitos outros casos.

Como são indenizadas as vítimas de produtos fitossanitários ?

Na maioria dos casos é necessário o reconhecido da doença profissional pelos Tribunais de Casos de Segurança Social (Tribunaux des Affaires de Sécurité Sociale - TASS). Isso requer o estabelecimento de causalidade entre a doença e o uso de produtos fitossanitários. Então, quando a causalidade é reconhecida, há indenização. Isto é assegurado na maioria dos casos pela segurança social dos agricultores. Em outras palavras, é a sociedade que paga pela sua doença.

Depois, também é possível, para os interessados, mover uma ação no Tribunal de Grande Instância, como fez Paul François, para estabelecer a responsabilidade das empresas que comercializaram os produtos que originaram a doença. Com o julgamento do tribunal de Lyon, certamente isso irá mudar. Mas será sempre complicado provar a responsabilidade, sobretudo nos casos de doenças profissionais. Elas não resultam de um acidente em um momento preciso, mas são estendidas no tempo e tornam complexa a identificação de um só produto – e por consequência de um só produtor – responsável pela intoxicação.

As vítimas também podem voltarem-se contra o Estado por ter autorizado esses produtos perigosos?

Existe uma condenação nesse sentido na Inglaterra. Uma mulher atacou o governo por falta de proteção às populações vizinhas dos campos onde eram utilizados produtos fitossanitários. Na França, isso seria muito dificilmente aplicável. A legislação francesa é muito mais complexa e um tribunal superior não poderia se pronunciar sobre o assunto.
 

quinta-feira

A alternativa agroecológica

Agricultores e agricultoras da Borborema garantem renovação dos estoques de sementes crioulas 

Mais de três mil agricultoras e agricultores da Região do Pólo da Borborema estão renovando os seus estoques de sementes para a próxima safra por meio do fortalecimento dos Bancos de Sementes Comunitários (BSCs). O apoio para a compra das sementes crioulas veio de um projeto celebrado entre o Pólo da Borborema, a AS-PTA Agroecologia e Agricultora Familiar e a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) que, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), passou a disponibilizar recursos para a compra de sementes produzidas pelas famílias agricultoras da região. 

Atualmente o PAA apresenta-se como uma das poucas possibilidades de aquisição de sementes crioulas da agricultura familiar com recursos governamentais. Esse caráter inovador do programa abre possibilidades importantes para que os agricultores familiares e suas organizações possam cobrar mudanças na política de distribuição de sementes para o semiárido, construindo uma política que seja capaz de valorizar a agrobiodiversidade e as diferentes formas de resistência e costumes das famílias agricultoras.

De acordo com Emanoel Dias, técnico da AS-PTA, a iniciativa ajuda a dar força à rede formada por mais de 80 bancos de sementes e um banco-mãe, existentes em 16 municípios do território da Borborema: “A lei de 2003 que reconheceu as sementes crioulas como apropriadas para o armazenamento e cultivo, somada à implementação do PAA em 2004, ajudou a impulsionar este trabalho com os BSC’s, pois permite que o pequeno agricultor possa acessar recursos para vender e comprar suas sementes”, afirmou. Segundo Emanuel, as vantagens em adquirir sementes crioulas para as famílias agricultoras são muitas: “são sementes adaptadas ao clima e ao tipo de solo de cada local e longe do perigo da contaminação por agrotóxicos ou transgênicos”, explica. 

A criação dos bancos foi uma das alternativas encontradas pelas famílias para manter a autonomia sobre suas sementes, o que garante a produção do próximo plantio no momento certo, principalmente nos períodos de estiagem. Além disso, a estocagem das sementes nos bancos garante a preservação da diversidade. As sementes tradicionais são fundamentais para a reprodução da agricultura familiar camponesa. Elas representam o patrimônio genético e cultural de milhares de agricultores e agricultoras, razão pela qual, na Paraíba, recebem o nome de “Sementes da Paixão”. O trabalho de estruturação dos Bancos de Sementes Comunitários vem sendo desenvolvido de forma articulada com a Rede de Bancos de Sementes da ASA Paraíba, somando um total de 220 bancos comunitários em todo estado.

O agricultor José Luna de Oliveira, conhecido como Zé Pequeno, explica que a rede de bancos de sementes é formada por três tipos de bancos: “o familiar, que é aquele que cada agricultor mantém dentro da sua casa, o banco de sementes comunitário, e o banco-mãe, que é abastecido pelos demais, para que ele possa servir como um reforço a todos”.

Fonte: Site da ASA - Brasil

‘Transposição foi abandonada, virou ralo de dinheiro’

As rachaduras no concreto denunciam a paralisação de uma das obras mais propagandeadas do governo Lula e bandeira de Dilma Rousseff no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Trechos da obra de transposição do Rio São Francisco estão se degenerando. Coordenador da Comissão Pastoral da Terra na Bahia e da articulação São Francisco Vivo, o sociólogo Ruben Siqueira vê na obra um “ralo do dinheiro público”. Confira entrevista:
- A transposição do São Francisco é uma obra da indústria da seca. Há séculos se constroem grandes obras no Nordeste para resolver o problema das secas, mas na verdade estas obras são ralos do dinheiro público.
Os ativistas registraram imagens de rachaduras nos canais próximos a Custódia, em Pernambuco. Há pelo menos seis meses, diz Siqueira, ninguém trabalha mais ali. “Ao longo de vários quilômetros, não há viva alma”, espanta-se.
Os canais degradados terão de ser refeitos, mas o ministério da Integração Nacional afirma em nota que a responsabilidade da reconstrução é das construtoras e que “não há risco de perda ou prejuízo para o Governo”.
O custo previsto do conjunto de obras em 2010 era de R$ 5,04 bilhões, mas em agosto o ministério anunciou que o processo ficaria 36% mais caro, saltando para R$ 6,85 bilhões. Siqueira critica o aumento: “Isso dá a impressão pra gente de que é isso mesmo que se queria. Que é algo para se fazer e refazer e aí lá vai dinheiro”.
Há ainda denúncias de atrasos nas obras de revitalização de regiões já cortadas pelo Rio. No bairro do Quidé, na baiana Juazeiro, o grupo fotografou áreas de esgoto a céu aberto. Uma das principais necessidades é a de saneamento, para evitar maior contaminação das águas do Rio.

quarta-feira

Marcha Mundial das Mulheres define temas para o 8 de março

Na manhã da última quarta feira  ontem a Marcha Mundial das Mulheres da região Oeste do Rio Grande do Norte se reuniu na sede do Centro Feminista, em Mossoró, para preparar e organizar as atividades do dia 8 de março, dia internacional das mulheres.
A plenária começou com as militantes reafirmando o sentido do 8 de Março para cada uma. Os sentimentos estavam todos relacionados que este é um dia de luta, de sair as ruas, de fazer barulho e de ser irreverente. “Esse é um dia que temos que estar nas ruas, dizendo e fazendo muito barulho para que a sociedade nos escute e se convença do nosso direito a igualdade e a liberdade”, expressa Viviana Mesquita, militante da Marcha Mundial das Mulheres de Mossoró.
Para Socorro, da Comissão de Mulheres do STTR de Upanema, esse é um momento para evidenciar as conquistas, mas também denúncia e reivindicação.
Após construírem um sentimento coletivo sobre esse dia tão importante para a luta das mulheres, foi o momento das mulheres darem informe das atividades que serão realizadas em seus municípios como, por exemplo, o processo preparatório ao dia 08 de Março, que terá uma ação regional, na cidade de Mossoró.
Para a atividade regional será organizada uma passeata dividida por alas, que agregará diversos temas relacionados com a realidade cotidiana das mulheres. A primeira ala, que será vermelha e lilás, tem como tema ‘Contra a violência e pela igualdade e liberdade das mulheres’. A segunda ala será verde e lilás e terá como tema ‘Contra a economia verde, pela terra, água e por soberania alimentar. Já a terceira ala será laranja e lilás e tratará do tema ‘Contra a exclusão e pela universalização das políticas públicas’.
A programação deste ano começa no dia 07, com um seminário que abordará os três temas das alas e no dia 08 será organizada a grande Marcha com a presença de trabalhadoras rurais, trabalhadoras urbanas, pescadoras, marisqueiras, jovens, lésbicas, negras e o conjunto de diversidades das mulheres da região Oeste.
“Queremos continuar com um 8 de Março que reforce a luta das mulheres, que dialogue com a sociedade sobre a realidade das mulheres e que cobre do poder público medidas e políticas que promovam a igualdade entre homens e mulheres”, conclui Conceição Dantas, coordenadora nacional da Marcha Mundial das Mulheres.
“Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!!!
Mais informações:
+558433161537 | 33213800 | 88494002

segunda-feira

Agricultor apodiense colhe macaxeira que mede aproximadamente 2,5 metros.

O agricultor   Francisco José de Morais Júnior, mais conhecido como Júnior de Seu Chiquinho Galdino, além de sobreviver do que cultiva em sua pequena propriedade planta em seu quintal alguns legumes utilizados na alimentação da família.
O Fato é que surpreendentemente ao colher uma macaxeira em seu quintal na comunidade rural de Trapiá II localizada a 10 km da cidade de Apodi, ele foi surpreendido pelos cerca 2m40cm de comprimento que o tubérculo media.
A macaxeira gigante virou atração na comunidade depois que o agricultor resolveu compartilhar a novidade com seus vizinhos, onde várias pessoas registraram o fato inusitado.
De acordo com Júnior, essa é a primeira vez que isso acontece; questionado sobre o motivo da grandeza da macaxeira, ele ressalta que não usa agrotóxicos e muito menos fertilizantes, mas que cuida fielmente, com cuidado e muita água, além disso o nosso o nosso solo que é bastante fértil – disse Júnior.
Confira as imagens abaixo: 
Júnior - Agricultor Familiar da Comunidade de Trapiá II

Júnior e Tica (sua esposa) medindo o Tubercúlo

Medição exata

Macaxeira Gigante
  Por: Agnaldo Fernandes
Fotos extraídas do Blog Trapiá Apodi

sexta-feira

2012: o Ano Internacional das Cooperativas.


Por João Previattelli

Da Página do MST

O ano de 2012 foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional das Cooperativas. Enquanto forma de organização democrática, as cooperativas podem ser utilizadas como um meio de redução da pobreza, inclusão econômica e social de grupos que historicamente são excluídos da sociedade capitalista como, por exemplo, os indígenas, as mulheres e os pequenos agricultores.
Para Milton Fornazieri, da coordenação de produção nacional do MST e presidente da Confederação Nacional das Cooperativas de Reforma Agrária no Brasil (Concrab), essa decisão da ONU se torna uma oportunidade para que esse modo de organização avance com mais força. “É um reconhecimento do processo cooperativo que está presente no mundo inteiro e isso pode incentivar sua continuidade”, acredita.
Fornazieri explica que há duas formas de organizar a produção: a individual – e que a cada dia vem se torna mais difícil -, e a outra é de maneira organizada e coletiva.
“Dentro desse campo (organizada) é que entra a cooperativa. Ela é uma ferramenta que expressa o trabalho cooperado. Outro elemento central é a aglutinação do trabalho que existe não só dentro dos assentamentos, mas também entre os assentamentos”, pontua.
São diversos os benefícios trazidos por essa prática, principalmente para os pequenos produtores rurais, que encontram nas cooperativas uma força maior para negociar e compartilhar seus alimentos.
De acordo com a ONU, há no mundo mais de 800 milhões de associado, gerando cerca de 100 milhões de empregos - 20% a mais do que gera as empresas multinacionais. Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) aponta o modelo de cooperativas enquanto uma premissa essencial para eliminar a fome dos cerca de 1 bilhão de famintos que existem no mundo inteiro.
No entanto, de acordo com Fornazieri, apenas esse reconhecimento da ONU não é suficiente para que esse modelo de produção se desenvolva com mais vigor. É necessário que haja, sobretudo, políticas públicas mais eficazes voltadas para o setor, “principalmente junto ao Ministério da Agricultura, que visa apenas às grandes cooperativas tradicionais, que de cooperação tem pouca coisa além do nome”, ressalta.
Isso implica na mudança do modelo predominante de agricultura praticado no Brasil e na maior parte do mundo: o agronegócio, cuja base produtiva não se respalda na produção de alimentos, e sim no monocultivo de commodities voltada para o mercado externo, com a utilização de enormes quantidades de agrotóxicos, sem a geração de grandes quantidades de emprego e se utilizando da mão de obra barata, fomentando a precarização do trabalho.

quarta-feira

Virtudes da crise: O cidadão e o ambiente

Por:  Luiz Gonzaga Belluzzo
A crise global tem lá suas virtudes. Entre as raras, lançou os economistas nas hostes da defesa do ecúmeno. Em alguns casos, leio e vejo o tema tratado com respeito. Respeito e sem despeito pelo sujeito que realmente interessa na relação economia–sociedade-natureza, o cidadão e suas condições de vida.
Kenneth Rogoff publicou um artigo implacável sobre o tema, sem flutuar nas indefinições convenientes que opõem genericamente o progresso econômico à preservação ambiental. Progresso e econômico são nominações sem conceito e se prestam a tergiversações ideológicas e álibis interessados. Nessas caixas aconcentuais cabem quaisquer contrabandos, como, por exemplo, o consumismo desaçaimado, introduzido na história como um deus ex machina.
Em seu artigo, Rogoff revela algumas inclinações perigosas num mundo que se acoita nas paliçadas do politicamente correto. Uma delas é dar o nome e endereço dos processos que desataram a agressão ao ecúmeno e à vida civilizada no planeta. “A sistemática e ampla falha regulatória é o elefante enfiado na sala do capitalismo ocidental.” Rogoff diz que a dinâmica político-financeira levou ao ataque cardíaco da economia em 2008, mas está interessado em ir além e investigar as mazelas constitutivas, estruturais, do dito capitalismo ocidental. Cuida da indústria de alimentos e de sua influência “maligna nos padrões de nutrição e na saúde dos cidadãos”. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças constatou que um terço dos adultos americanos é de obesos. Ainda mais chocante: entre seis crianças, uma é obesa. Os custos da obesidade não se restringem aos danos causados aos indivíduos, mas pesam no bolso da sociedade sob a forma de maiores gastos com saúde.
Luiz Gonzaga Belluzzo é economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.

Embrapa é acusada de violar dignidade de trabalhadores

Maria Melo
De Brasília
Trabalhadores são obrigados a passar as noites isolados, privados do convívio social e familiar, sem estrutura de alojamento e alimentação adequada
A exploração de trabalhadores no Norte do país já não é privilégio apenas de empresas privadas e latifundiários. No início de janeiro, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) denunciou a existência de pessoas em condições degradantes de trabalho no Campo Experimental do Distrito Agropecuário da Suframa, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Ocidental, localizado em Presidente Figueiredo (AM).         
Distantes cerca de 50 quilômetros da cidade onde vivem, Manaus, os trabalhadores são obrigados a passar as noites entre segunda e sexta-feiras isolados no campo, privados do convívio social e familiar, sem estrutura de alojamento e alimentação adequada, atendimento médico ou acesso a telefone.    
A situação veio à tona quando a presidenta da Seção Sindical Amazônia, Simone Alves, começou a apurar um caso de desentendimento entre empregados ocorrido fora do expediente de trabalho, que gerou a suspensão irregular de um deles. “Descobrimos que eles são obrigados a passar as noites lá para que a empresa não gaste com transporte. Além disso, são usados para vigiar o campo experimental – o que caracteriza desvio de função. Não ganham hora de sobreaviso nem hora extra”. Segundo a sindicalista, eles também são obrigados a cozinhar a própria comida e a se alimentar em um refeitório improvisado em meio a fezes de morcegos e ratos espalhadas pelo chão e paredes, sem qualquer condição de higiene. O lugar onde dorme o trabalhador José Maria, conhecido por Fumaça, é na verdade um miniauditório abandonado. Nenhum alojamento do campo possui mobília nem cama, tampouco fornecimento de lençóis ou de colchões.          
Jornada exaustiva
A jornada de trabalho no local também é exaustiva: apenas oito trabalhadores da Embrapa e dois terceirizados cuidam de toda a área, que tem cerca de cinde mil hectares e dezenas de experimentos em andamento, envolvendo plantas e animais. “É preciso caminhar por cerca de três horas na mata carregando equipamentos e insumos para chegar aos locais dos experimentos em determinadas épocas no ano”, conta a diretora de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente do Sinpaf, Mirane Costa. 

Em desacordo com o Acordo Coletivo de Trabalho da empresa, que estabelece o direito de ir e vir do local de trabalho diariamente após o início e fim da jornada, não há transporte para os operários do campo. “Mas o supervisor da área tem carro da Embrapa com deslocamento diário até sua residência em Manaus”, destaca a diretora.   
De acordo com a dirigente, a supressão do direito ao convívio social e familiar diário também é vista como contribuinte aos casos de degradação do ambiente de trabalho, brigas e intrigas internas e ao alto índice de dependentes alcoólicos no grupo. “Dos oito trabalhadores, identificamos pelo menos três com essa dependência, associada por diversos estudiosos da relação de trabalho como doença promovida pela degradação das condições laborais. Há relatos de estresse e esgotamento mental, inclusive com denúncias já formuladas junto ao Ministério Público Federal e com atestado médico – neste caso para o Campo Experimental do rio Urubu, também pertencente à Embrapa em Manaus e gerido em condições semelhantes”.           
Como não há serviço de vigilância, os funcionários são forçados a fazê-lo de forma involuntária, sem qualquer preparo para defender suas vidas e o patrimônio da Embrapa – que os imputa informalmente a responsabilidade pelo serviço.   

terça-feira

“Apenas a agricultura camponesa vai alimentar o mundo”, diz especialista .

Por Raquel Júnia
Da Fiocruz


“O sistema de agricultura industrial trabalha com, no máximo, 150 variedades de alimentos. No entanto, o foco principal deles está em 12 variedades. Eles alegam que se puderem fazer uma engenharia dessas 12 variedades, resolvem a questão da alimentação. Enquanto isso, a rede mundial de agricultura camponesa trabalha com sete mil espécies. Então, quem vocês acham que vai nos dar as maiores chances de nos alimentar diante das mudanças climáticas?”, questionou Mooney.

A ETC Group realiza uma série de estudos sobre os mecanismos das multinacionais para tentar privatizar a biodiversidade do planeta. Segundo o pesquisador, desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, as indústrias do sistema agroalimentar produziram 80 mil variedades de plantas. Entretanto, 59% dessas variedades são de espécies ornamentais. “Comparado a essas 80 mil variedades que as indústrias produziram, a agricultura camponesa mundial produziu 2,1 milhões de variedades. Então, quem tem a flexibilidade para suportar as mudanças climáticas?”, ponderou. De acordo com Mooney, na criação de animais a desproporção na diversidade de produção do agronegócio e da agricultura camponesa se mantém - na criação de peixes, por exemplo, o agronegócio cria 363 espécies, já a produção artesanal dos camponeses trabalha com 22 mil espécies.

Mooney também apresentou dados sobre a preservação dos solos. “As empresas de fertilizantes conseguem destruir 70 bilhões de toneladas da camada fértil do solo por ano. Já os sistemas camponeses de produção conservam 140 bilhões de toneladas dessa camada do solo”, informou. O pesquisador disse ainda que as empresas do agronegócio tentam buscar nos territórios dos camponeses a diversidade preservada por eles para que possam realizar cruzamentos em laboratório. Segundo Mooney, as empresas estão em busca de espécies silvestres existentes nos territórios camponeses ou nas zonas próximas e nas florestas ao redor dos territórios camponeses, que contabilizam uma diversidade de 50 a 60 mil espécies silvestres.

Campo de batalha na Rio+20

Para Mooney, a pressão sobre o Brasil duplicou com a escolha recente de um brasileiro como secretário executivo do Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, o ex-secretário nacional de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias. Segundo Mooney, a Conferência Rio+20 será um campo de batalha sobre a biodiversidade do planeta, que já perdeu para as corporações 23,8% das espécies.  “O que o capitalismo vem buscar aqui são os 76,2% que restam. Essa é a batalha do Rio. Com a crise das hipotecas em 2007, nós já demos aos banqueiros 14 trilhões de dólares. Agora, se aceitarmos essa nova proposta de financeirização da natureza, o que estamos dizendo para aqueles mesmos bancos é que eles podem vir e brincar em nosso jardim. Seremos insanos se aceitarmos isso”, finalizou.

Latifúndio improdutivo impede desenvolvimento de regiões no Maranhão


 Por Reynaldo Costa
Da Página do MST

No Município de Bom Jesus das Selvas, centro oeste do Maranhão, a área urbana da cidade só cresce beirando a rodovia, que corta a localidade ao meio. Isso acontece porque imensos latifúndios impedem o surgimento de novas moradias.

Uma área grilada com cerca de 12 mil hecatres pertencente a União - como consta um relatório da Superintendência de Regularização Fundiária da Amazônia Legal -, havia sido ocupada este ano por cerca de 300 famílias sem terra.
Entretanto, na manhã desta última sexta-feira (10), as famílias que ocupavam a área foram despejadas irregularmente. Como a área é da união, somente a justiça federal tem competência para tal ação. No entanto, mesmo assim depois de comunicado formalmente pelo superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Estado, o comando local da PM realizou a operação.
Além da desapropriação para a criação de assentamento rural, as famílias reivindicam que parte da área seja destinada para projetos habitacionais do governo municipal. Entidades denunciam que o município perdeu projetos federais para habitação por não existir terrenos para a construção das moradias.

 

quinta-feira

CONVITE: STTR Convida Trabalhadores da Fruticultura Irrigada.

No dia 11 de fevereiro,sábado,as 9:00hs da mânha,acontecerá no sindicato dos trabalhadores rurais de Apodi uma reunião com os trabalhadores que trabalham nas empresas da fruticultura irrigada do município de Apodi para discutirem sobre campanha salarial.Quem estará coordenando a reunião será a Fetarn.


Atenciosamente, STTR - Apodi.


Fonte:  www.radiovaledoapodiam1030.blogspot.com

Somente no município de Timbaúba dos Batista a APAVA Comercializa 14 toneladas de Arroz vermelho

A Associação dos produtores de Arroz do Vale do Apodi, guarda hoje em seu armazém cercas de 200 toneladas de Arroz vermelho in natura, e busca comercializar com preço justo e assim favorecer as várias famílias produtoras no vale do Apodi.
Ontem representantes da associação negociaram junto ao empresario Guilherme do município de Timbaúba dos Batistas a comercialização de mais de 14 toneladas de arroz. Segundo ele, ainda esse trimestre voltará para Apodi visando a compra de outra carrada.
O sócios de sócios da APAVA ficam muito felizes por comercializarem de forma justa sua produção e a perspectiva é de aumentar cada vez mais a produção, tendo em vista que de forma organizada estão conseguindo um preço mais em conta. 
Sabemos que atualmente a produção é muito elevada, mas mesmo assim os produtores desejam aumentar cada vez mais.

Por João Francisco.

quarta-feira

‘Para crescer, a agricultura precisa aprender a preservar’, afirma publicação da FAO

Livro Preservar e Crescer
Com base nas lições aprendidas após a Revolução Verde na década de 1960, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lançou hoje o livro “Preservar e Crescer”, com propostas para aumentar a produção de alimentos no mundo de forma mais sustentável. “Esses métodos ajudam a adaptar as culturas às mudanças climáticas e, além de aumentar a produção, contribuem para reduzir em 30% a quantidade de água utilizada, podendo reduzir em até 60% os custos de energia”, afirma.
A agência destaca que o paradigma atual de intensa produção não é suficiente para satisfazer os desafios do novo milênio. “Para crescer, a agricultura precisa aprender a preservar”. A nova abordagem tem foco em pequenos agricultores – cerca de 2,5 bilhões de pessoas – nos países em desenvolvimento, regiões onde a produção precisa aumentar em 100% para atender a demanda por alimentos até 2050, quando a população mundial pode chegar a 9,2 bilhões de pessoas.
A publicação também destaca a necessidade de combinar técnicas que preservam a estrutura do solo com a gestão integrada de pragas, minimizando a necessidade de pesticidas.
Fonte: UNIC Rio